quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Crónica de um Professor


Dia 1 de Maio. Dia do Trabalhador

Faz-se uma interrupção no trabalho, um feriado, para comemorar o Dia do Trabalhador! É, no mínimo, paradoxal, esta lógica do ser humano!
Sendo um valor que acompanha o homem em todas as sociedades, tem sido encarado das mais diversas formas. A ironia que subjaz à expressão “O trabalho dá saúde que trabalhem os doentes!”, atesta de forma jocosa a ambivalência do conceito. É um valor, sim, para muitos, mas também uma imposição para tantos outros, que, não o acatam com prazer!
O aforismo popular “O trabalho não azeda” contraria o outro provérbio, “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”. Afinal, sendo o povo detentor de uma sabedoria catalogada e milenar, também se contradiz nestas tiradas de sapiência!
O valor do Trabalho que a teacher interiorizou, por herança genética, tem o peso e o valor que os seus progenitores lhe transmitiram. Sempre observou, empiricamente, como os pais, desde tenra idade, o iam transmitindo.
Nesta perspectiva, discorda das políticas dos últimos governos, em relação a alguns apoios pecuniários, atribuídos aos desempregados do mercado laboral. Haveria múltiplas formas de ocupar as pessoas atingidas pelo flagelo do desemprego, dando-lhes tarefas, trabalho, num serviço cívico a prestar à comunidade. Para uma camada da população que não atribui ao trabalho, o valor, a dignidade que este confere, é mais fácil, cómodo e aliciante ficar à “boa vida”, sem fazer nada, sem despender qualquer esforço, e ter no fim do mês, a migalha, a esmola, o RSI (rendimento social de inserção) que o governo, displicentemente, lhes disponibiliza.
Para os que dão o corpo ao manifesto, que fazem pela vida, que se esfalfam para ganhar o pão nosso de cada dia, que fazem calos nas mãos... ou nas cordas vocais, essa medida é vista com desaprovação, desconforto, desconfiança.
Invoca-se aqui, a análise de António Aleixo:

Quem trabalha e mata a fome,
Não come o pão de ninguém!
Mas quem não trabalha e come
Come sempre o pão de alguém
!

Há sempre alguém que por falta de cabeça, de capacidades, de dignidade, prefere estar às sopas dos outros, neste caso concreto, do governo, a “vergar a mola” e trabalhar! Faz calos! Dizem alguns, preferindo ficar na indigência.
No seu percurso profissional, quando no final do ano lectivo se ocupava das matrículas, tarefa, já há muito desempenhada pelos DTs (directores de turma), deparava-se com esta cena tão caricata quanto insólita.
Algumas mães, quando acompanhavam os filhos nas matrículas e eram interpeladas sobre a sua profissão, respondiam que não faziam nada, que não trabalhavam. Eram domésticas!
A teacher remoía-se toda por dentro, contra esta assumpção de “inutilidade” de “indigência”, pois sabia que não correspondia à verdade.
Durante muitos anos, senão décadas ou até séculos, o trabalho doméstico não estava catalogado no rol das profissões que os pais dos alunos indicavam, aquando do preenchimento dos boletins de matrícula.
- Não limpa a casa?
- Não passa a ferro?
- Não cuida da educação dos seus filhos?
- Não zela pelos interesses da família?
Interrogava a teacher, levando as ditas mulheres “indigentes” a reflectir sobre a panóplia de afazeres que lhes preenchiam o dia.
Claro que sim, Sra Doutora, faço tudo isso! Era a resposta imediata.
E... ainda se atreve a dizer que não trabalha e que não tem profissão? Só porque não é remunerada? Não tem um patrão directo, com visibilidade para lhe exigir um horário rígido de entrar e largar o trabalho. Aposta a teacher que estas donas de casa que se esfalfam para que as suas tarefas sejam cumpridas, de tão compridas que são, têm isenção de horário de trabalho, como qualquer executivo de uma grande empresa! Estes, dadas as suas responsabilidades acrescidas, não têm horários rígidos, sim, todos sabemos, mas trabalham muito mais que os subalternos que lhes estão directamente dependentes. Ser dona de casa é uma missão e diria até, nos dias de hoje, uma profissão nobre!
Nos dias de hoje, o trabalho doméstico assumiu outro estatuto e tanto é considerado já como alternativa profissional, desempenhado por uma série de mulheres com formação académica diferenciada, como é partilhado pelos casais jovens. Estes, quando têm a sua actividade profissional, fora de casa, assumem a divisão das tarefas domésticas como incumbência de ambos. Só assim haverá a igualdade, tão propalada por um sector do mundo feminino, e os homens contribuirão para a harmonia familiar que é aspiração de todos.
E... doméstica, doméstica já é considerada uma profissão sem carácter sectarista, já que há elementos do sexo masculino a desempenhá-la também. E, à guisa de conclusão, apetece dizer: ou há moralidade... ou trabalham todos!

Maria Donzília Almeida
30.04.09

Dar Portugal a Portugal

D. Manuel Martins

Frei Nuno de Santa Maria foi finalmente canonizado.
Este acontecimento não mereceu grande atenção a boa parte dos portugueses, sobretudo a nível dos responsáveis do país e de alguns dos meios de comunicação social.
Não vem para aqui a questão dos milagres exigidos pela Congregação para a Causa dos Santos.
Adianto só que, com todo o respeito pelas disposições da Igreja, julgo sinceramente que tais milagres não deviam funcionar como condição para a glorificação dos cristãos.
Além de saberem a tentação de Deus, acontece que muitos deles não convencem. Já D. António Ferreira
Gomes, nas célebres “Cartas ao Papa” põe clara e corajosamente esta questão. A Igreja, quero dizer mais propriamente, a Comunidade dos cristãos sabe bem quem é santo e merece, por isso, ser glorificado. Ao que vêm tantos exames aos escritos, ao que vem a audição de tantas testemunhas, ao que vem a perscrutação dos sentimentos do povo relativamente a este ou àquele cristão que viveu e morreu com fama de santidade?
O nosso Frei Nuno há muito tempo que estava canonizado pelo povo.
Quem olha atentamente para a nossa História do século XIV não terá dificuldade em reparar que Portugal estava a perder a alma, estava a fugir de Portugal. E foi o Condestável D. Nuno que deu
Portugal a Portugal, que fez com que Portugal se reencontrasse e pudesse assim perspectivar futuro.
Sem D. Nuno, Portugal seria uma apagada lembrança da memória.
Se calhar, até seria bom que parássemos um pouco para nos perguntarmos se o Portugal dos nossos dias não andará a fugir novamente de Portugal, se Portugal não andará por caminhos que o levem a perder a sua alma e a sua identidade.
Bastaria para tanto pensar em leis que atentam contra a família, contra a vida, contra tantas situações que têm a ver com o humanismo que deveria acompanhar situações de saúde, de trabalho, de educação de justiça, de respeito por valores e tantas coisas mais. Portugal está a afastar-se da sua matriz. Melhor, por razões de falso e perigoso poder, por razões ideológicas e filosóficas, muitos estarão a obrigar Portugal a fugir da sua matriz.
Claro que os tempos vão mudando e operam-se transformações profundas na sociedade. O ontem pertence à história e muitas vezes não fica dele senão uma amarga saudade. Mas, o que nos fez e faz não pode mudar. O que nos estruturou e estrutura não pode mudar. Estamos numa hora magnificamente exigente. Oxalá sejamos capazes de a apanhar como se impõe.

Manuel Martins,
Bispo Emérito de Setúbal

Câmara de Ílhavo adere ao Plano Nacional de Leitura




A Câmara Municipal de Ílhavo (CMI) adere ao Plano Nacional de Leitura (PNL), através de um protocolo com o Ministério da Cultura, numa cerimónia de assinatura agendada para hoje, 30 de Abril, pelas 17.30 horas, na Biblioteca Municipal de Ílhavo (BMI).

Com a assinatura deste protocolo, a CMI pretende levar os cidadãos a ler mais e melhor, proporcionando-lhes um maior acesso ao livro e à leitura, desde a primeira infância até à idade adulta. Também se pretende-se promover, de forma mais eficaz, junto das escolas e das famílias, o contacto com os livros e o gosto pela leitura.

Entre as várias obrigações, o PNL ficará responsável pelo apoio financeiro durante os próximos três anos aos Jardins-de-Infância e escolas dos 1.º e 2.º ciclos do Ensino Básico do concelho, com vista à aquisição de livros destinados a leitura orientada nas salas de aula e nas demais actividades curriculares.

Ainda foi agendada a assinado de um protocolo de Cooperação e Constituição da Rede de Bibliotecas de Ílhavo (Biblioteca Municipal e Bibliotecas Escolares). A Rede de Bibliotecas de Ílhavo é oficialmente criada por protocolo assinado, entre a CMI, os Agrupamentos de Escolas de Ílhavo, Gafanha da Encarnação, Gafanha da Nazaré, a Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, a Escola Secundária Dr. João Carlos Celestino Gomes e o Centro de Formação da Associação de Escolas dos Concelhos de Ílhavo, Vagos e Oliveira do Bairro (CFAECIVOB), na BMI, enquanto sede do Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE).

Este é sem dúvida o culminar de uma realidade, baseada num trabalho contínuo de persistência, dinamização, promoção e divulgação de práticas que permitem dotar os seus leitores e utilizadores de competências nos domínios da informação e da literacia.

Ao longo destes últimos anos, o trabalho em equipa aproximou as nossas Bibliotecas Escolares e a Biblioteca Municipal na dinamização e promoção da leitura como factor primordial das aprendizagens.
Na mesma data, foi apresentado o Cartão de Utilizador RBI, a ser implementado no início do próximo ano lectivo, que permitirá, a todas as crianças e jovens que frequentam as Jardins-de-Infância e Escolas do Concelho de Ílhavo, aceder em simultâneo ao serviço de empréstimo nas Bibliotecas Escolares e na Biblioteca Municipal.

Fonte: CMI

Marcos Cirino desfia recordações


Marcos Cirino desfia recordações com muito amor à Gafanha da Nazaré


Marcos Cirino da Rocha, 87 anos, gafanhão de gema, vibra com as coisas da Gafanha da Nazaré. Conhece muito da sua história. Evoca com entusiasmo os assuntos em que se envolveu. Conta pormenores que escapam a muito boa gente. E insiste na ideia de que há pessoas que nos querem prejudicar, decerto marcado por tempos e comportamentos idos.
Fomos ouvi-lo um dia destes. Entrámos em sua casa e vimos miniaturas de barcos de várias épocas. Todos construídos por si. “À escala”, sublinha. Mas também vimos inúmeras pastas de documentos e processos relacionados com antigas, e talvez recentes, reivindicações e polémicas.
Fernando Martins
Leia toda a entrevista aqui

quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Clube dos incorruptos, uma iniciativa com actualidade


O diário francês “Le Monde” de 22/23 de Março, dava conta de uma iniciativa original, a ganhar relevo nos tempos que correm, que, pelos seus objectivos, merece aplauso e, quiçá, seguidores onde vai grassando a peste tão nefasta da corrupção.

A iniciativa deste Clube deve-se a Eva Joly, magistrada franco-norueguesa, que teve de instruir o famoso processo ELF. Um processo que envolvia pessoas do seu país e de África, ligadas, de um e de outro lado, ao poder político e ao poder económico.

Os membros do “Clube dos Incorruptos” são magistrados que sentiram necessidade de pôr em comum as suas preocupações ante o dever grave, um verdadeiro desafio, de enfrentar e julgar casos de alta corrupção e de apreciar dossiers sobre o tema, que envolvem pessoas e entidades influentes, famosas e socialmente intocáveis.

Reúnem-se com regularidade para confrontar métodos usados e resultados obtidos, e para se apoiarem, mutuamente, nesta tarefa, quase sempre ciclópica e difícil, que, muitas vezes, termina sem resultados positivos, mesmo quando tudo já aparecia mais ou menos claro.

A corrupção, em alguns países de África, concluiu Eva Joly, quase sempre com raízes no Ocidente, tem posto em causa a democracia de muitos deles e até a sua sobrevivência como países. Manietado pela sofreguidão e cupidez de alguns poderosos locais, com apoios interessados, dentro e fora, e grande capacidade para mostrar inocência onde as culpas são evidentes e os resultados não escapam nem aos cegos, o papel da justiça é sempre difícil e muitas vezes inglório.

Entre os membros do Clube fazem-se confissões, individuais e de grupo, que, pelo seu teor e gravidade, merecem uma especial atenção por parte de quem pode, a nível internacional, ter alguma interferência positiva, se acaso ainda existe alguém, pessoas ou instituições, com tal poder e influência. São as confissões dos magistrados, pelo menos, um alerta urgente para outros países e nações, onde iguais problemas se vão avolumando e não são menores as dificuldades encontradas para lhes fazer frente.

O longo artigo do “Le Monde”, duas páginas recheadas, fala, por parte dos magistrados do Clube, de confissões dolorosas em virtude de combates perdidos, de ameaças e tentativas programadas de homicídio, de impossibilidade pessoal e de familiares de deslocação em privado, porque os conhecidos corruptos, quando sob investigação e juízo, lhes aparecem em qualquer canto, não pela preocupação de os saudarem ou de lhes proporcionarem auxílio.

A corrupção, que sempre existiu em graus diferentes, muitas vezes encoberta e outras sem que seja possível ver todo o seu alcance, torna-se cada vez mais grave e cresce em espiral, quando os valores éticos se evaporam e à justiça faltam meios ou determinação para a enfrentar, anular os seus resultados ou minimizá-los, no possível. Ela cresce, também, por contágio. O fascínio do dinheiro e do poder, dois aliados habituais, é tentação que se espalha e em que se cai, a muitos níveis.

Atenta a novas oportunidades, a grande corrupção ocupa o espaço da traficância, não apenas das drogas geradoras de toxicodependência, mas também de influências, espreita a permissividade do poder, pouco atento ou interessadamente desatento, goza dos favores de pessoas, locais e circunstâncias, tanto do poder absoluto, que também ele é, normalmente, corrupto, como das democracias, apáticas e sem espinha dorsal, embevecidas com a força dos resultados eleitorais, que depressa esquecem o que significa a promoção do bem comum, a justiça social e a defesa, corajosa e persistente, dos direitos individuais e colectivos. A corrupção não envolve só sofreguidão de dinheiro. Também se faz pela ânsia do poder. Mas a meada, por certo, tem duas pontas.

António Marcelino

Seja festa Académica!


1. Esta quadra do ano é assinalada, de norte a sul do país e também em Aveiro, pelo espírito festivo dos estudantes, no seu diálogo com a sociedade envolvente e na manifestação pública da força das academias. Como se diz, tendo de haver tempo para tudo, trata-se de uma época saudável de festa, de encontros partilhados nos mais variados níveis, da cultura ao desporto, da música aos tradicionais cortejos académicos, passando pelos festivais de Tunas (o magnífico FITUA!), entre nós concluindo a Semana Académica com o momento celebrativo da bênção dos finalistas. Cada momento de festa, como cada dia, merecerá a melhor atenção; mas não poderá nenhum momento isolado infeliz diminuir o sentido comunitário das festas académicas.
2. O olhar crítico e derrotista poderá dizer que “não estamos em tempo para festas”. Com esta visão menor nunca se avançaria nada para lado nenhum. Tudo na justa medida terá o seu lugar e esta expressão de tradição típica nossa acaba por ser um sinal de vitalidade das gentes das próprias comunidades académicas. Pode-se aplicar a mesma mensagem das festas populares dos nossos lugares e nas nossas gentes: quando já não existir sequer motivação para estas realizações será sinal de comunidade sem laços comuns, desagregação do sentido de unidade colectiva. A festa nunca dependerá (essencialmente) da fartura ou crise económica, mas da vontade e motivação das pessoas e este é um valor inestimável a preservar. Querer será poder!
3. O rasgo de criatividade que percorre o país nas festividades dos estudantes do Ensino Superior também poderá ser um “ar fresco” de estímulos positivos e enérgicos… Diria o outro que de nada vale o “chafurdar” na crise! O tempo da vida é dom único, o valor mais precioso do mundo. Um tempo de pausa convivial nunca foi nem será incompatível com o rigor e o compromisso dedicado, mas também um desafio de frescura e qualidade lançado a todos. Aveiro é nosso e há-de ser! Assim seja!

Alexandre Cruz

Pescadores na Praia da Barra


No molhe da Meia-Laranja, mesmo com céu enevoado, os pescadores não faltaram. E eram bastantes, um pouco por todo o lado. Na minha passagem, apenas vi um peixe a sair da água, preso ao anzol. Mas os pescadores lá estavam, pacientemente, à espera da sorte, ou do saber.

AVEIRO: Bênção dos Finalistas

Mensagem do Bispo de Aveiro

Bispo de Aveiro na Bênção dos Finalistas de 2008 (Foto do meu arquivo)



CONFIANTES NO FUTURO
AGARRAI O PRESENTE COM DETERMINAÇÃO


A festa da bênção chegou, finalmente! É um dia feliz e promissor, pólo de convergência de esforços e lazeres, de êxitos e fracassos, início de uma aventura que se deseja ainda mais feliz e afirmativa. É uma data assinalável na vida académica que encerra um ciclo de sonhos e abre horizontes novos a uma outra fase repleta de aspirações e ansiedades. É uma oportunidade única e solene na história da vossa afirmação pública que vos ajuda a assumir a complexidade do presente, a reconhecer o valor do passado e a dar largas às dimensões do futuro.

Por isso, a quereis celebrar com entusiasmo confiante, na companhia dos vossos familiares e amigos, em campo aberto e espaço público, de forma livre e assertiva, na presença de colegas e outros membros da instituição académica; por isso, a quereis celebrar em assembleia cristã que realiza a eucaristia dominical a que presido com a maior alegria.

Conseguistes! Podeis afirmá-lo com a certeza da experiência feita no dia-a-dia que, de vez em quando, teve de enfrentar surpresas e recriar energias. Aprendestes a assumir os desafios da vida, a descobrir as energias positivas dos obstáculos, a transformar as dificuldades em possibilidades e as crises em oportunidades; por isso, à ciência e à tecnologia, sempre apreciáveis, fostes juntando a sabedoria da relação humana, do valor das coisas, da riqueza do tempo, do alcance das opções, do sentido da vida; aprendestes a viver o dinamismo da esperança e a ética da responsabilidade. Aprendestes e quereis testemunhá-lo! Parabéns e oxalá que esta sabedoria vá crescendo com os anos, com o exercício competente de uma profissão responsável, com a cooperação em serviços de cidadania, com o envolvimento em acções de voluntariado.

A maneira construtiva de estar e intervir na sociedade relaciona-se muito com esta sabedoria aliada às outras capacidades e competências que humanizam a pessoa e desvendam o sentido da vida e da história. Sem uma visão englobante e sábia, fica-se prisioneiro de um saber específico, sectorizado, parcelar, desarticulado do conjunto social. E fica em risco a qualidade da sociedade e das suas múltiplas instituições que dependem, em grande parte, da consciência cívica dos seus membros em relação ao bem comum e da competência dos seus responsáveis nas áreas que lhes estão confiadas. Aliás o futuro harmónico da sociedade – como o demonstra a história recente - depende mais daquela sabedoria do que das competências científicas e técnicas.

Conseguistes! E haveis de conseguir ao longo da vida a realização superior do vosso ideal: ser feliz e fazer felizes os outros, aprender a saber e comunicar sabedoria, afirmar a individualidade e reforçar a sociabilidade, valorizar o que se alcança e dar alento ao que se deseja, escutar a voz da consciência onde ressoa a vibração dos sons do Transcendente, do Deus de Jesus Cristo, nosso amigo e confidente. Oxalá possais contar com o apoio indispensável para tão legítima aspiração e ousada ambição. Oxalá tenhais coragem de procurar grupos e associações que correspondam aos vossos anseios e proporcionem espaços de diálogo que facilitem o encontro de respostas. Contai com a disponibilidade da Igreja e dos seus movimentos apostólicos. Este serviço de acolhimento e busca faz parte da sua missão.

Caros finalistas, como experimentastes ao longo do vosso curso, não se pode viver sem esperança. É ela que garante o dinamismo da vida. É ela que perspectiva o presente rumo ao futuro. É ela que recarga energias para prosseguir esforços. Mas a esperança precisa de um fundamento sólido e de um horizonte iluminado, de uma rocha que lhe sirva de âncora e de um ideal que lhe proporcione o feixe de luzes do farol.

Que possais viver esta segurança na liberdade e alcançar esta luz na verdade, é o meu desejo sincero no dia feliz da festa da vossa bênção que, espero, se há-de prolongar por muitos anos.

Aveiro, 3 de Maio de 2009
António Francisco dos Santos,
Bispo de Aveiro
NOTA: Antecipo a publicação da Mensagem do Bispo de Aveiro, para uma maior vivência da festa e Bênção dos Finalistas.

ÍLHAVO: intervenção social racional e eficiente



Folgo em saber que o Conselho Local de Acção Social do Município de Ílhavo (CLAS) reiterou, na sua última reunião, a importância do trabalho desenvolvido pelo Serviço do Atendimento Social Integrado, no sentido da concretização de uma intervenção social racional e eficiente, justa e preferencialmente geradora de estruturação da vida dos cidadãos necessitados, com o envolvimento de toda a comunidade e numa busca incessante de crescimento qualitativo. Nessa linha, importa que todos se mobilizem, tendo em visto a ajuda aos mais necessitados, em tempo de crise.


Fonte: CMI

Grupo Poético de Aveiro: mais um número da revista Folhas – letras e outros ofícios



Contributos para os 250 anos da elevação de Aveiro a cidade


O Grupo Poético de Aveiro, que surgiu em 1993 como associação cultural empenhada no desenvolvimento, promoção e divulgação da poesia e da cultura de expressão portuguesa, irá brevemente editar mais um número da revista folhas – letras e outros ofícios, o número doze. Pretende com ele prestar um contributo para o assinalar dos 250 anos da elevação de Aveiro a cidade. Não que a revista deixe de ser o que é, um espaço aberto a todo o tipo de colaboração escrita, sobretudo poética, desde que a mesma apresente a dignidade que convém a uma revista literária. Neste espaço cabem os novos autores, ainda que nunca tenham publicado, e cabem os consagrados, ainda que diariamente apareçam em várias publicações.

Além da livre temática porque sempre se tem pautado a nossa revista, propomos desta vez o tema Memórias da cidade e das suas gentes, a todos os que, disponíveis para tal, não queiram deixar morrer este ou aquele episódio marcante, este ou aquele personagem inspirador ou inspirado, este ou aquele rincão ou espaço que se foi tornando confluente, onde os aveirenses dos diversos bairros e estratos sociais se foram fazendo sábios.

A nossa esperança é ajudar a salvar a memória do que ainda possa ser salvo mas, também, salvar a arte de viver com a riqueza e a consciência do passado, longe ou perto, que fez esta cidade.

Contamos com a vossa colaboração, maior ou menor, sem quaisquer preconceitos ou restrições. Aguardamos as vossas contribuições, em poesia ou prosa, não esquecendo que a publicação dos trabalhos estará sujeito à habitual selecção do grupo coordenador da nossa revista.

Nota: Os trabalhos podem ser enviados até 8 de Maio de 2009, por correio electrónico para:
grupopoeticoaveiro@gmail.com ou por correio normal para:
Grupo Poético de Aveiro - Casa Municipal da Cultura - Praça da República-3800 Aveiro

A Direcção

terça-feira, 28 de Abril de 2009

Laurinda Alves dispensada pelo PÚBLICO


O PÚBLICO dispensou a colunista Laurinda Alves, alegando exigências de contensão nas despesas. Tanto quanto sei, os restantes colunistas continuam ao serviço do diário que costumo ler desde o primeiro número. Fiquei triste, porque aprecio os escritos desta jornalista e escritora, fundamentalmente por seguirem a linha que há muito defendo, de apostar numa forma de estar na vida, sempre pela positiva. Tive pena, porque o PÚBLICO deixou de ter nas suas páginas uma profissional que aprecio, tal como muitos outros leitores.
Presumo que não houve na decisão do director, José Manuel Fernandes, uma motivação política, já que Laurinda Alves é candidata a eurodeputada pelo MEP (Movimento Esperança Portugal). A ser assim, é grave. Outros colunistas, contudo, na mesma posição, isto é, também candidatos a eurodeputados, Vital Moreira e Rui Tavares, pelo PS e pelo BE, respectivamente, ainda não foram despedidos, que eu saiba.
Num comentário que escrevi no seu blogue, não deixei de lhe manifestar a minha solidariedade, ao dizer-lhe que espero continuar a ler o que ela vier a escrever, onde quer que seja, porque Laurinda Alves tem o condão de nos ajudar a pensar. Só espero que ela não demore a fazê-lo. Estou convencido de que não hão-de faltar órgãos da comunicação social à altura da jornalista que o PÚBLICO dispensou.
Fernando Martins

Tempo e acção das perguntas


1. À situação que se vem vivendo nos últimos meses junta-se agora o alerta de saúde pública que a OMS – Organização Mundial de Saúde confirmou devido à chamada gripe mexicana. É como se de repente um conjunto de elementos se juntassem diante dos quais urge (re)agir na perseverança confiante dos grandes valores que poderão fermentar novas vias de solução, um dos quais é a solidariedade. Os tempos que vivemos são de reposição das grandes questões, de modo a reinventar para novos quadros de problemas as inovadoras respostas. Não chegam as respostas habituais diante de cenários efectivamente novos. Para descortinar amplas soluções, assim, torna-se imperativo, consequentemente, a arte de saber relançar as questões essenciais, desmistificando certas visões mecanizadas e abrindo novas vias.
2. As perguntas sobre os valores, as políticas, a sociedade civil, as economias, a justiça, a saúde, as redes sociais, a subsidiariedade, a solidariedade global como o desafio do século, o respeito ambiental… hoje entrecruzam-se não havendo margem para respostas simplistas. Há empresários heróis, existirão gestores oportunistas; há trabalhadores dedicadíssimos, existem trabalhadores “à boleia”; existem dados da economia com pressupostos de responsabilidade social, e existem outras visões e práticas que reflectem a noção “selvagem” que estás nas mãos que as comandam. Este tempo das grandes questões ajuda a diferenciar para não generalizar mas sim: compreender. Importa, por isso, fugir às épocas políticas pródigas em maximizar intencionalmente, urge que todo o político dos cidadãos se envolva na reflexão que pode gerar mais fruto.
3. Da organização da CEP, está agendado um grande Simpósio para 15 de Maio (no Centro de Congressos de Lisboa, antiga FIL), com a temática: Reinventar a solidariedade (em tempo de crise) – reconhecer, inspirar, mobilizar. Site: http://www.reinventarasolidariedade.org/
Reflexão aberta à sociedade civil!
Alexandre Cruz

Bênção dos Finalistas da Universidade de Aveiro


Domingo, 3 de Maio, 11 horas, na Alameda da Universidade

Finalistas de 2008 (foto do meu arquivo)

UM PASSO NO FUTURO

Antes de partir, a nossa mesa redonda!

Num tempo que voou,
Porque o vivemos a brilhar,
Foram anos, trabalhos,
cadeiras e canseiras sem parar!

A todos, foram imensos,
Eis chegada a hora de reconhecer:
Olhar para trás, sentir o vencido mar,
À Ria, às gentes de Aveiro agradecer!

E se ao futuro a incerteza pertence
Na hora sempre sofrida de partir,
Fica-nos o sabor bem especial
Da arte da esperança sentir!

A Bênção é a nossa festa especial,
Finalistas da academia vamos cantar!
É o dia da unidade e grito maior
Que nos leva aos céus a Deus louvar!

Será, em mesa universal, a aula maior
Onde a abundância da paz todos encanta…,
Símbolos e Cursos, na Alameda, projectam o melhor…
O sonho, o futuro, triunfo de agiganta!

cobef comissão bênção dos finalistas

Pobreza em Portugal continua, 35 anos depois do 25 de Abril


O antigo Presidente da República Mário Soares disse ontem, como ouvi na rádio, que se envergonhava de, passados 35 anos após o 25 de Abril, ainda não ter sido erradicada a pobreza entre nós. O País foi democratizado, a descolonização aconteceu, mas o desenvolvimento tarda em instalar-se na nossa sociedade. Os três D, afinal, estão em grande parte por cumprir. Mas a pobreza, santo Deus, é que teima em criar raízes em Portugal. As dificuldades dominam a situação e os pobres estão cada vez mais pobres. Como é isto possível? Quem pode andar por aí sem se envergonhar?

Gripe suína mostra a nossa fragilidade

A fragilidade em que vivemos está bem patente na ameaça de pandemia que aí está, com a gripe suína a preocupar toda a gente. Foi há tempos a gripe das aves, como tem sido com outras doenças. O homem vive, realmente, na corda bamba. E se é verdade que algumas pandemias podem ser anunciadas, como esta está a ser, também é certo que há outras que se insinuam sem ninguém dar por ela. Em Portugal, pelo que se sabe, ainda não entrou. Mas todo o cuidado é pouco. E já repararam que a mola real das pandemias assenta na globalização?

Inclusão do semelhante



Ser diferente ou existir em minoria é o estandarte para reivindicar a bandeira da inclusão. E com justiça, pois nunca são de monta as diferenças evocadas para distinguir pessoas, grupos ou etnias. A unir todas as particularidades está essa circunstância única que é a dignidade da pessoa: uma condição antes de ser um direito.

O problema não se colocará, no entanto, apenas em contextos de diferença. Também onde reina a semelhança não são poucos os episódios de exclusão, de diferenciação, de distinção subjectiva de pessoas, ideias ou projectos. E com o prejuízo que decorre dessas atitudes: para o próprio grupo, como também para toda a sociedade.

São mais notórias essas “falsas-diferenças” quando emergem na história do presente exemplos de grandes feitos à custa da construção da unidade entre pessoas, ao redor de causas, sejam elas nacionais ou religiosas, mas sempre humanas. É o caso de S. Nuno de Santa Maria, o Condestável que rejeitava apenas o erro, o perverso, o corrupto para catalisar esforços em benefício de objectivos maiores. E com resultados históricos, uma Nação, e pessoais, a santidade, que estão agora diante de tudo e de todos.

São também mais necessários os pequenos e os grandes contributos, todos os recursos, quando se quer “reinventar a solidariedade” que proporcione dignidade de vida a todas as pessoas, devolva a justiça e a paz às sociedades e permita a existência a todos os seres.

São ainda esperadas atitudes solícitas de homens e mulheres que optam por de serem sinais e agentes de um novo Reino, proclamado há 2000 anos, apostado em fazer da ordem natural das coisas a lei por excelência para a relação entre pessoas e para o governo das coisas. Cada um na sua circunstância e seguindo sempre as pisadas de um Mestre que em todos os momentos fez a vontade d’Aquele que O enviou.

Na era da fragmentação das pessoas, das coisas, do tempo e do espaço, urge devolver a continuidade e a estabilidade a projectos que visam a construção da dignidade humana. Na espera paciente por resultados positivos e duradouros e na inclusão de todas as partes: as que são diferentes e também as que são semelhantes.

Paulo Rocha

Um poema de Domingos Cardoso


Palavras


Puras... são como um cristal as palavras
Que baixinho ao ouvido me segredas;
Com elas o meu peito inteiro lavras,
De alva paixão semeias labaredas.

Doces... palavras são como a fina trama
Desse tear de enredos em que teces
Os límpidos lençóis da nossa cama
E onde, abraçada a mim tu adormeces.

Frágeis... palavras são como a branca taça
Por onde tomo um leve e suave trago:
Bebendo, longamente, a tua graça,
Perdido em teu sorriso eu me embriago.

Leves... palavras são como a clara brisa
Passando, fresca, ao fim das tardes calmas
E o segredo que nelas se eterniza,
É o que mantém unidas nossas almas.

Domingos Freire Cardoso

segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Desafios do Condestável


1. Corria o ano de 1360, a 24 de Julho, segundo os historiadores em Cernache do Bonjardim nascia Nuno de Santa Maria. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, sendo acolhido na corte e acabando pouco depois em cavaleiro. Quando da morte do rei D. Fernando I (a 22 de Outubro 1383), sem ter gerado filhos varões verifica-se o vazio no poder, a que seu irmão D. João Mestre de Avis responde envolvendo-se na luta pela coroa pretendida pelo rei de Castela. Os contextos difíceis da história da época de trezentos, sofrendo de profundas mazelas e de grave crise social, reclamavam visões e posturas claras de defesa da identidade e do património nacional, não que tal represente com os olhos de hoje um nacionalismo cego mas um dever de zelo comunitário inalienável.
2. Nuno Álvares Pereira toma o partido da defesa da nacionalidade no proteger D. João, o qual o nomeou Condestável, estratega e comandante supremo do exército, missão que levou a efeito com sucesso registando-se a 14 de Agosto de 1385, ao fim de muitas, a simbólica vitória de Aljubarrota que poria fim à crise da sucessão. Faz parte da história e da identidade dos portugueses – mesmo que sem mitologias – que, com a chegada de D. João I à coroa, se inicia uma nova era no desígnio das gentes da costa ocidente europeia, facto este (da base de sustentabilidade para o encontro de culturas operado nas descobertas) que também muito se deve à educação em valores universalistas dada aos filhos de D. João e Filipa de Lencastre. Um conjunto de valores e de confianças perpassaram nas gentes da época que, à semelhança de Nuno e D. João, terão sido pilares da edificação comunitária.
3. Muito se escreveu e se disse, nos vários prismas, sobre o acontecimento que no passado domingo elevou à santidade o militar com alma, apelidado na sua morte de “Santo Condestável” (Páscoa de 01-04-1431). Apurar a memória também será “desatar” alguns dos problemas actuais!

Alexandre Cruz

O que os ovos moles tiveram de mudar para poderem ficar precisamente na mesma

Foram vários os caprichos da União Europeia que, por exemplo, roubou aos ovos moles a possibilidade de se aconchegarem em tabuleiros de madeira e os fez acamar em desconfortáveis grelhas de inox. Mas este mês chegou a hora da retribuição. As mais antigas e tradicionais doceiras, como a dona Silvininha, podem dormir descansadas, que a receita original já está protegida pela lei. Por Graça Barbosa Ribeiro (texto) e Paulo Pimenta (fotos), no PÚBLICO

O Condestável já não mobiliza (quase) ninguém



Em seis séculos, o Condestável perdeu capacidade de mobilizar o país e a Igreja. O homem a quem se reconhecem virtudes éticas mesmo na guerra e que foi capaz de renunciar a títulos e bens para andar descalço por Lisboa a pedir para os pobres não criou agora, com a sua canonização, grandes entusiasmos por parte do Estado, nem dos católicos. Esse vazio foi, aliás, ocupado (legitimamente) por sectores conservadores da Igreja e pela causa monárquica.
Certo que o acontecimento de ontem era religioso. Mas quando o Estado se associa com entusiasmo a celebrações de futebóis, causa estranheza não ver mais empenho em relação a uma figura que marcou a História do país - para o bem ou para o mal, admitam-se as opiniões.
A Igreja também não foi capaz ainda de vincar um discurso rigoroso e actual em relação ao novo santo - as duas intervenções do Papa, ontem, são disso exemplo. A hagiografia tem oscilado entre a "exaltação patriótica" do militar - que o patriarca de Lisboa teve a preocupação de rejeitar - e as virtudes e histórias que às vezes se confundem com lendas. Como dizia o cardeal Policarpo, faz falta que a história investigue mais a figura do Condestável. Falta outra coisa, que a canonização evidenciou: o segredo em que os responsáveis católicos colocam os processos das curas que permitem as beatificações e canonizações não ajuda a dar credibilidade a tais acontecimentos. Sentiu--se isso com a beatificação dos videntes de Fátima, sentiu-se de novo agora.
Ontem, o cardeal Saraiva Martins declarava-se "feliz" pela conclusão do processo, após "tanto trabalho" que teve para concluir em três meses o que levaria "cinco a seis anos". Ora, as dúvidas surgidas em tantos sectores da opinião pública (incluindo a católica) não podem ser olhadas de soslaio pelos responsáveis da Igreja. Para que os santos sejam mesmo modelos para quem os quer seguir.

António Marujo
27.04.2009

domingo, 26 de Abril de 2009

A liberdade como tarefa


1. Por estes dias das comemorações do 25 de Abril, talvez mais que o hábito de cada ano até pela conjuntura social e política (de três eleições), ouviram-se da parte dos cidadãos as maiores generalizações, estas que são sempre reflexo de questões e valores ainda não justamente diferenciados e por isso não sábia e sadiamente amadurecidos. O valor da liberdade, mesmo que com a subjectividade que encerra, não é como um jogo de números ou um resultado de futebol. Pelas rádios nacionais de maior audiência, muitos foram os fóruns dedicados ao designado 25 de Abril. Muita da intervenção dos cidadãos revelou, dizemos, sinais preocupantes em termos cívicos, parecendo desnorteado o equilíbrio do bom senso e transvazando sempre para os «outros» os males do país, este também um hábito discursivo das lideranças políticas revelador do estado de sítio desculpabilizador.
2. O dizer-se num “de repente” radiofónico que, em termos do valor liberdade, antes era tudo mau e agora é tudo bom, ou, ao contrário, que agora é tudo bom mau e antes é que era bom, manifesta, mais que uma autêntica precipitação incorrecta em relação à história, um reflexo da maturidade cívica (ou não) da sociedade portuguesa. Esta forma típica simplista de analisar as questões ampla e profundamente complexas de modo rápido e pragmático, tem feito de nós mais um país de solavancos emocionais que de consistências de projectos envolventes em razão comunitária. Persistir na conclusão de que se algo no presente está mal (ou bem) resulta como consequência directa do que aconteceu há uma, duas ou três décadas, continua a dar aquele sinal do compromisso adiado das renovações urgentes no presente.
3. Os ângulos da liberdade serão infinitos, mas é certo que no tempo da história desafiam à garantia dos pilares da ética (pessoal e social) de responsabilidade. Será nesta bitola, não linear nem simplista, que haveremos de compreender que a liberdade nunca é um dado mas uma tarefa (diária) de todos!

Alexandre Cruz

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 128

BACALHAU EM DATAS - 18


A PESCA NOS DÓRIS

Caríssimo/a:

Falar nos dóris, na pesca nos dóris, leva a minha geração a recuados tempos em que nos víamos transportados para bordo do navio acabadinho de atracar onde íamos abraçar o familiar roído de saudades...
Quantos dias nos sentámos a olhar para a vela que o tio Mário içava no quintal para a enxugar e experimentar como reagia aos sopros da nortada! No fio secava a roupa que em breve seria ensacada para a nova viagem!...
Ou então no Esteiro, a remos ou à sirga, no bote do tio naquelas aventuras pesqueiras que nos deliciavam...
De outra vez, na seca do Coimbra, o Pai e o tio Manel ajustaram a reparação e a construção de botes novos...
Recordar conversas de familiares e amigos... Oh, palavras mágicas de naufrágios, incêndios, conflitos, pescas quase milagrosas!...

Façamos silêncio, ponhamos o dedo na página 19 do livro “Nos Mares do Fim do Mundo”, de Bernardo Santareno, e que o tempo pare:


A PESCA À LINHA


«Louvado seja
o bom Jesus, Nosso Senhor! ... »


É a hora. São quatro da manhã. Os homens vão saltando dos beliches à medida que acordam e, ainda ensonados, benzendo-se, respondem ao vigia:

«Que nos remiu em sua santa Cruz,
louvado seja!»

É madrugada e as sombras que cobrem o mar recuam ante a claridade frígida, cor de pérola, que alastra sobre o Oceano.
Não há brisa, é dia de pesca.
Almoço frugal logo em seguida e, preparados os botes (os dóris), prontos anzóis, linhas e isco:

- «Arriando, com Deus!»

Lá vão, cada qual no seu barquito, para a grande aventura quotidiana.
E cada qual pensa, o coração sempre apertado neste momento: «Voltarei hoje? Ai, minha Nossa Senhora ... »
Há um que leva aos lábios uma medalha - Senhora da Nazaré, Senhor dos Navegantes ... - que traz pendurada ao peito; outro, disfarçando mal, acaricia o retrato dos filhos que tem oculto no bolso; outro ainda, mais novo, um «verde», em vago sorriso crispado pelo frio e pelo medo, promete como quem reza: «Hei-de fazer a nossa casa com o dinheiro desta viagem, Maria, ... casaremos pelo Natal! ... »

- «Arriando, com Deus!»

Todas as madrugadas o capitão os despede com este mesmo grito e, em cada dia, ele fica longo tempo debruçado na amurada, apreensivo, com uma asa nostálgica a sombrear-lhe os olhos duros ...
Esta é a pesca à linha, nos bancos da Terra Nova e da Gronelândia.
Quem pesca assim? Só os portugueses, no mundo inteiro!
Lá vão eles: um homem e um barquito frágil .. frente ao mar tão forte e tão volúvel, à neblina que pode tornar-se cerrada, ao vento que pode levantar-se rijo ...
Um homem sozinho, frente ao infinito!!
E cada barco alivia no mar, com a escrita da sua quilha, o peso duma interrogação ansiosa, logo apagada pela espuma leve e branca ...
Aí pelas duas, três horas da tarde, os dóris começam a voltar ao navio .
Mas às vezes não voltam: sob o peso excessivo do pescado, ou pela fúria súbita da brisa, o barco afunda-se ...
Outras vezes, a névoa densíssima fá-los perder o navio-mãe: e são longos dias à deriva, sem água, sem alimentos, até que ...

- «O Zé Robalo não voltou!»

Lá na curva do horizonte, o Sol, redondo, enorme e vermelho, desce rápido, logo sugado pelo mar impassível .. : redondo e rubro, como o rosto dum deus pagão, sangrento e implacável.

- O Zé Robalo não voltou! ...

“Ah, mar! ah, mar dum cão! malvado,
mar terrible! na há pior matador
qu'ati. na há pior castigo qu'a
vida dum pescador!”»


Ai, ó meus amigos,e a Mulher e os Filhos só após a entrada do navio, já lá vão uns meses, é que choram que “o Zé Robalo não voltou!...”.

Manuel

sábado, 25 de Abril de 2009

Onde estavas no 25 de Abril?


"Onde estavas no 25 de Abril? Esta pergunta, que Baptista-Bastos fixou sobre a revolução dos cravos, baila muito na minha cabeça. Também eu me questiono com ela, quando o 25 de Abril vem. E afinal onde estava, realmente? Quando a liberdade veio, com a força para muitos de nós desconhecida, tinha eu já 35 anos.Na manhã desse dia, levantei-me sem saber de nada. Como a grande maioria dos portugueses. Estava destacado, profissionalmente, para uma tarefa do Ministério da Educação, ao tempo chefiado por Veiga Simão. Animava bibliotecas populares e outras, promovia e apoiava cursos de adultos, dinamizava instituições de cultura e recreio, formava bibliotecários e preparava professores para a difícil missão de ensinar gente crescida a ler e a escrever. Gostava muito do que fazia. Nesse dia, o concelho de Sever do Vouga estava na agenda. Saí de casa e meti gasolina na Cale da Vila. Nesse ínterim, liguei o rádio portátil para ouvir as notícias. Perplexo, achei estranho sentir o rádio confuso. Avaria? Não. Uma voz anunciava o que estava a passar-se em Lisboa."
Fernando Martins
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35 anos depois



Hoje, é como se vivêssemos (ou vivemos mesmo?)
numa democracia deprimida. Que se passou?

Para a abertura da exposição "Abril, ânimos mil", na Galeria da Associação 25 de Abril, em Lisboa, António Colaço desafiou-me para um intróito: "De que falamos, quando falamos de ânimo?"

1. A identidade humana é narrativa. Mas a história narrada de cada um(a) é sempre incomensuravelmente incompleta, pois seria preciso narrar a história do universo todo, donde vimos e onde somos, até ao big bang - a grande explosão. O universo é dinamismo, que se vai configurando em estruturas cada vez mais complexas, numa história com 13.700 milhões de anos e aberta.

De que falamos, quando falamos de ânimo? Deste dinamismo cósmico que se autoconfigura, da cosmogénese, da biogénese, da hominização. Deste dinamismo em luxo e luxúria, presente em milhares de milhões de galáxias e em expansão.

2. A estrutura mais complexa que conhecemos é o Homem. De que falamos, quando falamos de ânimo? Do Homem, no dinamismo da liberdade, com duas possibilidades: liberdade criadora e liberdade destruidora. O dinamismo do mundo, agora consciente e livre, na e pela relação, constrói; curvado sobre si mesmo, devora-se e destrói.

3. De que falamos, quando falamos de ânimo? Do amor cósmico, esse amor que tudo move, como disse Dante. É também esse amor - energia e dinamismo - que une a história dos povos. Por causa da liberdade, também eles criam e dinamizam ou oprimem e destroem.

De que falamos, quando falamos de ânimo? Também falamos da Revolução dos Cravos, de Abril. Foi o júbilo do "dia inicial inteiro e limpo", sob o desígnio de democratizar, descolonizar, desenvolver.

E assim se fez, mesmo se a descolonização foi inevitavelmente dramática, a democratização feita aos solavancos, o desenvolvimento, pouco e sobretudo pouco racional. Mas o que éramos e o que somos!... Não há nada que pague a liberdade, a democracia, recuo do analfabetismo, fraternidade de povos, igualdade de homens e mulheres. É disso que falamos, quando falamos de ânimo.

4. Mas, hoje, é como se vivêssemos (ou vivemos mesmo?) numa democracia deprimida, quase impotente, sem ânimo. Que se passou?

Ele foi a sofreguidão do ter sobre o ser, na ganância louca do consumo de teres, na perda de valores fundamentais, da honra, da dignidade e do espírito. Continua vivo o individualismo dos portugueses: não conseguimos interiorizar que o que é bom para Portugal é bom para mim. A situação do ensino não é felicitante. Ah!, aquela abertura apressada e sem critério de Universidades, para ganhar eleições! O fosso entre os muito ricos e os muitos pobres é cada vez mais fundo e parece que o maior da União. A corrupção campeia. Quem acredita ainda no sistema judicial? E os jovens desinteressam-se pela política, como que para evitar um lugar mal frequentado. Que Abril foi esse que, passados 35 anos, ainda permite 2 milhões de pobres? E quem sabe o que vem aí?

Ainda é de ânimo que falamos, quando o que nos visita é o desânimo? Sim, é ainda de ânimo, se o desânimo se tornar força dialéctica para a sua autosuperação.

5. O que aqui nos trouxe foi a arte. Sem beleza, não há salvação. O artista imita a natureza: não a natureza naturada, mas a natureza naturante, o dinamismo e o ânimo que habitam o universo enquanto força criadora originária. O artista é, por isso, génio: gera beleza a partir da fonte dinâmica do mundo e anima a esperança.

O mundo não é estático: está em processo e é processo. As suas possibilidades ainda se não esgotaram, e essa é a razão por que o ânimo não é apenas psicológico, mas ontológico, da ordem do ser. O processo do mundo ainda não transitou em julgado. Abril também não. Caídas as máscaras, poderemos reencontrar o ânimo daquela manhã primeira. Se foi possível no passado, porque não há- -de sê-lo no presente e para o futuro?

A beleza abre ao futuro e à Transcendência e é promessa de ânimo, mesmo quando faz falar a arma da crítica e da sátira político-social. É disso que falamos, quando falamos de ânimo.

Anselmo Borges

Crónica de um Professor: 25 de Abril de 2009



Era o 1º ano da sua actividade profissional. Encontrava-se a leccionar numa escola do concelho, a mais próxima da sua residência, da altura.
A manhã acordara-a tranquila e preparava-se para mais um longo dia, trabalho árduo, mas compensador. Escolhera esta profissão, não por imposição de alguém, muito menos por qualquer conveniência de qualquer nível. Fora a escolha do coração, no mais amplo sentido da palavra. Alguém com alguma responsabilidade havia-a “empurrado”, sem sequer ter dado aquele empurrãozinho de que hoje tanto se fala. Foi uma personagem marcante na sua vida e, sem dúvida que influenciou, que marcou indelevelmente o seu percurso profissional. Refere-se à sua English teacher do 5º ano do Liceu, altura em que era feita a escolha da carreira profissional. Recorda-se tão bem desta criaturinha de estatura mediana, tal qual a sua, o carro que usava na altura, até a própria indumentária lhe ficara retida na memória. O nome também tinha algo em comum, pelo menos naquilo que caracteriza a mulher portuguesa, especialmente em épocas passadas, Maria Helena Pedroza! Que gratas recordações lhe traz este nome! Tanto a marcou, que se tornou uma aluna diligente, sem, para isso, fazer qualquer esforço, já que estudar Inglês era um enorme prazer. Fica aqui a homenagem pública e um profundo sentimento de gratidão pelos horizontes que lhe fez abrir! O carácter nobre desta profissão, que tem por objectivo lapidar diamantes brutos, ganha espírito de missão! Bem-haja!
Foi neste contexto de actividade, que a jovem teacher acolheu a notícia do dia 25 de Abril de 1974. A medo e com todas as cautelas, o acontecimento foi divulgado. A princípio, surgiu a música clássica a preencher a programação de todas as estações de rádio, que deu o lamiré daquilo que estava a ocorrer no nosso país. Num país, mergulhado num sistema político totalitário, havia 40 anos, foi uma efeméride que provocou reacções antagónicas e paradoxais. Sem me alongar na análise duma revolução, deixando isso para os experts na matéria, gostaria apenas de fazer algumas reflexões sobre o assunto. Iniciara nesse ano a minha carreira docente e assisti, ao longo da minha já longa existência, às mais variadas e inquietantes reformas no sistema educativo.
De tudo o que tem germinado no terreno pantanoso deste campo de acção, resta-me uma amarga constatação. Os professores têm vindo a perder direitos, ao longo de décadas conquistados, sem que esse acréscimo de dedicação à escola tenha revertido em melhorias das aquisições dos nossos alunos. O que a sociedade civil tem vindo a verificar é uma progressiva degradação da formação académica, apesar do muito show off que as escolas fazem para atestar a sua prova de vida!
O professor foi transformado num (in)competente (!?) burocrata em que a quantidade de papéis é inversamente proporcional ao sucesso alcançado pelos alunos. A tutela manda! A tutela assim quer e o professor, como qualquer subalterno, obedece a contragosto, consciente de que estamos a caminhar para uma hecatombe. Os diversos movimentos de contestação da classe docente, amplamente divulgados, comentados pela comunicação social e aplaudidos por uma grande parte da população, atestam e reflectem o mal-estar existente na classe e a inoperância de sucessivos governos em resolver a sua problemática.
Quem por vocação está no sector, confrange-se com o estado de coisas da educação em Portugal e sente-se impotente para o alterar, pese embora toda e qualquer discordância do sistema vigente.
Fica uma questão: será que ainda estamos na infância duma democracia que pretende instalar-se neste jardim florido, à beira-mar plantado? Se assim é… puxa que esta criança teima em ficar, eternamente, no estado infantil! Quebremos as amarras, as mesmas que os capitães derrubaram nessa bendita madrugada, há 35 anos atrás! Deixemo-la chegar ao estado adulto… pois já tem idade para isso!

Mª Donzília Almeida
23.04.05

sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Grândola Vila Morena: a canção da liberdade

Na madrugada de 25 de Abril de 1974, a liberdade acordou ao som de Vila Morena.

Alunos de EMRC "cortaram" as ruas em Aveiro


EMRC é a favor da pessoa humana
:
Os alunos de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) da diocese de Aveiro elaboraram um livro sobre S. Paulo. Cada escola apresentou uma página sobre o Apóstolo. Com mais de quarenta escolas presentes no Inter-Escolas realizou-se hoje (dia 24 de Abril) esta iniciativa que congregou mais de três mil alunos.
“O livro não é editável” porque “cada página tem mais de metro e meio de comprimento” – referiu Fernando Baptista.

Depois da representação do «Hino da Caridade» pela Escola Secundária de Albergaria e da intervenção de D. António Francisco, bispo de Aveiro, os alunos de EMRC percorreram as ruas da cidade. “Foi de cortar o trânsito e de não deixar ninguém indiferente” – disse à Agência ECCLESIA Fernando Baptista, um dos coordenadores do Inter-Escolas daquela diocese. Depois de várias interrogações, as pessoas “aperceberam-se que na diocese de Aveiro somos muitos”

Depois do almoço, as escolas montaram stands onde mostravam e vendiam objectos. “Os fundos angariados servem para financiar algumas actividades da disciplina de EMRC” – sublinhou Fernando Baptista. Algumas escolas da diocese realizam iniciativas de solidariedade. E exemplifica: “ajudam famílias carenciadas”.

Na diocese de Aveiro – segundo este responsável – a taxa de inscrição na disciplina de EMRC situa-se acima dos 50%. Com a realização destes encontros, Fernando Baptista salienta é “uma forma de dar visibilidade e promover a disciplina”. Os frutos aparecem depois porque “é uma disciplina que trabalha os valores”. No entanto - lamenta o responsável -, quem “está de fora não vê a curto prazo os frutos”.

Com este tipo de manifestações, as pessoas apercebem-se que se faz “algo contra-corrente”. EMRC é contra-corrente, mas “a favor da pessoa humana”.
In Ecclesia

O símbolo de Nuno Álvares


Guilherme d'Oliveira Martins diz que é «tempo de olhar a figura, em si, para além de equívocos e de aproveitamentos» em volta da canonização

À primeira vista há quem manifeste perplexidade. Porquê falar de Nuno Álvares Pereira em pleno século XXI, e ainda por cima como referência religiosa? Porquê homenageá-lo como referência cristã?

A dúvida tem, no entanto, muito menos a ver com a personagem histórica e com o seu significado, do que com a sua escolha em diversos momentos (cuja recordação está viva) em nome de uma relação equívoca entre o Estado e a Igreja ou de uma relação na qual havia quem desejasse que as fronteiras não fossem nítidas – como em tempos da pré-história da liberdade religiosa, distantes de uma laicidade serena e criadora.

É, pois, tempo de olhar a figura, em si, para além de equívocos e de aproveitamentos. Não há, assim, razão para associá-la a um nacionalismo desajustado dos sinais dos tempos de hoje, nem para a ligar a um patriotismo fechado e retrógrado, que Nuno Álvares Pereira nunca assumiu. É que aquilo que muitas vezes vem à memória não é a memória autêntica do herói e do santo, mas são as referências mais recentes de um tempo em que o Condestável foi usado como bandeira de causas de isolamento e de auto-comprazimento nacional…

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Tanto drama na comunicação social


Hoje ouvi um desabafo de pessoa amiga sobre os noticiários das nossas TVs. Diz que as más notícias já cansam.
Eu sei que o nosso mundo está cheio de coisas más, com guerras, desastres, assaltos, mortes. Também há, é certo, notícias e reportagens agradáveis: gente solidária, artistas que transmitem alegria, projectos inovadores, vitórias em vários domínios, imagens belíssimas, sons que tranquilizam, culturas que nos enriquecem… Mas, realmente, o que nos fere é o negativo, o triste.
Como inverter este estado de coisas na nossa comunicação social? Será difícil, até porque é preciso educar para novas mentalidades. O negativo terá o seu lugar, mas urge mostrar também, com destaque, o positivo.

Ruas da Gafanha da Nazaré: João XXIII


Rua João XXIII



O bom Papa João provocou a maior revolução eclesial do século XX
A Rua João XXIII é uma rua típica, com a marca dos traçados rectilíneos do antigo presidente da Junta de Freguesia, Manuel da Rocha Fernandes, a que me referi no mês de Março. Podemos entrar nela a partir da Rua São Francisco Xavier e continuar em linha recta quase até à Mata Nacional, na Rua Luís de Camões. Quando alguém pergunta onde fica, logo os mais conhecedores das muitas ruas da Gafanha da Nazaré adiantam que é a “rua do padre”, numa clara alusão à primeira residência paroquial construída de raiz pelo Prior Bastos, que fica nessa rua.
Penso que esta foi, ou pode ter sido, uma homenagem a um Papa que marcou a vida da Igreja Católica. De facto, embora alguns pensassem que João XXIII, pela sua idade, não seria mais do que um Papa de transição, a verdade é que foi ele que lançou a maior revolução eclesial do século XX, com a convocação do Concílio Vaticano II.
Com João XXIII, nasceu uma grande abertura da Igreja ao mundo, tendo como alicerces fundamentais o diálogo ecuménico e inter-religioso e a aceitação das múltiplas diferenças que enformam as sociedades.
Com as suas encíclicas, nomeadamente, a Pacem in Terris, onde propõe a paz mundial, e a Mater et Magistra, na qual reafirma o papel primordial da família e do ser humano, apresentou aos homens de boa vontade uma nova forma de viver em Igreja, colocando-a no meio do mundo.
Ainda promoveu a leitura dos sinais dos tempos e pregou mais justiça social, sendo ele próprio um símbolo do diálogo fraterno e da bondade.
Angelo Giuseppe Roncalli nasceu em Sotto il Monte, Itália, em 25 de Novembro de 1881. Ordenado presbítero em 1904 e bispo em 1925, foi nomeado cardeal e patriarca de Veneza, em 1953. Após o falecimento de Pio XII, foi eleito Papa, em 28 de Outubro de 1958, assumindo o título de João XXIII.
Faleceu com aura de santidade em 3 de Junho de 1963. João Paulo II beatificou-o em 3 de Setembro de 2000. E nessa cerimónia sublinhou: “Do Papa João permanece na memória de todos a imagem de um rosto sorridente e de dois braços abertos num abraço ao mundo inteiro. Quantas pessoas foram conquistadas pela simplicidade do seu ânimo, conjugada com uma ampla experiência de homens e de coisas! A rajada de novidade dada por ele não se referia decerto à doutrina, mas ao modo de a expor; era novo o estilo de falar e de agir, era nova a carga de simpatia com que se dirigia às pessoas comuns e aos poderosos da terra.”

Fernando Martins

Alargamento de escolaridade até ao 12.º ano


O Governo anunciou que vai alargar a escolaridade obrigatória ao Ensino Secundário (12.º ano), o que significa a entrada de mais 30 mil alunos nas nossas escolas. Ao mesmo tempo, garantiu que as instalações e os professores existentes são suficientes para este acréscimo de alunos.
Tenho alguma dificuldade em entender esta conclusão. Das duas, uma: ou o Governo não sabe fazer contas ou temos pelo País escolas a mais e professores que, nos estabelecimentos de ensino, não trabalham. Expliquem-me por favor como é que 30 mil alunos não exigem mais professores e mais salas? Vejam bem: não são mais três mil alunos!

Genéricos gratuitos para pensionistas com rendimentos inferiores ao salário mínimo


Segundo notícias de hoje, os pensionistas com rendimentos inferiores ao salárío mínimo nacional vão ter acesso aos medicamentos genéricos, sem qualquer custo. A medida foi ontem aprovada em Conselho de Ministros, entrando em vigor em breve. Medida para aplaudir, obviamente. Não é verdade que muitos pensionistas não conseguem aviar medicamentos prescritos pelos seus médicos? Mais de um milhão de pensionistas beneficiarão com esta medida.

Cronologia da vida de Santo Condestável



1360: Nuno Álvares Pereira nasce em Castelo do Bonjardim, Santarém, filho do prior da Ordem dos Hospitalários.
1361: É legitimado por D. Pedro I
1373: Entra na Corte de D. Fernando e torna-se escudeiro da rainha D. Leonor Teles. Em breve é armado cavaleiro.
1376: A 15 de agosto casa com d. Leonor de Alvim, de quem vem a ter uma filha, D. Beatriz.
1383: Morre D. Fernando. D. Leonor Teles manda proclamar a filha e o genro, D. João de Castela, sucessores do trono de Portugal. Nuno Álvares Pereira distingue-se no paartido patriótico que incita D. João, Mestre de Avis, a chefiar a revolta contra os castelhanos. É nomeado fronteiro entre Tejo e Guadiana.
1384: Vence os castelhanos na Batalha dos Atoleiros.
1385: D. João UI de Portugal, entretanto aclamado rei, nomeia-o Condestável do reino. A 14 de agosto vence na Batalha de Aljubarrota. Recebe numerosos títulos e domínios, entre os quais o Condado de Ourém e o Condado de Arraiolos.
1388: Começa a construção da capela de S. Jorge, em Aljubarrota.
1389: Começa a construção do Convento do Carmo, em Lisboa.
1393: Partilha com os companheiros de armas muitas das suas terras.
1397: Primeiros carmelitas vêm viver para o Convento do Carmo.
1401: Fim das hostilidades com Castela.
1414: Morre a filha, D. Beatriz. Projeta tornar-se carmelita.
1415: Participa na conquista de Ceuta.
1422: Reparte pelos netos os seus títulos e domínios.
1423: Professa no Convento do Carmo a 15 de agosto. Toma o nome de Fr. Nuno de Santa Maria. Dedica-se a atos de piedade e de benemerência. Ainda em vida é chamado Santo Condestável pelo povo.
1431: Morre no Dia de Todos os Santos.
1641: As cortes pedem ao Papa Urbano VIII a sua beatificação. o pedido é renovado várias vezes ao longo dos anos.
1918: O Papa Bento XV confirma o culto do Santo Condestável; a sua Festa celebra-se no dia 6 de novembro.

quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré pronto para nova temporada de Folclore


Podemos dizer que a temporada de actuações do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré (GEGN) está prestes a começar. Para já estão agendadas 16 saídas para outras tantas apresentações deste grupo, um pouco por toda a parte. Começa no próximo dia 26 de Abril, em Matosinhos, e termina a temporada com a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em 20 de Setembro. Como não podia deixar de ser, daqui desejamos um excelente trabalho na divulgação dos nossos trajes antigos, bem como das nossas danças e cantares. Escusado será dizer que os ensaios não podem parar, até porque o GEGN tem muito respeito por quem o quer ver e ouvir.

Dias de Propaganda


1. A propaganda está a sair à rua. Este ano, por todas as conjunturas, tanto sociais como eleitorais, será ano (daqui em diante) repleto de slogans e pensamentos políticos, uns mais brandos outros mais fortes. Parece que a cada dia que passa a crispação típica que tanto fragmenta os possíveis consensos se vai avolumando. Diz-se mesmo que para os lados lisboetas do marquês de Pombal, cenário e personalidade propícios a grandes mensagens, a propaganda eleitoral ocupa o espaço das divulgações habituais das festas de Lisboa. Não se sabendo até onde haverá lugar para todos, o que parece certo é que o local das festas parece ficar comprometido. Em todos os escaparates se vai gizando e aplicando o cartaz no melhor espaço, naquele sítio em que quem passa tem mesmo que dar “de caras” com o candidato “x” ou “y”.
2. E o entusiasmo será tanto e tão grande que, a certa altura, a campanha e os seus materiais de divulgação – grande investimento neste ano de três eleições – vai mesmo avançando para territórios para além do espaço público. Este gosto da liberdade de partilhar a mensagem (im)pondo o slogan e a figura a todos é a nova estrada que se fortalece pelo marketing, enquanto se parece continuar a correr o perigo de empobrecer no conteúdo. É verdade que a ansiedade é um dado humano e transversal a todos os quadrantes da vida em sociedade, e que, por vezes, poderá ser mesmo difícil manter a serenidade e elegância na postura… Mas tem-se assistido a patamares de linguagem e irritação que deitam a perder toda a escola de virtudes e de bom gosto e senso nas coisas da “causa pública”.
3. Os portugueses esperam (?), como hábito (!), destas fases das campanhas esclarecimentos claros, aprofundados, com pausas para nos ouvirmos, com oportunidades de reconhecimento do bem feito, com realismo e humilde maturidade de autocrítica para saber-se que se errou aqui ou ali. Tão diferente do ruído turbo e não clarividente que parece insistir em nos acompanhar. E depois, quem arruma os cartazes?

Alexandre Cruz

Próximas eleições: Nota Pastoral dos Bispos Portugueses

D. Jorge Ortiga, presidente da CEP


"É fundamental que os eleitores tenham consciência do que está em causa quando se vota. Os responsáveis políticos têm o dever de formular programas eleitorais realistas e exequíveis, que motivem os eleitores na escolha das políticas propostas e dos candidatos que apresentam. Este dever exige dos mesmos responsáveis a obrigação de visar o bem comum e o interesse de todos, como finalidade da acção política, propondo aos eleitores candidatos capazes de realizar a sua missão com competência, cultura e vivência cívica, fidelidade e honestidade, sempre mais orientados pelo interesse nacional, que pelo partidário ou pessoal. Ser apresentado como candidato não é uma promoção ou a paga de um favor, mas um serviço que se pede aos mais capazes.
Os regimes democráticos, como as pessoas que neles actuam mais visivelmente, não são perfeitos. A política é acção do possível. É, porém, necessário que se vão alargando sempre mais as margens do possível, para que a esperança não dê lugar a desilusões."


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A Festa da Páscoa e as festas religiosas populares



Vão celebrar-se, nos próximos meses e em todos cantos e recantos onde haja igreja ou capela, as festas religiosas tradicionais. Não há santo que não tenha a sua festa, mesmo que a devoção por ele não seja tanta que a justifique.
A tradição pesa muito na história de um povo, mesmo quando a vida dispersou a sua gente por outras terras. Se a tradição se vem da lonjura do tempo, de avós e bisavós, o respeito e a fidelidade em a cumprir não se discutem. Nada conta mais. Nem leis dos bispos, imposições dos padres, crises sociais, morte de vizinhos. É festa, é festa.
O bairrismo dos lugares, a emulação dos mordomos, o que se viu noutros lados, o que a televisão mostra servem de inspiração ao programa da festividade, publicitado em cartazes de gosto duvidoso, onde se misturam santos com cantores e conjuntos musicais, missas e procissões com arraiais e tômbolas.
O povo precisa da festa porque é dura a vida de todos os dias. Mas as festas, por aí fora, são cada vez menos festas do povo que as criou. Os olhos são postos agora nos forasteiros, na gente que vai de fora e se dispõe a pagar, não para honrar o santo, que muitos nem sabem quem é ele, mas para ver o artista conhecido, ouvir o conjunto de renome, encontrar clima propício a um maior gozo nem sempre honesto.
Muitas festas tradicionais já pouco mais têm de religioso que o nome do santo, que ainda ali aparece como motivo para as ofertas da gente mais velha lá da terra, que é a que ainda conserva alguma devoção e faz promessas. Muita outra gente da comissão, anda mais preocupada em que não falte tempo para o leilão e para a música, porque as despesas são muitas. Até já pede que as coisas da igreja se reduzam à missa e à procissão, uma vez que esta não pode deixar de ser. Assim, não se demore muito com coisas só de alguns e, ao fazer das contas, não haja prejuízos por causa da religião…
Uma ocasião de encontro de familiares e de amigos, que fazia vir à terra desde longe os que por lá andavam, foi-se tornando num momento de discutíveis misturas e barulho, que faz sair alguns dos que lá vivem à procura de terras mais sossegadas, impedindo até que venham à festa os que nunca faltavam. Afinal, deixou de ser a festa da terra com a sua mística e originalidade, para ser uma igual a todas as outras.
Importa-se tudo: ornamentações, conjuntos, pessoas. O de fora é que dá lustro à festa.
Porque se chegou aqui? Não faltam razões: o empobrecimento do sentido religioso nas pessoas, nas famílias e na comunidade, a invasão do profano, sempre passageiro e efémero, a publicidade aguerrida e teimosa de muitos intermediários do espectáculo… Tudo foi descentrando as pessoas do essencial da festa e debilitando os laços que, em momentos privilegiados como este, as uniam e tornavam solidárias.
Qualquer festa, com sentido cristão, não pode deixar de se reportar à Festa, a Páscoa de Cristo. Dela flui, de modo natural, verdadeira alegria, abertura fraterna, partilha espontânea, vontade de prosseguir, valorização do sagrado, expressões de gratidão e confiança. Sem descobrir e viver a Páscoa, qualquer festa religiosa perde o sentido.
A festa cristã repete-se em cada Domingo, dia pascal por excelência; nas celebrações sacramentais, acontecimentos pascais, por isso mesmo de Vida que nasce e cresce, se alimenta e recupera, se comunica e se compromete; na acção apostólica, gratuita e generosa; na solidariedade para com os mais pobres de todas as formas de pobreza.
A ausência de sentido cristão de festas que por aí se fazem é denunciada pela sua insensibilidade às crises sociais, ao sofrimento e até ao luto que emerge em dia de festa do lugar, ao desgoverno das despesas que esquecem as necessidades do dia-a-dia da paróquia ou do lugar. Festas que atordoam e esqueceu as que pacificavam e uniam. Simples leis não invertem o processo. Quantas vezes, para não criar mais problemas, até a Igreja passa ao lado e faz o seu caminho. A festa é útil e necessária, mas não assim.

António Marcelino

Dia Mundial do Livro


O Livro é um Amigo

Nunca me cansarei de sublinhar a importância do livro e da leitura. Mas hoje, Dia Mundial do Livro, não posso deixar de o fazer, para ficar de bem com a minha consciência. Porque a leitura é uma fonte inesgotável de saberes e um extraordinário caminho que conduz ao sonho e à magia do encontro com outros povos e culturas, com o ineditismo de tantas civilizações. Pela leitura, de livros fundamentalmente, o leitor recria o seu imaginário, dá largas à sua imaginação, ocupa tempos livres, abafa tristezas, inventa alegrias.
O livro é, realmente, um grande amigo, sempre disponível, sempre à espera que nele peguemos, para, recatadamente, partirmos em viagens cheias de fantasias que preenchem a vida, levando-nos para longe de inquietações, situando-nos no bom que existe à nossa volta.
Hoje, Dia Mundial do Livro, pare uns minutos, sente-se comodamente e leia. Verá que tenho razão.

Fernando Martins

quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Centro de Estudos de História Religiosa investiga implantação da República


No seguimento do trabalho que tem vindo a ser realizado pelo Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) nos últimos anos, e considerando as exigências do debate historiográfico existente sobre o final da Monarquia Constitucional e a instauração do regime republicano em Portugal, estabeleceu-se uma programação de investigação, de grupos de trabalho e de iniciativas científicas.
Considerou-se que esta programação se deveria articular com diversos âmbitos de carácter oficial eclesial e académico, respondendo também às necessidades de participação pública no decorrer de iniciativas das Comemorações Nacionais referentes aos 100 anos da República. Esta programação, própria do CEHR, constitui-se exclusivamente com carácter científico, no âmbito da historiografia.
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Jardim Oudinot vai ter Bar e Restaurante

Jardim Oudinot

O Executivo Municipal deliberou aprovar, após análise do concurso público, a adjudicação da Concepção, Instalação e Exploração do Bar/Restaurante do Jardim Oudinot à firma “Reflexo Lunar Unipessoal, Lda.” . O Apoio de Praia do Jardim Oudinot foi atribuído a Maria Isabel Cruz da Silva. No primeiro caso, por um período de nove anos, e no segundo, de cinco anos. Espera-se agora que tudo esteja afinado o mais depressa possível, para prazer de todos os frequentadores daquele espaço à beira-ria recriado, com muito bom gosto.

O tempo e os Valores


1. A cultura precisa de tempo. O que nos fica depois do exame ou das tarefas práticas é esse rasto de luz e de sabedoria que o tempo não apaga. A sociedade actual, embora mergulhada na pressa agitada para sempre chegar primeiro, sente a carência genuína e afectiva do saborear do tempo da vida. Saboreia quem aprecia, mas para apreciar é precisa aquela distância crítica que não se aprende só nos livros, mas que se vai construindo como fio condutor de tudo o que somos como pessoas e eco dos envolvimentos a que pertencemos na comunidade. Existem muitos prémios em Portugal dedicados à área da cultura, um deles é o «Prémio Padre Manuel Antunes», atribuição que procura fazer perdurar o homem da cultura e intuição futura que foi Manuel Antunes (1918-1985) e a escola de interpelação ética que nos legou.
2. Em edições anteriores foram reconhecidos de mérito recebendo o galardão da entidade organizadora eclesial (Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura) o poeta Fernando Echevarria (2005), o cientista padre Luís Archer (2006), o cineasta Manoel de Oliveira (2007) e a professora de Estudos Clássicos Maria Helena da Rocha Pereira (2008). Este ano a atribuição recai sobre o autor de «A Espuma do Tempo – Memórias do Tempo de Vésperas» (2008), o professor Adriano Moreira (n.1922). Da palavra do júri sublinha-se uma vida cívica intensa que teve «a preocupação por inscrever a política num horizonte axiológico, que tenha a Pessoa como valor fundamental». Acrescenta a atribuição o reconhecimento do «percurso intelectual e cívico de uma figura que tem qualificadamente contribuído para a dignificação da vida pública portuguesa».
3. Acima dos méritos pessoais, como é timbre de quem vive a generosidade como sentido de serviço comunitário, seja esta também uma oportunidade inadiável de reflexão para uma axiologia política, isto é: um conjunto de valores ou “pilares” edificadores do bem comum.

Alexandre Cruz

A espuma do tempo


Talvez não haja muito que contar, meus filhos, porque não são muitas as coisas que aconteceram, no espaço de uma sempre breve vida, que valha a pena reter e transmitir. Ao contrário, a arte de esquecer a inutilidade em que se traduz a maior parte das inquietações que consomem o nosso tempo, reduz as recordações a tão pouco que muitas vezes se contam num gesto, e sem palavras.

É assim que os que se amam, e até os que se odeiam, adoptam uma espécie de código secreto e breve que resume num instante anos de convívio. Porque quase tudo se concentra num resumo sem grande importância, depois de ter parecido que justificava canseiras demoradas, debates prolongados, vigílias de angústia, pontos finais. Nisso se gasta a maior parte daquilo que chamam o nosso tempo, e que é simplesmente a nossa vida, que é em unidades de vida que o tempo se mede. Entretanto, descura-se o essencial nos nadas a que não sabemos que nos obriga. É por isso que os livros de memórias tantas vezes parecem mais um protesto do que um testemunho, às voltas com a espuma do tempo, tempo perdido, tempo doado, unidades de vida.

Páginas consagradas ao tempo perdido, repletas das anotações raivosas do que não a valia a pena ter sido dito ou feito, e que teimam em nos fazer partilhar numa espécie de vingança indiscriminada contra as gerações futuras. Não gostaria de recordar nada que se inspirasse numa fraqueza humana, nem de contar senão aquilo que anda ligado, na minha experiência, às pessoas e coisas que me pareceram tocadas pelo sopro da sobrevivência.

Adriano Moreira
In A Espuma do Tempo - Memórias do Tempo de Vésperas, Ed. Almedina

O CAIXILHO: Exposição de Fotografia de Carlos Mendes



FOTOGRAFIAS COM ARTE

No Galeria Virtual Caixilho.com está patente ao público uma exposição de fotografia de Carlos Mendes, que merece ser visitada. A mostra tem por tema a Arte Xávega, uma técnica de pesca bem conhecida entre nós. Carlos Mendes, pelo que já vi, é possuidor de uma sensibilidade muito grande, apresentando registos bastante expressivos. A partir das suas fotografias, é possível fazer quadros decorativos, sendo garantido que o tema é de aceitação geral, tanto na região como para além dela.

terça-feira, 21 de Abril de 2009

ÍLHAVO: Santa Casa da Misericórdia comemora 90 anos

Misericórdia de Ílhavo-Aspecto das obras

Misericórdia de Ílhavo-Outro aspecto

No próximo dia 24 decorre em Ílhavo a comemoração do 90.º aniversário da Santa Casa da Misericórdia, numa altura de grande azáfama com a construção do Hospital de Cuidados Continuados Integrados, a decorrer no local do antigo hospital.
Segundo o Provedor da Santa Casa, Fernando Maria, os trabalhos decorrem em bom andamento prevendo-se o final das obras do edifício do hospital para o final do ano corrente e o hospital a funcionar em pleno, no segundo trimestre de 2010.
Em relação à Capela, e devido às precárias condições das fundações da mesma que não permitem a remodelação, terá de ser demolida construindo-se nova capela com os mesmos traços arquitectónicos da anterior. Entretanto já está aberta uma nova saída que irá dar acesso à rua Ferreira Gordo.
A obra de construção, de autoria do Arquitecto José Paradela, começou no dia 9 de Dezembro tendo sido entregue à empresa Construções José Coutinho, SA, pelo valor de 3.546.213,20 Euros mais IVA, estando já asseguradas as verbas: do Estado no valor de 750 mil Euros, da Câmara Municipal de 400 mil Euros e do empréstimo à CGD de dois milhões e 500 mil Euros, tendo a Autarquia assumido também a responsabilidade do apoio técnico à gestão do concurso, a fiscalização da obra além do investimento das infra-estruturas de acesso e sustentabilidade do Hospital.

Programa do 90.º Aniversário
Dia 24 Abril

18.30 – Bênção da obra do Hospital de Cuidados Continuados Integrados, por Sua Excelência Reverendíssima o Bispo de Aveiro
19.15 – Missa de Acção de Graças na Igreja Matriz com a assinatura do Compromisso dos novos Irmãos
20.00 - Jantar de aniversário no Hotel de Ílhavo durante o qual se prestará homenagem aos funcionários com 15 e 20 anos de serviço na instituição

Nós, Sri Lanka


1. Se no 11 de Setembro 2001 muito se sublinhou a consciência generalizada ocidental de que «hoje todos somos americanos», se diante do gigante Tsunami da Ásia (29-12-2004) foi um facto a solidariedade global em que todos «nós» estivemos envolvidos e que, até pelas proximidades recriadas, contribuiria para tirar as lições do que é a «condição humana» como obrigação de na terra construir a paz, se… então poderemos dizer que «nós» estamos em todo o lado. Não fisicamente (a física quântica ainda não o permite!) mas espiritualmente, pois a gestão do tempo e espaço nas novas formas de comunicação vai-nos mostrando que mesmo para os sistemas mais fechados os muros vão caindo, as barreiras físicas vão-se esbatendo ficando «nós» diante uns dos outros em ordem à convivência.
2. A noção de que somos cidadãos do mundo poderá dizer que somos «nós, europeus», «nós, portugueses», «nós, humanos» … Este sentido de se estar em comunhão universal, sofrendo com os problemas da humanidade (das pessoas) e acolhendo as suas alegrias e conquistas, poderá concretizar um dos elementos mais estudados, a designada «expansão universal da consciência». É nesta noção muito aberta e clara que, por exemplo, nunca se ouviu falar tanto de determinados assuntos ou certas localidades como após acontecimentos incontornáveis que recolocam povoações, pessoas e interesses no mapa global. Quem não se lembra de no natal de 2004 todos «estarmos» na Ásia, no rescaldo das comoventes imagens do Tsunami da Ásia e de correntes de solidariedade, de conhecermos localidades de países como a Malásia, o Sri Lanka e tantos outros.
3. Hoje, mesmo «nós, europeus» temos de nos descentralizarmos de nós próprios e especialmente «estamos» com as populações civis do Sri Lanka, em que 40 mil pessoas fugiram de zona de combates e dos guerrilheiros Tigres Tamil, apontando a Human Rights Watch, no terreno, para «um banho de sangue». Afinal, «porquê»? Já bastava o banho do mar de 2004… Falta de memória?

Alexandre Cruz

Prémio Padre Manuel Antunes para Adriano Moreira


IGREJA DISTINGUE ADRIANO MOREIRA


A Igreja Católica em Portugal atribuiu a Adriano Moreira o Prémio de Cultura “Padre Manuel Antunes” 2009, premiando uma vida em que teve “a preocupação por inscrever a política num horizonte axiológico, que tenha a pessoa como valor fundamental”.

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Um ícone da radicalidade



No próximo Domingo o Papa Bento XVI presidirá à canonização do donato carmelita Nuno de Santa Maria, o Beato Nuno, D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável, ou, como o povo há muito se habituou a tratar, com a sua consabida sabedoria, o Santo Condestável. Raramente, no percurso da comunidade lusa, uma figura alcançou resistir com tanto vigor a modas, tempos e vontades, para sobreviver com renovada presença num hoje que nos é dado testemunhar.

Nem todos vêem o mesmo quando pousam os olhos na envergadura deste Nuno. Alguns recusam-se mesmo a ver o óbvio. A busca do absoluto, nos séculos XIV e XV como no século XXI, tinge-se com as marcas da radicalidade, provada numa vida que, sem deixar de ser intensamente vivida, não raro confunde os protagonistas do convívio, em primeira ou em segunda mão. Os clamores materializados pelos contemporâneos de D. Nuno Álvares Pereira em face da sua opção religiosa foram seguramente bem mais audíveis que o não-senso de alguns dos nossos contemporâneos, incansáveis em combater tudo o que não entendem e todos os que não conseguem tolerar.

Seja como for, a vocação religiosa de Nuno de Santa Maria moldurou em definitivo a exemplaridade de uma vida. E não foi, por certo, o singular desempenho das responsabilidades públicas que trouxe a D. Nuno Álvares Pereira o afecto terno de tantas portuguesas e de tantos portugueses, vertido na confiança da sua intercessão junto d’Aquele a quem sempre procurou e a quem soube entregar-se inteiramente.

Nos dias que correm, propor como ícone de santidade um homem com o percurso de vida como o protagonizado pelo Santo Condestável é um gesto que não deixa de dar visibilidade a uma provocação: tu, leitor, já te procuraste nos trilhos do mundo e nos caminhos do coração? Que viste nas tuas deambulações em busca de ti mesmo? Acreditas que não estás sozinho neste permanente construir da tua pessoa? Arrisca questionar o teu percurso à luz do que Deus te pede, talvez descubras que a vocação, também a religiosa, é sempre um projecto de amor.
João Soalheiro

2009, o ano da Astronomia



1. Este ano de 2009 é celebrado como o Ano Internacional das Astronomia. O motivo são a comemoração dos 400 anos das primeiras observações efectuadas por Galileu Galilei (1564-1642), um cientista fundamental da chamada revolução científica e cosmológica e que no ano 1632 publicou o «Diálogo dos dois sistemas, ptolomaico e copernicano». Os tempos eram difíceis e o trazer da noção de diálogo viria a ser providencial como abertura das possibilidades de propor uma nova forma de ver o mundo tão diferente da tida como habitual. Da comemoração deste ano procura-se reflectir sobre os contributos para a humanidade desta área de conhecimento que é a astronomia. Foram profundas as mudanças que há quatro séculos ocorreram neste âmbito, transformação envolta mesmo em polémicas com a forma tradicional de Ptolomeu ver o mundo (justificada pelos textos sagrados) em que o sol é que andaria à volta da terra (sistema heliocêntrico).
2. Este ano 2009, recriando o melhor da memória, quererá em todos gerar um dinamismo aberto e apreciador dos conhecimentos humanos como escola de vida ao serviço da dignidade humana. Valerá a pena destacarmos os objectivos deste ano internacional: Difundir na sociedade uma mentalidade científica; promover acesso a novos conhecimentos e experiências observacionais; promover comunidades astronómicas em países em desenvolvimento; promover e melhorar o ensino formal e informal da ciência; fornecer uma imagem moderna da ciência e do cientista; criar novas redes e fortalecer as já existentes; melhorar a inclusão social na ciência, promovendo uma distribuição mais equilibrada entre os cientistas provenientes de camadas mais pobres, de mulheres e minorias raciais e sexuais.
3. Objectivos ambiciosos que, na base do diálogo generoso, humano e científico, desejarão gerar mais proximidades pacíficas e mais desenvolvimento para todos.

Alexandre Cruz

Reinvenção da Solidariedade

O Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo, pede a reinvenção da solidariedade, criando novas respostas para novas necessidades. A crise, que continua, exige mais atenção. Do Estado, mas também das comunidades locais. Ainda, naturalmente, das pessoas.

segunda-feira, 20 de Abril de 2009

De Israel para o meu blogue e para o mundo


Vamos viajar com o Comandante José Vilarinho


O Comandante José Vilarinho é um gafanhão, com raízes concretas na Gafanha da Nazaré.
Há tempos desafiei-o a colaborar, enviando fotos e notícias das suas viagens pelo mundo, a bordo do paquete de cruzeiros, que dirige com bastante experiência. Que nos mostrasse o seu mundo, com tudo quanto ele tem de cultural. Contactar pessoas das mais diversas nacionalidades e conhecer diferentes maneiras de estar na vida serão sempre desafios aliciantes.
Aqui fica, pois, o reflexo da primeira colaboração. Penso que por ela ficaremos mais ricos.


- Conforme prometido, aqui estou a enviar-lhe algumas notícias, de modo a que, de vez em quando, possa seguir as nossas viagens e sentir, como eu sinto, o prazer e a honra de ver a nossa bandeira desfraldada nos mais distante recantos deste mundo.

- Apesar da nossa Marinha de Comércio (e de Pesca) ter desaparecido quase completamente, é de louvar o facto de alguns armadores estrangeiros manterem os seus navios registados na Bandeira Nacional, dando assim emprego àqueles que ainda gostam de fazer do Mar a sua profissão.


- Depois de alguns meses de descanso e reparações efectuadas no porto de Piraeus (Athenas) na Grécia, o pequeno ARION estava pronto de novo para iniciar a temporada 2009 no dia 10 de Abril .
O ARION é um navio de passageiros, construído em 1965 em PULA na ex-Jugoslávia, com o nome Original de ISTRA .
Em 1999 foi adquirido pelo armador grego, Mr. George Potamianos, que opera a sua frota a partir de Lisboa.
O navio foi totalmente remodelado nos estaleiros navais da Rocha em Lisboa e renomeado de ARION.

- O ARION é o mais pequeno dos navios da Frota da Classic International Cruises (www.CIC-CRUISES.com), dos quais fazem parte o FUNCHAL, PRINCESS DANAE , PRINCESS DAPHNE, ATHENA , e ARION. O ARION é chamado a PÉROLA da frota.

- Segundo a mitologia grega, ARION era um músico, cantor e poeta nascido na Ilha de Lesvos, e era filho do Rei Neptuno, Rei do dos Mares. Durante uma viagem marítima, ARION foi atacado pelos piratas que o deixaram no mar sozinho para morrer afogado. ARION foi salvo por um Golfinho que o levou são e salvo à Praia de Tainaron. Daí o nome do Nosso ARION ter um golfinho como logótipo.


- O ARION é um navio considerado pequeno na escala de navios de passageiros, com 117 metros de comprimento e 16 de boca. Tem uma velocidade de cruzeiro de 16 nós e uma capacidade máxima de 340 passageiros e 135 tripulantes.

- Iniciámos a temporada no dia 10 de Abril, escalando algumas das mais bonitas Ilhas Gregas, como Santorini, Mykonos e Rhodes, entre outras. Estamos esta semana a efectuar um cruzeiro de 7 dias com saída de Athenas, passando por Alexandria e Port Said, Egipto. Hoje estamos em Israel, para a sempre fantástica e tão desejada visita à Terra Santa (Jerusalém).

- Amanhã estaremos em Limassol, (Chipre), depois Turquia. Voltaremos a Santorini e terminamos em Piraeus .

- Sairemos no dia 24 para o mar Adriático, onde passaremos o Verão, com Cruzeiros pela costa da Croácia, Montenegro, Eslovénia e Itália.

- Voltarei ao seu contacto com mais notícias do Adriático, no próximo mês, ou antes, se se justificar.

Um muito obrigado pela companhia que o seu Blog me oferece, a mim e para todos os que estão longe.

Um abraço

José Vilarinho
(Comandante)

Nota: Aspecto do navio comandado pelo José Vilarinho. Clicar nas fotos para ampliar.

Padre Miguel: Contacto do Brasil, com carinho


Do Brasil, recebi um e-mail de uma admiradora do Padre Miguel Lencastre, a propósito do texto que publiquei no meu blogue, sobre o encontro que tive com ele no sábado passado. Com a devida autorização, aqui transcrevo o comentário de Jeovana Saldanha, com os meus afectuosos cumprimentos para ela.

FM


"Sr. Fernando Martins, um grande prazer em escrever-te.
Gostaria de parabenizar pela belíssima entrevista com o padre Miguel Lencastre em seu blog, no encontro apetecido.
Sou psicóloga brasileira, admiradora da vida missionária do padre Miguel, que recentemente participei da celebração dos seus 80 anos, no santuário da Mãe Rainha em Olinda/Brasil.
Muito desejo estar em junho em Portugal, para a celebração lusa.
Mas, no Blog encantou-me a forma como conseguiste descrever um encontro tão querido, como qualquer um de nós, ao encontrar o querido Padre Miguel.
Sinto-me sempre confortada quando reencontro aquele santo homem.
Em minhas pesquisas, encontrei o seu Blog que passará a ser a minha leitura habitual.
Parabéns e um grande abraço, do Brasil, com carinho.
Deus nos abençoe, sempre!"

Jeovanna Saldanha - Recife/PE/Brasil

jeosaldanha@hotmail.com

domingo, 19 de Abril de 2009

Gafanha da Nazaré: Cidade há oito anos



O passado é importante e bom, mas é preciso preparar e rentabilizar o futuro


Celebrou-se, hoje, o oitavo aniversário da elevação da vila da Gafanha da Nazaré a cidade, com um programa de alguma forma simbólico, já que não estamos em maré de grandes festas. Também oito anos de cidade não são um número “redondo”, como agora se diz. Contudo, o hastear das bandeiras, junto à sede da Junta de Freguesia; a visita à Fundação Prior Sardo, na casa de Remelha; a passagem pela Via de Cintura Portuária; a participação na Missa das 11 horas, na igreja matriz; e o almoço de trabalho com entidades e dirigentes associativos, no Navio-Museu Santo André, constituíram um programa comemorativo condigno, que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Ribau Esteves, tendo como anfitrião o presidente da Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré, Manuel Serra. Associaram-se autarcas, o Prior da Freguesia, Padre Francisco Melo, e diversas entidades.
Na missa de acção de graças, o nosso prior aproveitou a oportunidade para lembrar que a freguesia e a paróquia nasceram juntas, tendo referido que as comemorações devem ser uma homenagem à “força de todos, mulheres e homens, que nesta terra trabalharam e continuam a trabalhar, para tornar esta sociedade, que vive entre a ria e o mar, de sabor a sal, cada vez mais próspera, inclusiva e justa, e onde a paz tem de ser a palavra de ordem”.
Questionado sobre como gostaria de brindar a nossa cidade e o seu povo, no próximo ano, altura em que se celebra o centenário da freguesia e paróquia da Gafanha da Nazaré, Ribau Esteves adiantou que o Centro Escolar e Educativo da Cale da Vila, “obra que começará nas próximas semanas, para ficar pronta em Março ou Abril de 2010”, será uma prenda importante. Isto, “porque a Educação foi e é sempre o nosso sector prioritário”, afirmou.
Garantiu que 2010 vai ser o ano do “arranque físico das obras de saneamento básico”, na Gafanha da Nazaré, “para acabarmos os 50 por cento da cobertura que nos faltam, ao nível da cidade”.


Referiu, a propósito desta questão, que, muito brevemente, vão ser tomadas decisões bastante significativas, envolvendo os 11 municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), sobre “o investimento na expansão das nossas redes de água e saneamento e de gestão dessas mesmas redes”.
O autarca ilhavense sublinhou que até final deste ano ficará concluída a obra de ampliação e remodelação do Centro Cultural da Gafanha da Nazaré, “para darmos melhores condições ao desenvolvimento cultural das populações desta cidade”. E logo acrescentou que há uma outra prenda, para beneficiar quatro instituições privadas, a chamada Casa da Música, que gostaria de oferecer no ano do centenário da freguesia e paróquia. As suas dúvidas prendem-se com o facto de ainda não ter conseguido realojar uma família que habita o edifício que se pretende aproveitar. “Há alternativa para o realojamento, mas falta convencer a referida família a aceitar a nossa proposta”, disse.
Ribau Esteves frisou que a Câmara quer assinalar o centenário com uma outra obra, muito significativa. Trata-se da qualificação do centro urbano da Gafanha da Nazaré, o que implica o arranjo do “troço central que envolve a igreja matriz, na Av. José Estêvão, e a construção, nos terrenos do antigo mercado, da nova sede da Junta e dos CTT”. Falta o financiamento da CGD, que tarda, para este objectivo, mas, “se não se for por aí, vamos procurar outra solução”, garantiu. E acrescentou: “É um objectivo com estatuto formal de prenda, na medida em que o nosso compromisso é que essa obra, o seu desenvolvimento e finalização, marque, de forma histórica, o centenário da freguesia.”


Na Fundação Prior Sardo, uma instituição criada pelo Prior José Fidalgo, para apoiar, sob as mais diversas formas, as famílias, Ribau Esteves, que foi o primeiro presidente da direcção, considerou “exemplar o trabalho de resposta às dificuldades” das pessoas. Ainda criticou o secretário de Estado do Ordenamento do Território, do Ministério do Ambiente, João Ferrão, por não ter disponibilizado uma parcela de terreno de 400 metros quadrados, da zona da Colónia Agrícola, para a construção de uma creche da Fundação, por considerar "irrelevante o projecto".
O presidente da Câmara de Ílhavo considerou que é fundamental que haja gente solidária, mas frisou que as instituições são precisas, tal como “são precisas regras para servir bem quem mais necessita, organizadamente”. E mais: "O passado é importante e bom, mas é preciso preparar e rentabilizar o futuro."

Fernando Martins

A cultura da polivalência

Leonardo da Vinci

1. Os grandes autores da época do Renascimento primaram pelo espírito aberto de polivalência, do saber de tudo um pouco, da procura da visão de conjunto. Não, porventura, numa tentativa de explicação fixista unitária de tudo, mas na dinâmica procuradora do desenvolvimento humano integral, onde todas as faces da vida que nos envolve merecerão ter da parte do ser humano uma abordagem. Um dos maiores génios de sempre da humanidade vem desta época, Leonardo da Vinci (1452-1519). Das suas habilidades, do que nós hoje chamaríamos de polivalência, ele foi: pintor, escultor, arquitecto, matemático, engenheiro, fisiólogo, químico, botânico, geólogo, cartógrafo, físico, mecânico, escritor, poeta e músico do chamado Renascimento italiano. Teve, ainda, além de outras, intuições na área da futura aviação.
2. Claro que não vamos pedir tanto a nós próprios nem aos que hoje estudam ou ontem estudaram! Génio é génio! Mas haveremos sempre de pedir não um afunilamento demasiado na especialidade que faça perder a noção da globalidade (E. Morin). Poderemos mesmo colocar em esquema esta dúvida: o mercado de trabalho reclama polivalência adaptativa à realidade, mas, objectivamente, os circuitos dos estudos vão-se apurando sempre mais na especialização. Como articular? Por vezes perguntamo-nos a nós próprios: como pedir POLIVALÊNCIA, esta que traz consigo também a exigência e aceitação humanista e a capacidade de adaptação e recriação mediante as novas situações e mesmo as dificuldades…quando a formação aposta fortemente mais numa especialização no pormenor (?).
3. Nos tempos actuais (não dizemos se de crise, pré-crise ou pós-crise), esta capacidade de adaptabilidade generosa, na aceitação própria da gradualidade da construção da casa (seja física seja da vida), dará garantias de ser-se melhor profissional e mais cidadão na procura de cada dia (no pressuposto da ética) nos irmos moldando. Um novo renascimento!

Alexandre Cruz

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 127

BACALHAU EM DATAS - 17



Júlia I

SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX - BENSAÚDE E MARIANO


Caríssimo/a:


E continuemos a nossa saga...


1857 - «…Mas em 1857, a Companhia [de Pescarias Lisbonense] viu-se forçada a suspender a sua actividade, por razões que se prenderam com o agravamento das leis fiscais.» [Creoula, 09; HPB, 27; Oc45, 79]
1865 - «O “imposto de pescado” já se elevava a 6 %.» [HPB, 26/28]
1866 - «Em 1866 voltou a ressurgir a Faina Maior com a empresa Bensaúde & C.ª, do Faial, que, por razões climatéricas, transferiu mais tarde a seca do bacalhau e as instalações principais para o Barreiro.»[Creoula, 09]
«Nove anos depois da falência da Companhia das Pescarias Lisbonense (1857), em 1866, apareceram dois novos armadores “Bensaúde e C.a” e “Mariano e Irmãos” que armaram nesse ano 4 veleiros: HORTENSE, 98 t, SOCIAL, 148 t e 25 homens; JULIA I, 217 t e 41 homens; JULIA II, 145 t e 28 homens. O JULIA I e o JULIA II serão mesmo armados em lugres-patacho. De 1866 a 1903, estas duas empresas acabaram por ter praticamente o exclusivo da pesca do bacalhau.» [HPB, 28]
1875 - «A grande revolução nos métodos de pesca empregados ocorreu em 1875, ano em que se fez o primeiro ensaio com "dories", embarcações ligeiras de fundo chato, utilizadas há muito pelos pescadores americanos. As pesadas chalupas de difícil e perigosa manobra, quer no arrear, quer no içar para bordo, viram assim terminado o seu ciclo de utilização diário. Entre os franceses, cada dory era tripulado por dois homens, visto serem ligeiramente maiores que os dories usados pelos portugueses, estes ocupados por um só homem. A pesca era agora feita pelos pescadores isolados nas suas pequenas embarcações, senhores e donos do seu trabalho e do seu destino, ficando o navio fundeado no mesmo sítio durante vários dias, enquanto a abundância de pesca o justificasse.»[HDGTM, 40]
1885 - «Na Figueira da Foz, diz Rui Cascão, a pesca do bacalhau “reiniciou-se de facto em 1885, utilizando um só navio – o JÚLIA 1.º – com apenas 82 toneladas de lotação – sob o comando do capitão José da Cunha Ferreira (1856-1945).” »[Oc45, 79]
1886 - «Segundo Rui Cascão partiram para a Terra Nova dois navios – JÚLIA 1.º e JÚLIA 2.º, com a tonelagem de 270 m3.» [Oc45, 80]
1888 - «Das cerca de 21.000 toneladas que entraram no país, apenas 923 foram pescadas por navios nacionais.» [Oc45, 67]
1889 - «Segundo Rui Cascão “As campanhas [da pesca do bacalhau] foram feitas com 3 navios de 1889 a 1901, com excepção dos anos 1895/1896 e 1900”.» [Oc45, 80]
1890 - «Construção do navio ADÍLIA nos terrenos marginais da Cale da Vila, pelo pai do celebrado Mestre Mónica.» [Tim, Set/1990, “Toca a Marchar”]
1891 - «Em 1891, a empresa Bensaúde & C.ª deu origem à Parceria Geral de Pescarias que a par com a Mariano e Irmãos, da Figueira da Foz, deteve o exclusivo da pesca do bacalhau em Portugal.»[Creoula, 09]


Manuel

sábado, 18 de Abril de 2009

Padre Miguel Lencastre: o encontro sempre apetecido




80 anos de vida ao serviço do Reino de Deus


Quando criamos afinidades com alguma pessoa, é sempre um prazer encontrá-la e estar com ela. Hoje, tive o grato prazer de conversar com o Padre Miguel Lencastre, não tanto tempo quanto desejaria, mas o suficiente para recordar um convívio são de há muitos anos, cheio de cumplicidades e de mútua estima.
Conheci o Padre Miguel numa data imprecisa, anterior a 1970. Tinha sido ordenado presbítero em 1966 e passava na altura pela Gafanha da Nazaré, julgo que a convite do Padre Domingos Rebelo dos Santos, prior da freguesia. Foi no Café Central, na hora da bica, que o Padre Domingos mo apresentou. Desde aí, fiquei a saber um pouco da sua vida e a apreciar a capacidade de diálogo e empenho apostólico que ainda cultiva.
Entre Junho de 1970 e Setembro de 1972 exerceu, entre nós, o cargo de coadjutor da paróquia, assumindo, em Abril de 1973, a paroquialidade da Gafanha da Nazaré. Deixou essa missão em Outubro de 1982, sendo substituído pelo Padre Rubens Severino.
Como sacerdote de Schoenstatt, conhece meio mundo, ao serviço dos ideais que aceitou já adulto.
Um simples telefonema foi o suficiente para acertarmos a hora do encontro. E da conversa que mantivemos, ao jeito de matar saudades, que eu tanto aprecio, registei algumas notas que aqui partilho, como simples homenagem que, na minha óptica, ele bem merece.


Quando estou com o Padre Miguel, é certo e sabido que aprendo alguma coisa, marcadamente inédita. Vejam só: hoje aprendi dele que podemos, se quisermos, descobrir, por cálculos mais ou menos lógicos, o dia em que passámos a viver no ventre de nossa mãe. Pois o Padre Miguel, que completa 80 anos em 12 de Junho próximo, dia em que pela primeira vez terá sentido a luz do dia, vai lá para trás, nove meses, para assinalar a sua concepção. Regista o 12 de Setembro, altura em que começou a viver, no seio de sua mãe, em perfeita comunhão com ela e dela recebendo as bases fundamentais da própria personalidade que foi desenvolvendo ao longo de tantos anos. Iniciou, portanto, nessa data, as comemorações do seu 80.º aniversário.
Porque o 12 de Junho está já reservado para outros encontros, estabeleceu o 20 de Junho para celebrar o 80.º aniversário no Mosteiro da Batalha, junto à estátua de D. Nuno Álvares Pereira, padroeiro do seu sacerdócio e por quem nutre muita devoção.
Recorda, a propósito, que D. Nuno foi o grande obreiro do conceito de patriotismo, com as lutas que travou, à frente do povo português, contra as pretensões do rei de Castela, assegurando a nossa independência. Por isso, estará, se Deus quiser, na cerimónia de canonização, que ocorre em Roma, no próximo dia 26 de Abril.


Questionado sobre o que vai fazer, de significativo, a partir dos 80 anos, o Padre Miguel adiantou quatro grandes objectivos:
– Passar a escrito a sua autobiografia, o Livro da sua Vida;
– Continuar o seu trabalho com o Terço dos Homens, no Brasil, onde já há meio milhão de homens que o rezam, semanalmente, nas suas paróquias e capelas;
– Promover a unidade, cada vez mais forte, da família, através do restauro da casa onde nasceu, berço onde começou o Movimento de Schoenstatt, em Portugal;
– Por último, ou o primeiro objectivo, esforçar-se por atingir a santidade.
Não sabe, concretamente, qual vai ser o mais difícil de conseguir, mas espera que todos se realizem.
Resta-me desejar ao Padre Miguel Lencastre que daqui a uns tempos possamos chegar à bonita conclusão de que tudo foi alcançado.

Fernando Martins

Crise e crítica na Igreja


Quem se não apercebeu ainda da crise por que passa hoje a Igreja Católica? Um grupo de 300 teólogos e responsáveis de comunidades de base espanhóis - alguns, como A. Torres Queiruga, Juan Masiá, J. A. Estrada, J. J. Tamayo, J. I. González Faus, teólogos de renome - acaba de publicar um documento intitulado Ante la crisis eclesial, no qual defende que "a causa principal da crise é a infidelidade ao Concílio Vaticano II e o medo das reformas exigidas".

Num procedimento que eles próprios consideram ser "extraordinário" - não é também extraordinária a causa que o motiva: "a perda de credibilidade da instituição católica"? -, reconhecem que "este descrédito pode servir de desculpa para muitos que não querem crer, mas é também causa de dor e desconcerto para muitos crentes".

Responsável fundamental é a Cúria Romana. O Concílio teceu-lhe críticas duríssimas, Paulo VI tentou pôr em marcha uma reforma, mas ela própria bloqueou--a. As culpas não são, pois, exclusivamente de Bento XVI, com quem aliás se solidarizam: "O erro grave de todos os pontificados anteriores foi precisamente deixar bloquear essa reforma urgente."

A primeira consequência do bloqueio é "o poder injusto da Cúria sobre o colégio episcopal", derivando daí "uma série de nomeações de bispos à margem das Igrejas locais e que busca não os pastores que cada Igreja precisa, mas peões que defendam os interesses do poder central".

Aqui assentam outras duas consequências: a mão estendida a posições da extrema-direita autoritária e ataques sem misericórdia contra quem está próximo da liberdade evangélica, da fraternidade cristã e da igualdade de todos os filhos e filhas de Deus, "tão clamorosamente negada hoje". Depois, há "a incapacidade para escutar", que faz com que "a instituição esteja a cometer ridículos maiores do que os do caso de Galileu". De facto, a ciência oferece dados que a Cúria prefere desconhecer, concretamente nos "problemas referentes ao início e ao fim da vida". A proclamada síntese entre fé e razão fica anulada.

Estas são "horas negras" para o catolicismo romano. Os autores lembram as rupturas de Fócio, que desembocou no grande cisma de 1054, e de Lutero, para sublinhar que também hoje "se não pode esticar demasiado a corda em tensão". Mas "Deus é maior do que a instituição" e "a alegria que brota do Evangelho dá forças para carregar com os pesos mortos". Por isso, os subscritores do documento, animado exclusivamente pelo amor a uma Igreja enferma, não se sentem superiores nem vão abandoná-la, mesmo que tenham de suportar as iras da hierarquia.

A quem se possa escandalizar lembram que a Igreja foi ao longo da sua história "uma plataforma de palavra livre". Assim, Santo António de Lisboa pôde pregar publicamente que Jesus tinha dito: "apascentai as minhas ovelhas", mas os bispos da altura entenderam: "ordenhai-as e tosquiai-as". O místico São Bernardo escreveu ao Papa, dizendo--lhe que não parecia sucessor de Pedro, mas de Constantino, perguntando: "Era isto que faziam São Pedro e São Paulo?" Comentando, o actual Papa escreveu, em 1962: "Se o teólogo de hoje não se atreve a falar dessa forma, é sinal de que os tempos melhoraram? Ou é, pelo contrário, sinal de que diminuiu o amor, que se tornou apático e já não se atreve a correr o risco da dor pela amada?"

Neste contexto e por ocasião da passagem dos 25 anos da sua morte, deixo aqui a minha homenagem ao antigo professor, Karl Rahner, um dos maiores teólogos católicos do século XX, que escreveu num pequeno livro que então traduzi - Liberdade e Manipulação - que a liberdade tem prioridade sobre a autoridade, que só se legitima como função de serviço; esta reinterpretação funcional da autoridade obrigará a superar "a mentalidade institucionalizada dos bispos, feudal, descortês e paternalista" e implicará a limitação temporal nos cargos eclesiásticos, incluindo o papal, que as decisões e directrizes sejam, em princípio, explicadas ao público, com razões, e que se volte a "pensar numa colaboração do povo na nomeação dos hierarcas".

Gafanha da Nazaré: Alterações de trânsito trouxeram incómodos


A Av. José Estêvão vai ser sujeita
a alterações rodoviárias e urbanísticas
:
"Manuel Serra, presidente da Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré, reconhece que as alterações de trânsito introduzidas na Rua Dom Manuel Trindade Salgueiro provocam transtorno aos residentes. “Não será a situação mais cómoda para a população, mas é útil em questões de segurança”, afirmou em entrevista à rádio Aveiro FM. “Alguns estabelecimentos comerciais” foram prejudicados com as correcções efectuadas no local. O autarca do PSD lembra que os automobilistas que circulavam naquela artéria eram confrontados com “ciladas” que punham em causa a sua segurança. “Só não havia mais acidentes porque as pessoas tinham muito cuidado”, declarou. A Avenida José Estêvão, principal artéria da freguesia, será igualmente sujeita a alterações rodoviárias e urbanísticas." Lê-se no Diário de Aveiro de hoje.

Misericórdia de Aveiro com "prejuízos operacionais elevados"

Lacerda Pais com o padre Lino Maia, presidente da CNIS (foto do meu arquivo)

Em longa entrevista ao semanário O Aveiro, que é distribuído com o EXPRESSO, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, Lacerda Pais, garante que a instituição que dirige tem elevados prejuízos operacionais, da ordem dos 500 mil euros por ano. Isso tem obrigado os dirigentes a vender alguns bens. Ler a entrevista aqui.

Para mim, VIVER É CRISTO


Acaba de me chegar às mãos o primeiro número, de uma série de oito, de para mim, VIVER É CRISTO. Trata-se de uma publicação de quatro páginas, da responsabilidade do Arciprestado de Ílhavo, para o Tempo Pascal, sobre São Paulo, precisamente por estarmos a viver o Ano Paulino, uma proposta do Papa Bento XVI.
Esta publicação oferece uma catequese adaptada do Papa sobre o Apóstolo, entre outros escritos históricos, e ainda um texto do próprio Paulo, que se dirige "a todos os amados que estão nas paróquias do arciprestado de Ílhavo". Este pequeno jornal reflecte, sem dúvida, um exemplar trabalho pastoral de âmbito arciprestal, sendo uma boa aposta para, em família, todos caminharem na procura de São Paulo, tentando descobrir a sua leitura da Boa Nova de Jesus Cristo, adaptada aos tempos que correm. A distribuição, gratuita, é feita nas missas dominicais.

Crónica de um Professor…


Férias da Páscoa

Era a primeira aula do 3.º Período, logo após as férias da Páscoa. Vinha mesmo a talho de foice, o tema daquela unidade didáctica -Descrever acções no passado.
Os alunos vinham ainda cheios daquela energia que se recupera e desenvolve nos períodos de interrupção lectiva. E… falar daquilo que tinham feito, nesses dias, seria para eles agradável e estimulante. A teacher aproveitava as vivências dos seus alunos, para servirem de motivação ao tema que ia tratar e também para lhes fazer crer que a aprendizagem duma língua estrangeira tem interesse e tem, na verdade, uma utilidade prática. A Pedagogia e a Didáctica, sempre de mãos dadas!
Assim, inquiriu quais tinham sido as tarefas/actividades em que se tinham ocupado, durante esse período de tempo. Logo acudiram, em simultâneo, as mais díspares respostas, mas duma espontaneidade genuína. O Daniel levou uma fartura ao pai; O Miguel Ângelo foi à piscina e fartou-se de nadar; o Kevin foi à Feira de Março; o Luís foi ao hospital visitar uma tia doente; alguns não foram a lado nenhum e ficaram em casa, a saborear o aconchego do lar… a ver televisão, jogar no computador, ajudar as mães nos recados. Todo este vocabulário era um manancial precioso para a teacher, que queria ensinar-lhes o past dos verbos regulares e alguns irregulares. Sabia, pela sua larga experiência, que era um assunto árido para os discentes, que nunca acolhem muito bem as lições de gramática. Esta precisa de vestir-se de atractivas roupagens para se insinuar junto dos alunos. A teacher tinha ali, as “fantasias” com que mascarou a “intrusa”! Ir nadar, ir à Feira de Março, comer farturas e sobretudo folares, era de facto aliciante para os alunos quebrarem as barreiras da aprendizagem e falarem pelos cotovelos. A mestra dava-lhes a ajudinha de que precisavam e… foi vê-los contar com entusiasmo as suas aventuras das férias. Mas… havia ali o Coelho, não o da Páscoa, mas aquela bolinha de carne, em oposição às bolinhas de pêlo, forma ternurenta com que a teacher apelidara os seus homónimos... os coelhinhos! Aquela criaturinha, cara de lua cheia, roliço de carnes e com a impetuosidade do mar que banha a sua Costa Nova a correr-lhe nas veias, estava ali, impávido e sereno, a congeminar a sua contribuição para aquele relato de aventuras. A sua postura era de alergia à língua estrangeira; ainda não vislumbrara a vantagem, o interesse de aprender a falar outro linguajar, para um dia, num futuro próximo… vir a falar aos peixinhos, seguindo as pisadas dos progenitores! Será que estes não entenderiam a sua língua materna, aquela e única que no berço aprendera? Não, o “Caramelo”, aqui, sinónimo de Coelho, pela doçura que ambas as palavras evocam, não estava para aí virado... para falar Inglês! Mas... o Caramelo não quer dar parte de fraco, pensa e age sempre, deitando umas pitadas de humor nas suas tiradas. Assumindo um ar de superioridade adulta e dando às suas palavras um tom convincente, exclama: - Não vou estar aqui… a falar da minha vida privada!!!
A teacher conteve, a custo, uma gargalhada espontânea… e a aula prosseguiu o seu ritmo normal, evocando, com nostalgia, as peripécias das Férias da Páscoa!

Mª Donzília Almeida
17.o4.09

sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Cavaco duro como nunca para Governo e empresários

Na abertura do 4.º Congresso da Associação Cristã de Empresários e Gestores, o chefe de Estado apontou directamente o dedo ao Governo avisando que “seria um erro muito grave, verdadeiramente intolerável” que, “na ânsia de obter estatísticas económicas mais favoráveis e ocultar a realidade, se optasse por estratégias de combate à crise que ajudassem a perpetuar os desequilíbrios sociais já existentes”.

Artistas da Gafanha da Nazaré


Ultimamente, tenho dado conta da existência, na Gafanha da Nazaré, de inúmeros artistas, de várias áreas de expressão. Folgo com isso. E só me apetecia divulgá-los todos, muito embora me pareça bastante difícil a tarefa. Gente jovem, sobretudo.
Não sei explicar a razão de ser desta tão preenchida rede de artistas, mas julgo que isso será fruto de gostos refinados que as novas tecnologias da comunicação suscitam em pessoas com novos gostos e apetites por altos horizontes.
É bom verificar que a arte começa, agora mais do que nunca, a ocupar mais pessoas, de quaisquer idades, num desafio constante de inovadoras expressões, capazes de convencer os mais cépticos. Gosto disso.
Convencido de que vou ter muito por onde escolher, aqui prometo que, dentro do viável, poderei oferecer aos meus visitantes alguns desses artistas.
Para já, não tenciono referir nomes. Seria, certamente, uma injustiça para os que ficassem de fora.

FM

quinta-feira, 16 de Abril de 2009

A insustentável leveza do Ter



1. Mesmo após o diagnóstico da situação actual mundial, sejam multiplicadas as análises dos “porquês” para bem se discernir os “para quês”. Sem dogmatismos mas sem descompromissos, e pese embora o facto incontornável da globalização em realização, será essencial que a procura de soluções venha acompanhada da devida reflexão sobre o lugar do Ter e do Ser nas sociedades actuais. A questão é ampla e grandiosa, mas nem por isso deve ficar por ser enfrentada. Os variados quadros de formação não poderão fechar-se num “quadrado” pois que as problemáticas são plurais e “redondas”, no sentido daquela globalização boa que se quer, com a presença contínua de valores que iluminem o Ser Humano e não meramente as quantificações que seduzem o Ter Humano.

2. Se se fala hoje tanto de sustentabilidade, noção atribuída às questões ambientais de um efectivo “desenvolvimento sustentável”, deve-se falar mais daqueles que estão por trás dessa possível sempre maior garantia de sustentabilidade. Há anos o escritor Milan Kundera (n. 1929) publicou o célebre romance «A insustentável leveza do Ser» (1984), história que se passa na cidade de Praga em 1968, argumento já traduzido para a máquina do cinema. Diante da conjuntura sociopolítica de então reflecte-se sobre o lugar do Ser, como expressão do sentir existencial, ao mesmo tempo forte e ao mesmo tempo frágil; mas o Ser que, caminhando nas coordenadas históricas, vence todas as limitações do tempo e do espaço, mesmo em regimes cegos.

3. Proponhamo-nos a uma rasgada reflexão sobre a clarividente e demonstrada insustentabilidade do Ter. Poder-se-á dizer que o Ocidente avançou mais pelos paradigmas do Ter e o Oriente conseguiu preservar o Ser das sabedorias culturais ancestrais. Nunca se poderá generalizar nada neste “caldo” de expressões humanas, elas que hoje se encontram (e surpreendem) umas às outras. Viajemos aos pilares (do Ser ou do Ter?) da construção!

Alexandre Cruz

GAFANHA DA NAZARÉ: Cidade há oito anos


No próximo, dia 19 de Abril de 2009, assinala-se a passagem do 8º aniversário da elevação da Gafanha da Nazaré a cidade.

Como forma de marcar e comemorar essa data, a Câmara Municipal de Ílhavo, em conjugação com a Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré, vai realizar um conjunto de acções dedicadas à cidade da Gafanha da Nazaré, com visitas e reuniões a que presidirá o Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, com o seguinte programa:

09.00 h – Hastear das Bandeiras,
junto à Sede da Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré;

09.30 h – Visita à Fundação Prior Sardo,
na Casa da Remelha

10.00 h – Visita às obras da 3ª fase da Via de Cintura Portuária
e da Ligação Ferroviária ao Porto de Aveiro

11.00 h – Missa de Acção de Graças,
na Igreja Matriz da Gafanha da Nazaré

12.30 h – Almoço de Trabalho com Entidades e Dirigentes Associativos,
no Navio Museu Santo André

15.30 h - Encerramento

Só Europa do leste tem crianças mais pobres que Portugal


O DN diz hoje que um "Estudo revelado ontem pelo Banco de Portugal revela que existiam, em 2006, 300 mil crianças pobres. O nosso país é também o quarto da Europa com maior percentagem de crianças carenciadas (24%), apenas é ultrapassado pelos países do Leste (Roménia, Lituânia e Polónia). Ministro do Trabalho admitiu que situação pode agravar-se com a actual crise." Isto é incrível, mas não há dúvidas. Para nossa vergonha!

Canonização de Nuno Álvares é uma festa de Portugal


A propósito da canonização do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, o Cardeal José Saraiva Martins, português e radicado no Vaticano, onde desempenhou até há pouco a responsabilidade da Congregação para a Causa dos Santos, concedeu uma entrevista à Ecclesia, que vale a pena ler.

quarta-feira, 15 de Abril de 2009

A CADA UM, CONFORME A SUA NECESSIDADE


Era assim entre os cristãos de Jerusalém. Os bens estão ao serviço das pessoas. O gosto legítimo de ter traz consigo o desejo de partilhar. A medida da distribuição é definida pelas necessidades e não pelas possibilidades. A atenção da comunidade centra-se nas pessoas individualizadas. A angariação de bens é fruto da consciência comum, da organização solidária, da funcionalidade da rede domiciliária. O exemplo destes cristãos fica como referência para todos os tempos.

A economia da comunhão tem aqui uma das suas principais fontes de inspiração: Ter em comum para chegar a cada um. De forma adequada, sem subterfúgios de qualquer espécie. Com honestidade consciente e transparente. O lucro, também legítimo eticamente, faz parte de um todo social que privilegia a pessoa na sua integralidade.
.
Aquele modo de proceder manifesta que todos se reconhecem membros da mesma família humana, que todos se amem com amor de doação, que todos estão dispostos a tudo em benefício de cada um. Manifesta igualmente que ninguém pensa que a posse legítima dos bens é apenas pertença privada ou serve somente para uso pessoal, mas antes que todos se consideram depositários e administradores de bens destinados a todos.

Os cristãos de Jerusalém adoptam este estilo de vida e de organização económica pela sua fé em Jesus ressuscitado. Se Jesus está vivo – e está, sem dúvida alguma -, os bens fazem parte do projecto de Deus e têm uma única finalidade: servir a dignidade do ser humano para que possa fazer desabrochar todas as suas capacidades e satisfazer todas as legítimas aspirações.

A fé em Cristo Jesus recria, dotando-a de uma força nova, a ética económica, seja qual for o modelo predominante, e abre horizontes de superação consistente a todas as crises. A relação com os bens está revestida desta novidade. Os cristãos são coerentemente testemunhas qualificadas dessa originalidade. De contrário, fica “congelado” o alcance da ressurreição de Jesus Cristo e hipotecada a força da esperança pascal.

Georgino Rocha


Bo, o cão d’água português adoptado pelo Presidente dos EUA, Barack Obama, e a sua família, foi ontem à noite oficialmente apresentado à comunicação social presente na Casa Branca.
Texto e foto do PÚBLICO de hoje

O regresso do Pai


1. Volta e meia, até para compreender alguma da casuística de deseducação actual, reaviva-se a abordagem sobre a questão da relação educativa, e nesta o procurar situar o enquadramento e o papel da autoridade. Quem não se recorda da pertinência da obra de Alain Renaut cuja designação era sintomática: O fim da autoridade (Piaget 2005), escrito em que se apresenta um diagnóstico muito lúcido sobre a grande crise transformadora que se instalou nas relações educativas em que modelos tradicionais não resistem às vanguardas modernas. Nem ao mar nem à serra! Mas o certo é que a palavra “autoridade”, viciada, continua a meter medo, este que deveria estar circunscrito às noções, sim, de autoriratismo…
2. Vem a talho de foice esta reflexão a propósito de mais uma obra destes dias que fala do “regresso do Pai”, como se desde as liberdades de Maio de 68 as sociedades ocidentais navegassem sem uma autoridade paterna que norteasse a ética do caminho a seguir. Metáfora à parte, todo este mecanismo da gestão das relações humanas e nestas das tarefas e responsabilidades de cada um no bem de todos não é missão menor, muito pelo contrário. É na informalidade diária que a autoridade situada se obriga a si mesma à maturidade da credibilidade. Os tempos que correm reclamam “regras” para conduzir o barco a bom porto, regras estas que mesmo numa certa ilusória igualitarização da sociedade ajuda a que cada um ocupe (não perdendo) o seu lugar.
3. Talvez neste campo as sociedades actuais estejam a pagar uma grande factura que se expande e se esvai como líquido que corre entre as mãos. Os medos do “dizer não” ou a ludicidade sorridente de tudo procurando gerar até ao limite a aceitação como se não fosse necessário algum esforço para aprender e crescer… foram, muitas vezes, promovendo pequenos super-homens que valorizam mais o individualismo vitorioso que a fraternidade… Não é incompatível o “regresso do Pai” com os valores criativos do indivíduo. É preciso!


Alexandre Cruz

Bombeiros salvam imagem de Nossa Senhora


Os bombeiros salvaram a imagem de Nossa Senhora da igreja de Paganica. O templo está em risco de ruína devido ao sismo e às réplicas que ocorreram na região de Abruzzo, Itália.

Ver mais imagens aqui

Aventuras de um boxer...


A maratona

Às vezes, até lhe visto
Um fato de bailarina!
De brincar eu não desisto!
P’ra mim, ele é uma “menina"!

A minha dona está mesmo apanhada de todo! Pensa que tem o melhor cão do mundo, quando, afinal, eu sou apenas um simples canino, sem pretensões de vir a ser um pastor alemão! Não que não ambicionasse ter esse estatuto... mas também aqui se aplica a máxima dos humanos(!?): os cães não se medem aos palmos! Sou pequeno, mas tenho tudo no sítio, como diz um colega da minha dona, acerca duma teacherzinha jovem, pequenina mas muito bem feitinha!
Eu, realmente, sou muito obediente e faço muitos mimos à minha dona, mas isso é recíproco, pois ela também me estraga com mimos, como lhe dizem os amigos dela, ciumentos!!! E as mordomias que ela me faz? Se eu dissesse como ela me trata, quereriam vir alojar-se cá em casa, todos os cãezinhos abandonados e desprotegidos dos seus donos cruéis. Ela tem um tal amor aos animais, que me cheira, e eu sou apurado de olfacto, que virá mais alguém dividir as atenções comigo. Não gosto lá muito da ideia, mas tenho que aceitar, com resignação de cão, que às vezes é francamente pequena, como eu!
Tem-me em tão alta reputação, que se insurge com o Alegre Manel, quando ele afirma no seu recente livro que tem um amigo do peito, a quem chama “Cão como nós!” Que não, que não pode comparar os homens a nós cães, pois nem todos têm esse privilégio. Nós superamos os homens, em muitas qualidades, que não vou aqui enumerar, pois toda a gente sabe. Eu, ... é que não entendo isso lá muito bem, mas ouço a minha dona dizer que há coisas que nem ela entende... paciência, adiante.
Quando alinho com ela para uma maratona à volta da “mansão”... uff, ela cansa-se tão depressa! Corre uns metros e fica logo com os bofes na boca! Eu, como cavalheiro, assim o diz ela, olho para trás, vejo-a a distanciar-se de mim e, claro que desacelero e até paro! Ela fica derretida com este meu gesto altruísta e até já pensou em condecorar-me com uma medalha... altruísmo puro, desinteressado... o que nem sempre acontece no mundo dos humanos, diz a dona.
Quase que poderia afirmar, que, para a minha dona, aquela frase lapidar - “Quanto mais conheço os homens mais gosto dos cães!” - cada vez ganha mais foros de actualidade! Mas, confesso com algum receio, que gostaria que a minha dona não tivesse só olhos para mim, pois corre o risco de se tornar possessiva e isso é mau... até para nós...cãopanheiros de jornada!

Mª Donzília Almeida
12.04.09

terça-feira, 14 de Abril de 2009

Mini-Repórteres no Porto de Aveiro


O Gabinete de Comunicação da APA vai desenvolver nos próximos meses uma acção de carácter lúdico/formativo/cultural intitulada “Mini-Repórteres”.
As obras da ligação ferroviária ao Porto de Aveiro, o trabalho na NAVALRIA e outros apontamentos ligados à actividade portuária, serão registados em fotografias digitais, naturalmente na perspectiva dos petizes.
A iniciativa, que conta com o apoio da REFER e da NALVALRIA, terá a coordenação de Fausto Correia, fotógrafo com várias exposições no currículo e especialista na área do tratamento digital de imagem.
Destinada a crianças entre os 8 e os 14 anos, desenrolar-se-á em quatro sessões de campo, sempre aos sábados à tarde. A primeira sessão terá lugar no próximo dia 9 de Maio; as restantes, em dia a designar, realizar-se-ão em Junho, Setembro e Dezembro.
Para além da captação de imagens, proceder-se-á à sensibilização das crianças para a fascinante e nobre arte de fotografar, indicando-se-lhes os princípios básicos de funcionamento das máquinas fotográficas digitais, curtas viagens pela história da fotografia e rudimentos do tratamento/manipulação digital das imagens.
Das fotos captadas, cujo espólio de brutos passará a integrar o acervo do Arquivo Histórico-Documental da APA, serão seleccionadas as necessárias para integrarem exposição em sala, em local a designar e, provavelmente, em data coincidente com a inauguração da ligação ferroviária. Isto para além da publicação desse conjunto de fotos no site do Arquivo Histórico-Documental da APA e em outros suportes da web (slideshow, panoramio, etc.).
A possibilidade de publicação de um álbum em suporte de papel será também tida em conta, não havendo, no entanto, garantias de que tal venha a acontecer.
A acção é aberta ao público em geral, podendo os pais efectuar a sua inscrição enviando um e-mail para geral@arquivodoportodeaveiro.org, indicando nome da criança participante, nome e contactos do progenitor. Aos pais incumbirá apenas o trabalho de deixarem os filhos à hora combinada no local indicado, e de mais tarde os irem buscar.
Fonte: Texto e foto do Porto de Aveiro

Continuemos a Páscoa!

Infinito de Deus


1. Os dias depois da Páscoa, para muita gente que aceita celebrar e conviver com o sentido destes dias, são os dias do regresso. Após as festividades, muitos são os regressos que ocorrem depois das grandes festas que fazem com que de norte a sul, do litoral ao interior, se façam grandes viagens geradoras de encontros e reencontros, vestindo-se da tradição viva e sempre nova que a Páscoa representa. É um valor extremamente positivo o rever e o reviver de amizades, a partilha de vida, o dar asas ao convívio, valores tão positivos que refrescam a vida e ampliam horizontes às relações de vida activa que entretanto são retomadas. A festividade que se celebra tem uma origem, o encontro de todos na identificação de valores comuns, no gerar de proximidades que nos fazem sentir mais sensíveis e humanos e por isso maia abertos à poesia do infinito Absoluto pessoal de Deus. É a origem da Páscoa!
2. Não faltam terrenos sociais onde os valores estimulantes e universalistas da Páscoa quererão ser actualizados na contemporaneidade diária. Os cenários de crise multiplicam-se, sejam do mundo do ensino ou da vida empresarial, das inseguranças dos caminhos da praça pública aos valores essenciais que dão sentido às vidas. Não faltam os pessimismos típicos dos tempos de fortes mudanças sociais (sempre assim foi nas épocas de alterações de paradigmas socioculturais), ambientes estes que a Páscoa como toda sua força de valor comunitário quererá ser resposta revigoradora. O sentido existencial da Páscoa não tem medo de nada, pois que se reveste de uma dignidade superadora a toda a prova. A força da esperança pascal, dinamismo mobilizador na contínua e profunda reconstrução, não se ilude com os paraísos fáceis, antes pelo contrário: está habituada a ser resgatadora, a descer para fazer subir, a ser impulso dinâmico da reinvenção de quem investe sempre mais nas soluções que nos diagnósticos pessimistas. Por isso, continuemos a luz da Páscoa!

Alexandre Cruz

Em busca de respostas

A vida em L'Aquila também deve recomeçar
"A Páscoa, com todo o seu esplendor, abre uma porta para quem busca respostas. A fé, disse o Papa, é fonte de esperança e de luz, mesmo nos tempos mais tenebrosos e, sobretudo, mesmo debaixo dos olhares cépticos ou escarnecedores de quem não entende nem quer entender como é que aquilo que não se vê pode dar um sentido a esta vida."
Octávio Carmo

Gafanha da Nazaré: Cidade há 8 anos

Fernando Martins (Filho) na condução do programa

Carlos Sarabando e Ferreira da Silva


A Gafanha da Nazaré celebra no próximo domingo, 19 de Abril, a sua elevação a cidade. Criada freguesia em 31 de Agosto de 1910 e elevada a vila em 1969, mereceu o estatuto de cidade em 2001.
Hoje, houve na Rádio Terra Nova um encontro com três gafanhões para falar sobre o assunto, em jeito de conversa de café. Carlos Sarabando Bola, Alfredo Ferreira da Silva e eu próprio ali estivemos em franca cavaqueira, ao sabor da maré, desfiando recordações, para espevitar a memória de quem nos ouvia. Foi sobretudo agradável, porque é sempre bom conversar, para além das motivações político-ideológicas, tendo por painel de fundo, apenas e só, a terra que amamos e as suas gentes.
A conversa foi surgindo com o jornalista da Terra Nova, Fernando Martins (filho), a atirar para a mesa algumas dicas, que serviram de ponto de partida para a intervenção de cada um.
Memórias de infância, acontecimentos relevantes, pessoas que nos marcaram ao longo da vida, de tudo um pouco houve neste programa que tem por título Nos Caminhos da Região.
A Terra Nova pode ser ouvida em qualquer canto do Globo, via Net, saindo, assim, dos horizontes limitados dos 105 FM. Sei que é ouvida por muitos emigrantes espalhados pelo mundo, decerto com bastantes saudades deste nossa terra que a Ria e o Mar beijam, normalmente, com carinho.
Aos meus leitores, recomendo, pois, que oiçam a Terra Nova, onde quer que estejam.
FM

Gafanha da Encarnação: Cruzeiro dos Centenários


Publiquei hoje, em GALAFANHA, o discurso proferido, em 1940, pelo Padre João Vieira Rezende, na inauguração do Cruzeiro da Gafanha da Encarnação. Na íntegra, porque nos oferece um conjunto de informações preciosas para o estudo do pensamento da época. Sobre o Cruzeiro da Gafanha da Encarnação, porém, há mais pormenores para divulgar, o que farei brevemente. Entretanto, fico a aguardar achegas dos meus leitores, relacionadas, naturalmente, com a história desde monumento ou doutros.

segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Ela é a tenaz


Ela é o abismo sem fim e sem fundo. Diante dela, todas as palavras se apagam e o silêncio é todo. Houve um tempo em que ela conviveu naturalmente com os homens e estes com ela: era quase familiar. Agora, tornou-se tabu. Até alguns amigos meus me dizem que não fale nem escreva sobre ela, porque as pessoas não gostam. É preferível ignorá-la. Cada um fará com ela, só, como puder.
De qualquer forma, é dela que também nasce a filosofia, como disseram os grandes. Sem ela, talvez também não houvesse religião nem religiões. Se hoje o pensamento é débil e a religião navega em vago consolo sentimental, a razão é que ela foi afastada da meditação dos homens. De facto, em luta com ela, é-se obrigado a ir sempre mais fundo e mais longe. Porque ela é o impensável que obriga a pensar, impossibilitando a vulgaridade falaz e oca da sofreguidão da imediatidade do aqui e agora.
Ela é a morte. Se já não se pensa nela, não é por já não ser problema. É o contrário: de tal modo é problema, o único problema para o qual uma sociedade que se julga omnipotente não tem solução que a única solução é não falar dela e fazer dela tabu.
O filósofo Max Scheler já tinha chamado a atenção para isso, no início do século XX. Se cada vez menos o Homem europeu acredita na sobrevivência, é porque “já não vive face a face com a morte”, mas do seu recalcamento. Este Homem já não frui de Deus e a natureza também já não é a terra natal acolhedora, provocando admiração e espanto, mas apenas o espaço do seu domínio. Para o Homem moderno, pensar é calcular e dominar e, assim, como vive como se não tivesse de morrer, isto é, como já não sabe que tem de morrer a sua própria morte, quando ela aparece, só lhe pode aparecer como catástrofe. Para o Homem tradicional, a morte constituía um poder formador e director, que dava configuração e sentido à vida. Agora, vive-se no dia-a-dia, até que de repente, estranhamente, “já não há mais um novo dia”.
No quadro de um mundo matematizado e calculável, as qualidades, as formas e os valores de ordem moral, porque não calculáveis, são remetidos para o domínio do subjectivo, do arbitrário e até da irrealidade. Diante da morte não há cálculo possível. Fica-se atenazado: impossível pensar que tudo acaba ali, impossível pensar um depois e um além. Mas, sem eternidade, o que vale ainda, o que tem realmente valor? Se tudo desembocar no nada, ainda há, pensando até ao fundo e ao fim, diferença real e última entre bem e mal, verdade e mentira, justiça e injustiça?
Mesmo assim, nestes dias, no mundo cristão, é-se convidado a lembrar um crucificado. Jesus morreu na cruz como blasfemo religioso – pôs em causa a religião dos interesses – e subversivo social – ameaçou a ordem estabelecida da injustiça. Testemunhou até ao fim a verdade, a justiça e o amor.
Com a sua morte, aparentemente foi o fim. Mas, aos poucos, os discípulos voltaram a reunir-se e testemunharam que ele, o crucificado, está vivo em Deus. E foi essa fé, testemunhada até ao martírio, que mudou o mundo.
Como disse em 1964, num diálogo com Theodor Adorno, o filósofo ateu religioso Ernst Bloch - esse que esperava que a última música a ouvir não fossem as pazadas de terra na sepultura -, “o cristianismo, na concorrência com outros profetas da imortalidade e da sobrevivência, venceu em grande parte graças à proclamação de Cristo: ‘Eu sou a Ressurreição e a Vida’. Não propriamente através do Sermão da Montanha. No século primeiro depois do acontecimento do Gólgota, a ressurreição foi referida ao Gólgota de uma forma inteiramente pessoal, de tal modo que pelo baptismo na morte de Cristo se experiencia a ressurreição com ele. Imperava então um desespero apaixonado, que hoje nos parece incompreensível e representa um acentuado contraste com a nossa indiferença. Mas nada impede que dentro de cinquenta ou cem anos (porque não dentro de cinco?) volte essa neurose ou psicose de angústia da morte, de tipo metafísico, com a pergunta radical: para quê o esforço da nossa existência, se morremos completamente, vamos para a cova e, em última instância, não nos resta nada?”
Anselmo Borges

Raul Brandão: Nós não vemos a vida


Nós não vemos a vida - vemos um instante da vida

Nós não vemos a vida – vemos um instante da vida. Atrás de nós a vida é infinita, adiante de nós a vida é infinita. A primavera está aqui, mas atrás deste ramo em flor houve camadas de primaveras de oiro, imensas primaveras extasiadas, e flores desmedidas por trás desta flor minúscula. O tempo não existe. O que eu chamo a vida é um elo, e o que aí vem um tropel, um sonho desmedido que há-de realizar-se. E nenhum grito é inútil, para que o sonho vivo ande pelo seu pé. A alma que vai desesperada à procura de Deus, que erra no universo, ensanguentada e dorida, a cada grito se aproxima de Deus. Lá vamos todos a Deus…
Toda a vida está por explorar: só conhecemos da vida uma pequena parte – a mais insignificante. E o erro provém de que reduzimos a vida espiritual ao mínimo, e a vida material ao máximo. (...)
Deus é eterno… A alma há-de acabar por se exprimir, Deus, que olha pelos nossos olhos e fala pela nossa boca, há-de acabar por falar claro.
Siga a vida seu curso esplêndido. Sabe a sonho e a ferro. É ternura e desespero. Leva-nos, arrasta-nos, impele-nos, enche-nos de ilusão, dispersa-nos pelos quatro cantos do globo. Amolga-nos. Levanta-nos. Aturde-nos. Ampara-nos. Encharca-nos no mesmo turbilhão. Mas, um momento só que seja, obriga-nos a olhar para o alto, e até ao fim ficamos com os olhos estonteados. Eu creio em Deus.

Raul Brandão (1867-1930)

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domingo, 12 de Abril de 2009

Mensagem de Páscoa de Bento XVI


"(...) a ressurreição não é uma teoria, mas uma realidade histórica revelada pelo Homem Jesus Cristo por meio da sua «páscoa», da sua «passagem», que abriu um «caminho novo» entre a terra e o Céu (cf. Heb 10, 20). Não é um mito nem um sonho, não é uma visão nem uma utopia, não é uma fábula, mas um acontecimento único e irrepetível: Jesus de Nazaré, filho de Maria, que ao pôr do sol de Sexta-feira foi descido da cruz e sepultado, deixou vitorioso o túmulo. De facto, ao alvorecer do primeiro dia depois do Sábado, Pedro e João encontraram o túmulo vazio. Madalena e as outras mulheres encontraram Jesus ressuscitado; reconheceram-No também os dois discípulos de Emaús ao partir o pão; o Ressuscitado apareceu aos Apóstolos à noite no Cenáculo e depois a muitos outros discípulos na Galileia."
Ler toda a Mensagem aqui


sábado, 11 de Abril de 2009

Confissões do actor Miguel Guilherme na SÁBADO



A sua fé tem um efeito calmante?
Não, é inquietante. Nunca peço nada a Deus. A fé é sempre uma angústia. Todos os dias a questiono.
Reza?
Sou um péssimo católico. Umas vezes sim, outras não. Tento não olhar para Deus como se ele me fosse julgar. É um companheiro.

Vai à missa?
Costumo ir. Mas não percebo como é que esta questão da fé é tão falada. É como se o catolicismo ou ser religioso fosse uma coisa estranha. Acho que muitos católicos não dizem que o são por vergonha. A minha vida não mudou grandemente por causa disso.

Fez um retiro de isolamento.
Fiz, numa casa de retiros dos jesuítas. Andava à procura de uma dimensão espiritual fora do dia-a-dia.

Pensa muito no rumo da sua vida?
Cada vez tenho menos medo do futuro. Talvez a fé me tenha dado mais serenidade para aceitar as coisas.
In SÁBADO

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS –126

BACALHAU EM DATAS - 16

Um escuna


MEADOS DO SÉCULO XIX: REACTIVAÇÃO DA PESCA DO BACALHAU

Caríssimo/a:

E retomemos o desenrolar dos anos e ... dos séculos:

Século XIX - «A pesca do bacalhau foi apenas reactivada pelos portugueses a partir da década de trinta do século XIX, época em que se promulgou legislação especificamente destinada a promover esta actividade, nomeadamente determinando a isenção de pagamento da dízima.»[Creoula, 09]
1802 - «Em 1802 é tornada livre a pesca, tanto na costa, como no mar alto, mas só nos princípios do século seguinte, depois de algumas tentativas de certo modo infrutíferas, se sente novo impulso.»[BGEGN, 1991, 7]
1816 - «Viana do Castelo já não tem uma única embarcação na pesca do bacalhau.» [Oc45, 79]
1830.NOV.06 - «Será apenas a partir de 1830 que a situação estagnante da nossa pesca se vai modificar progressivamente. Com efeito um Decreto de 6 de Novembro de 1830 visava criar incentivos à pesca em geral e consequentemente a pesca do bacalhau também era abrangida. A pesca do bacalhau deixou de pagar a dízima; neste mesmo decreto estipula-se uma licença anual de 3$000 réis de direitos e de 480 réis de emolumentos por barco. Ao basear o novo imposto no número de barcos e não na quantidade de pescado, estava a pesca do bacalhau a receber um impulso de suma importância. Incentivada pelo ambiente favorável, a Companhia de Pescarias Lisbonense pretendeu relançar de forma organizada a pesca nos bancos da Terra Nova, e teve de recorrer à Inglaterra para adquirir seis escunas aparelhadas para este tipo de pesca, sendo a tripulação também inglesa. O objectivo desta compra parece ter resultado plenamente sob alguns pontos de vista, que mais não seja a julgar pelo vocabulário de origem inglesa utilizado até aos nossos dias pelos pescadores portugueses.» [HPB, 24/25]
1835 - «… [I]senção do pagamento da dízima. O governo adoptou ainda outras medidas de fomento piscatório, contribuindo decisivamente para que em 1835, a Companhia de Pescarias Lisbonense se propusesse explorar a pesca do bacalhau, enviando, logo nesse ano, aos bancos da Terra Nova, seis escunas.»[Creoula, 09]
«Em Julho de 1835, é constituída a Companhia de Pescarias Lisbonense, cujos planos incluíam entre outras actividades (pesca da baleia, atum e sardinha), a “do bacalhau nos bancos da Terra Nova e da Islândia”. Esta companhia teve de recorrer a Inglaterra para adquirir seis escunas aparelhadas para este tipo de pesca. Também a tripulação era inglesa.» [Oc45, 78]
1842 - «É publicado um novo regulamento da pesca do bacalhau.»[HPB, 26/28]
1845 - «Publica-se a carta de Lei de 10 de Julho, onde se mandava substituir as licenças por cada barco por um imposto proporcional às pescas.»[HPB, 26/28]
1848 - «Neste ano, 19 barcos compunham a frota: 5 escunas, 12 patachos, 1 brigue e uma barca. A tonelagem destes barcos variava entre 81 t para a escuna TENTATIVA, sendo o maior de todos o brigue VESTAL com 131 t. O número de tripulantes por barco variava entre 15 e 20 pessoas. A frota largou, de um modo geral, em Maio e regressou em Setembro; levou cerca de 25 dias para atingir os bancos e pouco menos, como é natural, para regressar, tendo permanecido nos bancos à volta de 110 dias. Estes dezanove barcos pescaram 659.053 bacalhaus.» [HPB, 26 a 28]
1849 - «O estado europeu que neste século desenvolveu uma actividade de pesca mais intensa na Terra Nova foi a França. “A pesca ocupa anualmente mais de quatrocentos navios franceses; duzentas embarcações de cabotagem e de transporte são destinadas além daqueles, às operações acessórias da pesca. Assim esta indústria entretém no mar uma esquadra de 700 velas e dezoito mil marinheiros, que constituem aproximadamente a quarta parte do pessoal válido da inscrição marítima; reserva preciosa, sempre disponível e endurecida na profissão a mais rude, sobre um mar tempestuoso e sob um clima assaz rigoroso; reserva indispensável, mas ainda insuficiente para o armamento das esquadras francesas em tempo de guerra.”» [Oc45, 69]

Fica bem este raiar de novas eras na quadra festiva que atravessamos.
Feliz Páscoa!

Manuel

Páscoa-Ressurreição


Desde os primórdios da minha existência como ser humano racional, que me deslumbro com esta festa do calendário litúrgico. Festa sim, em toda a abrangência da palavra, pois se comemora, agora, não a natividade, mas sim a vitória da vida sobre a morte!
Desde miúda que observo como a natureza, nesta Primavera farta, se associa a este cântico de louvor ao nosso Criador, e a minha alma, que por vezes se vestiu de luto, enverga agora as cores mais garridas, numa alegria esfuziante e numa candura extemporânea. É para mim a festa da Primavera! Quando desço ao jardim, sou assaltada por um espectáculo verdadeiramente sinestésico. Os amores-perfeitos, os lírios, as prímulas, os ranúnculos, os goivos... presenteiam-me com a garridice das suas cores vivas... Os beijinhos de frade ainda estão a ensaiar os primeiros passos nesta aventura da floração! Mas... quando eclodirem, aparecerão aos magotes ou enfileirados como numa qualquer filinha indiana para beijar a mão ao pontífice! Ao tacto será experimentada a textura acetinada dos amores-perfeitos, que deixam uma sensação de aveludada fragrância!
E perante esta explosão dos sentidos, que me atestam toda a generosidade com que fui dotada pela herança genética... num acto de contrição, eu penitencio-me, nesta quaresma tardia, a espreitar já os laivos da libertação! Sim, prescindindo da confissão e penitência consequente, eu admito e condeno o meu pecado da ingratidão. Não para com alguns humanos, a quem já demonstrei que não sou sofro de amnésia, mas perante o Criador! Aqueles momentos de algum desalento perante as procelas da vida, aquelas dúvidas que me assaltam, sobre os desígnios que presidiram à minha peregrinação na terra, são a manifestação humana desse meu pecado da ingratidão.
Deus foi muito generoso para comigo, facultando-me uma riqueza incalculável, nos dons de que me dotou e de que eu sou altamente beneficiada. Não são um dado adquirido, não são! Quantos cegos adorariam contemplar a riqueza policroma do meu jardim primaveril? Quantos surdos-mudos não rejubilariam ao sentir a beleza dos acordes melodiosos da música, em tantas formas consubstanciada? E enumeraria uma panóplia de maravilhas que não estão ao alcance de todos. E... todos somos filhos de Deus, como desde menina me habituaram a ouvir!
Depois disto, fico verdadeiramente grata ao meu Senhor, pela maravilhas que em mim operou! E..são tantas, que não irei enumerar, pelo perigo de cair num narcisismo pretensioso.
Mas recordo aquela saída da garotinha que, perante um espectáculo de rara beleza, para ela, saiu-se com esta: - O céu estava tão azulinho, tão azulinho que até parecia um moranguinho!
E... viva a Páscoa, o Homem novo, a libertação interior e a natureza engalanada para proclamar a ressurreição de Cristo!
Eu... sou fã d'Ele! Do Homem... íntegro, sábio, maduro... que não condenou a Maria Madalena, antes lhe perdoou e a mandou ir em paz... como é apanágio das almas nobres!

M.ª Donzília Almeida

Homem pobre


Em Vilamoura, quando me dirigia para a Marina (para quando a Marina da Barra?), dou de caras com uma carrinha espanhola que trazia, na retaguarda, uma legenda no mínimo curiosa e cheia de sentido. Dizia assim:
"Conheci um homem tão pobre que só tinha dinheiro."
Tem sorte este indivíduo com sentido de humor, por só conhecer um homem desses. É que eu conheço muitos!

Gaivota em descanso


A proximidade do mar oferece-nos, constantemente, paisagens encantadoras. A gaivota voava, como que a chamar a nossa atenção para a sua beleza, cheia de agilidade. Voava, pairava no ar e depois, como quem espera os aplausos, de quem a seguia, parou ali mesmo, posando para a fotografia, com o oceano em fundo.

sexta-feira, 10 de Abril de 2009

ZOOmarine: Visita Obrigatória







Uma tarde no ZOOmarine deu, no mínimo, para recordar outra visita e para, mais uma vez, apoiar quem vive para dignificar diversas espécies de animais.
Os espectáculos, todos eles com sentido pedagógico e educativo, são desenvolvidos debaixo de uma dinâmica que envolve os muitos visitantes que os procuram. Sente-se uma coordenação previamente estudada para que tudo bata certo durante o dia.
Com funcionários atentos e disponíveis para todos os esclarecimentos, percebe-se perfeitamente que todos estão ali para servir a causa dos animais, das mais variadas espécies.
Golfinhos em movimento, Focas e Leões Marinhos à volta do livro mágico, Floresta Encantada com predominância de aves tropicais, Aves de Rapina rasgando os céus, sessões de Cinema, Aquário e Exposição ConsCiência constituem outros tantos momentos de convívio com o mundo animal, bem acompanhados pelos treinadores e demais colaboradores.
Este apontamento apenas servirá, como é minha intenção, para sensibilizar quem vem ao Algarve, para a visita que se impõe.

Fernando Martins

ALBUFEIRA: Museu Municipal de Arqueologia

Entrada do Museu


Escavações do exterior do Museu

Reprodução de uma gravura de George Landmman

O Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira abriu ao público em 20 de Agosto de 1999. Está localizado no núcleo antigo da cidade, na Praça da República, em edifício do século XIX.
O museu oferece ao visitante a evolução histórica desta região, desde a pré-história até ao século XVII, e integra a Rede Portuguesa de Museus, com data de inscrição de 2003.
Com entrada gratuita, a visita proporciona ao visitante o registo de alguns dados curiosos, nomeadamente, sinais da presença, no Sul de Portugal, do homem do paleolítico e do neolítico, mas ainda da idade dos metais.
Os meus olhos fixaram-se na colonização romana, onde se assinala que Santa Eulália e a praia dos Aveiros (Atenção a este vocábulo) estão identificadas com a exploração dos recursos marinhos.
Brincos, anzóis, armas de ferro, mosaico romano, pilastras e colunas, telhas de sepulturas e outros restos que são rastos de gente que veio de Roma.
A civilização islâmica também deixou vestígios que ainda perduram no quotidiano das gentes actuais, havendo prova disso em inúmeras povoações.
A idade moderna apresenta também diversos elementos que vale a pena visitar. Há no piso superior um colecção de gravuras de George Landmman (1780-1854), pintor inglês que registou várias paisagens portuguesas. Permitam-me que deixe aqui uma sugestão: se passarem por Albufeira, passem pelo Museu.

ÍLHAVO: Feriado Municipal


Nota: Clicar para ampliar

Para uns minutos de pura reflexão, nesta Sexta-Feira Santa

ESPERANÇA QUE ORIENTA E ESTIMULA A VIDA


Há anos, Vítor Cunha Rego, com a profundidade que sabia dar aos seus escritos, escreveu no DN, de que foi director, um comentário curioso sobre os feriados da Páscoa que, para muita gente, são apenas a ponte alargada que permite saídas mais longas. Ansioso, interrogava-se, procurando com sinceridade, o essencial que pudesse dar sentido à sua vida. E perguntava, então, qual a razão dessa tão desejada ponte que surgia, cada ano, a contento de toda a gente, crente ou não crente. Não deixou de lamentar, por fim, que tantos se aproveitassem dela sem irem até ao acontecimento, maravilhoso e único, da Páscoa de Cristo, que a todos a permitia gozar.
Na Páscoa evoca-se e celebra-se o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, Filho de Deus, com todo o seu significado, pessoal e social. Acontecimento único, com sentido definitivo para a história de cada cristão convicto e da própria humanidade.
Há vidas serenas, mesmo em momentos de tempestade, dor e incompreensão. Outras são vidas tumultuosas, sem razões válidas para tanta perturbação e instabilidade. Todos os dias o vemos em graus diferentes e em gente concreta e com a sua história.
Porque acontece assim? Causas profundas e subtis comandam a vida e suas reacções e escapam, frequentemente, ao olhar de quem vê de fora e, às vezes, até ao próprio.
Há na vida de cada um de nós coisas que nos condicionam. Fáceis de verificar se são exteriores e se tornam objecto das nossas críticas, louvores ou desculpas. Outras há que nos determinam, têm dentro de nós as suas raízes, cultivadas ainda que escondidas. Tudo isto se vai tornando claro, de harmonia com a atenção e o sentido que damos à vida, e o cuidado que prestamos às nossas acções e comportamentos.
Quem vive de exterioridades ou de emoções passageiras não percebe ou não dá atenção ao que se passa em si próprio ou à sua volta. Sabe da ponte para a aproveitar, mas não se debruça para lhe alcançar as margens, a força que nelas existe e o estímulo que pode vazar dentro de nós, mais importante que os dias feriados que proporciona. É este passar pelas coisas sem lhes descobrir o sentido, que faz escassear a esperança, empobrecer a vida e menosprezar as exigências que a comandam e as riquezas que contém.
Chegamos à Páscoa. Com ela, à possibilidade de uma nova ponte, que tanto dá para passear, como para, serenamente, vivenciar a experiência de se sentir amado, vivo e liberto, e de se poder saciar na Fonte inesgotável, de onde dimana felicidade e paz.
A Páscoa é, para os cristãos, a Festa por excelência. Não se resume a flores e amêndoas.Traz consigo energias renovadoras que dão sentido diário àqueles que celebram na fé a sua vida, e permanecem, unidos na esperança, a todos os outros crentes, para os quais Jesus Cristo, vencedor da morte, é a figura central da história humana.
Páscoa é “passagem da morte à vida”. Só o amor é capaz de a realizar em todos e em todas as circunstâncias. Diariamente. O amor de um Deus, rico em misericórdia, que nos dá o Seu Filho. O amor redentor de um Filho que se entregou à morte para a todos dar vida. Ele venceu a morte e, pela fé que n´Ele depositamos e pelo dom d´Ele que recebemos, nos torna, também a nós, verdadeiros vencedores.
Nesta certeza reside a nossa esperança. Ao cristão coerente, o único que está vivo como cristão, se pede que dê razões da sua esperança a uma sociedade que teme a verdade, não tem horizontes de vida e despreza os estímulos que a convidam a ir mais além.
Sem se descobrir e viver a Páscoa, não se saboreia a alegria e a paz que no Aleluia pascal se manifesta. A luz da Igreja é Cristo Ressuscitado. Sem esta luz, nada tem valor. A vida cristã ou é pascal ou não é vida. Apelo que não se pode iludir nem adiar. Uma vida pascal é o melhor contributo do cristão à sociedade. Só ele é consequente e carregado da esperança que pode ajudar a sua necessária e urgente humanização.

António Marcelino

quinta-feira, 9 de Abril de 2009

GAFANHA DA NAZARÉ: Centro Social Paroquial aposta em novo Lar de Idosos



Actual Lar vai ficar para grandes dependentes


Em reunião conjunta dos Conselhos Económico e Pastoral da paróquia de Nossa Senhora da Nazaré, na terça-feira, 24 de Março, no Auditório Priores da Gafanha da Nazaré, foi dado parecer favorável, por unanimidade, sobre a aquisição de um terreno e construção de um novo Lar de Idosos, já que o actual precisa de profunda remodelação, para responder às exigências legais implementadas pelo Estado, nos últimos anos.
O novo lar, da responsabilidade do Centro Social Paroquial, tem de ser fruto de “um diálogo alargado”, para que a comunidade se habitue a amá-lo, no dizer do Prior da Gafanha da Nazaré, Padre Francisco Melo.
Ao apresentar três hipóteses para a sua localização, o Padre Francisco sublinhou a necessidade de se apostar num espaço situado no “centro da vida” da freguesia, para permitir aos idosos a convivência e a utilização de serviços essenciais, numa perspectiva de todos continuarem plenamente integrados na sociedade.
Apontou uma zona perto da igreja matriz, lugar de encontro, de vida e de muitos eventos, onde não faltam cafés e outros estabelecimentos que favorecem a proximidade com pessoas, familiares e amigos. “Esta opção permitirá que o Centro Social tenha assim uma acção mais próxima e interventiva na comunidade”, fazendo, ao mesmo tempo, com que toda a freguesia “sinta mais o lar como seu”, refere o relatório apresentado pelo Prior da Gafanha da Nazaré.
O terreno previsto para a construção daquele edifício, com 7793 metros quadrados, situa-se nas traseiras do mercado e possui duas entradas para a rua Guerra Junqueiro, havendo ainda a possibilidade de expansão para um dos lados, diz o mesmo relatório.
Com a construção de um novo edifício, com capacidade para 60 utentes de Lar (o permitido pela legislação em vigor), 40 de Centro de Dia e 60 de Apoio Domiciliário, pretende-se manter em funcionamento o actual lar com as valências que integra, mas “com a perspectiva de num futuro próximo ser remodelado para funcionar exclusivamente como lar”, para servir pessoas “em situação de grande dependência”.
Com este projecto, o Centro Social Paroquial da Gafanha da Nazaré tem em conta a convicção de que a freguesia vai continuar a crescer sob o ponto de vista demográfico e social, à semelhança do que tem acontecido nas últimas décadas, sem ignorar o aumento substancial das pessoas idosas, por força cada vez maior da subida da esperança de vida.
Nessa linha, o Padre Francisco Melo adiantou que é “importante que a opção que hoje fazemos deixe em aberto outras opções futuras”, nomeadamente, “o alargamento para outras valências”. Valorizou, entretanto, a existência de espaços exteriores “para os idosos poderem andar ao ar livre”, realidade reconhecida na zona escolhida para a implantação do lar, que é vista como tarefa prioritária e urgente.
À reunião conjunta dos Conselhos Económico e Pastoral da paróquia de Nossa Senhora da Nazaré, associaram-se outras instituições sedeadas na freguesia, designadamente, a Fundação Prior Sardo, de âmbito paroquial, a Obra da Providência e o Clube Stella Maris, tuteladas pela Diocese de Aveiro, numa clara demonstração de unidade, que importa frisar.
Também foi dado parecer favorável, por unanimidade, sobre o relatório e contas da direcção do Centro Social, referente ao ano de 2008. Deles se salienta que o Centro, com 67 idosos no Lar, 16 no Centro de Dia e 38 no Apoio Domiciliário, constitui-se “como importante empregador, com os seus 40 colaboradores, a acrescer os que estão em regime de prestação de serviços”.

Fernando Martins
NOTA: Clicar nas imagens para ampliar

Antigo aluno de Manta Rota

Manta Rota


Por estar no Algarve, apetece-me recordar um antigo aluno, de Manta Rota, que deve viver na Gafanha da Nazaré e que não vejo há bastantes anos. Gostava que me visitasse, para recordar com ele os tempos em que veio para a nossa terra.

quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Mensagem pascal do Bispo de Aveiro


Páscoa - Vitória da vida

Com mera naturalidade e numa primeira sensação, verificamos que a morte nos aparece a prevalecer sobre a vida. Foi o que aconteceu com Jesus Cristo, naquela sexta-feira, 7 de Abril do ano 30. Com imenso amor, Ele amou de tal modo os homens e as mulheres que deu a vida por eles. Depois, quando parecia evidente que tudo ia terminar em derrota, eis que Deus intervém poderosamente e ressuscita o seu Filho e Servo fiel. Não há poder humano que resista ao querer de Deus.
É esta a mensagem do dia de Páscoa para os cristãos e para as pessoas de boa vontade. A vitória da vida surge mesmo através da morte. Assim como a bela rosa se abre entre espinhos, a linda flor de nenúfar cresce no meio dos pantanais e a esperança vence qualquer crise, também a vida em autenticidade manifesta-se naturalmente pelo testemunho alegre da fé em Cristo e pelas obras de serviço aos irmãos. A Deus, que é o Vencedor e o Senhor da Vida, pertence sempre a última palavra, que é a palavra da vitória. Neste ano paulino, recordo o que escreveu o apóstolo na primeira carta aos coríntios (15, 54-57): - «A morte foi absorvida na vitória»; por isso, «dêmos graças a Deus, que nos dá a vitória por Jesus Cristo.»
Nesta data singular, inundada de alegria festiva, faço votos sinceros por uma Páscoa muito feliz, como expressão de júbilo tanto no seio das nossas comunidades e das nossas famílias, como no íntimo de todas as pessoas que, por qualquer motivo, vivem connosco, nas cidades, vilas e aldeias da nossa Diocese de Aveiro.
Aveiro, 8 de Abril de 2009
António Francisco dos Santos,
Bispo de Aveiro

Gafanha da Nazaré: I Ciclo de Conferências


Nota: Clicar para ampliar

Albufeira, espaço lendário





Os desdobráveis e brochuras dizem que Albufeira é um espaço lendário. Por aqui se foram fixando, através dos séculos, as mais variadas gentes, nomeadamente, visigodos, romanos, muçulmanos e outros, todos eles deixando as suas marcas na região, que ainda perduram no quotidiano deste povo, para não falar dos sinais do paleolítico, datados do VI milénio antes de Cristo, como pode ser confirmado no Museu Municipal de Arqueologia.
Com um clima privilegiado, acentuadamente mediterrânico, tornou-se nas últimas décadas um extraordinário pólo de desenvolvimento turístico, atraindo gentes dos mais variados quadrantes. Pelas suas ruas e ruelas, cirando pessoas que buscam descanso, calor e paz de espírito, que as águas cálidas do oceano proporcionam.
Vocacionada a região algarvia para o turismo, Albufeira assumiu o seu papel, voltando-se para quem chega, na mira de oferecer o que os veraneantes precisam e procuram. Comércio variegado, para todas as bolsas, mostra de tudo, desde o banal ao mais requintado.
Ruas e esplanadas, largos e praias amplas, com pessoas a banhos de mar e sol, neste mês de Abril, dão-nos a sensação de um Verão antecipado, E se assim é nesta altura, em Primavera de nuvens por vezes carregadas e de ventinhos frios, como não será daqui a uns meses?

FM
Fotos: Três aspectos de Albufeira

terça-feira, 7 de Abril de 2009

Dia Mundial da Saúde

No dia de hoje, dedicado à saúde, designado por Dia Mundial da Saúde, apenas ouvi referências à doença! Estranha contradição do ser humano! Será que ambas as partes vivem tão interligadas que a sua relação é, na mente humana, indissociável?
Com efeito, durante o tempo em que me ocupava dos meus afazeres domésticos, hoje de manhã, assisti, via radiofónica, a um debate, na antena 1, sobre a utilização dos genéricos.
A discussão foi acesa e aí se esgrimiram os vários argumentos, pró e contra os referidos medicamentos.
A questão que eu levanto é esta: por que razão, neste dia, não são transmitidas receitas, conselhos, dicas para manter esse estado de perfeito bem-estar físico e psicológico a que denominam saúde, em vez de se falar na parte negativa da questão? Pela positiva é que devemos reger-nos, não é esse o lema deste blog? Por que motivo, sempre que se fala de saúde, vem imediatamente, à memória, esse rol ilimitado de doenças, incómodos, maleitas, que perturbam o equilíbrio do nosso dia a dia?
Do tratamento das doenças estão encarregados os médicos e pessoal paramédico, e deixemo-los trabalhar!
A minha filosofia de vida para manter uma boa saúde é o lema apresentado pelo poeta romano Juvenal e largamente difundido pela literatura, que se sintetiza no “Mens sana in corpore sanu”. Assim, uma boa prática de exercício físico, aliada a uma higiene de vida mental são a garantia desse bem estar harmonioso que todos almejamos!
Amigos! Toca a andar, marchar ou até correr, porque não, para termos uma vida de qualidade, ou a qualidade de vida que merecemos como seres superiores na hierarquia da criação! E... haja Saúde!
E... só uma redonda dica: “An apple a day...keeps the doctor away!”

Mª Donzília Almeida

REINO DOS ALGARVES PARA INGLESES

Praia da Rocha


Quando D. Afonso III conquistou definitivamente o Algarve, expulsando os mouros, passou a usar o cognome de Rei de Portugal e dos Algarves. Portugal, a partir daí (século XIII), ficou, mais ou menos, com as fronteiras que ainda hoje tem.
Vem esta lembrança a propósito de eu ter dito um dia destes que estava no Reino dos Algarves. E assim parece, sobretudo nas zonas turísticas, onde pontificam, passe a palavra, os veraneantes estrangeiros, com destaque para os ingleses. No interior, tanto quanto sei, o nosso povo continua, com a sua pobreza e idiossincrasia, a ser português, alheio às infraestruturas que suportam a carga populacional que tem raiz no Reino de Sua Majestade Isabel II.
Tal como vejo, em algumas zonas do litoral algarvio predominam estabelecimentos hoteleiros e comerciais para toda a gente, é certo, mas mais direccionados para os estrangeiros. Sinal disso são os dísticos publicitários que não enganam ninguém. E até a natureza de algumas ofertas, que não se vêem tanto noutras terras do País.
Na zona onde me instalei para estas curtas férias pouco mais há do que isso. Quando perguntei por uma livraria, logo me disseram que a grande maioria dos turistas não vêm para o Algarve para ler. Livrarias, só nos grandes centros urbanos ou nas grandes superfícies. O mesmo se diga para outro género de comércio, que não case com este sector do lazer. Assim, para além de hotéis e restaurantes, mais bares e garrafeiras, e similares, pouco mais há. No fundo, o que existe tem de ir ao encontro do consumidor. E como nós precisamos de viver, vamos na onda.
E agora vem a história. O Algarve, no litoral, faz jus ao título que já ostentou. É, realmente, um Reino para férias de muita gente. Se calhar, no tempo de D. Afonso III, esta invasão de turistas seria tida como ameaça à nossa tranquila independência. Hoje, não será assim. E o que precisamos é de muitos turistas, já que essa será a melhor aposta, à falta de indústrias que nos imponham no mundo. Mas, cá para mim, podíamos enriquecer estas zonas com a nossa cultura. Estruturas somente para inglês ver e usufruir, com pouco do que é intrinsecamente nosso, parece-me obra inacabada.
Fernando Martins

O conserto dos Vinte


Sabemos que as coisas não estão bem. Que possivelmente nunca estarão bem. Pelo menos no nosso tempo. Sabemos que todas as pessoas, instituições, iniciativas, das cobardes às heróicas, sempre longe do infinito, padecem duma limitação, tornando mais visível o mal feito que o bem escondido Mas que existe. Entretanto continua a fazer notícia a metade do copo sem água, a mancha mínima sobre a alvura extensa, as distâncias que faltam, sem olhar as percorridas. Vendo bem as coisas a imperfeição está mais na forma como se olha aquilo que se faz. O estado de alma é o primeiro grande factor da óptica que temos sobre o mundo.
António Rego
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AVEIRO: Encontro Internacional de Poesia


O Encontro Internacional de Poesia vai realizar-se em Aveiro, no Museu da Cidade, junto à sede da Rota da Luz, em 18 de Abril de 2009, pelas 17h30m. Trata-se de uma organização do Grupo Poético de Aveiro e conta com o apoio da câmara aveirense.
Participam, entre outras instituições e pessoas, o Grupo Literário e Artístico Sarmiento, de Valladolid, e poetas de Pontevedra, Argentina e Itália. Como convidada especial, estará presente Olinda Beja.
A entrada é livre.

Fé e cultura: São Paulo poeta

São Paulo

1.Estamos na antigamente chamada «Semana da Paixão», agora a quinta da Quaresma, e parece-me oportuno chamar hoje a atenção para alguns textos de Paulo.Falar de Paulo como poeta parece mais um título provocador e, de facto, não está nos esquemas habituais dos teólogos e exegetas falar de Paulo como poeta, mas antes como um judeu convertido, um pregador itinerante de Jesus morto e ressuscitado, um catequista de adultos, um organizador de comunidades cristãs, um apologista da mensagem cristã, um pensador, um homem da reflexão a tender para o sisudo. É verdade, mas também é verdade que, nas suas catequeses escritas ou cartas pastorais, Paulo inclui alguns textos poéticos de fina sensibilidade que a Igreja utiliza na «Liturgia das Horas» com o nome de «hinos» ou «cânticos». Alguns exegetas discutem se eles serão todos da iniciativa de Paulo ou recolhidos nas assembleias cristãs. Seja como for, a sua inclusão nas cartas revela a sensibilidade de Paulo e a força evangelizadora desses textos.
Ao falar de «hinos», não deve pensar-se em textos com rima. Essa nem é característica essencial da poesia. O texto poético traduz em poucas palavras, escolhidas e densas, o dinamismo interior de um acontecimento, de um gesto, de uma pessoa. Faz apelo ao rosto oculto das coisas e o texto releva o que está para além da sintaxe gramatical. A poesia ultrapassa a prisão da morfologia mas não a verdade das coisas e dos factos «Ser poeta é ser mais alto», «é ter sede de infinito e dar de beber». Aquilo que na poesia parece excessivo é, afinal, o espaço exigido pela abundância da Criação e dos gestos divinos. É esse mistério da abundância que Paulo exprime nesses textos, o «comprimento, largura, altura e profundidade» do amor de Cristo.
D. Joaquim Gonçalves
Bispo de Vila Real
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segunda-feira, 6 de Abril de 2009

ARGUS "REGRESSA" A PORTUGAL


O Argus entrou na Barra de Aveiro. Mesmo longe, não fico indiferente à notícia do "regresso" do velho bacalhoeiro ao nosso País, onde, penso, foi feliz. Mas para conhecer a sua história, clique aqui. Outro futuro, espero que risonho, lhe auguro.

Renascença lança uma «campanha pela positiva» na imprensa

PELA POSITIVA
Congratulo-me com a "campanha pela positiva" encetada pela Rádio Renascença. Há anos que ando nela, no meu blogue, e não só, mas é óbvio que não chego tão longe e tão alto. Quem nos dera que outros alinhassem. O mundo seria bem diferente.

João Alberto Roque inscreveu dois primeiros prémios no seu currículo literário

O SEU PRIMEIRO CONTO ENTRA NO PLANO NACIONAL DE LEITURA

João Alberto Roque, 47 anos, professor de Biologia e Geologia na Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, contista, inscreveu dois primeiros prémios no seu currículo literário. O primeiro alcançado no concurso Matilde Rosa Araújo, patrocinado pela Câmara Municipal da Trofa, em 2006, com o conto “Pirilampo e os deveres da escola”, e o segundo no concurso António Feliciano Rodrigues (Castilho), organizado pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Funchal, em 2008, com “O primeiro passo na Lua”.
O “Pirilampo e os deveres da Escola” foi editado com ilustrações de Helena Zália e entrou já no Plano Nacional de Leitura (PNL). “O primeiro passo na Lua”, para além da edição por conta da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, tem já agendada publicação na Editora Nova Vega, esperando o autor que o seu conto veja a luz do dia a 20 de Julho de 2009, quando perfaz 40 anos sobre a chegada do homem ao satélite da Terra.
João Roque sempre gostou de escrever, mas foi no Timoneiro, há anos, que descobriu a sua veia ficcional, quando alimentava, mensalmente, a rubrica “À volta de um provérbio”. Os anos foram passando, até que alguém colocou na escola onde lecciona um cartaz anunciando um concurso literário da Câmara da Trofa. “Aquilo desafiou-me; eu era capaz de escrever e de concorrer; em dois ou três dias tinha o conto escrito e quando o acabei gostei muito do que tinha escrito; pedi à colega Cláudia Ribau que o ilustrasse e enviei o trabalho; surpreendentemente, acabei por ganhar.”

Para o nosso entrevistado, os concursos têm de interessante a certeza de que o que escrevemos “vai ser lido por alguém; alguém que, em princípio, tem capacidade crítica; no concurso da Trofa, por exemplo, o júri era constituído por gente de pergaminhos: António Torrado, Viale Moutinho, Armandina Maia, António Pontes (vereador da autarquia) e, sobretudo, Matilde Rosa Araújo, que representou, para mim, uma satisfação muito grande”.
Questionado sobre as fontes de inspiração, João Roque garantiu-nos que o seu filho David e uma gatinha abandonada no quintal da família foram os inspiradores do “Pirilampo e os deveres da escola”. E porque “a minha filha mais pequena, a Cecília, também merecia uma história, outra nasceu, e depois mais outra e outras...”
Sobre o sentido pedagógico que ressalta nos seus contos, o professor Roque lembra que os seus textos reflectem, naturalmente, os temas das disciplinas que lecciona. “Há sempre algo de autobiográfico”, acrescenta.
Quando escreve para crianças e adolescentes, tem normalmente uma preocupação educativa, embora alguns autores defendam que o principal é divertir. No entanto, frisa que, “se o escritor conseguir as duas coisas, ser educativo e divertido, então é oiro sobre azul”.
Diz que a escrita brota nele “por intuição”, mas admite que “pode escolher palavras mais simples, para que o texto seja mais fácil de entender por quem o vai ler”.
Considera que o filho David, de 12 nos, é o seu principal leitor, de quem recebe as primeiras impressões, mas não deixa de referir que também gosta de ler os seus contos à filha Cecília.
Não tendo sido um pai habituado a inventar histórias para adormecer os filhos, João Roque insiste na ideia de que prefere escrevê-las. Contudo, esclarece que nos seus escritos “haverá um bocadinho desses pais que gostam de as contar”. E a propósito do que escreve para a Cecília, salienta que se baseia “em pequenas coisas do dia-a-dia, com carácter pedagógico”.
Quando a faceta de contista se manifestou com os prémios conseguidos, e com a natural divulgação que os mesmos justificaram, este professor da Secundária da Gafanha da Nazaré começou a ser solicitado por diversas escolas, em especial para responder às muitas questões postas por alunos que já leram o “Pirilampo e os deveres da escola”, graças à entrada do livro no PNL.
Considera, por isso, que este facto é uma indiscutível mais-valia, “em termos de o conto poder ser lido por mais crianças”. Mas isso também lhe traz a obrigação “de manter o nível”, disse.

Fernando Martins


OS CONTOS PREMIADOS




No conto “Pirilampo e os deveres da escola”, David era capaz de ficar esquecido a brincar com qualquer coisa insignificante, ou a olhar para uma mosca ou ficar à janela a ver as plantas crescer no jardim... até os seus dedos podiam ser tanta coisa diferente que não precisava de mais nada para se entreter durante largos minutos. Ele sabia que tinha de fazer os trabalhos que a professora mandava mas... distraía-se com tanta facilidade!
Na escola, a professora pediu aos meninos que fizessem uma redacção. Sobre que havia de ser a do David? Sobre a sua gatinha, claro! Fez a redacção tão depressa que a professora ficou espantada. Estava bem feita e até tinha o desenho da gata e o pormenor da sua cauda com a ponta branca.
“O primeiro passo na Lua” leva João Alberto Roque a apoiar-se em marcas da história, para assinalar a chegada do primeiro homem ao solo lunar. Neil Armstrong, o astronauta dos EUA, pronunciou então uma frase que ficou célebre: “Este é um pequeno passo para o homem; um gigantesco salto para a humanidade.”
No conto, o autor consegue envolver um rato na expedição. Antecipando-se ao astronauta americano, o rato, com o seu fato espacial, dá o primeiro passo na Lua. De facto, “Este é um pequeno passo para o homem, mas um salto gigantesco para um rato.”

FM

A complexidade da Justiça


1. Se a complexidade apresenta-se como um eixo de interpretação de todo quanto se move, então o “simplificar” com eficácia para actuar em conformidade será o lema a seguir. Não custa a compreender que sistemas como o de justiça, num mundo global que pula e a avança a toda a pressa, são facilmente surpreendidos e fintados com todas as mil-e-uma tecnologias que hoje têm poderes de comunicação e agilidade muito acima das instituições dos estados. A desarticulação actual entre as justiças nacionais e as sociedades efectivamente (nos valores e nos defeitos) transnacionais, apesar de instâncias que vão procurando responder aos novos desafios, essa desarticulação será hoje uma das grandes batalhas sociais a vencer.

Um poema de Domingos Cardoso



Favor

Olhando-me ao espelho, devagar,
Vejo as marcas que o tempo foi deixando
Nas rugas que me cercam o olhar brando
Lavado por um pranto por chorar.

Vejo-me de alma aberta, par em par,
E ressaltam desse ar tão venerando,
Alegrias compradas, contrabando,
Quem, por feliz, se quer fazer passar.

Vida, que és repetido recomeço,
Concede-me um favor que não mereço,
E eu te entrego o meu ser hipotecado.

Tomando a esperança por esteio,
Neste mudar de vida o mais que anseio
É viver sem os erros do passado.

Domingos Cardoso

Um Alentejo mais verde


Ontem atravessei o Alentejo, região do nosso País tão expressiva. Dele se fala tanto com histórias que nos transportam a fantasias que não cansam. No horizonte, uma viagem até ao Reino dos Algarves, onde se acomoda mais o sol com uma temperatura amena.
O Alentejo que ontem vi, por onde passei, deu-me a sensação de estar mais verde. Planície a perder de vista, como sempre, aqui e ali os meus olhos fixaram-se em oliveiras plantadas com planos previamente traçados, A simetria indiciava cuidados especiais. Grandes extensões de terra agricultada. Pastos verdejantes, com sistemas de rega operacionais. Gado que tosa a erva macia entre arvoredo ou no descampado. Montes abandonados também havia, mas a ideia com que fiquei garante-me que o Alentejo pode recuperar a vitalidade que já teve. Faço votos para que isso seja possível.

FM

sábado, 4 de Abril de 2009

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 125

BACALHAU EM DATAS - 15



A PESCA LORMENTE


Caríssimo/a:

Pois bem, mais uma vez vamos pedir um “postal ilustrado” ao bom amigo Capitão Valdemar, abrindo, na página 40, o seu livro «Histórias Desconhecidas dos Grandes Trabalhadores do Mar» e lemos:

«Foi só em finais do século XVIII, mais concretamente em 1789 - ano da Revolução Francesa-, que um capitão francês, de Dieppe, teve a ideia de pôr em prática, mas de forma ampliada, um processo de pesca há muito utilizado pelos pescadores da Mancha (eu diria mesmo utilizado em muitas outras partes do mundo) conhecido pelo nome "linhas lormentes".
Resolveu este capitão ligar várias linhas umas às outras, tendo assim uma linha mestra de tamanho considerável; desta linha saíam como raízes subsidiárias, uma série de linhas mais finas, com o comprimento aproximado de uma braça, a terminar numa "mãozinha" onde empatava o anzol. Eram os chamados "estralhos", separados entre si cerca de dois metros, para evitar que se ensarilhassem uns nos outros. Estas linhas de grande comprimento – em número de duas, uma em cada bordo – eram depois estendidas com a ajuda das chalupas, embarcações pesadas e de grande porte. Eram lançadas ao fim da tarde e levantadas ao amanhecer, ficando uma ponta presa a bordo e a outra no fundo, ligada a uma poita de pedra, de onde partia uma outra linha rumo à superfície, a terminar numa bóia de sinalização. O sucesso conseguido com esta experiência foi tal, que esse navio fez nesse ano duas viagens em tempo recorde, completamente carregado. Escusado será dizer que no ano seguinte muitos outros navios vieram já preparados de França para a nova modalidade, com o assentimento entusiasta dos pescadores, que viam no novo método a possibilidade de aumentar consideravelmente os seus ganhos. Claro que o sistema tinha os seus riscos. A manobra diária com embarcações pesadas e de difícil manuseamento, o pouco cuidado que punham no seu trabalho, o facilitar até à imprudência o lançamento das linhas já com mar demasiado agreste, levou a que muitos incidentes começassem a surgir, sendo considerável o número de perdas de vida. E, perante esta situação que todos os anos se repetia, as autoridades viram-se obrigadas a proibir este novo género de pesca. Mas ninguém acatou a ordem. A miragem do lucro, como sempre acontece, sobrepôs-se a tudo, e em pouco tempo, esta nova modalidade com linhas de fundo tinha-se generalizado, sendo praticada por toda a gente.
Durante quase noventa anos, a pesca com linhas de fundo manteve-se com poucas alterações de base, verificando-se no entanto um grande progresso na qualidade dos materiais empregados, que ano após ano nunca deixaram de melhorar.
A grande revolução nos métodos de pesca empregados ocorreu em 1875, ano em que se fez o primeiro ensaio com "dories", embarcações ligeiras de fundo chato, utilizadas há muito pelos pescadores americanos. As pesadas chalupas de difícil e perigosa manobra, quer no arrear, quer no içar para bordo, viram assim terminado o seu ciclo de utilização diário. Entre os franceses, cada dory era tripulado por dois homens, visto serem ligeiramente maiores que os dories usados pelos portugueses, estes ocupados por um só homem. A pesca era agora feita pelos pescadores isolados nas suas pequenas embarcações, senhores e donos do seu trabalho e do seu destino, ficando o navio fundeado no mesmo sítio durante vários dias, enquanto a abundância de pesca o justificasse. Logo que começasse a fraquejar, a decair, o capitão suspendia a âncora e iam de emposta, termo este que em gíria piscatória significa mudar de poiso, em busca de melhor. A "pesca errante" tinha desaparecido.
Esta nova modalidade, conhecida sob vários nomes - linhas dormentes, linhas de fundo ou pesca de trol-, a pouco e pouco posta de parte pelos pescadores franceses, até desaparecer totalmente, viria a desenvolver-se entre nós de uma forma notável. O seu apogeu verificou-se ao longo da década dos anos 50, com a construção de muitas unidades modernas em aço, de grande capacidade de carga e maquinaria propulsora a condizer. E já no dobrar da curva para a segunda metade do século XX, mantinha ainda uma pujança tal, que lhe permitia rivalizar em qualidade e número de navios com a nova frota dos arrastões em expansão, com a qual viria a coexistir até ao último quartel do século. Verificamos assim que enquanto a pesca na costa, praticada pelos franceses, pouco variou ao longo de quatro séculos, a pesca nos bancos teve alguma evolução: foi primeiro "errante", com o navio à deriva, ao sabor das vagas ou do vento; depois, com as "linhas dormentes", largadas com o auxílio das chalupas; e mais tarde com os dories, o navio fundeado, preso a um grosso cabo de sisal ou cânhamo a servir de amarra. Esta visão da frota portuguesa da pesca à linha – a saudosa "White Fleet" - pôde ser contemplada até ao último quartel do século XX, quer na Terra Nova, quer na Gronelândia, altura em que desapareceu.»

Imagens que durante séculos encheram o nosso imaginário e foram realidade na vida dos nossos lobos do mar!

Manuel

Ana Paula Vitorino: Ligação Ferroviária ao Porto de Aveiro ainda este ano

Presidentes da APA e da REFER ladeiam a secretária de Estado dos Transportes

Porto de Aveiro venceu barreiras simbólicas e importantes para a economia nacional

A ligação ferroviária ao Porto de Aveiro ficará concluída até ao final do ano, garantiram Ana Paula Vitorino, secretária de Estado dos Transportes, e Luís Pardal, presidente da REFER. Esta certeza foi anunciada ontem, 3 de Abril, Dia do Porto de Aveiro, na cerimónia da assinatura do contrato de concessão da Plataforma Logística Portuária de Aveiro – Pólo de Cacia, entre a APA (Administração do Porto de Aveiro) e a REFER.
A secretária de Estado dos Transportes sublinhou que “é notável ver a obra no terreno, de cuja necessidade todos falavam, mas que ninguém fazia”, acrescentando que o Porto de Aveiro entrou no mapa dos centros económicos, “vencendo barreiras simbólicas e importantes para a economia nacional”.
Considerou “como sinal de modernidade” a disponibilização do Arquivo Histórico-Documental do Porto de Aveiro na Internet, o “primeiro porto nacional a fazê-lo”, tendo salientado a mais-valia que representa a componente promocional “numa economia globalizada”.
Enalteceu o esforço feito nesse sentido, dizendo que a APA não se “resignou aos mínimos olímpicos”, enquanto lançou à REFER o desafio para que faço o mesmo, preservando e divulgando o seu espólio histórico e documental bastante rico.
A ligação ferroviária ao Porto de Aveiro, “uma aposta do Governo”, no dizer de Ana Paula Vitorino, importou em 73 milhões de euros e a exploração da plataforma de Cacia, concessionada à APA, custará 200 mil euros por ano, durante três décadas.
Para José Luís Cacho, presidente do conselho de administração da APA, a ligação ferroviária ao Porto de Aveiro contribui grandemente para o seu “desenvolvimento estratégico”, ao assegurar uma “porta de saída para o hinterland portuário”.
Entretanto, Luís Pardal, presidente da REFER, mostrou-se satisfeito com o trabalho que ainda está a decorrer, trabalho esse que prova a capacidade técnica da empresa que dirige. “A nossa gente é responsável pelo nosso sucesso”, adiantou.
FM

PORTO DE AVEIRO NA WEB

Dinis Alves na apresentação do Portal

Riqueza guardada durante dois séculos

Dinis Alves, responsável pela webização do Arquivo Histórico-Documental do Porto de Aveiro (AHDPA), guiou ontem, 3 de Abril, um grupo de entidades e convidados, numa visita às gavetas e arquivos, antigos e mais recentes, do Porto de Aveiro. Fundamentalmente para mostrar uma riqueza guardada durante dois séculos, onde se retrata o esforço de quantos sonharam e levaram a cabo a abertura da Barra, prosseguindo na senda do progresso portuário que todos podemos admirar nos nossos dias, agora com a ligação ferroviária que abre ainda mais a nossa região à Europa.
Depois de uma apresentação cuidada, em que Dinis Alves sublinha os pessimismos dos Velhos do Restelo, que em cada época se insurgiram contra o progresso e os desafios da história e dos avanços tecnológicos, as gavetas do Porto de Aveiro abriram-se, para gáudio de quantos apreciam o caminhar dos que nos antecederam, nesta safra humana.
A disponibilização ao público do portal do AHDAPA resulta de processo levado pela Administração do Porto de Aveiro (APA), a partir de 2006, para inventariação, catalogação e conservação do espólio existente. É o primeiro trabalho do género, no âmbito dos portos nacionais.
O processo foi moroso, quer pelo elevado número de documentos disponíveis, quer pelo rigor exigido. Não se encontra concluído, mas já foram dados passos significativos.
“Cartografia”, “Manuscritos”, “Bibliografia”, “Periódicos”, “Não-periódicos”, “Artigos” e “Peças com História” são algumas das secções do Portal. Outras hão-de surgir, a par do enriquecimento de cada rubrica em curso, porque material não falta.
Dinis Alves, que se fez acompanhar neste trabalho por uma equipa credenciada, insiste na ideia de que o Portal estará aberto à colaboração de todos, pois há muita gente com arquivos ligados aos temas em causa, que merecem ser partilhados com o mundo.
Diz um texto da responsabilidade do Porto de Aveiro que as comunidades portuárias, portuguesas e estrangeiras, os cientistas e os cidadãos em geral podem, a partir de agora, dispor de um instrumento de grande utilidade para consulta e apoio à investigação.
O Portal assume, também, um papel de relevo na divulgação da história de uma actividade nobre, como é a actividade portuária. Funcionará, por isso, como instrumento fomentador de novas pesquisas e de novos estudos, em torno do espólio publicado ou a publicar.

FM

Acção Social do Município de Ílhavo


Atendimento Social Integrado na Câmara Municipal



O CLAS (Conselho Local de Acção Social do Município de Ílhavo), tendo reunido, recentemente, para análise da situação socioeconómica do concelho, resolveu, em síntese, promover a optimização dos programas e instrumentos de apoio social disponíveis; apoiar de forma integrada os cidadãos que verdadeiramente precisam de ajuda; aprofundar o trabalho do "Atendimento Social Integrado", implementando a relação entre as Entidades Parceiras e agindo pelo estabelecimento de compromissos com os cidadãos apoiados; evitar as acções desgarradas e pontuais, e combater os desperdícios e os apoios a quem não precisa. Mais deseja prestar informação aos cidadãos, de forma a que todos saibam da existência no Município de um serviço com a devida competência e capacidade técnica, denominado “Atendimento Social Integrado”, que tem sede na Câmara Municipal e que funciona também nas instalações das Entidades Parceiras.
No comunicado entretanto emitido sublinha-se, ainda, que a intervenção social racional e eficiente, justa e preferencialmente geradora de estruturação da vida dos cidadãos necessitados, exige a atenção de toda a Comunidade, pelo que importa conhecer as características principais do “Atendimento Social Integrado”, para o qual devemos encaminhar as situações de carência social de que possamos ser conhecedores.
Em fase de crise económico-social, será importante, pois, valorizar e aproveitar o que há nas quatro freguesias do Município, não significando isso que cada um de nós se possa divorciar da pobreza que afecta muitas famílias, por causa do desemprego e dos baixos rendimentos que auferem.

Negacionismo, excomunhão e preservativo


Há quem pergunte porque é que, nestes casos - levantamento da excomunhão ao bispo negacionista Williamson, excomunhão dos médicos e da mãe da menina brasileira, grávida aos nove anos do padrasto, que dela abusava desde os seis, declarações de Bento XVI sobre o preservativo -, criticam tanto a Igreja, se se trata de questões que só aos católicos dizem respeito.

Respondo, dizendo que se trata de questões de humanidade e da Humanidade. Ora, em questões de humanidade e da Humanidade, todos podem e devem pronunciar-se criticamente.

1. Perante os protestos não só de bispos mas também de leigos e políticos, por causa do levantamento da excomunhão de Williamson, o Papa escreveu uma carta aos bispos do mundo inteiro, manifestando a sua profunda mágoa. Aliás desconhecia as declarações do bispo negacionista. Pergunta também se devia deixar ao abandono 491 sacerdotes, seis seminários, 88 escolas, dois institutos universitários, milhares de fiéis.

Face à abertura de Bento XVI em relação à Fraternidade de São Pio X, há quem pergunte, com razão, por que é que não usa da mesma compreensão para com teólogos, bispos, leigos, comunidades de base, que procuram um diálogo vivo com o mundo actual e as diferentes culturas. E, se a Cúria lhe causa dificuldades, porque não a reforma?

2. Felizmente, o arcebispo R. Fisichella, Presidente da Pontifícia Academia para a Vida, veio em defesa da menina brasileira. Escreveu no L'Osservatore Romano, diário do Vaticano: a menina "deveria ser em primeiro lugar defendida, abraçada, acarinhada com ternura para lhe fazer sentir que todos estávamos com ela; todos, sem distinção alguma. Antes de pensar na excomunhão, era necessário e urgente salvaguardar a sua vida inocente e reconduzi-la a um nível de humanidade da qual nós, homens de Igreja, deveríamos ser peritos anunciadores e mestres. Infelizmente, não foi isto que aconteceu, foi danificada a credibilidade do nosso ensinamento, que aos olhos de muitos parece insensível, incompreensível e privado de misericórdia".

Também o bispo de Nanterre, G. Daucourt, escreveu uma Carta Aberta ao bispo de Olinda-Recife: "nesta tragédia, você juntou dor à dor e provocou o sofrimento e o escândalo de muitos pelo mundo fora. Numa situação tão dramática, creio firmemente que nós, bispos, pastores na Igreja, temos, primeiro que tudo, de manifestar a bondade de Cristo Jesus, o único autêntico Bom Pastor. Não lhe oculto que me pergunto também como se pode dizer que a violação é menos grave do que o aborto. A vida não é apenas física, sabe-o bem".

3. As declarações de Bento XVI sobre o preservativo causaram uma tempestade. Nem sempre os média transcreveram na íntegra a sua declaração, pois disse que "este problema da sida não se pode superar só com dinheiro..., com a distribuição de preservativos": omitiu-se aquele "só", e quem põe em causa a necessidade de "uma humanização da sexualidade"? De qualquer modo, o L'Osservatore Romano veio depois admitir os preservativos e a sua eficácia, desde que associados a outros dois factores: a abstinência e a fidelidade.

Jesus, o excluído, é aquele que não exclui, pelo contrário, inclui a todos no amor sem condições. A cruz de Cristo é a expressão máxima do amor incondicional do amor de Deus para com todos.

Agora, ao entrar na chamada Semana Santa, na qual celebram o núcleo da mensagem cristã - paixão, morte e ressurreição de Jesus -, os cristãos e sobretudo a Igreja oficial deveriam meditar numa nota do filósofo agnóstico Max Horkheimer, um dos fundadores da Escola Crítica de Frankfurt, que dá que pensar: "Jesus morreu pelos homens, não podia guardar-se para si próprio avaramente e pertencia a tudo o que sofre. Os Padres da Igreja fizeram disso uma religião, isto é, fizeram uma religião que também para o mal era uma consolação. Desde então isso teve um êxito tal no mundo que pensar em Jesus nada tem a ver com a acção e ainda menos com os que sofrem. Quem lê o Evangelho e não vê que Jesus morreu contra os seus actuais representantes não sabe ler".

Anselmo Borges

Um poema de M.ª Donzília Almeida


DIA DE VENTO

Dia de vento
A rua varrida,
A alma banida
De qualquer alento.
No jardim, um rebento,
Uma rosa a abrir,
Os espinhos ao ferir
Um novo tormento.
O trigo abanando
As papoilas ondulando...
As ruas desertas.
Os caminhos de pedras
Calvas, informes, incertas.
As pombas arrulhando
No pombal em frente.
No coração, esta dor
Pesar amargo, permanente
Tão faminto de calor!
Solitário viver
Deste inquieto ser!
A esperança?
Me alimenta
O sonho
Me acalenta!


Mª Donzília Almeida
1970.20 anos

sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Semear a Não-violência


1. O mundo dos cinemas e dos noticiários são muitas vezes uma escola violenta. Vão proliferando algumas instâncias que procuram ser reguladoras dos níveis de violências mas que, efectivamente, poucos frutos parecem conseguir implementar. Há dias um pai de família com crianças de tenras idades manifestava uma profunda apreensão no facto de que a geração dos 10 anos, da geração de seu filho, comunicava entre si exuberantemente sobre os novos jogos informáticos cujos conteúdos são autêntica escola de crime, assalto, desregramento de vida. À insegurança social que se verifica cada dia junta-se uma lei do mais forte que parece imperar em tudo aquilo que são as formas mais fortes de comunicação actual.

Arquivo Histórico-Documental do Porto de Aveiro vai ser hoje apresentado


O Arquivo Histórico-Documental do Porto de Aveiro vai ser hoje apresentado. Hoje, 3 de Abril, Dia do Porto de Aveiro, data que assinala a abertura da Barra, no ano 1808. Dia de festa, portanto, bem digno das nossas homenagens, ou não fosse a Gafanha, e não só, fruto do Porto de Aveiro e de outras condições privilegiadas que podemos desfrutar.


quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Exposição Aveiro – Terra Milenária

Mastro do Milénio, na Ponte da Dobadoura, em Aveiro


No dia 11 de Abril, e inserida no contexto das comemorações dos 250 anos de elevação de Aveiro a cidade, o Arquivo Histórico Municipal inaugurará a Exposição Aveiro – Terra Milenária.
Esta mostra, que se encontrará patente ao público na galeria do Edifício dos Paços do Concelho de Aveiro até 10 de Maio, reunirá documentação de arquivo alusiva à comemoração das festas do Milenário, realizadas em Aveiro, no ano 1959.
Nota: Eu assisti, naquela data, aos trabalhos da colocação do mastro de um navio na referida ponte. Dirigiu as operações o mestre Manuel Maria Bolais Mónica, célebre construtor naval.
FM

Voos rasteiros, pragmatismo com baias





O Papa não precisa de quem o defenda. Quem o conhece e está atento, sem preconceitos, ao seu modo de agir e de intervir, antes e depois de ser Papa, sabe que nunca deixou, nem deixará, de afirmar, na fidelidade ao seu magistério, o que considera essencial e, evangelicamente, mais certo. Não fala para plateia com intenção de agradar, nem foge às críticas, mesmo que injustas. É um homem de princípios, coerente com a sua fé, corajoso no enfrentar dos problemas, detentor de uma consciência que lhe mantém bem vivo o sentido do dever e da missão, frente à Igreja, a que preside, e à sociedade, para a qual ela deve ser uma consciência crítica, que denuncie, abra caminhos e colabore. Não tem a força mediática do seu antecessor, diz-se, mas faz da sua coragem e testemunho a mais válida mediação.
António Marcelino
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Risco de tensões sociais


O ministro das Finanças afirmou que o problema mais sério que temos pela frente pode ser o “risco de tensões sociais que podem ser geradas pela crise”. Mário Soares, há tempos, em crónica publicada no DN, disse o mesmo ou semelhante.
As revoluções são sempre produzidas ou alimentadas pelas crises, pelas injustiças sociais, pela fome. Os políticos têm de estar atentos a isto, se é que aspiram a um ambiente de paz e de progresso. Se não aspiram, esperem, que a revolta das pessoas pode estar a caminho.

Será possível conciliar a a fé cristã e a Teoria da Evolução?


Em entrevista à «Folha de Domingo», o padre António Martins, docente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, explica porque participou no congresso que, de 3 a 7 de Março, reuniu em Roma cientistas, filósofos e teólogos para reflectir sobre a relação entre evolução e criação, no âmbito dos 200 anos depois do nascimento de Darwin e dos 150 anos após a sua mais famosa obra, a “Origem das espécies”. O teólogo algarvio clarifica o seu entendimento sobre o que significou o evento e as suas consequências futuras.

"Uma conclusão a salientar, e talvez a mais significativa, foi o consenso geral sobre a evolução. Podem-se discutir interpretações e teorias diversas e até contraditórias, mas o facto da evolução apresenta-se hoje como uma realidade aceite por todos (ao menos por aqueles que intervieram no Congresso). Ninguém pôs em causa o evento da evolução e, em concreto, da hominização. O que não significa que tudo esteja explicado do ponto de vista científico. De facto, há hiatos obscuros, sem provas científicas seguras, na construção da teoria da evolução, onde a verificação dá lugar à probabilidade. O processo da evolução não é uma absoluta evidência científica. Por exemplo, a especiação (ou seja, o aparecimento biológico e morfológico de uma espécie) permanece mistério por explicar para as ciências."

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quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Genéricos: expliquem-me, por favor

Há problemas simples que algumas pessoas gostam de complicar. Quando os genéricos surgiram no mercado, foi dito e redito que os referidos medicamentos eram absolutamente iguais aos de marca. Eram fabricados, foi sublinhado, com a mesma substância activa, não diferindo, em nada, dos outros medicamentos, sendo, no entanto, mais baratos. Dizia-se, então, que a diferença de preços era resultante das publicidades feitas pelos fabricantes e dos processos de produção levados a cabo pelas grandes indústrias. Outras razões estariam na base da produção e na ausência de concorrência.
Ora, tanto quanto sei, os genéricos continuam a ser ignorados por muitos médicos, que também manifestam uma certa relutância em autorizar a substituição.
Um dia destes aventou-se a hipótese de os farmacêuticos poderem trocar os medicamentos receitados pelos genéricos. Logo vieram alguns clínicos com os habituais alertas de que não se responsabilizam por eventuais danos para os doentes daí resultantes.
Pergunto:
- Os genéricos são ou não são fabricados com os mesmos elementos activos?
- Os processos de fabrico são ou não são fiscalizados pelas entidades competentes?
- Os farmacêuticos têm ou não têm competência técnico-científica para procederem à substituição do medicamento pelo respectivo genérico?
- Os genéricos são ou não são mais baratos, tanto para o Estado como para o doente?
- Por que razão não receitam os médicos, com toda a normalidade, os tais genéricos?

Fernando Martins

A cimeira da «Mudança»?


1. Uma carta aberta aos líderes europeus de um grupo de intelectuais e políticos do velho continente é mais uma forte achega para os compromissos e as responsabilidades indispensáveis a serem assumidos pelos primeiros responsáveis do G20, os vinte países mais industrializados e ricos do mundo, estes que se encontram reunidos em Londres. Decorrendo a cimeira na Europa, o conceituado analista «Timothy Garton Ash escreve na sua mais recente coluna do The Guardian que “a Europa será o grande ausente” da cimeira do G20.» (citado de Teresa de Sousa, Público 01-04-2009). A inquietude num mundo de crise em tempo mudança desafia todos a darem o melhor de si, os estados e os continentes regionais, como os trabalhadores, empresas, cidadãos.

Papa envia mensagem ao G20


Bento XVI enviou uma mensagem ao primeiro-ministro britânico Gordon Brown, em vésperas da Cimeira do G20, que decorre Quinta-feira, em Londres. O Papa defende a necessidade de “coordenar os esforços entre governos e organizações internacionais para sair da crise global, sem recorrer a nacionalismos ou proteccionismos”.
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Arquivo Histórico do Porto de Aveiro vai ficar na Internet



O Arquivo Histórico-Documental do Porto de Aveiro vai ficar disponível na Internet e aberto, por isso, a todos os interessados, investigadores ou simples curiosos. Trata-se de uma iniciativa pioneira, a apresentar no dia 3 de Abril, data da histórica abertura da Barra de Aveiro, no ano 1808.
«As Comunidades Portuárias, portuguesas e estrangeiras, os cientistas e os cidadãos em geral passam, a partir de agora, a dispor de um instrumento de grande utilidade para consulta e apoio à investigação», refere a Administração do Porto de Aveiro(APA).
Com a apresentação, a cargo de Dinis Alves, que decorrerá dia 3, na sede da APA, é disponibilizado online um primeiro lote dos milhares de documentos existentes, composto por oito núcleos, que se subdividem em 20 secções.

País Solidário


Como resposta, necessária e urgente, à crise que afeta as pessoas e famílias, grandes empresas acordaram agora, e bem, para dar uma ajuda. Fundação Gulbenkian, EDP, Millennium BCP,