quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008
A PAZ AO ALCANCE DE TODOS
A paz expressa a harmonia do ser humano em comunhão com o universo. É natural, apesar de supor algumas tensões. É “artificial” pois exige relação, aceitação do diferente, tolerância, justiça e equidade.
A pobreza imposta surge como um factor “provocatório” de situações conflituosas. Cada vez mais. E em maior extensão.
Daí a urgência de se empreenderem esforços para erradicar a pobreza. Em todas as suas formas. Nas mais diversas situações. De âmbito material e de outros: menosprezo de si mesmo, instabilidade interior e inversão de valores, despiste no sentido da vida, imaturidade relacional, desnorte ético, preconceitos inibidores, secura de espírito, mediocridade banal, horizonte redutor face à beleza da visão integral do ser humano e da plenitude das suas capacidades. Também aqui se verifica que “a águia atrofia na capoeira” e a galinha cansa-se depressa no seu voo rasante.
A paz supõe a compreensão e aceitação da dignidade comum. Expressa na mesma natureza. Enaltecida pelas culturas de cada povo ou etnia. Configurada pelo direito positivo ou por declarações universais (como a da ONU de 1948). Respeitada e promovida pelos vários códigos. Espelhada na lei corrente e potenciada pelas políticas concretas.
O teste à vontade comum sobre a paz tem aqui a “sua prova de fogo”. Examinar as políticas específicas e aferir da sua justeza. Colocar-se no lugar das vítimas espoliadas da sua dignidade e sentir a voz da humanidade a clamar por atenção e respeito. Armazenar anos e anos de privações humilhantes agravadas pela desconsideração oficial e pela exploração do seu nome, história e bens. Aguentar o insulto supremo de ver manipulada a verdade e de ser tratado como um excedente da humanidade.
A paz é a harmonia periclitante de toda a criação. Cresce e adquire consistência na medida em que assenta na solidariedade e visa construir o bem comum. Lança raízes num estilo de vida digno da condição humana: próximo no relacionamento entre as pessoas, grupos e povos; moderado e sóbrio no desejo, posse e uso dos bens; generoso e altruísta na atenção aos outros e, sendo necessário, na abdicação de benefícios individuais em prol dos mais necessitados; aberto ao Infinito de Deus, acolhedor dos seus dons que reparte largamente em comunicação benfazeja e amiga.
Georgino Rocha
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"New York Times" esteve na Gafanha da Nazaré
(Foto do New York Times)Jornal americano descobre
o bacalhau na Gafanha da Nazaré
A jornalista visitou a empresa Rui Costa e Sousa, conversou com Gonçalo Guedes Vaz e observou o trabalho de preparação do bacalhau. Gonçalo Guedes Vaz afirmou que o futuro do bacalhau passa pelo venda em congelado, pronto a confeccionar, sem dar grande trabalho a quem tem pouco tempo. As vendas de bacalhau congelado representam 17 por cento da produção da empresa, mas o responsável espera que representem 50 por cento dentro de cinco anos.
A jornalista viajou até Lisboa e falou com cozinheiros, vendedores e apreciadores, que mostraram preferência pelo bacalhau tradicional, que é preciso demolhar, mas que “sabe a verdadeiro bacalhau”.
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Fim de Ano na Madeira
Para trás ficou a saudade de uma ilha paradisíaca

Logo à saída do aeroporto de Santa Catarina, fomos acariciados no rosto pela brisa morna da noite madeirense. O encanto prolongou-se até à entrada para os autocarros, que nos esperavam, onde dois simpáticos jovens madeirenses, envergando trajes típicos da região, nos presentearam com o perfume de uma orquídea e um minúsculo barrete simbólico.
Fomos conduzidos ao centro de Juventude da Madeira, onde ficámos muito bem instalados, durante a nossa estada na ilha. Dado o tardio da hora e o cansaço da viagem, feita de noite, não pudemos apreciar a qualidade e a beleza das instalações. Só na manhã seguinte nos foi possível contemplar todo o empenho e encanto das ornamentações de Natal. Louvor seja feito às mãos meticulosas que deram o seu toque a toda a casa, realçando a exuberância dos enfeites e o colorido das formas.
Durante a nossa permanência, demos a volta à ilha, em autocarro, e eu não posso esquecer o fascínio e sedução que senti por esta terra encantada; fiquei totalmente rendida a esta obra do Criador. Os grandes penhascos arrojando-se para o mar; as encostas repletas de vegetação luxuriante; as extensas plantações de bananeiras, a desafiar o apetite do mais esfomeado; a aldeiazinha perdida no Curral das Freiras, observada do altaneiro miradouro da Eira do Serrado; as temperaturas mais baixas, do Pico do Areeiro, a convidar à compra do barrete do “Alberto João”... e alguns não resistiram à tentação; o almoço em Porto Moniz, onde saboreámos o famoso espada da Madeira; as temperaturas amenas das águas do mar, cativas em piscina natural; quantos de nós não sentiram a nostalgia do “maillot”, arrumado a um canto, lá no velho continente!... Ficaram as fotos para recordar!
Ao longo da viagem, em autocarro, iam sucedendo em catadupa, ora encostas ensolaradas, ora picos altíssimos que se adivinhavam por entre um nevoeiro cerradíssimo. Daí a pouco tempo, o sol vencia de novo o seu antagonista, deixava-nos admirar as polícromas e variegadas flores que ofereciam ao forasteiro, o sortilégio das suas formas: agapantos, orquídeas, buganvílias, sobrálias, antúrios, hibiscos, maçarocas, estrelícias, etc. Fascinou-me a garridice das “manhãs de páscoa” que proliferavam em muitos jardins madeirenses, a fazer inveja às nossas raquíticas “estrelas de natal”, aprisionadas em pequenos vasos e oferecidas, na época natalícia. Fiquei embriagada de cor e beleza, com as casinhas de colmo de Santana; o colorido das madeiras, a contrastar com a alvura das paredes, fizeram as delícias dos Companheiros.
E que dizer das ornamentações soberbas das ruas, do presépio gigantesco que é toda a baía do Funchal, do mar de luz que ofuscava o transeunte... E para cumular toda esta beleza, a apoteótica passagem de ano com o majestoso fogo de artifício e toda a euforia dos espectadores. Não tenho palavras adequadas para traduzir todo esse arrebatamento. Só a alma o sente e o guarda para memória futura.
Mas, para que todo esse “clima” fosse possível, não devo esquecer todo o empenhamento dos nossos Companheiros da revista Campismo, - a solicitude do Manecas - e a simpatia dos nossos compatriotas da Madeira, na pessoa do Companheiro Isidro. Este fez questão de nos acompanhar no convívio da passagem d’ano, onde houve de tudo à mistura: petiscos saborosos, cantorias, dança... Os Companheiros puderam dar largas ao que lhes ia na alma. Cantámos e dançámos até às tantas, havendo apenas a preocupação de chegar ao Centro de Juventude antes das suas portas fecharem. Houve alegria, camaradagem, confraternização sã. O resto da noite foi para ganhar forças para a viagem de regresso. O tempo passou num ápice ... e... para trás ficou a saudade duma ilha paradisíaca!
A todos quantos nos permitiram esta inolvidável experiência, o nosso grato reconhecimento. Bem-hajam!
Viagem realizada de 27.12. 1994 a 01.01.1995
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terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
Ainda o Estatuto dos Açores
Já aqui escrevemos e repetimos: o Estatuto dos Açores possui normas absurdas, que violam o equilíbrio de poderes, e só foram aprovadas por puro oportunismo político de todos os partidos. Todos, repito. As razões do Presidente são claras e só num país analfabeto politicamente se compreende que se tenha perdido mais tempo nas últimas semanas a discutir o método que escolheu do que a substância do que estava em causa. Triunfou a politiquice, perdeu-se mais uma oportunidade de explicar aos portugueses a importância de cumprir as regras no jogo democrático.
E como se tudo isso já não fosse suficientemente mau, viu-se o primeiro-ministro a procurar explorar politicamente um conflito que ele contribuiu para criar, se é que não foi mesmo o principal responsável ao determinar que o PS não alteraria uma vírgula na norma em causa do Estatuto dos Açores.
No fundo ficou provado que em Portugal são raros os que se mantêm fiéis aos seus princípios e numerosos os que preferem adaptar-se aos tempos que correm, gracejando ou desculpando-se, conforme for mais conveniente. Vivemos os anos que vivemos num regime autoritário, e vivemos esses anos todos com uma oposição bem mais anémica do que seria natural, porque já éramos assim. E porque muitos acham que ter princípios é ser dogmático e sectário, quando é exactamente o contrário: quem tem princípios sabe guiar-se em terrenos pantanosos sem sacrificar o essencial, quem não os tem apenas sabe ser autoritário ou servil em função das conveniências do momento."
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Presidente da Junta quer prendas para os gafanhões
quer oferecer alguns melhoramentos à população
A criação da freguesia, em 31 de Agosto de 1910, mas também a elevação a vila, em 1969, e o salto para cidade, em 2001, vão ser, sem dúvida, “datas que possam proporcionar boas reflexões sobre a terra que fomos, somos e queremos ser”, na perspectiva do autarca da Gafanha da Nazaré.
Nessa altura, quem circular habitualmente pela Avenida José Estêvão vai experimentar uma alteração significativa, na zona da igreja matriz. Aí, passa a haver um só sentido para o trânsito automóvel, “entre o cruzamento das Caçoilas e o acesso que conduz ao Centro Cultural, com passeios mais largos e arranjos modernos, sem estacionamentos”, referiu Manuel Serra.
Ao lado, na área correspondente ao antigo mercado, vai nascer “um amplo e funcional edifício”, para sede da Junta de Freguesia e Correios, de forma “a responder às exigências actuais”, garante o autarca. Este novo largo, com estacionamento subterrâneo, “vai tornar-se num novo centro cívico da cidade”, com ornamentação condigna e zona lúdica “próprias da celebração do centenário da freguesia”, acrescentou.
Apesar de estes projectos resultarem de um concurso de ideias, o presidente da Junta fez questão de sublinhar que “as alterações aplicadas resultaram de sugestões dos moradores”, durante o período de discussão pública.
Entretanto, o Centro Cultural da Gafanha da Nazaré também vai passar por obras de melhoramentos e remodelação, resultantes de “carências sentidas ao longo dos 14 anos da sua existência”, como nos confirmou o presidente da Junta.
Manuel Serra adiantou que o palco foi dado “como desadequado”, e que “as comodidades dos espectadores, em festas e outros eventos, amplamente justificam o que vai ser feito”. O novo palco avança para o anfiteatro exterior, melhorando-se o interior, que ficará maior e “mais digno, com galerias para artistas e outras pessoas do espectáculo”.
O autarca da Gafanha da Nazaré lembrou que o Centro Cultural já foi contemplado com diversas obras laterais, “criando-se novas funcionalidades”, sendo certo que os trabalhos agora programados vão ser “mais significativos”. Oferecem-se, deste modo, novos espaços para o desenvolvimento de actividades culturais e sociais, num esforço de responder, objectivamente, “às necessidades das populações”, frisou.
Em jeito de conclusão, Manuel Serra garantiu-nos que estes melhoramentos foram agendados, de certa forma, tendo em conta as celebrações do centenário da criação da freguesia. Nessa linha, admite que tudo vai ser feito pela Câmara Municipal de Ílhavo, com o apoio da Junta, para que 2010 possa oferecer aquelas prendas ao povo da Gafanha da Nazaré.
Fernando Martins
NOTA: Texto publicado no "Timoneiro" de Janeiro
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Crise para a história
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segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
CAVACO ZANGADO COM RAZÃO
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Santa Maria Manuela, na hora da partida para Espanha
O Leopoldo Oliveira, sabendo da minha impossibilidade de ver sair, barra fora, o Santa Maria Manuela, a caminho de Espanha para os acabamentos necessários, apressou-se a enviar-me uma foto da partida. Obrigado, meu caro, pela partilha, tão oportuna. Então, cá esperamos o Santa Maria Manuela, lá para Outubro, para nosso regalo.
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Santa Maria Manuela regressa ao mar
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Seminaristas de Aveiro
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domingo, 28 de Dezembro de 2008
Rua Júlio Dinis
A homenagem ao escritor Júlio Dinis, de seu nome de baptismo Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871), é mais do que justa. Autor de romances célebres, dos mais lidos da literatura portuguesa, bem compreendidos pelo povo, figura com propriedade na toponímia da Gafanha da Nazaré. E se soubermos que o romancista andou pela nossa terra e dela falou em termos encomiásticos, então mais naturalmente aceitaremos a razão por que o seu nome é lembrado a toda a hora pelo nosso povo e por quem nos visita.
A Rua Júlio Dinis começa, podemos dizer, junto ao café Palmeira, quando se sai da Av. José Estêvão para o lado sul, serpenteando a Marinha Velha, até encontrar a Rua António Sardinha. Atravessa uma significativa parte daquele lugar da nossa terra, cujo nome herdou de uma velha marinha de sal que por ali existiu.
Identificada a rua, que tem à vista o Porto de Pesca Costeira e a ponte que liga às praias da Barra e da Costa Nova, vamos então voltar ao nosso homenageado, autor de romances que nos encantaram na nossa adolescência. A Morgadinha dos Canaviais, Os Fidalgos da Casa Mourisca, Uma Família Inglesa, As Pupilas do Senhor Reitor e Serões da Província, entre outros escritos, mostram-nos uma alma pura e simples, ávida de felicidade. Como médico que era, facilmente sentiu que a tuberculose pulmonar o minava, condenando-o a uma morte prematura. Procura saúde em ares diferentes, mais sadios, e também esteve na Gafanha. Em 28 de Setembro de 1864, escreveu ao seu amigo Custódio Passos, de Aveiro, como se lê em Cartas e Esboços Literários. E diz:
“Aveiro causou-me uma impressão agradável ao sair da estação; menos agradável ao internar-me no coração da cidade, horrível vendo chover a cântaros na manhã de ontem, e imensas nuvens cor de chumbo a amontoarem-se sobre a minha cabeça, mas, sobretudo intensamente aprazível, quando, depois de estiar, subi pela margem do rio e atravessei a ponte da GAFANHA para visitar uma elegante propriedade rural que o primo, em casa de quem estou hospedado, teve o bom gosto de edificar ali.
Imaginei-me transportado à Holanda, onde, como sabes, nunca fui, mas que suponho deve ser assim uma coisa nos sítios em que for bela.”
Depois, acrescenta, como que a querer dar-nos uma lição: “Proponho-me visitar hoje os túmulos de Santa Joana e o de José Estêvão, duas peregrinações que eu não podia deixar de fazer desde que vim aqui.”
Fernando Martins
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O Nosso Mar
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Em tempo de festas
Serviço Cívico Europeu
Os jovens entendem que, face à crise económica que se vive, à escala mundial, importa criar mecanismos de auxílio para apoiar os países e as pessoas mais pobres.
Ainda sugerem, com toda a generosidade que caracteriza a juventude capaz de pensar, que, à mundialização da economia, se associe uma mundialização da solidariedade.
Em tempo de tantas festas, carregadas de nadas, onde muitos jovens e menos jovens se afogam no efémero de prazeres egoístas, importa lembrar, aqui e agora, que, felizmente, ainda há quem queira pensar e viver de forma diferente.
FM
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Suave Aparição
Desde os píncaros gelados e puros do Kilimanjaro, onde a atmosfera rarefeita condiciona a existência de vida, até aos pântanos nauseabundos da WWW, onde a diversidade biológica é surpreendente, tudo fora analisado e estudado, minuciosamente!
Se no primeiro lugar, mal deparara com algum exemplar da espécie humana, no segundo, pululavam aos magotes, atropelando-se e “chafurdando” no lodo! Dalila, empurrada para uma solidão forçada, ainda acreditou que a Divina Providência a recompensaria por todo o seu empenho e esforço, na construção de caminhos úteis. Afinal, a vida havia-lhe demonstrado que são os mais ousados, os mais hábeis que singram na vida! Serão?
Não se arrependera, no entanto, de ter conduzido toda a sua vida, com abnegação e espírito de sacrifício! Deus, que tudo ouve e tudo vê, haveria de a recompensar. Deixava fluir os dias, e numa atitude de dádiva aos outros, repartia-os, entre as suas atribuições profissionais e os seus hobbies que lhe preenchem as ânsias da alma.
Era neste cenário que se preparava para a vivência de mais um Natal. Sentia uma alegria genuína, uma serenidade, há muito arredia, e a sua casa era disso um sinal bem evidente. Luzes multicores, acordes natalícios, numa ornamentação colorida, em amplexo envolvente, recebiam as visitas e os amigos, nessa quadra calorosa.
Já pela noite dentro, depois de satisfeita a curiosidade das prendas, quando se preparava para ir assistir ao ritual da missa do galo, eis que se abre a porta, lenta e suavemente... Uma luz diáfana envolvia uma figura resplandecente, que balbuciou:
- Estou aqui!
Eu sou o J... o Jesus... o José, o Jorge, o João... aqueles que, nas procelas da vida, estiveram presentes e nunca te desampararam.
Dalila teve um rebate... Aquele... demarcava-se dos outros, daqueles... que, antes de estenderem um braço, já o outro apresentava o orçamento!
Sou... Aquele que, quando te sentias desamparada, a calcorrear, sozinha, os caminhos da vida, eram as minhas pegadas que vias, nos sulcos da areia, pois pegara em ti ao colo!
Mª Donzília Almeida
21 de Dezembro de 2008
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TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 110
Caríssima/o:
Logo que o Professor se despedia, era uma corrida desenfreada para a Borda que nos atraía qual íman benfazejo: naquelas águas transparentes, nos moliços verdes, nas pedras lamacentas, nos miopores, nos macios, nas Portas d'Água, na Cambeia, no Paredão Arrunhado, no Esteiro Pequeno e no Grande, no Jardim Oudinot e em toda a zona envolvente residia agora o nosso novo mundo de estudo e de experiência.
A roupa ia sendo desenfiada à medida que corríamos para o Esteiro que nos apanhava já descontraídos e na mais aferroada das competições nas travessias e mergulhos.
E as pescarias?
Não havia pedra que ficasse por virar e o cesto ia-se enchendo...Os robalitos também não deviam estar muito satisfeitos: em cada maré apanhávamos algumas dezenas... A serradela levava cá uma destas tareias que nem vos conto! É que para iscar os anzóis era precisa muita e nós lá andávamos pelo lamaçal em busca dos melhores sítios (a lama mais rija e areenta com muitos buraquinhos como que a dizer-nos que as bichas estavam lá por baixo à nossa espera... era só dar a cavadela, virar e, rápidos, apanhá-las pelas cabeças e puxá-las sem as partir!...)
Dias e dias se passavam entre a ria e o jogo da bola; era um corropio e uma animação, apenas e só interrompidos quando um ralhete da Mãe nos chamava para tomar conta de um irmão mais pequeno! Oh, céus! Grande desconsolo...
Por vezes, os mais velhos permitiam que assistíssemos aos seus jogos, mas tínhamos de estar caladinhos como cordeiros mansinhos: nem pio! O mais animado era o jogo do xui!
Claro, na Cambeia, só os mais velhos estavam autorizados a nadar; os mais novos podíamos dar umas pajadelas mas só se um irmão mais crescido rondasse por perto.
Entretanto, o tempo passava muito depressa, tão rápido que já não se sabia quais eram os trabalhos marcados para férias e até o poiso dos cadernos e dos livros se foi... Mesmo, mesmo no último dia, lá se corria a casa de companheiro cuidadoso e num lufa-lufa apertadinho tudo ficava em ordem ... Uf!
[Agora com o magalhães não há o perigo de perder o TPF... Há que aproveitar as vantagens...]
Não esqueço que alguns e algumas passavam umas férias amarguradinhas sempre atrás do rabo da vaca, na rega, até esvaziar o velho estanca-rios ... e em todos os trabalhos agrícolas próprios da época; de vez em quando lá davam uma escapadela para integrar o nosso grupo de natação no Esteiro!
E por estes lados aproveitamos a escapadela para desejar um fim de ano à nossa maneira e que seja o prenúncio de um ANO NOVO repleto de saúde e de tudo o que de melhor a vida nos pode reservar.
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A Família
Toda a família humana cria um estilo de vida relacional típico que facilita a cada membro ser ele mesmo, ganhar identidade própria, desenvolver a sua personalidade, expandir as suas capacidades, buscar espaços para a sua realização integral. Este crescimento vai-se fazendo de muitos modos, sendo o mais básico e comum a relação recíproca, a de ser amado e aprender a amar, a de dialogar partilhando emoções e experiências, a de receber e dar confidências, a de gerar certezas e enraizar convicções. Emerge assim, condicionado também por outros factores, um tipo de pessoa capaz de se afirmar perante outras e de aceitar benevolamente o que são e como são, consentindo nas diferenças e procurando dar-lhes harmonia construtiva.
Sem uma personalidade estruturada nas suas diversas funções e em harmonia com as demais, dificilmente o companheirismo e a vizinhança se desenvolvem, as associações de convivência e lazer, de cooperação e reivindicação, de crenças e religiões encontram a consistência indispensável para estar ao serviço do bem comum. Sem consistência, irrompe a insegurança e a fragilidade, o medo da aventura e o risco da surpresa frustrante. Sem consistência, nem a liberdade alcança os seus voos atraentes e sedutores próprios dos espíritos desinibidos face à verdade e à sua aceitação incondicional.
A família, alicerçada na verdade do seu ser, é um valor escolhido livremente que exige cultivo constante. Como os outros valores. Como as árvores de rega. Pode assim atingir uma qualidade de vida em sintonia com as aspirações mais profundas e constantes do coração humano. Pode assim construir-se como uma história de vivências e recordações, de envelhecimentos progressivos, de memórias inesquecíveis, de sonhos e expectativas, de cumplicidades aliciantes, de amizades confiantes.
O estilo de vida familiar facilita ou dificulta o crescer do seu ser e o afirmar da sua verdade. Neste vaivém, não diminui, desaparece ou se destrói aquela realidade que, à maneira de sonho ideal, aumenta a apetência e aguarda realização.
Uma família, para quem a vê com olhos de fé cristã, emite sinais da presença de Deus, espaço da realização do seu amor, fonte de vida em relação, oportunidade especial de encontro e comunhão. Não sendo a única nem frequentemente a mais publicitada, é certamente a mais válida e qualificada escola de educação e humanização, a melhor configuração do espaço de partilha de experiências de vida, a mais promissora e eficaz força de esperança no futuro.
Georgino Rocha
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sábado, 27 de Dezembro de 2008
IDOSOS ABANDONADOS
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INVERNO
Assumindo como indiscutível que todas as Estações do Ano têm o seu encanto e a sua beleza, não quero deixar de assinalar, aqui, essa verdade, que sempre me acompanhou na vida. Desde tenra idade. Eu até costumava dizer, como ainda agora digo, que um dia de chuva não deixa de ser belo, tanto quanto nos permite saborear o aconchego da nossa casa e dos nossos recantos dentro dela. Ouvindo a chuva a bater nas vidraças, enquanto se lê um bom livro ou se ouve uma música melodiosa, sentimos um não sei quê que nos faz olhar para o nosso interior, quantas vezes em busca de sonhos à cata de verem a luz do dia. Hoje sinto isso, impedido de sair com uma constipaçãozita arreliadora. Por isso, aqui desta minha tebaida, vendo o sol muito tímido coado pela vidraça e tecido pelos ramos hibernados da árvore, gozo o prazer de alimentar os meus anseios.Fernando Martins
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DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM
Havia precedentes. Por exemplo, a famosa Charta Magna libertatum - a Magna Carta -, de 1215. Mas ela começa assim: "Estas são as demandas que os barões solicitam e o senhor rei concede", acabando, portanto, por abranger apenas os "homens livres".
A Declaração de Direitos (Bill of Rights) do Bom Povo de Virgínia, de 1776, já reconhecia os direitos dos indivíduos enquanto pessoas, mas não se estendia a todos, pois não incluía os negros, considerados "uma espécie inferior".
Em 1789, a Assembleia Nacional Francesa promulgou a célebre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mas este Homem era ainda só o varão branco e proprietário.
Na Declaração Universal dos Direitos do Homem, proclama-se, pela primeira vez, que toda a pessoa humana, independentemente do sexo, condição social, raça, religião, nacionalidade, é detentora de direitos fundamentais, que devem ser respeitados por todos, pois são universais e valem em todo o tempo e lugar.
Mas não houve consenso. Oito países abstiveram-se de votar a favor. A Arábia Saudita e o Iémen puseram em causa "a igualdade entre homens e mulheres". A África do Sul do apartheid contestou o "direito à igualdade sem distinção de nascimento ou de raça". A Polónia, a Checoslováquia, a Jugoslávia e a União Soviética, comunistas, contestaram que alguém pudesse invocar os seus direitos e liberdades "sem distinção de opinião política".
Entretanto, em 1966, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou o "Pacto Internacional de Direitos Económicos, Sociais e Culturais" e o "Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos", que, para entrarem em vigor, precisariam de ser ratificados pelo menos por 35 países membros, o que só aconteceu dez anos mais tarde.
Embora a sua violação continue uma constante, como permanentemente informa e denuncia a Amnistia Internacional, há uma consciência universal crescente dessas duas gerações de direitos - civis e políticos, e económicos e sociais -, a que veio juntar-se uma terceira geração, cujos titulares não são os indivíduos, mas os povos, como o direito ao desenvolvimento, o direito à autodeterminação, a um meio ambiente sadio, à paz.
Continua o debate sobre a sua universalidade, que J.-Fr. Paillard sintetizou nesta pergunta: "Um instrumento ideológico ao serviço do Ocidente", para impor ao resto do mundo a sua visão do bem e do mal? M. Gauchet, por exemplo, disse: "Do ponto de vista de um dirigente chinês, indiano ou árabe, os direitos do Homem são antes de mais os direitos do homem branco a exportar o modelo de civilização que os tornou inteligíveis."
No entanto, ainda recentemente - Junho de 1993 -, na Conferência das Nações Unidas sobre os Direitos do Homem, os Estados reafirmaram: "Todos os direitos do Homem são universais, indissociáveis, interdependentes e intimamente ligados." E, considerando a diversidade cultural em conexão com este universalismo, acrescentaram: "Se importa não perder de vista a importância dos particularismos nacionais e regionais e a diversidade histórica, cultural e religiosa, é dever dos Estados, seja qual for o sistema político, económico e cultural, promover e proteger todos os direitos do Homem e todas as liberdades fundamentais."
No início de um novo ano, que melhores votos que os do cumprimento pleno destes direitos?
Referindo o Preâmbulo da Declaração - "Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo; considerando que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar, de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem..." -, um caricaturista do El País pôs Deus a ler e a exclamar: "Que preâmbulo! Não tinha lido nada tão bom desde o Sermão da Montanha."
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Marcadores: Direitos Humanos, Um artigo de Anselmo Borges
Procura...
Há um ser errante em meu destino
Que procura, busca um sentido;
P’ró Além se sente impelido,
Numa vida que tem sido um desatino!
Há castelos no ar, nunca alcançados
Fímbrias de nuvens passageiras,
Emboscadas por vezes traiçoeiras
Sonhos não vividos, mas sonhados!
E minh’alma sedenta do eterno,
Procura em ti esse apoio fraterno
Que como bálsamo para a dor existe!
Mas a busca vem de longe e não termina
Neste espaço sideral não se confina
E no fundo do meu ser a dor persiste!
Maria Donzília Almeida
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Marcadores: Poesia
Uma pequena pausa para férias
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quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008
SANTO NATAL PARA TODOS
Deste meu recanto, desejo a toda a gente um SANTO NATAL. Que a ternura do MENINO nos ajude a descobrir caminhos de paz, de fraternidade e de amor.
Fernando Martins
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Conto de Natal

Deambulo, por uma artéria movimentada, desta Veneza Portuguesa. O tropel dos transeuntes, que, aos magotes, percorrem a avenida, deixa transparecer a ansiedade e o nervosismo que os dominam. Está a aproximar-se o Natal e há que ultimar as compras da época. Aquilo que ainda falta para a, b, ou c. Sim, que o Natal vive das compras, dos desejos, mais ou menos sentidos, de Boas Festas, da troca de prendas, no dia de ceia. O Natal sem prendas não é Natal! Sem consumismo, também não! Fica a gratidão dos comerciantes, que, por estas alturas, engordam, significativamente, as suas receitas. A correria é tanta, que quase se atropelam, como figurantes de um presépio virtual. As ornamentações de Natal, que proliferam por toda a parte: árvores iluminadas da avenida e outras artérias, fachadas dos prédios, e os arcos nas ruas, evocam, nas pessoas, a lembrança de outros natais. Em mim, trazem a nostalgia duma harmonia perdida, o sentir que não é só o consumismo, nem a ornamentação garrida do meio circundante, que nos faz vivenciar o espírito natalício. Natal já se comemora há muitos séculos, desde o nascimento do Menino Jesus, em que as pessoas se agregam e congregam para festejar esse evento.
Nos meios rurais, há muitos anos atrás, a comemoração era feita, de modo diverso. As crianças da casa, montavam na “sala do Senhor”, dirigido para a janela, a verdadeira representação do Natal – o presépio. Com a industrialização da sociedade e a e(in)volução dos costumes, esta instituição foi-se perdendo e está, hoje, em agonia. Mas no ambiente rural, a tradição era religiosamente cumprida. A criançada afadigava-se, para produzir o melhor presépio. Iam buscar musgo, à mata nacional, já que ainda não existiam os pinhais particulares. O chão era um tapete de “alcatifa” verde, antecipação da coqueluche das alcatifas. Na fase seguinte, escolhiam criteriosamente as figuras de barro, representativas das personagens religiosas apreendidas na catequese. Os presépios dessa altura eram dignos de um concurso, em que a selecção seria difícil. A imaginação, a criatividade, o espírito laborioso eram dignos de registo. Além do fervor natalício, era uma boa forma de as crianças desses meios rurais, sem acesso nem possibilidade de adquirir as modernices de hoje, darem largas à sua fantasia e espírito criativo.
Hoje, com a evolução dos tempos, essas genuínas manifestações de Natal, foram substituídas por ornamentações de toda a espécie, com fitinhas, velas, plissados, luzes multicores e tudo o que a imaginação e a estética podem conceber. É esfuziante e apelativo para crianças e adultos, que sucumbem à intensidade deste jogo persuasivo. Nos dias de hoje, nos subúrbios das grandes cidades, parece que todos sofrem de falta de imaginação. Repetem com perfeição, aquilo que se passa nas grandes urbes. Mas, para que não sejam apelidados de puros imitadores, acrescentaram a essa panóplia de ornamentações, uma figura bizarra, vestida de vermelho e branco. Colocaram-na num sítio bem visível da casa, normalmente na fachada principal, empoleirada em escada tosca, numa posição de alpinista falhado. Será, seu propósito, subir ao telhado e descer pela chaminé para deixar as prendas aos miúdos e graúdos? Mas, vejo-o sempre numa posição estática, não arreda pé! Chegará à chaminé, no dia de S. Nunca à tarde? Desejo-lhe boa viagem e que vá estugando o passo!
Tentará isto ser um arremedo da fantasia que a tradição cristã criou acerca da existência das prendas? Recordo, ainda, com saudade, os natais da minha meninice; na véspera de Natal, a pequenada era solicitada a colocar os seus sapatinhos, no borralho (=lareira), por baixo da chaminé. Depois de uma noite de sono, sobressaltada, a imaginar a surpresa que os esperava, logo de manhãzinha, muito cedo, acorriam à cozinha para fazerem como S. Tomé: ver para crer. Ouviam-se risos de alegria e crianças aos pulos de contentes, extravasando tudo o que lhes ia na sua alma pura, de seres angelicais.
Tenho bem viva na memória, a cena ocorrida comigo num dia de Natal de há mais de meio século. Ainda ensonada, dirijo-me à cozinha onde encontro o meu pai, que me diz com a voz mais inocente deste mundo: M....D. vai buscar as prendas que o menino Jesus te deixou no sapatinho! Fui acometida do maior espanto do mundo, ao confirmar que aquele pequenino ser, rechonchudo e diáfano, me incluíra na sua lista de entregas ao domicílio! Invadiu-me uma admiração, um espanto, uma gratidão, uma veneração, cujos efeitos, ainda hoje perduram, (no meu relacionamento com as pessoas). Era assim, a entrega de prendas, com beleza e singeleza, às crianças inocentes e puras.
Hoje tudo está mudado; as crianças de hoje, habituadas às Playstations, aos gameboys, aos computadores, às pens, etc, desconhecem por completo a existência de outros costumes do passado. Se calhar, o Menino Jesus ainda não se rendeu à invasão das novas tecnologias, vulgo T.I.Cs. Provavelmente, estará a precisar de umas aulitas de Informática, para se actualizar e informatizar o serviço de recepção no Céu. Temos cá na terra, nomeadamente, numa Escola, bem conceituada, no ranking, pessoal altamente competente nesse domínio, uns verdadeiros experts! Só é pena essa escola simpática ficar num lugar recôndito do Planeta Terra: a Gafanha da Encarnação: talvez haja aliciantes para convencer o Menino a vir cá: a proximidade da ria, como local aprazível; a existência de ovos-moles, na Veneza Portuguesa, a curta distância desta vila, à beira ria plantada, aquelas deliciosas sandes de leitão, provenientes duma cidade tão visitada por forasteiros, a Mealhada, que matam a fome, aos professores famintos; é vê-los a digladiar-se para conseguir a maior (!!!).
Assim, quando lá entrar alguém, no Paraíso, as formalidades de ingresso, o check in,, serão altamente facilitadas. E quando houver filas, será que há candidatos ao céu, neste inferno de vida em que vivemos? Andamos todos com tanto asco (pecado!) à ministra! A burocracia seria significativamente encurtada. Vêem as grandes vantagens da Informática? E eu que demorei tanto tempo a render-me a essa evidência. Agora, não a dispenso!
Tudo veio a propósito de o Menino Jesus, hoje em dia, não trazer prendas, que tenham a ver com esta revolução tecnológica.
O presépio, depois de um curto período de agonia, sucumbiu à mudança dos tempos. Em vez de observarmos, pela época do Natal aquelas maravilhas de arte popular, começamos a vislumbras a figura do Santa Claus, sentado, escarrapachadamente no seu trenó, puxado por resistentes renas. Esta imagem é motivo pictórico recorrente, nos cartões de Natal, que, infelizmente, também estão em vias de extinção. Até isso, que, de alguma forma, constituía um incentivo à escrita e à criação artística, quando eram manufacturados pelo remetente, está no seu estertor de morte. Todos esses salutares costumes se estão a perder, dando lugar a formas estereotipadas de mensagens natalícias. Nos dias de hoje, os computadores, mais precisamente a Internet, conquistaram o terreno e quase que detêm o monopólio da comunicação. Daí, a pertinência das siglas: W(ide) W(orld) W(eb).
Outra das representações natalícias, que se espalha por toda a parte, é a famosa árvore de Natal. Dentro e fora das casas, na rua e nos estabelecimentos comerciais, de maior ou menor porte, ela aí está, imponente e enfeitada de forma soberba. Sabemos, através dos media, que as várias capitais do mundo, se empenham para alcançar o primeiro lugar no ranking, com o objectivo de conseguirem entrar no Guinness; é esta a meta almejada!
Será que o espírito do Natal, apesar de todas as transformações que se deram na sociedade, de toda a evolução tecnológica, de todo o materialismo reinante, ainda consegue resistir, nesta luta desigual? Compete a cada um de nós, fazer com que prevaleça ou desapareça essa tão aconchegante vivência mística. do Natal.
Maria Donzília de Jesus de Almeida
Natal de 2006
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terça-feira, 23 de Dezembro de 2008
NATAL: Notas do Meu Diário
Cada dia de Dezembro é mais um passo para a noite ansiosamente esperada. Em torno da mesa, também se sentam, connosco, os que Deus já acolheu no seu seio. Os que, afinal, moldaram com a sua ternura as nossas vidas. Então, vamos recordar estórias de vivências que encheram o saco das muitas prendas que ao longo das nossas existências recebemos e ofertámos. Prendas que nos ensinam o prazer da partilha e o dom da paz. Prendas que nos iluminam os olhares para o diálogo com os outros. Prendas que nos estimulam o sorriso para os que mais precisam de pão e de amor. Prendas que hão-de ser, ainda hoje, se quisermos, um lindo gesto natalício.
Fernando Martins
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Daqui a pouco, o "Natal do calendário" está aí!

De novo, o brilho do presépio, os cânticos tradicionais, a comida da consoada, a troca de presentes, os desejos de Boas Festas, os (re)encontros familiares, as campanhas de solidariedade em favor dos menos afortunados, entre muitos outros gestos e expressões de vida, levar-nos-ão, através de uma viagem de amor, à singela e determinante recordação que um Menino nasceu para nos salvar ou, se mais não for, que é possível fazer mais e melhor, em nome da justiça e do respeito que cada pessoa transporta, em si mesmo, desde o seu nascimento, ou seja, desde o seu Natal.
Por tudo isto, o Natal acontece - de uma forma singular e irrepetível - sempre que alguém nasce e é recebido com júbilo e esperança pelos seus.
Não raras vezes, também, nascem aqueles que, tantas vezes, são ignorados, esquecidos ou marginalizados, à maneira dos estalajadeiros que, tal como para Jesus Cristo, teimam em dizer que não têm lugar para o outro na sua hospedaria, que é como quem diz no seu coração.
Celebrar a festa da Incarnação do Deus-Menino é, pois, estar atento ao sofrimento daqueles por quem Ele veio ao mundo e por quem ofereceu a sua Vida.
Vivemos tempos demasiadamente difíceis e incertos para que alguém se dê ao luxo de não aceitar o Natal como o melhor presente que o Homem pode ter. Saiba - saibamos todos - reconhecer, com humildade e empenho esta dádiva.
Vítor Amorim
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Um Conto de Natal
Véspera de Natal. Na grande cidade sente-se o furor das últimas compras e da correria dos transeuntes para os locais onde irão festejar em família esta noite tradicional ligada ao nascimento do Menino Jesus.
Indiferente ao que o rodeia João Luís aproxima-se do Estabelecimento Prisional, cabisbaixo e triste, um saco às costas, única ligação com o passado recente em que sentiu alguma felicidade. Ali estava de novo junto do local onde passara quase um ano e desta vez para se entregar voluntariamente. Chegou à porta, tocou a campainha e esperou.

Tudo começou dois anos atrás. Enviado para a grande urbe pela instituição que lhe substituíra os pais que perdera em criança, depressa abandonou os estudos que viera fazer. Conhecera um amigo com quem tinha alguma afinidade e foi atrás da amizade que a sua presença lhe proporcionava. O amigo trabalhava numa Bomba de Gasolina e este passou a ser o local de vida de João Luís. Disse ao amigo que lhe ia aumentar as vendas e por lá foi ficando. Enquanto o amigo abastecia João Luís limpava os vidros. Em troca do ar sisudo de alguns clientes receando o pedido duma gorjeta, João Luís atirava-lhe: “é oferta da casa”. Outros, porque o serviço era oportuno, contribuíam com alguma coisa. João Luís agradecia não deixando de lembrar que “era oferta da casa”.
O patrão apercebeu-se da presença do simpático colaborador que ia sacando umas sandes e uns sumos nem sempre pagos, mas talvez porque o movimento da caixa vinha aumentando, fechou os olhos à acção do perspicaz assistente. Acabou por autorizar o empregado a proporcionar-lhe meios para uns lanches mais adequados. Saberia ele que João Luís pernoitava no local de trabalho? É verdade: tinha lá o seu cantinho.
O tempo foi passando e já se vislumbrava uma oportunidade de emprego efectivo no local. Mas um dia João Luís ausentou-se e nessa noite houve um assalto à Bomba de Gasolina. Veio a polícia, pergunta atrás de pergunta, não tardou muito, João Luís estava preso preventivamente, por forte suspeita de co-autor do assalto. De nada valeu o aval do patrão e do amigo considerando o rapaz pessoa incapaz de tal gesto.
Na cadeia ninguém percebia como uma tal criatura ali tinha ido parar. Os presos gozavam com a história, os guardas cautelosos ficavam perplexos com o ar bonacheirão do preso e a directora do estabelecimento condoía-se com a situação: tinha um filho da mesma idade e com o mesmo nome. Não tardou muito tempo, João Luís tinha tarefas que lhe permitiam uma certa mobilidade no estabelecimento. Uma delas, zelar o jardim do pátio exterior, altura em que era acompanhado por mais um ou dois presos e um guarda. Durante estas tarefas João Luís regalava a vista para o exterior: uma avenida e mesmo em frente instalavam uma nova Bomba de Gasolina. Isto fascinava-o: saberiam eles conquistar a clientela? Como gostaria de ajudar…
Naquele dia trabalhava sozinho no jardim. O guarda ausentava-se frequentemente para se inteirar do desenrolar do derby futebolístico e a porta para o exterior abriu-se com a força do vento. Alguém não a fechara completamente. Dedicou-se ao trabalho mas não resistiu. Num instante iria oferecer os seus préstimos para quando saísse em liberdade. Teve azar: na bomba retiveram-no indagando da sua experiência no ramo e curiosos pela voluntariedade do moço a conversa foi esticando.
Não tardou muito ouviam-se carros de polícia a tocar e a correr para um e outro lado da avenida. Ficou baralhado: aquilo teria alguma coisa a ver com ele? Ficou por ali. À noite enroscou-se a um canto. Ao outro dia, com tudo mais sereno, resolveu partir. Apanhou boleia num camião que parara para abastecer e seguiu viagem.
Com o sol a pino, ali ia a ermo, a pé, Alentejo adentro. Tinha a roupa que vestia e um boné oferecido pelo camionista. Uma fome desabrida e a goela seca fizeram-no aproximar do monte que avistou. Um casal já idoso regressava a casa fugindo ao calor tórrido. João Luís perguntou se lhe arranjavam um copo de água. Apercebendo-se do estado do rapaz convidaram-no para o almoço. E ele ficou, um dia, e outro e mais outro…
Trabalhava com eles no campo, com eles comia e na sua casa pernoitava. Não dava mostras de pensar partir e ninguém lho mencionava. Afinal onde comem duas bocas comem três e o moço até merecia o sustento. Para Manuel Cortez e Benvinda, João Luís passou a ser o filho que perderam em Angola. O tempo corria devagar e João Luís sentia ter finalmente um tecto. Na vila comentava-se a dedicação do rapaz ao casal.
O Verão estendeu-se, fizeram-se as colheitas e entrou-se no Outono. Manuel Cortez comentava com a mulher a ajuda inesperada. De alguma forma procuravam retribuir ao moço o seu empenho no trabalho. Este ano sim, iriam ter outra vez Natal imaginava ele antecipadamente. E o Natal estava já aí à porta.
Mas quem bateu à porta foi a GNR. Dois soldados vinham com a suspeita de que João Luís era o foragido há muito procurado. Manuel Cortez ficou abatido. Inicialmente não disse nada. Depois, ainda incrédulo pediu que o deixassem ir falar a sós com o rapaz e voltou com a confirmação da suspeita. Mas pediu-lhes por tudo que ignorassem este encontro pois o rapaz se entregaria na vila, depois do Natal, dali a dois dias. Conhecedores da dedicação do rapaz ao casal e da garantia da palavra de Cortez, os guardas olharam atónitos um para o outro pasmados com a insólita proposta. O mais estranho é que concordaram. Efeito da Quadra?!
Nessa noite João Luís esteve muito ocupado: escreveu uma carta onde explicava a sua última decisão, meteu umas coisas num saco e saiu sorrateiramente de casa. De manhã Manuel Cortez sentiu alguma frustração que transmitiu aos guardas. Estes nada podiam fazer além de ficar calados pois foram coniventes numa ilegalidade. O Natal parecia estragado para todos estes intervenientes.

João Luís voltou a tocar a campainha. Algo se passava no interior que demorava o atendimento. Tocou mais uma vez. Ao mesmo tempo a porta abriu-se dando passagem à directora e a um guarda. Ficaram estupefactos com a presença do rapaz. Seguiram-se as explicações e a notícia dos últimos desenvolvimentos. Para já João Luís iria participar da consoada prisional depois de cumpridas as formalidades oficiais.
Nessa noite as Rádios e Televisões deram a notícia: “Jovem preso preventivamente, evadido há cerca de um ano, entregou-se hoje no estabelecimento prisional onde estivera retido. O insólito da notícia é que no mesmo dia a polícia prendeu o confesso autor do assalto que levou à prisão preventiva do primeiro por suspeita.”
Nessa noite de Natal muita gente gostaria de abraçar João Luís: o amigo da Bomba de Gasolina, o patrão que lhe reiterava o posto de trabalho, os clientes que se habituaram ao seu ar prazenteiro, os soldados da GNR da vila alentejana preteridos pelos da cidade e Manuel Cortez e Benvinda que ganhavam do novo esperança em ter de volta o seu rapaz. A directora sentia-se feliz por ter confiado no seu instinto. E João Luís com redobrada alegria retirou do saco para a mesa da consoada o que carregava: presunto, queijo e vinho.
A um canto da sala, no presépio aí instalado alguém foi colocar o Menino Jesus. As luzes ganharam mais brilho e deu-se início à consoada. A Esperança renascia.
João Marçal
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O natal na poesia portuguesa
«Adorai, montanhas,
o Deus das alturas,
também das verduras.
Adorai, desertos
e serras floridas, o Deus dos secretos,
o Senhor das vidas.
Ribeiras crescidas,
louvai nas alturas
o Deus das criaturas…»)
representam uma espécie de pórtico para uma viagem que, em cada época, encontrou os seus cantores. No século XVI, há um trecho anónimo, talvez cantado numas dessas romarias como ainda hoje se vêem
«Non tendes cama bom Jesus não
non tendes cama senão no chão»,
mas também sonetos de Camões
mor Beleza»
e de Frei Agostinho da Cruz.
Ao século XVII bastariam os vilancicos de Sóror Violante do Céu
«Todos dizem, meu Menino,
Que vindes libertar almas,
Mas eu digo, vida minha,
Que vindes a cativá-las
Porque é tal a formosura…»,
como ao século XVIII, do Abade de Jazente, de Correia Garção e outros, bastaria a composição piedosa do satírico Bocage, cotejando com elegância o texto profético de Isaías
«A Virgem será mãe; vós dareis flores,
Brenhas intonsas, em remotos dias;
Porás fim, torva guerra, a teus horrores».
O século XIX é de Garrett, com um poema delirante e “incorrecto”, onde faz valer o natal folgado e guloso da sua «católica Lisboa» sobre o «natal sem graça» dos protestantes londrinos. Mas, a seu lado, Feliciano de Castilho, canta «O Natal do pobrezinho» e João de Lemos e João de Deus descrevem sobretudo a experiência mística da contemplação. O século XX desdobra, seculariza, interroga, e, por fim, talvez adense o escondido significado do Mistério da Encarnação de Deus. Há o Natal devoto de Gomes Leal; há o Natal distanciado de Pessoa (o seu grande poema de natal é evidentemente o Poema VIII de O Guardador de rebanhos, mas isso dava outra conversa); o Natal dilacerado pela procura de Deus em José Régio
«Distância Transcendente,
Chega-te, uma vez mais,
Tão perto que te aqueças, como a gente,
No bafo dos obscuros animais»
e em Torga; o evangélico Natal de Sophia e de Nemésio (como esquecer aquele «Natal chique», onde «Só [um] pobre me pareceu Cristo»?); o Natal asperamente profético de Jorge de Sena («Natal de quê? De quem?/ Daqueles que o não têm?») ou de David Mourão Ferreira
«Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num sótão num porão numa cave inundada».
Declinações diferentes de um único Natal.
José Tolentino Mendonça
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segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008
NATAL: Notas do Meu Diário
A rádio anuncia as ceias de consoada para os sem-abrigo, como sinal da generosidade do povo. Não falta quem ofereça tudo e mais alguma coisa. Haverá bacalhau com batatas e couves, tudo bem azeitado, bolo-rei e rabanadas, vinho e outras guloseimas. E até lembranças embrulhadas em coloridos papéis. Nisto todos podem colaborar. Fica bem e sabe melhor a quem nada tem. Concordo. Ao menos, uma vez por ano, por esta altura, todos teremos oportunidade de dizer quanto e como estamos ao lado dos pobres dos pobres. Depois, quando passar a quadra que ainda envolve o ano novo, toda ela capaz de nos sensibilizar para o bem-fazer, voltaremos a não ter qualquer ocasião de olhar para o lado. As tarefas do quotidiano, profissionais, culturais, sociais, religiosas e familiares, não nos deixam tempo livre. Mas no próximo Natal, aí si, vamos ter que agendar um espaço para dedicar aos outros. Para nos darmos aos outros, como enfaticamente costumamos sublinhar. Importa, na minha perspectiva, prolongar o Natal por todos os dias do ano, sem sinais de lugar-comum.
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Faleceu o Dr. Ribau
O sol brilhante e acariciador convidou-me esta manhã para um passeio pela nossa Av. José Estêvão. Meia dúzia de passos andados, dei de chofre com a notícia do falecimento do Dr. Maximiano Ribau, com a provecta idade de 96 anos.
Licenciado em medicina pela Universidade do Porto, em 1940, desde essa data começou a exercer clínica na sua terra Natal, Gafanha da Nazaré.
O Dr. Ribau foi médico, de inúmeras famílias e pessoas desta sua terra, durante décadas. E em épocas de parcos haveres, para muitos, sempre atendeu os pacientes, sem preocupações de receber os honorários que lhe eram devidos. Tratava-os, ao domicílio ou no consultório, e depois se via…
Foi meu médico durante muito tempo, sobretudo durante uma grave doença pulmonar que me afectou, fatal para muitos nessa altura. Recordo bem a forma persistente com que me assistia, como me levava a especialistas para não haver dúvidas sobre o tratamento a seguir, como ralhava comigo quando não tomava alguns remédios intragáveis. E ainda recordo a sua alegria (e a minha) quando me deu por curado. Mas acrescentou, então sem perigo de me provocar qualquer angústia, que escapei por milagre. Sempre lhe fiquei grato por isso.
O Dr. Ribau ainda se envolveu nos assuntos da terra, chegando a criar a Cooperativa Humanitária, fruto de um sonho seu, que nunca chegou a atingir os objectivos que se propunha, por várias razões.
O Dr. Ribau, que hoje nos deixou, perdurará na memória de muitos gafanhões como médico competente, interessado pelos seus doentes e amigo da sua terra e das suas gentes.
O seu funeral será amanhã, pelas 15.30 horas, com missa de corpo presente, na igreja matriz da Gafanha da Nazaré.
Paz à sua alma.
Fernando Martins
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110 anos da Restauração do Município de Ílhavo
Estátua Comemorativa na Via da Ria
Encontra-se em adiantada fase de execução a Estátua Comemorativa dos 110 Anos do Município de Ílhavo, obra que ficará a perpetuar esta data que a Câmara Municipal comemorou durante todo ano.
O local escolhido para a implantação desta obra foi a rotunda da Via da Ria (junto à Friopesca), por se tratar de um ponto de encontro entra as duas Cidades do Município, Ílhavo e Gafanha da Nazaré, ficando também próxima da maior Cidade da Região, Aveiro
A Estátua, da autoria do artista Ilhavense António Neves, será inaugurada no próximo dia 18 de Janeiro.
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Mensagem de Natal de D. Manuel Clemente
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TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 109
NATAL DE 2008: Figuras do meu presépio
Três dias depois, encontraram-n'O no Templo,
sentado entre os doutores, a ouvi-los
e a fazer-lhes perguntas.
Todos quantos O ouviam, estavam estupefactos
com a sua inteligência e as suas respostas.
Lc 2, 46-47
1. Inesperadamente surgiu-nos uma dificuldade: desta vez há muitas figuras novas e que teimo em colocar, carinhosa e comodamente, na nossa armação. É difícil e exige uma boa coordenação dos espaços; contudo, para alguma coisa conto com a ajuda da rapaziada...
Comecemos então por estas dos mais novos, os alunos que já partiram para o Pai. Um grupinho: da Escola da Marinha Velha só sabemos de um mas, de Vilar, são quase meia dúzia e, do Porto, apenas tive conhecimento de um... Confiadamente, podemos sentá-los em carteiras e pedir ao Menino que venha para junto deles e combinar as brincadeiras para o recreio...
2. Certamente que os meus companheiros e em especial os da Quarta Classe não me dirão que não e vamos encontrar para eles alguns lugares vagos nas carteiras. Ali fica bem o Amilcar Madaíl que connosco brincou e muito nos aturou, na Escola do ti Conde...
3. A seguir, os meus Professores: a Zulmira, o Salviano e todos os outros que me puxaram para a sua beira e me indicaram caminhos a percorrer... Que dizeis: S. José aceitará uma secretária daquelas que havia nas nossas Escolas? Mas que dúvida, até dá para sorrir... Assim eles ali ficarão, como que um júri que só distribuirá distinções!
4. Já ouço um burburinho: o Professor Ramos tem receio de ser esquecido.
Como é possível?! Não, meu amigo, o seu lugar é junto dos Professores/as da Gafanha: Maria da Luz, Filipe, Carlos, Oliveira, Ribau...
Agora tudo está calmo e podemos continuar...
5. ... e prosseguir pelos/as que aqui leccionaram, embora de cá não sendo naturais. E quem poderá não chamar para junto dos que acima estão a Sílvia e a Odete, aquela da Cambeia e esta da Chave? E quantos e quantas por aqui passaram!... Para todos e todas prepararemos um cantinho onde continuem a sentir-se bem!
Manuel
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domingo, 21 de Dezembro de 2008
Crónica de um Professor...

“Naquele tempo, a Escola era risonha e franca...” Este excerto dum poema antigo, declamado pelo pai, nos seus tempos de menina, assomava-lhe agora à memória, com toda a acutilância! Chamava-se “O Estudante alsaciano” e era um grito de patriotismo, da época em que a Alsácia foi anexada à Alemanha, na 2ª Guerra mundial. Gravara-se-lhe na memória o tom épico do poema, aliado à voz sonora e bem timbrada do pai, quando, ao serão e à lareira, evocava o seu passado escolar. Estava inscrito no seu livro da 4ª classe, numa época em que o sentimento patriótico era bem inculcado aos alunos! Hoje, que sentimento nutrem os nossos alunos pela pátria? Terão eles alguma noção do que isso é? Preocupar-se-ão a política e os políticos de hoje em preservar e defender esses valores?
Por isso mesmo, os Americanos, com apenas dois séculos de história e uma nação que é um “melting pot”, conseguem transmitir aos seus cidadãos um conceito de patriotismo tão arreigado. De pequenino se torce o pepino e a história americana assim o comprova!
Perde-se a teacher nestas lucubrações, a propósito do aspecto triste, soturno, que a sua Escola, à semelhança de tantas outras deste país, ostenta, nesta quadra natalícia.
Noutros anos, ainda no passado, era ver a Escola a engalanar-se para a vivência do Natal! Mal entrava Dezembro, começavam os preparativos para a ornamentação da mesma. Praticando uma pedagogia de reaproveitamento e reciclagem de materiais de desperdício, os professores das Artes afadigavam-se a dar, ao recinto escolar, um ar de festa e de acolhimento humano. E... louvor lhes seja feito, pois muito bem o conseguiam!
A teacher, que não pertence à área das Expressões, mas que nutre uma admiração enorme pelo esforço, empenho e sentido artístico dos colegas, rejubilava, ao movimentar-se nesse ambiente colorido, alegre e de espírito natalício!
Este ano foi uma tristeza! O litígio que abalou a classe docente e as exigências desmedidas que lhe foram feitas deixaram os professores extenuados, desiludidos e desmotivados. A tutela da educação... esquece que, para alguns alunos, desprotegidos da sorte, é ali, na Escola, que vivem o seu único Natal!
Mª Donzília Almeida
19.12.08
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TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 108
Será que ainda não estais cansados de exames?
Paciência, não posso deixar de falar do exame de adultos...
Como já vimos muitos e muitas não iam além da terceira classe. Ora, quando se chegava ao mercado de trabalho e se era confrontado/a com uma lei que exigia o diploma da quarta para continuar nesse emprego, era uma aflição e uma corrida a casa do/a Professor/a “que lhe desse o diploma”, senão estava desgraçado e não tinha com que dar de comer aos filhos! E começava uma lufa-lufa contra o tempo que o pessoal só se lembra de Santa Bárbara quando troveja...
Verdade seja que o exame, embora tivesse a mesma abrangência do do 2.º grau das crianças, era adaptado à nova realidade e amenizado pelo humanismo dos examinadores, conhecedores da “aflição” dos examinandos... Em todo o caso havia sempre os mínimos a atingir e uma dignidade a defender: os alunos, para conseguirem o tal diploma, tinham de saber ler, escrever e operar ... Logo um homem/uma mulher que tivesse uma terceira classe bem feita do seu tempo de criança, com uma ligeira refrescadela, poderia submeter-se ao tal exame e seria considerado apto.... O problema era quando a pessoa necessitada não tinha passado dos cartões ou nem sequer passara pelos bancos da Escola; com os movimentos embotados, tínhamos pela frente um caso bicudo... Mas a necessidade aguça o engenho e multiplica o interesse e a dedicação: autênticos milagres presenciávamos que iam do pesado rabiscar do nome até uma leitura fluente e uma ortografia limpa!
Claro que não fiz este exame (e curiosamente nunca me vi como parte dum desses heróicos júris...), mas familiares meus apoiei nessa travessia e, mais tarde, ajudei muitos rapazes e raparigas a ultrapassarem essa meta.
Só que nunca pensei presenciar, nos dias que vão correndo, octagenários (e até nonagenários, afirmaram!...) sentados numa mesa a aprenderem a rabiscar o seu nome; e esta aprendizagem a ser realizada numa escola secundária...! Sinais dos tempos ou... das novas oportunidades!?
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JESUS É O PRESENTE
Jesus é o Presente, por excelência. À sua luz, todos as outras prendas reforçam o valor que têm. Sem ele, ficam apenas com o lusco-fusco do alvorecer, ainda que promissor, que aguarda a chegada do pleno dia.
Jesus é o Presente que Deus nos oferece: De tal modo Deus ama o mundo que lhe entrega o Seu Filho muito amado. Oferta de Deus em que nos é proporcionado tudo o que há de melhor. Basta dispormo-nos e querermos. Basta entrar na lógica do amor gratuito e expansivo. Basta reconhecer que a reciprocidade é a resposta mais acertada de quem é amado a quem ama.
Jesus é o Presente de Deus no tempo. Agora e não apenas ontem ou amanhã. É presente de salvação das feridas da vida, de cura e revigoramento das forças debilitadas, de coragens esmorecidas, de sonhos e projectos truncados. Hoje é o dia em que pode haver natal. Depende de ti e de mim. E se houver, o mundo fica melhor! “Agora, estais mais perto da salvação” - lembra Paulo numa das suas cartas.
Jesus é o Presente de Deus no espaço. Aqui onde nos encontramos. “Ele está presente no meio de nós” – respondemos ma saudação litúrgica. Fazer natal a partir do coração, da família, da vizinhança, do ambiente de trabalho, do grupo apostólico, do partido ou movimento político. E há tantas situações onde o Natal pode acontecer: nos egoísmos sem nome, nas injustiças camufladas, nas mediocridades consentidas e alimentadas, nas aspirações a mais e melhor abafadas, nos encontros pessoais conscientemente adiados, nos sorrisos disfarçados que aguardam um rosto amigo e atraente como o de Deus feito Menino.
Jesus é o Presente que fica connosco e em nós. Para dar uma nova dimensão ao nosso pensar e agir, amar e sentir, parecer e ser. Para fazer de nós, a seu jeito e a seu gosto, presentes para toda a humanidade. Que alegria e responsabilidade!
Georgino Rocha
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sábado, 20 de Dezembro de 2008
STELLA MARIS: Almoço Solidário
mais atenta e solícita no mundo de hoje
D. António Francisco lembrou, a abrir a refeição, que “à volta da mesa nos sentimos mais família”. E foi essa a mensagem que todos aceitaram para esta quadra natalícia, prometendo cada um, decerto, no seu íntimo, levá-la à prática no dia-a-dia.
O Bispo de Aveiro, atento ao que o rodeava, olhou e viu, na decoração da sala, redes, âncora, farol, o presépio e uma imagem de Nossa Senhora, que nos revela “o rosto solidário de Deus”, nesta época “de sonhos e esperanças”, que todos acalentamos.
D. António lembrou o bem que no Stella Maris se faz e que “urge continuar a fazer”, valorizando “uma relação de comunhão entre as instituições da paróquia e da diocese”. E sobre o Natal de Cristo, manifestou o desejo de que ele faça nascer, nas pessoas, “energias e coragem para vencerem as dificuldades da vida”. Mas ainda sublinhou a necessidade de que a Igreja se torne “uma presença atenta e solícita no mundo de hoje”.
Dirigindo-se aos autarcas presentes, frisou a importância de todos criarmos “pontes de amizade, unindo os nossos esforços, para melhor servirmos as comunidades”.
Por sua vez, o presidente da Câmara de Ílhavo, Ribau Esteves, louvou o gesto de partilha, “num mundo cheio de dificuldades”, apelando ao esforço e à união de todos, “na procura de soluções novas para os problemas que vamos ter”. Adiantou que é nossa obrigação ajudar, verdadeiramente, os que mais precisam, “cuidando melhor dos mais pobres”. Mas ainda referiu a urgência de apoiarmos as instituições e o próprio Estado, criando mais empregos, “para sermos mais felizes”.
Joaquim Simões, presidente da direcção do Stella Maris, disse que este Almoço Solidário, preparado pelos dirigentes da instituição e suas famílias, com a colaboração de voluntários amigos, serviu para alimentar o “sentido familiar”, numa perspectiva de valorizar o espírito fraterno. E ao evocar o Natal de Jesus Cristo, referiu que ele é sinal visível do “encontro entre o Céu e a Terra”. Considerou, também, o esforço permanente de todas as instituições, quando promovem a partilha do pão e estimulam o lazer, a cultura e as mais diversas acções sociais junto das populações, sobretudo das mais carenciadas.
Fernando Martins
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'PROVAVELMENTE DEUS NÃO EXISTE'
É possível que já em Janeiro, nas ruas de Londres, as pessoas se deparem com cartazes no exterior dos autocarros com estes dizeres: "There's probably no God. Now stop worring and enjoy your life" (Provavelmente Deus não existe. Então, deixe de preocupar-se e desfrute a vida).Trata-se de uma campanha publicitária a favor do ateísmo, promovida pela Associação Humanista Britânica e apoiada pelo célebre biólogo darwinista R. Dawkins, professor da Universidade de Oxford, ateu militante e, segundo muitos, fundamentalista.
A campanha foi um êxito, pois rapidamente conseguiu fundos - dezenas de milhares de euros - mais que suficientes para pô-la em marcha. Segundo a jornalista Ariane Sherine, que a tinha sugerido em Junho, "fazer uma campanha em autocarros com uma mensagem tranquilizadora sobre o ateísmo seria uma boa forma de contrabalançar as mensagens de certas organizações religiosas que ameaçam os não cristãos com o inferno".
Para Dawkins, "a religião está acostumada a ter tudo grátis - benefícios fiscais, respeito imerecido e o direito a não ser ofendida, o direito a lavar o cérebro das crianças". Assim, "esta campanha de slogans alternativos nos autocarros de Londres obrigará as pessoas a pensar. Ora, pensar é uma maldição para a religião".
Logo que apareceu o anúncio da campanha, fui confrontado por um jornalista da TSF: se a achava provocatória. Respondi que até a achava interessante. De facto, era isso mesmo: obrigaria as pessoas a pensar nas questões essenciais, e Deus é uma dessas questões decisivas.
Constatei, mais tarde, que essa foi também a posição de líderes religiosos britânicos, que responderam favoravelmente à iniciativa. Aliás, qualquer um tem o direito de promover as suas ideias através de meios apropriados. A Igreja Metodista agradeceu inclusivamente a Dawkins pelo facto de encorajar um "contínuo interesse por Deus". A rev. Jenny Ellis disse: "Esta campanha será uma boa coisa, se levar as pessoas a comprometer-se com as questões mais profundas da vida." E acrescentou: "O cristianismo é para pessoas que não têm medo de pensar sobre a vida e o sentido."
É significativo aquele "provavelmente". Dawkins não sabe que Deus não existe e, por isso, escreve: "Provavelmente." A existência de Deus não é objecto de saber de ciência, à maneira das matemáticas ou das ciências verificáveis experimentalmente. Nisso, Kant viu bem: ninguém pode gloriar-se de saber que Deus existe e que haverá uma vida futura; se alguém o souber, "esse é o homem que há muito procuro, porque todo o saber é comunicável e eu poderia participar nele".
Afinal, também há razões para não crer, mas, quando se pensa na contingência do mundo, no dinamismo da esperança em conexão com a moral e na exigência de sentido último, não se pode negar que é razoável acreditar no Deus pessoal, criador e salvador, que dá sentido final a todas as coisas. Numa e noutra posição - crente e não crente -, entra sempre também algo de opcional.
Mas, nos cartazes, o mais impressionante é a segunda parte: "Deixe de preocupar-se e desfrute a vida." É claro que o que está subjacente a esta conclusão é a ideia de um Deus invejoso da vida e da alegria dos homens e das mulheres.
Se a primeira parte obriga os crentes a pensar, retirando da fé tudo o que de ridículo - pense-se em todas as superstições - lhe tem andado colado, a segunda tem de levá-los a "evangelizar" Deus. É preciso, de facto, reconhecer que houve e há muitos a quem "Deus" tolheu a vida, de tal modo que teria sido preferível nunca terem ouvido falar no seu nome - pense-se no horror do inferno, nas guerras e ódios em seu nome, no envenenamento da sexualidade, na estreiteza e humilhação a que ficaram sujeitos.
Agora que está aí o Natal, é ocasião para meditar no Deus que manifesta a sua benevolência e magnanimidade criadoras no rosto de uma criança. Jesus não veio senão revelar que Deus é amor, favorável a todos os homens e mulheres e querendo a sua realização plena. Perante um "deus" que os humilhasse e escravizasse, só haveria uma atitude digna: ser ateu.
Anselmo Borges
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sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008
NATAL: Notas do Meu Diário
13 de DezembroNo centro comercial, a multidão, fugidia, olha as montras à cata do provável, mas apenas lhe sai o impossível. No ar, as velhas e sempre novas melodias, que nos embalam e nos transportam a natais de misteriosos sonhos. As crises marcam indelevelmente o ânimo dos desempregados que olham com amargura o fim do mês que está longe com o magro subsídio, sempre recebido como esmola. Mas há os que, sem trabalho, ainda ficam mais ricos, com direito a férias nos Alpes Suíços. Um Natal de mágoas para uns; um Natal de alegrias sem peso nem medida para outros.
Os últimos acontecimentos, carregados de problemas sociais, denunciam a fragilidade de conceitos que tínhamos como certos. A inconsistência de teorias políticas e económicas obriga-nos a repensar a vida presente, numa perspectiva de um futuro com mais segurança e com mais paz. O nascimento do Menino Jesus, que o dia 25 de Dezembro nos oferece, como símbolo da fraternidade universal, pode ser o ponto de partida para opções que nos estimulem e indiquem caminhos para a necessária e urgente construção de uma sociedade mais cristã e, por isso, mais solidária.
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quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
Dia Internacional das Migrações
Dar as mãos aos que chegam e apoiar, com a nossa solidariedade, os que têm de partir, é obrigação de cada um de nós, porque, afinal, ninguém sabe, concretamente, o que o espera um dia.
Já vi chegar até junto de mim as mais diversas pessoas de rostos, culturas e sensibilidade bem diferentes das que presenciei desde a minha infância; também já vi partir conhecidos e amigos que, nem sempre pelo espírito da aventura, experimentaram na alma a obrigação de buscar noutras paragens, de usos e costumes tantas vezes estranhos, o que de essencial lhes faltava na terra natal.
Dos que saíram e nunca mais regressaram, bem como dos que, enraizados noutros ares, com famílias que entretanto foram nascendo e crescendo, por aqui aparecem, de férias, de quando em vez, quero, neste Dia Internacional das Migrações, saudar com uma palavra fraterna e solidária, na esperança de que, onde quer que se encontrem, aqui permanecem as suas raízes, que vamos regando com a nossa amizade.
Fernando Martins
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Crónica de um Professor
Estava na memória dos alunos a tradição, que aqui convém manter, de que “Prima non datur, ultima non recipitur”! Aqui o Latim tem a vivacidade e actualidade duma qualquer língua viva, apesar de qualquer indivíduo, menos informado, ter o conhecimento que é e se mantém como língua morta!
Para fugir à imposição das obrigações escolares, qualquer aluno guarda bem, na sua memória, estas tradições! A 1.ª não se dá, sendo da responsabilidade do professor esse encargo; da última encarregam-se os alunos, que estão sempre prontos para a gazeta. Ou... não fossem eles alunos! Todos já por lá passaram, não constituindo a teacher uma excepção!
Vai daí, há que fazer recurso de todo o seu know how, de toda a sua experiência, de toda a sua versatilidade de pedagoga.
Assim fez! Foi aos arquivos da sua memória e anteviu a possibilidade de atingir algum objectivo pedagógico! Os professores são uns interesseiros, claro que são! Estão sempre a tentar levar a água ao seu moinho! E... às vezes, este está tão distante!
Pois bem, a teacher almejou, nas suas actividades de última aula, conseguir, ‘inda assim, construir/reforçar/instaurar a autodisciplina, nos alunos. Deste modo, preparou-os para o que se ia seguir, mas… havia uma condição! Tinham que fazer silêncio total!
Se alguém, que esteja fora da esfera docente, nunca o experimentou, eu lanço daqui um desafio: que venha a uma Escola, assistir a uma aula de gente miúda e verifique quantos segundos uma turma de 20 alunos consegue estar sem qualquer ruído! Que proeza a teacher lhes estava a pedir! Ficarem em silêncio! Crianças de 10 anos, com toda a vitalidade e pujança de “coisinhas” que mexem? Brinquedos de corda a que não falta energia? Que têm o bicho-carpinteiro, mesmo que o material didáctico seja essencialmente de papel e plástico! Uf! É uma tarefa de titãs!
Ora, foi neste contexto de gente hiperactiva, que a teacher pediu silêncio, para dramatizar um pequeno sketch. Foi criando a expectativa acerca do que ia contar, inspirando, até, um sentimento de ansiedade e algum temor, nos alunos mais sensíveis!!!
A teacher sabia o que fazia! P’ra que somara anos de experiência a lidar com o que há de mais belo, complicado, problemático, à face deste Planeta Azul, que é o ser humano! A teacher gostava de desafios e estava a enfrentar um, naquele momento. Queria ver até onde ia a capacidade de se autocontrolarem, aquelas cabecinhas irrequietas, irreverentes!
Pediu silêncio… e para criar o cenário/ambiente adequado ao teor do “drama”, sugeriu até que se fechassem as persianas! Todos colaboraram a criar o escuro e daí... até se criarem as condições exigidas para a declamação da actriz… foi um dia de juízo! Havia sempre alguém que, a propósito disto ou daquilo, emitia algum som, o que deitava por terra todo o esforço até aí conseguido! Queria treinar os seus alunos a saberem intervir, apenas quando solicitados, ou quando se justificasse, em absoluto, a sua interpelação.
Estavam finalmente criadas as condições para a actuação! A teacher recortara, até, em papel branco, uma knife, como material necessário para a dramatização. Quando tudo já estava a postos para ‘levantar o pano’, com a sala toda às escuras, vem sorrateiramente a Bia, aquela menina que oferecera o Brad Pitt (!?) à professora, murmurar, assustada, ao seu ouvido:
- Eu tenho medo do escuro! Aí, chegando ao de leve a sua cara à pele de pêssego da menina, tranquiliza a teacher:
- É só uma brincadeira, Bia!
Afinal, o dramático, o terrível, o fantasmagórico daquela cena, resumia-se a “Uma velha, com um enorme facalhão, que, à meia-noite, em que faltara a electricidade!?, punha manteiga... no pão!”.
Mª Donzília Almeida
18.12.08
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Mensagem de Natal do Bispo de Aveiro
1.O nascimento de Jesus foi precedido por um longo tempo de ansiada expectativa. Esse tempo terá para sempre as marcas dolorosas da saudade do paraíso recusado e do diálogo entre Deus e o homem, interrompido por impensadas desculpas e por imponderadas acusações. Na esperança do Natal, o povo de Israel fez uma libertadora travessia através de desertos desconcertantes, cheios de surpresas e mistérios. Porém, este povo nunca perdera da linha do seu horizonte, uma longínqua e ténue esperança e o encanto da promessa inicial de Deus: “Um Salvador vos será dado”. Neste difícil caminho não faltaram ao povo herdeiro da promessa a autoridade dos patriarcas, a sabedoria dos governantes e a voz dos profetas. A uns e outros se deve o segredo da fidelidade reencontrada mesmo em horas de desânimo ou em momentos de revolta e de medo. A confiança no Senhor torna-se sentimento forte e ideia determinante para incentivar o povo a manter viva a promessa e firme a esperança. Essa mesma confiança será renovada no belo hino de Maria, a Mãe de Jesus, que exulta de alegria pelas maravilhas que Deus realiza ao exaltar os humildes e ao dar valor e atenção aos simples. É por entre hinos de alegria e cânticos de esperança que o Natal é anunciado ao mundo e que os homens adormecidos e recostados ao silêncio tranquilo da noite são convidados a despertar. O mistério da Encarnação de Deus tornou-se centro da história da humanidade e razão da nossa fé. Paulo, apóstolo de Jesus, estabelecerá mais tarde a partir daqui uma das mais belas sínteses da nossa identificação com Jesus Cristo: “ Nele vivemos, nos movemos e existimos”.
2. Somos chamados a viver este Natal em tempo de crise económica e financeira, de empresas a fechar, de desemprego a aumentar, de posições extremadas entre pessoas e grupos, de diálogos rompidos, de pobres a quem tudo falta, de gente sem pão, sem casa e sem trabalho. A maior pobreza é, porém, a falta de esperança já visível em tantos rostos tímidos e envergonhados. O Natal deve educar-nos para a sobriedade, para a procura do essencial, para o encontro com Deus, para a experiência solidária e para a partilha fraterna com estes nossos irmãos, independentemente da sua origem, cultura, etnia, ou credo. Todos têm direito igual ao Natal. Todos têm a mesma necessidade do Natal. Do seu mistério original e dos seus valores culturais. Todos precisamos do Natal. Que este Natal a ninguém esqueça, a ninguém ignore, a ninguém exclua da mesa da família humana, da casa da fraternidade cristã e do coração santo de Deus!
3.Propõe-se a Diocese de Aveiro como plano pastoral para os próximos cinco anos ser Igreja renovada na caridade e esperança no mundo. É um ambicioso programa de vida e de acção pastoral que só tem sentido se o procurarmos realizar a partir da convicção profunda e da fé inabalável de que Deus veio habitar no meio de nós. Que o Natal, vivido e celebrado neste tempo novo, seja um cântico de esperança a relançar novo ardor, novos métodos e os novos horizontes de evangelização!
Façamos deste Natal um tempo habitado pela esperança. “O cristianismo só cumpre verdadeiramente a sua missão se contagiar de esperança a humanidade” (J. Moltmann). Com estes sentimentos tão próprios deste tempo, a todos saúdo na alegria e na paz, desejando a todos os diocesanos um santo Natal e um abençoado Ano de 2009.
António Francisco dos Santos,
Bispo de Aveiro
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Jantar de Natal da Obra da Providência
O tradicional jantar de Natal da Obra da Providência foi este ano um pouco diferente do que é habitual. A crise económica actual e o exemplo de uma certa parcimónia ditaram as suas leis. Juntando a isso o desejo da direcção de convidar não só os dirigentes, antigos dirigentes e funcionárias, mas também as suas famílias, levou a esta bonita opção. A refeição foi preparada, em grande parte, por todos. E à roda da mesa, então, todos se sentaram e conviveram, como se no melhor restaurante estivessem. Exemplo a aproveitar. Maria da Luz Rocha, uma das fundadoras, marcou presença no jantar, com todo o seu carinho pela instituição de que foi directora durante décadas. Uma outra fundadora, Rosa Bela Vieira, por razões de saúde, não pôde comparecer, mas o seu espírito esteve com toda a gente.
Logo a abrir, e depois das palavras de boas-vindas do presidente Eduardo Arvins, o Prior da Gafanha da Nazaré, Padre Francisco Melo, lembrou o nascimento da Obra da Providência, desejando que a chama da atenção aos outros se mantenha. A Obra da Providência, nasceu – referiu – como gesto de caridade. As fundadoras agiram enquanto vicentinas, pondo em prática o mandamento do amor.
As instituições ligadas à Igreja Católica não podem descurar essa faceta, sob pena de menosprezarem e de traírem a sua matriz cristã. Urge, pois, viver a solidariedade na caridade, sublinhou o Padre Francisco Melo. Aliás, ainda adiantou que as instituições de solidariedade social de cariz cristão devem em tudo mostrar a sua diferença, para melhor, no respeito pelo cumprimento das leis, na seriedade do seu agir, na atenção aos que mais precisam.
Outro momento significativo foi a entrega à direcção da Obra da Providência de um conjunto de dossiês, constituído por inúmeros documentos e fotos, que são o retrato histórico da vida da instituição, com mais de meio século de trabalho com os que precisam. Foi organizado pelas irmãs Ascensão Ramos e Margarida Lagarto, filhas de uma fundadora, Maria da Luz Rocha.
Durante o jantar, um dirigente da instituição, Eduardo Almeida, especialista em artes mágicas, brindou os convivas com alguns números do seu reportório. A vida, de facto, sem a alegria de alguma magia, não faz sentido.
FM
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quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
PELA POSITIVA com 200 mil entradas
Para um blogue generalista, que aposta nos valores que enformam a nossa civilização, sempre olhando os lados bons da vida, rejeitando o escândalo, a especulação política, o pornográfico e o futebol, temas que só por si atraem muita gente, penso que é muito bom. Bom e estimulante para continuar, ao sabor da maré e com a generosa colaboração de alguns amigos, que semana a semana aqui dão o seu contributo.
Para os colaboradores, para os amigos que me incitam a prosseguir e para quantos diariamente me visitam, aqui ficam os meus sinceros agradecimentos. E aqui fica também a promessa de que continuarei, com o ânimo que senti desde a primeira hora.
Fernando Martins
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TIME elege Barack Obama como Personalidade do Ano
Como era de esperar, a revista norte-americana Time escolheu o Presidente eleito norte-americano, Barack Obama, como Personalidade do Ano 2008. Obama, que há dois anos nem sequer era conhecido da maioria dos americanos, surge agora como o homem capaz de imprimir uma liderança forte no seu próprio país, com reflexos garantidos em todo o mundo. A vitória de Obama foi uma "pedrada no charco", surgindo como marco histórico no campo de uma nova ordem social, que promova o respeito pelos direitos humanos.
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Festa de Natal do Etnográfico da Gafanha da Nazaré
Federação do FolclorePortuguês homenageia
Grupo Etnográfico
Realizou-se no dia 13 de Dezembro, num restaurante da nossa cidade, o tradicional jantar de Natal do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré. Presentes, para além de membros do Grupo e seus dirigentes, o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Ribau Esteves, o presidente da Junta de Freguesia, Manuel Serra, o presidente da Federação do Folclore Português, Fernando Ferreira, e o nosso prior, Padre Francisco Melo.
O jantar de Natal do Etnográfico é sempre uma boa oportunidade para se fazer o balanço do ano prestes a terminar, tarefa de que se encarrega o presidente desta associação, Alfredo Ferreira da Silva.
Foi significativa, no entanto, a lembrança com que a Federação do Folclore Português, através do seu presidente, obsequiou o Grupo Etnográfico, pela celebração, em 2008, dos 25 anos da sua existência.
Na circunstância, o fundador do Grupo Etnográfico recordou os três festivais organizados no âmbito da freguesia, bem como a procissão pela ria de Aveiro, em honra de Nossa Senhora dos Navegantes. Mas não deixou de sublinhar as deslocações levadas a cabo, como embaixador das nossas tradições etnográficas.
Dirigindo-se ao presidente da Câmara, Ferreira da Silva recordou as promessas relacionadas com a Casa da Música, porque as condições em que se trabalha “são muito más”, disse. Ainda frisou a necessidade de se avançar com a construção da segunda fase da Casa Gafanhoa, que contempla uma recepção, uma sala de exposições e uma loja de artigos regionais, obras estas que não ferem o antigo edifício que mantém viva a memória de uma habitação de lavrador rico, dos princípios do século XX.
Como resposta de Ribau Esteves, todos ouviram que, para já, nada está esquecido, embora as prioridades sejam canalizadas para o Centro Cultural da Gafanha da Nazaré, espaço também a carecer de uma intervenção que o torne mais funcional.
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NATAL: Notas do Meu Diário
Ao olhar a Árvore de Natal que envolve o Menino, recordo um poema, de autor anónimo, publicado na revista XIS, em 2003, de que era directora Laurinda Alves. Penso que nos oferece um conjunto de propostas para vivermos a quadra natalícia, imbuída de nobres sentimentos de fraternidade. Diz assim:
Neste NATALNeste Natal quero armar uma árvore
dentro do meu coração.
E nela pendurar, em vez de presentes,
Os nomes de todos os meus amigos.
Os amigos antigos e os mais recentes.
Os amigos de longe e os amigos de perto.
Os que vejo em cada dia
e os que raramente encontro.
Os sempre lembrados
e os que às vezes ficam esquecidos.
Os das horas difíceis e os das horas alegres.
Os que sem querer eu magoei
ou sem querer me magoaram.
Os meus amigos humildes
e os meus amigos importantes.
Os nomes de todos os que já passaram pela minha vida.
Muito especialmente aqueles que já partiram
e de quem me lembro com tanta saudade.
Que o Natal permaneça vivo em cada dia do ano novo.
E que a nossa amizade seja sempre uma fonte de luz e paz
em todas as lutas da vida.
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ADOPÇÃO, FAMÍLIA E INSTITUIÇÕES
Ouvi, de fio a pavio, um debate longo sobre a adopção de crianças. Um mundo de técnicos a expender saber, um molho de leis e de determinações recordadas, uma ladainha de casos por resolver ou mal resolvidos, casais estrangeiros como solução para casos de vários irmãos, uma consideração irrealista da família real e um despeito claro pelas instituições, sem qualquer distinção entre as estatais de há muito desagregadas e as que têm experiência de décadas com métodos humanos e sábios e resultados à vista.
Ouvi, fui confrontando com as experiências de que disponho, alarguei o horizonte da reflexão, li e reflecti o tema a partir da vida, que não de modelos importados; lembrei os casos dos meios de comunicação social, entrei em lares e ouvi casais que adoptaram e onde a vida tem sentido, acolhi expressões de alegria e gratidão, enxuguei algumas lágrimas incontidas de dor...
Há anos, depois de ouvir a um membro do governo um lindo discurso sobre a adopção, perguntei-lhe, à queima-roupa, se adoptava um africano ou um deficiente. Considerou a pergunta uma provocação, e não gostou. “Mas saiba que há quem os adopte”, retorqui.
A família, se não a destruírem mais, será sempre o espaço normal, quente e acolhedor, para nascer e crescer. Será também a referência necessária para outras formas que a substituam, quando ela não existe ou perdeu condições para realizar as tarefas que lhe são próprias. O Padre Américo sempre procurou que a Obra da Rua e nas suas casas, se seguissem as regras do viver e dos sentimentos da família.
Assim ele foi tratado, não porque o mandasse ou exigisse, como o “Pai” dos gaiatos que encontrava abandonados e acolhia ou lhe levavam a casa, sabendo que aí havia amor, pão e carinho.
Outras instituições, com o mesmo saber e viver, geraram “mães”, para aqueles que nunca a conheceram e aí chegavam bebés e se tornaram homens e mulheres de bem, capazes de enfrentar a vida. Só o orgulho, o poder prepotente, a ignorância ou o despeito as desconsideram e menosprezam. As instituições sofrem as dificuldades das famílias com êxitos e fracassos como todas elas, mas persistem no amor, sempre capaz de inovar e de aperfeiçoar. Ouçam-se os que aí vivem e crescem para a vida e comparem-se com os das instituições do Estado, onde abundam técnicos, com horários que se contam ao minuto, gente que só suja as mãos com papéis, nunca com as crianças e os adolescentes. Revolta ver jovens licenciadas, com poder mas sem vida que as recomende, falar de cima para baixo, para julgar padres, leigos e gente consagrada que vivem décadas em entrega e doação total a crianças sem família ou como se não tivessem.
Quem teve na sua mãe, ainda que simples e iletrada, a psicóloga mais atenta que corrigia e logo beijava, saberá que não há educação sem amor e afectos, sem paciência e dedicação, sem respeito e entrega, sem gratuidade e perdão, sem regras e atenção diária. Quem teve a graça de uma família, ainda que humilde e discreta, e nela o espaço de aprendizagem de valores morais, relação mútua, prática da verdade, amor ao trabalho, solidariedade com os mais pobres, sobriedade aprendendo a viver com o que se tem, saberá sempre que a família é a melhor escola para a vida e que desconsiderar a família é retirar às pessoas o sentido da vida e à sociedade a sua consistência natural.
Legislar e ver na adopção o remédio, que o é para muitos casos, mas ao mesmo tempo desprezar a família ou torná-la inviável, bem com às instituições que seguem os seus valores, é coisa de néscios e inconscientes. Escutem quem trabalha a sério e as leis serão a favor das pessoas, não dos sistemas. Então, olhar-se-á mais para os educadores capazes de amar, servir e sofrer, que para os degraus da escada onde os meninos podem tropeçar…De onde vieram estes “inteligentes” legisladores e técnicos? Será que na casa dos pais não havia degraus, não havia irmãos a dormir no mesmo quarto?
Para educar e ser educado não chegam diplomas e títulos. Não se dispensa é amor.
António Marcelino
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terça-feira, 16 de Dezembro de 2008
CIRA – Baixo Vouga apresenta-se
Um vídeo sobre a Ria de Aveiro, a divulgação das grandes opções do Plano para 2009 e os principais projectos a implementar, entre outras iniciativas, fazem parte da apresentação da CIRA.
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Cardeal-Patriarca apela à doação de órgãos
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Festas de Natal
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Extensão de Saúde da Barra sem solução à vista
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Aqui estamos, somos os teus ossos e a tua carne!
O grande dilema da pessoa humana, que atravessa culturas e tempos, independentemente das mundividências ou mesmo da sua falta, será sempre o de confrontar a vida, individual e colectiva, com um sentido. Nessa busca, mesmo antes de avultar na consumação do diálogo, a sensibilidade dos artistas constituirá sempre poderoso guia estelar, mesmo se o deflagrar de tantos desesperos obnubilem, demasiadas vezes, a força regeneradora da esperança. É disto que se trata, sentido e esperança, quando falamos de Natal. E foi este Natal que permitiu aos artistas traduzir em matéria não apenas o hino, como a razão do louvor.
Recorro ao Elogio fúnebre de Santa Paula, escrito por São Jerónimo, para deixar a formulação de um voto, fixando-me na descrição da visita de Paula à Basílica de Belém: «Ela jurou-me que via, com os olhos da fé, o Menino envolto em panos chorando no seu presépio; os Magos adorando a Deus; a estrela brilhando por cima; a Virgem Mãe, José solícito; os pastores vindo de noite para testemunharem o sucedido». Via... com os olhos da fé. Que o Natal de Jesus também se mostre, pelos olhos da nossa fé, às mulheres e aos homens que nos molduram a existência. Para que possamos dizer, como o escreveu Santo António de Lisboa, e a uma voz, ao Jesus do Presépio e ao Cristo da Cruz: ‘Aqui estamos, somos os teus ossos e a tua carne!’
João Soalheiro
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segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008
FESTA DE NATAL: Circo para crianças do concelho de Ílhavo
O circo é da responsabilidade da Companhia Cardinali, não faltando os tigres, o homem canhão, malabaristas, equilibrismo, trapezistas e muito mais, para além dos insubstituíveis palhaços.
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Mais um livro de Senos da Fonseca
Embora Senos da Fonseca sublinhe que “MARÉS não poderá ser um trabalho perfeito”, por causa da “pressa”, a verdade é que me deu gosto lê-lo, pelas memórias que me suscita. Com este livro, o autor continua a enriquecer a historiografia ilhavense, na medida em que traz à tona d’água temas que podem cair no esquecimento. Se é que, para os mais novos, não são pura e simplesmente questões completamente desconhecidas. Refiro-me, por exemplo, à demolição da Capela das Almas, à dança dos nomes na Praça da República, à Estrada Ílhavo-Mota, aos 110 anos de Independência do Concelho de Ílhavo, à Capela de Nossa Senhora de Penha de França, com o Bispo D. Manuel de Moura Manuel, à Arraisa Calôa e a tantos outros assuntos que abordou, com muita sensibilidade, no seu blog TERRA DA LÂMPADA, com nacos de poesia em muitos dos seus escritos. Aqui recordo, ainda a título de exemplo, a visita que fez ao S. Paio da Torreira.
Senos da Fonseca, a que já me referi no meu blogue, a propósito dos seus livros, “ÍLHAVO - Ensaio Monográfico” e “O Labareda”, é hoje uma referência para quem aprecia conhecer melhor o passado e o presente de Ílhavo.
Fernando Martins
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Crise só para alguns
Reformas milionárias já são mais de 4 milO número de beneficiários da Caixa Geral de Aposentações (CGA) com reformas mensais acima de quatro mil euros mantém um ritmo de crescimento imparável: em 2008 reformaram-se 284 funcionários do Estado com pensões douradas e em Janeiro de 2009 já há mais 28 aposentações milionárias. Ao todo, desde 1997 a CGA já atribuiu pensões de luxo a 4054 pessoas. Só este ano houve um aumento de 7,5 por cento face ao ano passado no universo desses beneficiários, diz o Correio da manhã. Há crise? Há, mas só para alguns.
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Stella Maris organiza almoço solidário
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Museu de Aveiro vai reabrir
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Efeméride aveirense: Posse do primeiro reitor da UA
:
15 de Dezembro de 1973
Neste dia, em 1973, o ministro da Educação Nacional, Prof. Doutor José da Veiga Simão, conferiu a posse ao primeiro reitor da Universidade de Aveiro, Prof. Doutor Vítor Gil, em sessão soleníssima realizada no salão de conferências do Museu de Aveiro, junto ao túmulo da Princesa Santa Joana.
In Calendário Histórico de Aveiro
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As Mulheres das Secas
Mulheres das secas, com uns bacalhaus a sério. Daqueles que caíam bem na mesa de Natal de qualquer um
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domingo, 14 de Dezembro de 2008
Santa Maria Manuela
Ilustração do convite para a visitaO armador começou por mostrar uma maqueta do navio segundo o seu plano original, informando que já está em elaboração outra de igual dimensão mas respeitando a actual configuração do navio.
Seguiu-se uma exaustiva descrição das profundas alterações internas do navio, sistema propulsor e aparelho vélico, bem como da integração das novas tecnologias nos sistemas de comunicação e lazer.
Foi ainda explicada a futura funcionalidade desta unidade e a sua interacção com organismos de ciência, turismo de aventura, intercâmbio cultural, seminários, congressos e até banquetes. Um factor que despertou muita curiosidade foi a notícia da possibilidade do navio passar pelos antigos pesqueiros dedicando algum tempo à pesca de bacalhau, apenas como motivo de lazer e recriação do seu passado.
Ainda este mês o navio seguirá a reboque para Marín, Espanha, onde sofrerá os acabamentos internos e externos. Espera-se estar pronto em Outubro.
João Marçal
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Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz - 1 de Janeiro
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TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 107
Bem, entramos num assunto muito difícil para as actuais gerações; fazem lá ideia que para continuar na escola para além da quarta classe ou quarto ano era preciso outro exame, não era suficiente o que se tinha feito em Ílhavo! É lá possível?, perguntarão surpresos e com espanto. Mas era assim e muitos de nós, à cautela, fazíamos dois: um ao liceu e outro à escola industrial e comercial. Pois é!..., podia acontecer chumbar num e ficava a possibilidade de continuar os estudos no outro... Quer isto dizer que havia um grupo muito razoável que fazia três exames sobre as mesmas matérias, de princípios de Julho a meados de Agosto!
A preparação para este exame, ou exames, era feita pelo Professor da 4.ª classe a pedido dos pais, mediante uma quase simbólica retribuição, e algumas vezes era o próprio Professor que «pedia» aos pais para deixarem que o filho continuasse a estudar, 'que era uma pena, o rapaz ou a rapariga, era bom aluno e esperto... seria bom que fizesse a admissão...', 'mas a vida está difícil; onde vamos arranjar...?', 'não se preocupem com nada, e eu ajudo em tudo o que puder'... E assim foi comigo e com tantos outros que ficámos a dever aos nossos Mestres mais este grande favor de motivarem os nossos Pais e de os convencerem numa época de fome a apertar ainda mais o cinto para que o filho fosse estudar! Bem hajam!
Só depois da Páscoa é que começava a preparação a sério... e prosseguia depois do exame da 4.ª, continuando os alunos juntos na Escola da Ti Zefa.
As provas tinham um grau de dificuldade mais exigente e o critério de classificação também mais apertado, pelo que a reprovação era encarada com alguma naturalidade e batia a muito boas portas.
Na escrita lá estava o famigerado ditado, mas o número de erros permitido era muito menor e a redacção que se fazia na segunda página era como um discurso com um número mínimo de palavras; a aritmética e a geometria também puxavam bem mais pelos conhecimentos e pelas capacidades dos alunos; ainda o desenho não era a brincar...
Curiosamente é desta última prova que me recordo com um sorriso de complacência: o meu Professor Salviano até arranjou um espião que foi espreitar qual o modelo e logo ali o esboçou e exemplificou para mim, que visse como era fácil... Não consigo explicar, mas o lado direito do jarro que estava empoleirado até ficou jeitoso com as curvas todas direitas, agora o lado esquerdo... eu inclinava-me para ver se ficava igual ou parecido com a outra metade, mas qual quê, fazia apagava fazia apagava... cansado e qual artista cubista, puxo do lápis e zás! Um traço a direito como que a dizer a quem corrigisse a prova que pelo espelho que era esse traço visse a outra metade!
Mas escapei e fui à oral, onde apareceram três senhores doutores que depois conheci muito bem: Rocha, Patrício e Orlando. O do meio, também em Geografia e História, ouviu, ouviu e no fim sai-se: “p'rò ano temos que falar para esclarecer umas coisas!” (sempre a duvidarem do que tinha aprendido no tal quarto!...) Esta oral foi no Liceu Velho, no Zé 'Stêvão, na Praça, numa sala esquisita, com escadas; vim a saber no ano seguinte que era o Anfiteatro! Lá estava o quadro preto onde foi proposto e resolvido um problema com seis operações!
Creio que fica bem aqui um aparte: houve no Liceu um professor famoso em Matemática, o Doutor Carneiro; na Escola Industrial não lhe ficava atrás o Doutor Damas. Para verem a capacidade dos alunos pespegavam-lhe com a tabuada dos 11 (depois ensinavam-lhes o truque!...) e com problemas fáceis mas... “Vais daqui até à Barra e dás, por hipótese, 1001 passos. Quantos passos dás numa viagem de ida e volta?” “2002!...” “Errado!” “Errado? Então 1001+1001...” “Pois é, mas esqueceste-te que tens de atravessar a rua!...”
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sábado, 13 de Dezembro de 2008
Gafanha da Nazaré e Costa Nova com Unidade de Saúde Familiar
A Gafanha da Nazaré e a Costa Nova vão passar a ter em funcionamento, a partir de segunda-feira, uma Unidade de Saúde Familiar (USF), para servir dez mil utentes. Foi baptizada com o nome “Beira-Ria” e não vai funcionar em edifício próprio, como seria de esperar, mas nas já existentes Extensões de Saúde.Segundo Humberto Rocha, coordenador da Sub-Região de Saúde de Aveiro, este novo serviço conta com uma equipa de seis médicos, sete enfermeiros e cinco administrativos, trabalhando todos os dias úteis, das 8 às 20 horas, para consultas normais e ambulatório.
Aquele responsável garante que serão atendidos “casos agudos, sendo que as situações de gravidade extrema continuarão a ser enviadas para o Hospital de Aveiro”. E acrescenta que esta USF pretende contribuir para que “todos os utentes sejam vistos no dia em que forem à consulta”.
Este novo serviço obrigou a algumas adaptações, ao nível de uma redistribuição de espaços no Centro de Saúde da Gafanha da Nazaré, em ordem a uma melhor funcionalidade, com a criação, nomeadamente, de duas novas secretarias e gabinetes. No Posto da Costa Nova também houve algumas alterações, informou Humberto Rocha à comunicação social.
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Ano Novo
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DEUS ESTÁ CONNOSCO
O Natal está à porta. Este é sempre um tempo em que a luz, a alegria e a proximidade estão mais presentes no nosso dia-a-dia.O Natal é isto mesmo: LUZ. A luz de Cristo, com a sua proposta, o seu jeito de viver que pode dar um sentido seguro à vida e capaz de iluminar os tantos sem-sentido da nossa existência.
O Natal é ALEGRIA. A de Maria, de João Baptista e de tantos homens que sentem em Cristo a presença e a realização de uma esperança que não engana. No meio das contrariedades, dores e sofrimentos da vida, aí está esta alegria da presença de Cristo que se torna a estrela da esperança.
O Natal é PROXIMIDADE. Isto é, Emanuel, que quer dizer Deus connosco. Em Cristo podemos sentir o carinho, proximidade de Deus. Em Cristo experimentamos a paixão de Deus por cada um de nós e pela humanidade inteira. Jesus Cristo é o presente de Deus à humanidade.
Celebrar o Natal é construir no coração de cada um o presépio vivo que fará Cristo nascer na vida de cada um de nós.
Desejo a todos um feliz e Santo Natal. Que o ano de 2009 seja repleto das graças de Deus.
Francisco Melo,
Prior da Gafanha da Nazaré
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Efeméride: Falecimento de Egas Moniz
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O FÓRUM CATÓLICO-MUÇULMANO
Lembro, pois, pela sua importância, o encontro inédito e histórico entre 29 muçulmanos, representando várias correntes do islão, e igual número de católicos, que teve lugar no Vaticano entre 4 e 6 de Novembro passado.
Quem não se lembra do célebre discurso de Bento XVI em Ratisbona, em Setembro de 2006, e da indignação por ele causada no mundo islâmico por alegadamente associar islão e violência? Foi assim que, em Outubro de 2007, um ano depois, 138 académicos, clérigos e intelectuais islâmicos do mundo inteiro, numa Carta a Bento XVI, com o título Uma Palavra Comum entre Nós e Vós, declararam que, apesar das suas diferenças, o islão e o cristianismo - as duas maiores religiões: juntas, representam mais de 55% da população mundial -, partilham a mesma Origem Divina, a mesma herança abraâmica e os mesmos mandamentos essenciais: o amor a Deus e o amor ao próximo. Também afirmavam que, se não houver paz entre os cristãos e os muçulmanos, não haverá paz no mundo.
A esta mensagem respondeu o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal T. Bertone, em Novembro de 2007: "Sem ignorar nem diminuir as nossas diferenças, podemos e portanto deveremos olhar para o que nos une."
Os contactos entre as autoridades católicas e muçulmanas conduziram, em Março deste ano, à instituição do Fórum Católico-Muçulmano e à organização do referido encontro no Vaticano.
No fim do Seminário, houve uma Declaração comum, em 15 pontos.
Logo no primeiro, mostra-se como a concepção de um Deus, fonte de amor, é partilhada pelas duas religiões.
Afirma-se depois que "a vida humana é o dom mais precioso de Deus a cada pessoa. Portanto, deveria ser conservado e honrado em todas as suas etapas".
A pessoa requer "o respeito pela sua dignidade original e a sua vocação humana". Defende-se, por isso, uma legislação civil que assegure "a igualdade de direitos e a plena cidadania" de todos, e há o compromisso conjunto de "assegurar que a dignidade humana e o respeito se estendam a uma igualdade de base entre homens e mulheres".
O respeito da pessoa e suas opções em assuntos de consciência e religião "inclui o direito de indivíduos e comunidades praticarem a sua religião em privado e em público". Também "as minorias religiosas têm direito a ser respeitadas nas suas convicções e práticas religiosas".
"Nenhuma religião nem os seus seguidores deveriam ser excluídos da sociedade." A criação de Deus na sua pluralidade de culturas, civilizações, línguas e povos é "uma fonte de riqueza e portanto não deveria nunca converter-se em causa de tensão e conflito".
É necessário promover uma informação exacta sobre as religiões e proporcionar uma "sã educação em valores humanos, cívicos, religiosos e morais aos seus respectivos membros".
Católicos e muçulmanos estão chamados a ser "instrumentos de amor e harmonia entre crentes e para a humanidade em geral, renunciando a qualquer tipo de opressão, violência agressiva e terrorismo, sobretudo quando se cometem em nome da religião".
Sem justiça para todos, não haverá paz. Por isso, a Declaração apela aos crentes para que trabalhem em ordem a criar "um sistema financeiro ético no qual os mecanismos reguladores tenham em conta a situação dos pobres e deserdados, tanto indivíduos como nações endividadas".
No termo do Seminário, Bento XVI recebeu os participantes, apelando veementemente a que as religiões se tornem artífices da paz e a liberdade religiosa seja respeitada "por todos e em todos os lados". Certamente, pensava também nas minorias cristãs perseguidas em países de maioria muçulmana.
A Declaração conclui com o compromisso de realização de um segundo Seminário do Fórum dentro de dois anos "num país de maioria muçulmana". Oxalá!
Anselmo Borges
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sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
Borboletas vão fugir para o Norte?
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CONSERVADORES
Claro que isto são, por norma, desabafos de ocasião. Na hora de votar, nós, os portugueses, somos reconhecidamente conservadores. Os partidos dos Governos chamam-se PS e PSD. Os outros vivem a sonhar que talvez um dia o povo resolva fazer a experiência, numa atitude drástica, de mudança radical. Tenho dúvidas de que isso alguma vez possa acontecer. Isto porque somos, de facto, conservadores.
Outro sinal de conservadorismo está na manutenção de regalias ou privilégios, que ninguém quer perder. Há professores que talvez não estejam de acordo com as avaliações, porque é melhor atingir o topo da carreira por antiguidade, há militares que lutam pela manutenção de um estatuto especial, há médicos que contestam qualquer alteração ao statu quo, enfim, a comunicação social está cheia de profissionais que clamam, constantemente, a urgência de se fazerem reformas no País, porque precisamos de deixar a cauda da Europa, desde que não se mexa nos seus interesses, por mais inadequados que estejam numa sociedade democrática, que se quer justa e solidária.
Fernando Martins
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COMO SANTO ANTÓNIO FOI VISTO COM O MENINO JESUS
Quando certa vez Santo António entrou numa cidade em serviço de pregação, o senhor fidalgo que lhe deu poisada, assinou-lhe aposentos retirados, a fim de não o perturbarem no estudo e oração.Ora, estava o Santo recolhido e só em seus aposentos, estando o senhor fidalgo, discorrendo pela casa a tratar da sua vida, adregou passar perto, e levado por devota curiosidade espreitou para dentro, a escondidas, por uma fresta que abria mesmo no lugar onde o Santo descansava. E o que haviam de ver seus olhos! Um Menino mui formoso e alegre nos braços de Santo António, e o Santo a contemplar-lhe o rosto, a apertá-lo ao peito e a cobri-lo de beijos.
Ficou maravilhado o fidalgo com a formosura do Menino, e todo se espantava não atinando como explicar donde teria vindo para ali criança tão graciosa e bela.
E o Menino que outro não era senão o Senhor Jesus, revelou a Santo António que seu hospedeiro o estava espreitando.
Pelo que Santo António depois de findar a longa oração, chamando o senhor fidalgo humildemente lhe pediu e instou que, enquanto ele vivo fosse, a ninguém descobrisse a visão que espreitara.
E só depois da morte do Santo, o senhor fidalgo com lágrimas santas contou o milagre que seus olhos indiscretos haviam contemplado.
Em louvor de Cristo. Ámen.
Florilégio Antoniano
Neste Natal de 2008
gostaria de me colocar
na posição do hospedeiro
a espreitar
o presépio do mundo...
e ver os meus Amigos/as
a brincar com o Menino.
Manuel Olívio
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Festas Felizes
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quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008
GRITOS DE DOR E OPINIÕES MAIS OU MENOS ENFEUDADAS
Vou acolhendo quer os gritos de dor, que são os dos eternos atingidos por todas as crises e acontecimentos sociais mais preocupantes para as pessoas individuais, as famílias, os trabalhadores e as pequenos empresários, quer as opiniões coloridas dos simpatizantes e dos partidários, políticos e sindicais, que tanto atacam e desprezam, como louvam e defendem. Há ainda a opinião dos cidadãos sabedores e sensatos…
Não há lugar para responder a opiniões contrárias, nem para polémicas. Todas as opiniões valem como expressões livres e desabafos incontidos. O moderador mantém-se sereno, deixa que cada um se exprima com igual direito, apenas controla o tempo.
É verdade que, também ali, as razões se sobrepõem às opiniões, porque exprimem vida e não teorias. Por outro lado e para além do programa, fica, normalmente por cima, o poder de quem manda e decide e raramente tem tempo para ouvir a voz do povo e lhe pesar as razões. Por baixo, e além do programa, permanece o sofrimento de quem mergulha no duro da vida, na insegurança do presente e do futuro e na dor de quem se sente marginalizado nas opiniões que lhe respeitam e excluído das decisões que o afectam.
Há dias, o tema era a actual crise social e suas consequências que ocupava o espaço e as atenções dos ouvintes e dos participantes. O tempo esgotou-se sem que todos se pudessem fazer ouvir. Surgiu, obviamente, o confronto entre o litoral e as grandes cidades, zonas que mais beneficiam, e o interior do país, carente de muitas coisas fundamentais, com aldeias esquecidas de benefícios, que não do pagamento de impostos. Surgiu o confronto entre as grandes empresas sem rosto, que a um pequeno espirro logo lhe acorrem políticos locais e governantes centrais com paninhos quentes, e as pequenas empresas, que produzem, dão trabalho e geram emprego local, asfixiadas, a pouco e pouco, com leis iguais e atenções e oportunidades diferentes. Empresas que, por mais que gritem, raramente se fazem ouvir. E, mais ainda, milhares de lares sem casa de banho, milhares de famílias com ordenados de miséria, idosos com reformas de igual ordem, milhares de pais sem poderem ajudar os filhos ir mais longe, milhares de pessoas desanimadas e sem saída para problemas prementes, um mundo de jovens sem perspectivas de futuro e de gente que não acolhida, nem respeitada e estimulada.
Hoje as pessoas podem falar e desabafar. Mesmo que exagerem - quando o coração se solta isso acontece com todos nós - há sempre um pano de fundo a espelhar que as coisas não estão bem e que a realidade é dura para muitos, todos os dias, dia e noite.
Estranho é ver como se cala e distorce a realidade conforme os interesses e as conveniências, e como se esquece que, mesmo tendo o país, nas últimas décadas, melhorado em muitos aspectos, há problemas que persistem e outros surgiram, não menos graves que os de ontem. A destruição das famílias, a corrupção nos negócio e na vida diária, a insegurança em tantos meios, a ilusão dos supérfluos e a míngua de pão, aí estão, ao lado de tantos outros, a confirmar que problemas não faltam.
A verdade, moeda rara e pouco corrente, é um direito de todos. Pode abalar prestígios, mas não custa dinheiro. Apenas exige coragem, dignidade e respeito, para que todos, a seu modo, saibam o porquê das crises e se tocam a todos ou apenas e sempre aos mesmos. A verdade é dever de todos mesmo à mesa do café.
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Um conto de Natal
A vida fluía… ao ritmo da carroça puxada por uma vaca pachorrenta, gemendo nos gonzos a falta de lubrificação; de uma mulher que carregava um taleigo de milho à cabeça, até à moagem próxima, para o trocar por farinha de milho; de uma lavadeira que transportava para a “fonte”, cavada nas dunas da mata nacional, a bacia de roupa encaixada na banca, mais a enxada e o cabaço com que tirava a água do lençol freático; duma porca ou de uma vaca que percorriam o caminho do prazer, até ao posto de cobrições da freguesia; de um albitar que vinha em socorro de alguma vaca ou porca parideiras que não conseguiam expulsar, para luz do dia, as suas preguiçosas crias; etc, etc.
As mulheres e algum homem que escapara, à vida dura, da pesca do bacalhau, ocupavam-se numa agricultura de subsistência, para contribuir em casa, no magro orçamento doméstico.
Por essas alturas a vida material resumia-se ao essencial e os bens de consumo não existiam com a abundância quase atentatória das bolsas mais humildes, como hoje são exibidos nas grandes superfícies comerciais.
Foi neste contexto que se passou esta cena ternurenta.
A Menina, na sua tenra idade e alheada da vida dos adultos, nem se apercebera da chegada do Natal. Este insinuava-se no espírito dos mais velhos que o transmitiam, subliminarmente, aos seus descendentes. Sem árvore de Natal, sem luzinhas multicores e ornamentações apelativas ao consumismo desenfreado, a Menina esquecera completamente esta efeméride do calendário religioso.
O pai que lhe declamava, à lareira, os Lusíadas de Camões, que revelava uma erudição invulgar para a época, chama-a, ao dealbar do dia de Natal:
- Menina, vem cá à cozinha, depressa! Vê o que está aqui no borralho!
Todo o espanto do mundo inundou o olhar da garotinha, pois não compreendeu como o Menino Jesus lhe pusera lembranças no tamanquinho, sem ela o ter lá colocado.
E com o ar mais cândido do mundo, rondava os 5, 6 aninhos, pergunta!
- Meu pai! Como é que o Menino Jesus sabia onde eu tinha arrumado os meus tamanquinhos?
Se o Menino Jesus já possuísse um GPS, no século passado, ... aquele espanto teria sido descabido!!!
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Efeméride aveirense: Restauração da Diocese de Aveiro
D. João Evangelista, 1.º bispo da restaurada Diocese de Aveiro
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Manoel de Oliveira: um século de vida, com o cinema por paixão
Penso que já tudo foi dito sobre este HOMEM do cinema, que não se cansa de transportar para a tela uma visão original do mundo que o ocupa. Cinema de autor. Cinema com assinatura. Que nem todos os cinéfilos entendem, mas que o mundo gosta de ver. E distingue.
FM
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quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008
Nascemos, nascemos, nascemos
Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.
Nascemos muitas vezes ao longo da infância
quando os olhos se abrem em espanto e alegria.
Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca.
Nascemos na sementeira da vida adulta,
entre invernos e primaveras maturando
a misteriosa transformação que coloca na haste a flor
e dentro da flor o perfume do fruto.
Nascemos muitas vezes naquela idade
onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se
com laços interiores e caminhos adiados.
Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar.
Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas.
Nascemos na prece e no dom.
Nascemos no perdão e no confronto.
Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra.
Nascemos na tarefa e na partilha.
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.
O que Jesus nos diz é: "Também tu podes nascer",
pois nós nascemos, nascemos, nascemos.
José Tolentino Mendonça
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Participar mais na vida comunitária
Tanto na Gafanha da Encarnação como nas demais freguesias, sente-se, de facto, um certo divórcio entre a população e a vida da comunidade. Até parece que, para o povo, a vida comunitária é monopólio de uns tantos iluminados, quando, na realidade, ela é das pessoas e para as pessoas.
Penso que faltará, nesta área como em tudo, uma dinâmica de envolvimento de todos em tarefas comuns. Ninguém pode ser excluído nem excluir-se, ninguém pode nem deve ficar indiferente ao que à comunidade interessa, tanto no âmbito social e cultural, como desportivo, político e religiosos. E se é verdade que cabe a cada um assumir as suas responsabilidade na comunidade a que pertence, não deixa de ser importante começar a pensar-se, de forma programada e consistente, na melhor maneira de envolver toda a gente em acções que são de todos.
Eu sei, por experiência própria, que por vezes se corre o risco de confiar demasiado nos líderes, que existem em toda a parte. Mas nem por isso podemos ficar à margem, alheando-nos dos projectos e iniciativas que dizem respeito a toda a gente.
Fiquei, por isso, satisfeito por saber que na Gafanha da Encarnação se pensou seriamente nisto, no dia em que se celebrou a elevação a vila daquela freguesia vizinha.
Fernando Martins
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Questões da Educação
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terça-feira, 9 de Dezembro de 2008
NATAL - 2008
Natal. Nasceu Jesus. O boi e a ovelha
deram-lhe o seu alento, o seu calor.
De palha, o berço, mas também de Amor.
Desce luz, desce paz de cada telha.
Nem um carvão aceso nem centelha
de lume vivo. A dor era só dor,
até que a mão trigueira dum pastor
floriu em pão, em leite, em mel de abelha.
Natal. Nasceu Jesus. Dias de festa.
Até o cardo é hoje rosa, giesta,
até a cinza arde, como brasa.
E nós? Que vamos nós dar a Jesus?
Vamos erguer tão alto a sua Cruz
que não lhe pese mais que flor ou asa.
In “Natais… Natais”
Antologia de Vasco Graça Moura
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Gafanha da Encarnação: Vila há quatro anos
Pelas 13 horas, realiza-se um almoço de trabalho com representantes das forças vivas da Vila da Gafanha da Encarnação, no Restaurante da ANGE (Associação Náutica da Gafanha da Encarnação).
Na agenda deste encontro evocativo, estão questões ligadas aos investimentos perspectivados pela Câmara Municipal de Ílhavo para o próximo futuro, assim como a dinamização social da Vila da Gafanha da Encarnação, rentabilizando o potencial de intervenção das suas Entidades e Associações.
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Na Universidade de Aveiro: 60 anos - Direitos Humanos em Globalização?
Lançamento: FÓRUM UNIVERSAL – 3 ANOS, 30 IDEIAS – DEBATE
SOBRE A ACTUALIDADE
Conferência: com
Pedro Jordão, do Centro de Estudos Internacionais
António Eloy, da Amnistia Internacional Portugal
Adriano Moreira, da Academia das Ciências de Lisboa
Moderação: Teresa Soares, da UA:UNESCO
Encerramento: Danças Tradicionais de Leste
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segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008
CNE - Corpo Nacional de Escutas
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Ti António da Bicha
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HINO À IMACULADA
Se outrora uma prece eu te ergui,
Em desespero, sim, que mãe eu sou,
Foi porque acreditei! E agora eu estou
A louvar-te e agradecer-te o que vivi!
Fizeste renascer em mim a Esp’rança,
Foste amparo na dor, na amargura.
Eu te elevo meu olhar com ternura,
Qu’em Ti, misericórdia sempre alcança.
És a Mãe a quem sempre se recorre,
Que em toda a adversidade nos socorre,
Na nossa peregrinação sofrida!
O Teu manto a todos nós protege,
Seja crente ou seja até herege,
De todos és a Mãe muito querida!
Mª Donzília Almeida
08.12.08
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domingo, 7 de Dezembro de 2008
Morreu Alçada Baptista

António Alçada Baptista nasceu em 1927 na Covilhã. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Alçada Baptista tem uma vasta obra literária publicada. Esteve também ligado ao jornalismo e à edição. Foi ainda cronista.
Identificado por muitos como “o escritor dos afectos” e um defensor da liberdade Alçada Baptista foi um dos fundadores da revista “O tempo e o Modo”, que marcou gerações. Era ainda editor da Moraes Editora.
Alçada Baptista foi condecorado com a Ordem de Santiago, com a Grã Cruz da Ordem Militar de Cristo pelo Presidente Ramalho Eanes e com a Grã Cruz da Ordem do Infante pelo Presidente Mário Soares.
Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, lembrou, em declarações à TSF, o “homem de causas”: “Foi um homem de causas, dos direitos do homem e da democracia. Mas temo que seja esquecido enquanto escritor para ser lembrado enquanto pessoa”.
O corpo vai ser velado na Igreja das Mercês, em Lisboa, sendo amanhã levado para o Cemitério dos Prazeres.”
Esta foi a notícia que hoje à noite me surpreendeu no PÚBLICO online. Inesperada, como todas as mortes o são, por mais evidentes que elas se tornem, atingiu-me profundamente, como se fosse a morte de um amigo próximo.
Há anos que me habituei a ler Alçada Baptista, à medida que os seus livros foram aparecendo no mercado. Havia no que escrevia um não sei quê que mexia comigo. A serenidade que deixava transparecer no que dizia e escrevia? A familiaridade que me tornava próximo do que contava? Os afectos que se reflectiam no meu espírito? A naturalidade que dele emanava? As causas em que me envolvia? A simplicidade com que escrevia e falava? As reflexões que me suscitou? As estórias que contava como poucos? A sua vastísima cultura? A naturalidade com que aceitava os outros, independentemente das suas opções? Talvez um pouco de tudo isto.
Podia não concordar com tudo o que defendia, podia discordar das suas posições, mas gostava de ler este escritor memorialista que me envolvia na sociedade que ele próprio vivenciou e que o definiu como homem bom, de afectos, de amores, de paixões, de entusiasmos, de projectos, de consensos, de diálogos.
Paz à sua alma.
Fernando Martins
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NATAL: Pobres de pedir
Era assim o Ti António da Bicha, um pobre pedinte que, quando eu era ainda moço, dos meus sete, oito anos, aparecia na nossa casa, a pedir esmola. Batia ao portão, abria a aldraba – naquele tempo não era necessário fechar as portas à chave – e pedia uma esmolinha por amor de Deus, para matar a fome, com a cara triste de pedinte, como era conveniente!
Nós, os filhos da casa, tínhamos, por este homem, não sei se respeito, se medo.
- Vai ao portão ver quem é, diz a minha mãe!
Fui.
- Mãe, é o Ti António da Bicha a pedir esmola!
- Ele que espere um pouco e tu vem cá.
Cheguei à casa do forno onde minha mãe já tinha posto sobre a mesa um naco de boroa e duas batatas. Esperei. A minha mãe veio do lado da salgadeira trazendo um pedaço de toucinho salgado.
- Leva isto ao pobre. Estamos em vésperas de Natal e ele tem de ter com que matar a fome!
Fui.
Ao entregar a esmola, notei que deu uma dentada na boroa, guardando o resto num dos lados do saco. As batatas guardou-as noutro.
Ao receber o toucinho, olhou-o, como que duvidando da dádiva que estava a receber. Guardou-o com cuidado, olhou-me e sorriu. Foi a única vez que vi aquele rosto sorrir.
- Deus vos dê saúde e sorte para o poderem ganhar, foi o agradecimento que lhe ouvi, ao mesmo tempo que murmurava uma Ave-maria, que acabaria logo que eu deixasse de o ouvir!
E seguiu a sua viagem para o portão próximo, o do vizinho Sarabando.
Ângelo Ribau
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Museu de Marinha
SagresConhecido vulgar e erradamente por Museu da Marinha, importa conhecer um pouco da sua história a fim de aquilatar e compreender o seu verdadeiro nome.
Em 1863, o Rei D. Luís decretou a constituição duma colecção de documentos históricos que reflectisse o passado glorioso das viagens marítimas dos Portugueses. Isto fruto do seu amor às artes e à sua ligação ao mar, por ter sido comandante de navios.
Para o museu foram então canalizadas obras de colecções reunidas em séculos anteriores como a colecção de modelos de navios oferecida pela rainha D.ª Maria II à Real Academia dos Guardas-Marinhas, antecessora da Escola Naval. Esta escola funcionava junto ao Arsenal de Marinha e foi o primeiro local de depósito de tudo considerado com valor museológico.
Seguiram-se várias tentativas de instalação do museu, com nomes diferentes e sucessivamente goradas. Em 1916, um incêndio destruiu grande parte do espólio.
Em 1934, é feita nova tentativa de instalação do museu, desta vez com o nome de Museu Naval Português, juntando obras a partir do século XVIII, sedeado ainda na Escola Naval. É ainda neste ano que se iniciam as diligências no sentido da formalização do projecto da sua instalação junto ao Mosteiro dos Jerónimos, num anexo onde hoje se encontra.
O grande salto de valorização do Museu deu-se pela acção de beneméritos como Henrique Maufroy de Seixas que lhe deixou em testamento a sua colecção denominada Museu Naval. Impunha contudo uma condição: um local digno para o seu depósito. Assim a colecção ficou exposta no Palácio das Laranjeiras entre 1949 e 1962.
Em 1959, nova reformulação do museu aponta o Mosteiro dos Jerónimos, com toda a sua carga simbólica, como local digno para receber a colecção. Trabalhando nesse sentido abre as suas portas ao público em 15 de Agosto de 1962, com novos regulamentos e a designação de Museu de Marinha.
A razão de ser do actual nome vem da finalidade e do âmbito alargado dos seus propósitos: não se resume apenas a questões da Marinha de Guerra que o dirige e onde está inserido, abarcando antes todas as vertentes relacionadas com o mar e outras marinhas.
João Marçal
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NATAL: Notas do Meu Diário
Como manda a tradição, haurida na infância, hoje foi dia de montar o presépio na sala onde mais paramos e convivemos. Ao lado, ao jeito de Árvore de Natal, há uma planta, cujos ramos vão servir de abrigo ao Menino Deus. Com os enfeites nos seus lugares, fomos buscar o Menino que ficou, em repouso, durante o ano, na minha tebaida, num velho móvel de família, bem à vista de todos. O nosso Menino Jesus está vestido a rigor, com roupa feita há tempos propositadamente para Ele. E agora, ao ocupar o seu lugar no presépio, com Nossa Senhora e São José olhando-O embevecidos, o Menino vai estar atento a quem chega e a quem lhe dirige um sorriso, durante este Advento, na mira de receber d’Ele um ou outro recado de ocasião. Neste dia de montar o presépio, cultiva-se o gosto de beijar o Deus Menino.
– Mais logo, quando estiverem todos! – diz quem orienta os trabalhos.
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Alice Vieira evoca Erico Veríssimo

- É crente? - questionou Igrejas Caeiro.
- Não.
- Como assim?
- É que ainda não encontrei nenhum código de vida superior à Bíblia! - respondeu o escritor.
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Efeméride aveirense: Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro
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TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 106
Isto agora é outra conversa; logo para começar, vamos até Ílhavo, a sede do concelho... e cada um que se arranjasse para lá chegar, pois não havia camionetas nem outro qualquer tipo de transporte público que desse acesso à sede do concelho. Só me lembro que foi preciosa a colaboração do Hortênsio que levava o irmão no porta-bagagem e a mim no quadro da sua bicicleta! No primeiro dia, o da prova escrita, não sei como foi; apenas recordo que almocei no recreio pão de trigo com marmelada. [Claro que tudo isto se passou nos século e milénio passados, mas no ano de 1951! As voltas que o mundo andou para a frente! Todos esperamos que agora não volte para trás.]
A prova escrita foi normalíssima, facílima (tínhamos feito tantas de preparação na Escola da Ti Zefa, juntamente com os alunos do Professor Ribau que aquilo foi canja); depois vinham as orais, repartidas por vários dias, de manhã e de tarde e era preciso ir assistir algumas vezes para ver como os examinadores perguntavam... Aqui entrava de serviço a bicicleta do Hortênsio...
Mas afinal como era a prova escrita?
Capa impressa, onde identificávamos a Escola, o Professor proponente e escrevíamos o nosso nome e a data; espaço reservado para o júri assinar e pôr o resultado.
Numa primeira folha, fazíamos o ditado (... aqui muito cuidadinho que o número de erros em excesso eliminava... era a doer!) e a prova de caligrafia; no verso, espaço para uma redacção...
Outra folha onde resolvíamos uma operação com a respectiva prova real pela operação inversa e, por trás, o tal problema.
Por fim, prova de medição e pesagem e o desenho, numa terceira folha mas lisa.
Realizada a prova, era corrigida de imediato e ainda antes do almoço eram afixados os editais com os resultados e a indicação dos dias da prova oral. De vez em quando reprovava um ou outro aluno, quase sempre por causa do número de erros; e isso era um caso muito sério para o professor proponente...
Bem, chegado o dia da prova oral, feita a chamada (esqueci-me de dizer que a chamada para cada uma das provas era feita à entrada da sala, onde era proclamado em voz alta o nosso nome e apresentávamos a cédula ou o bilhete de identidade!), entrávamos e olhávamos de través para a carteira isolada, em frente da secretária, onde nos iríamos sentar para o interrogatório pelos três elementos que constituíam o júri e que incluía todas as matérias estudadas ao longo do ano: leitura e gramática, pelo livro utilizado na escola, aritmética e geometria, no quadro preto, e história, geografia e ciências naturais junto dos mapas que estavam dependurados.
Para não alongar muito, apenas direi que o Professor que me interrogou sobre geografia, para variar, apontou-me para uns mapas que julgávamos decorativos, no primeiro andar da parede, muito lá em cima, quase sem tinta e 'que está ali representado?', a pensar que me atrapalhava: via-se logo que era a Guiné, muito desbotada, quase apagada...
O edital falava como arauto de rei: todos aprovados e alguns com distinção! Professores inchados, a dar os parabéns aos felizardos (só falo em felizardos que o nosso grupo era de escola masculina!...), mais um pão com marmelada e pirolito... e toca a andar que se faz tarde!
Manuel
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sábado, 6 de Dezembro de 2008
APRESSAI A VINDA DO SENHOR
O ritmo da história pode ser apressado. É lição que se colhe da leitura dos factos e das convicções dos seus protagonistas. É também afirmação clara de São Pedro na 2ª carta que dirige aos cristãos.
“Esperai e apressai a vinda do Senhor” – recomenda com solicitude, acrescentando a título de exemplo algumas atitudes a cultivar. Não perder de vista o valor do tempo, ter muita paciência, estar atento e vigilante, aguardar confiante e manter-se fiel e cooperante.
Estas atitudes traçam o perfil do cristão no mundo e indicam um caminho a percorrer a todos os que pretendem intervir no ritmo da história de forma positiva. Constituem o rosto da fé activa e da esperança alegre. São os “braços” estendidos da caridade envolvente da justiça integral. Tornam presente e significativa a comunidade eclesial no meio em que se insere e de que faz parte. Abrem o humano ao Absoluto de Deus e convertem-se em “ponto” de encontro e gérmen de comunhão.
O tempo tem um valor único. O seu ritmo é irrepetível. Constitui o período oferecido à natureza para a realização das criaturas e da criação. Traz consigo a oportunidade da salvação. Está à disposição de todos como dom acessível a quem quiser fazer a sua gestão inteligente e sábia. É desafio constante a assumir com ousadia.
A paciência é, de certo modo, a medida da esperança. Constitui um dos reflexos mais transparentes de Deus na humanidade de cada um de nós e de todos. Comporta valores apreciáveis, tais como a ciência da paz, o apreço pelo pequeno e pelo fragmento, a confiança na superação do negativo e redutor, a aspiração a ser mais, sempre mais.
A vigilância é o estado de espírito de quem vive como a sentinela. Sempre, mas sobretudo na escuridão da noite ou na confusão dos dias. Exige lucidez para observar, princípios para discernir e identificar, critérios para avaliar e encaminhar, agindo da forma mais correcta.
A confiança na espera e na acção nasce da certeza de que se tem a melhor companhia do mundo e de que se pode contar com a sua intervenção discreta e eficaz. Como Paulo, o cristão pode dizer com verdade: sei em quem confiei e não serei defraudado!
A cooperação fiel expressa a resposta possível ao desafio que o ritmo da história comporta e provoca. Resposta da humanidade toda, mas sobretudo de quem descobre no tempo a oportunidade da salvação, a acessibilidade do nosso Deus, a proximidade de Jesus Cristo, a possibilidade de construir e viver a solidariedade global.
Apressar a vinda do Senhor é intervir de forma positiva na humanização pessoal e na fraternidade universal. Tarefa a exigir esforço generoso e perseverante. Sempre mais!
Georgino Rocha
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Marcadores: Espiritualidade, Natal, Religião
A IMACULADA CONCEIÇÃO
Não sei se a maioria dos portugueses conhece o motivo do feriado no dia 8 de Dezembro. Os católicos praticantes saberão que se trata de uma festa ligada a Nossa Senhora. Se interrogados, talvez respondessem, na quase totalidade, que tem a ver com a virgindade de Maria.Aí está, pois, uma festa infestada com equívocos. Logo à partida, que pode significar Imaculada Conceição? De facto, não se refere directamente à virgindade, mas não lhe é completamente alheia. Do que se trata, na realidade, é da afirmação de que Maria, a Mãe de Jesus, foi concebida sem pecado.
Mas, aqui, sem hermenêutica, isto é, sem interpretação, pode albergar-se uma série de confusões, profundamente ofensivas sobretudo para as mulheres, minando, desgraçadamente, a mensagem do Evangelho enquanto notícia boa e felicitante.
Foi concretamente Santo Agostinho que elaborou a doutrina do pecado original, no sentido de um pecado cometido pelos primeiros pais (Adão e Eva) e transmitido a todos por herança, no acto sexual. Houve uma excepção: Maria foi concebida sem a mancha do pecado original.
Deste modo, porém, a sexualidade ficou manchada e as mulheres acabavam por sentir-se discriminadas, tanto mais quanto, associando a concepção de Jesus a uma geração virginal, se lhes propunha o ideal impossível de virgem e mãe.
Sub-repticiamente, esta doutrina causou imensos danos ao cristianismo, concretamente à mulher, à visão do sexo e do casamento.
Assim, um cristão atento e reflexivo sabe que é necessário e urgente rever o dogma, mostrando o seu verdadeiro sentido. O próprio Papa João Paulo II deu a chave, ao escrever que "o Natal de Jesus revela o sentido profundo de todo o nascimento humano". Afinal, quando percebe que o ser humano não é redutível à biologia, o crente verá em toda a nova geração a presença do Espírito, como aconteceu com Jesus. Por outro lado, nascer é vir à luz e, portanto, dar à luz não constitui uma mancha para a mãe, como supõe a doutrina da virgindade de Maria, antes, no e depois do parto.
Um dia, numa entrevista, um jornalista atirou-me: "Não acha que Nossa Senhora é a mulher mais poderosa de Portugal?" Nunca tinha pensado nisso, mas é bem possível. Basta pensar em Fátima e no que Fátima representa para os portugueses. Aliás, Nossa Senhora "concede" dois feriados nacionais: Imaculada Conceição (8 de Dezembro) e Assunção (15 de Agosto).
Mas, se se pensar bem, estas festas são metáforas de esperança e salvação: todo o ser humano é concebido sem pecado, mas, entrado no mundo, terá de lutar contra a maldade e o pecado, na esperança de um mundo melhor, e também na morte pode contar com o Deus amor e a sua graça de vida eterna.
Podemos então compreender, como dizia o teólogo Karl Rahner, que, nestes domínios, por exemplo, da virgindade de Maria, não se trata de biologia. Referindo-se à narrativa do Evangelho de São Mateus sobre a geração de Jesus por obra do Espírito Santo, escreveu o exegeta Jean Radermakers: "Tomando imagens das mitologias pagãs, depuradas pela reflexão judaica, Mateus não se situa num plano de fisiologia, medicina, ginecologia ou sexologia, mas no de uma realidade mais profunda. Deveríamos reler a nossa experiência do dar à luz e da responsabilidade parental a partir do nascimento de Jesus. Toda a criatura recém-nascida vem de Deus. Assumir uma maternidade e paternidade humanas é deixar que Deus se revele na criatura nascida. A missão de todo o varão e toda a mulher que se unem é dar lugar a que apareça no mundo a realidade do Emanuel, Deus connosco."
Criticando os mal-entendidos da leitura do Evangelho a partir de pressupostos negativos em relação à sexualidade, o teólogo Juan Masiá põe na boca do anjo estas palavras dirigidas a São José: "Não deixes de levar Maria contigo. Não penses que pelo facto da intervenção do Espírito o teu papel como varão está a mais. Não tens que afastar-te para permitir que Deus faça algo grande com a tua família. Com a tua relação com Maria, não vais entrar em concorrência com o Espírito. O teu papel é compatível com a acção de Deus e com que Jesus seja o Cristo."
Anselmo Borges
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sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
DEPUTADOS COMEÇARAM FIM-DE-SEMANA ALARGADO ANTES DO TEMPO
Mais uma vez, dezenas dos nossos deputados, eleitos pelo povo para o representarem no Parlamento, símbolo maior da nossa democracia, dão-se ao luxo de faltar. Admitindo que alguns terão justificado as faltas, não há dúvida de que há deputados que não têm a noção das responsabilidades e do significado pleno da eleição para tarefa tão digna.
Já se sabia, há muito, que alguns não passam de uns verbos de encher, ao ocuparem lugares para nada fazerem de útil. Uns dormitam ou lêem jornais nas bancadas. Outros por ali andam como seres amorfos. Mas todos ganham salários e subsídios muitíssimo acima da média. Ganham para nada fazerem. Em contrapartida, há os cumpridores, os que assumem, com dignidade, as suas funções parlamentares.
Agora, Manuela Ferreira Leite quer saber como é. Quer explicações. Mas duvido que alguns venham a ser penalizados, neste país de brandos costumes.
Diz a líder social-democrata: “Há deputados que estão fora, há deputados a quem foi concedida dispensa por parte do presidente do grupo parlamentar, há deputados que faltaram por quaisquer outras razões e há deputados que se calhar foram lá, assinaram e se foram embora. Isto não é admissível em circunstância nenhuma na função de deputado.”
Pois é. Manuela Ferreira leite sabe disso tudo. Outros líderes sabem o mesmo. Mas ninguém faz nada. Resta-me dizer que tenho pena disto tudo. E aqui fica o meu veemente protesto.
FM
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Marcadores: Política
NATAL EM AVEIRO
No dia 11 de Dezembro, pelas 11 horas, o Grupo de Teatro Filandorra – Teatro do Nordeste, apresentará a peça infantil “A menina do mar”, no Auditório do Centro Cultural e de Congressos de Aveiro.
A Sé de Aveiro acolherá, no dia 18 de Dezembro, pelas 21h30, o Concerto Coral de Natal, em que actuarão o Coral Polifónico de Aveiro, o Coral Vera-Cruz, o Coral de S. Pedro de Aradas e o Coro Santa Joana.
A Orquestra Filarmonia das Beiras fará o Concerto de Ano Novo, que decorrerá no Teatro Aveirense, no dia 1 de Janeiro de 2009, pelas 18 horas.
No dia 6 de Janeiro, Dia de Reis, na escadaria e pátio traseiro da Casa Municipal da Cultura terá lugar o “Cantar das Janeiras”.
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NATAL: Notas do Meu Diário
Acordei com uma certa sensação de frio. Não que a temperatura fosse muito baixa, mas pelas notícias que a rádio me trouxe, atravessando as mantas fofas e acariciadoras. Centenas de trabalhadores perderam o emprego de um dia para o outro. A fábrica, onde muitos trabalhavam há bastantes anos, tinha sido deslocalizada para um país asiático. Aí tudo se produz a custos mais reduzidos. Os lucros dos empresários podem crescer desmesuradamente, explorando mão-de-obra barata, própria de escravos dos tempos modernos. E uma trabalhadora, com voz angustiada, clamava bem alto: “A desgraça bateu-nos à porta; este ano não há Natal para nós.”
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Marcadores: Natal
Mais de um milhão e meio de Portugueses são voluntários
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Marcadores: Solidariedade, Voluntariado
APRENDER A ENFRENTAR NOVOS DESAFIOS
Todos sabemos que não é fácil viver na mudança com alegria, liberdade interior e com critérios que denunciem sabedoria. Os mais velhos carregam hábitos e preconceitos, uma carga difícil de alijar para ver o que traz de novidade a mudança. Os mais novos, porque as experiências de vida ainda não têm para eles grande expressão, mais correm atrás das emoções que das razões. Os do meio, gente mais ou menos sabida, mas não tanto como julga, vivem, por vezes, para si próprios comportamentos de uma adolescência retardada que as mudanças favorecem, mas enchem-se de autoridade e dureza para com os filhos e os de fora, em relação a exigências correntes. Muita gente acaba por ver, depois das dificuldades surgidas, que afinal andava na corda bamba ou instalada à margem da vida real, sem se aperceber das mudanças e seus desafios.Aprender a viver na mudança é uma das exigências fundamentais da educação e do crescimento. Quer queiramos ou não, quer gostemos ou critiquemos, a verdade é que as mudanças culturais, rápidas mas com anzóis que prendem, não param mais, nem se compadecem com a nostalgia de quem espera que o tempo volte para trás.
Viver na mudança com decisão e serenidade, aprender a ficar de pé nos solavancos da vida, não enjoar no quebrar dos vagalhões que balanceiam o barco, sentir-se acompanhado por quem enfrenta os mesmos desafios sem desanimar, não perder o sentido do que se pretende e quer, assumir a responsabilidade das decisões nos momentos menos claros, perceber o que se está passando e quem o comanda, é muito importante para cada pessoa viva e que assim quer continuar. Indispensável para conviver na família, no trabalho, na politica, na Igreja, nos divertimentos, em tudo.
Muita gente já vai compreendendo que assim é, e tenta preparar-se, sem se retirar da vida, enfrentando os desafios da mesma. Outros permanecem casmurros, contrariam as mudanças evidentes com juízos redutores, à espera que todos lhe dêem razão, nem se apercebendo que cada dia têm menos gente que os ouça ou lhes peça conselho. Também não falta quem expenda opiniões que agradam e dê conselhos superficiais, sem pensar se fortalecem as raízes do pensar e do agir, ou se apenas se fazem cócegas aos ouvidos.
Preparar para a mudança, um problema grave que atinge também a Igreja, pede no caso uma atenção cuidada para reforçar e motivar a fé dos crentes e das comunidades, de modo a enfrentarem os desafios novos, com discernimento e coragem.
Há dias chamou-me a atenção o artigo de uma revista de fim-de-semana que dava pelo título: “Educação: ajude os seus filhos a compreender as mudanças”. A desilusão veio logo, porque eram duas páginas, com aparato e fotografia, apenas para explicar aos meninos e meninas a sua fisiologia. No fundo, o isco é sempre o mesmo. Tratava-se da publicidade de mais um livro, vindo da Califórnia…Na véspera caíram-me os olhos no ecran do televisor, onde uma psicóloga e uma mestra de horóscopos, falavam com gente nova, mais sabida do que se julgava, e a que não faltava a sondagem de rua para ouvir pais e avós opinarem sobre a altura de filhas e netas quebrarem a virgindade…
Neste procurar perceber as mudanças para responder a novos desafios, não se podem esperar ajudas para voos mais altos, de gente de asas cortadas ou que não sabe voar
Preparar para a mudança é matéria educativa em muitos quadrantes da vida, que não só a sexualidade, por importante que esta seja. Nem esta será bem entendida e vivida, sem se perceberem e assumirem as suas razões mais profundas, que vão muito para além do simples cuidado para evitar consequências indesejáveis e de saber os limites do prazer.
Um exemplo actual. Sondagens fiáveis e recentes concluíam que uma percentagem altíssima de pré adolescentes diz que já não pode passar sem o telemóvel? Certamente que são os pais que lhos carregam. Aprender a responder aos desafios das mudanças é aprender a ser livre, a ser pessoa em sociedade, a não ser escravo de nada, nem ninguém.
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Dia Internacional do Voluntariado
Com esta iniciativa pretende-se materializar um gesto de reconhecimento e agradecimento de todo o trabalho realizado pelos Voluntários que trabalham nas Associações, prestando um serviço de relevante interesse público e comunitário. O Encontro realiza-se no Centro Cultural de Ílhavo, hoje, pelas 18 horas. Do programa destacamos a intervenção do presidente da Câmara, Ribau Esteves, e uma palestra do professor Fernando Maria, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo, subordinada ao tema "Voluntariado e Associativismo Hoje".
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quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008
VOTO DE NATAL
Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
Passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos.
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
Para sentir no peito a rosa reflorida!
Como a casca do ovo ao latejar-lhe a vida...
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
Dentro de mim não sei qual é que se eterniza.
Extinga-se o rumo, dissipem-se os fantasmas!
O calor destas mãos nos meus dedos tão frios!
Acende-se de novo o Presépio nas almas.
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.
David Mourão-Ferreira
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“REGRESSO AO LITORAL – Embarcações Tradicionais Portuguesas”
O convite veio do presidente da Câmara Municipal de Ílhavo e do presidente da Associação dos Amigos do Museu de Ílhavo, de que a autora já fora directora.
A apresentação desta obra, cuja edição de muito nível valoriza sobremaneira a excelente qualidade das fotografias, muitas delas da autora, ficou a cargo do Capitão-de-Mar-e-Guerra e director do Museu de Marinha, José António Rodrigues Pereira, que sublinhou o valiosíssimo trabalho de campo levado a cabo por Ana Maria Lopes, tendo em vista registar o que é possível, face ao progressivo desaparecimento das embarcações tradicionais portuguesas.
A história do seu regresso ao litoral, depois das primeiras pesquisas na década de 60 do século passado, à custa do trabalho de dissertação de licenciatura – O Vocabulário Marítimo Português e o Problema dos Mediterraneísmos –, publicado em 1975, veio a talho de foice, para sublinhar a paixão pelos temas marítimos de Ana Maria. Com o bichinho dessa paixão a inquietá-la, volta na década de 80 para “sua recriação”, e disso guarda, “religiosamente”, tudo o que pesquisa e considera fundamental para a preservação, como registo histórico, do que entende ser de mais importante.
Em 2006/2007, regressa ao assunto, para fixar, para a posteridade, as ”mortes anunciadas” das embarcações tradicionais, muitas delas das paisagens da nossa laguna, que a autora conhece como as suas próprias mãos.
Importa dizer, nesta altura, em que a obra “REGRESSO AO LITORAL – Embarcações Tradicionais Portuguesas” acaba de ver a luz do dia, que texto e ilustrações são um regalo para nosso enriquecimento pessoal e colectivo. Pessoal, porque passamos a ter acesso a realidades que estavam a diluir-se no tempo; colectivo, porque a partir de agora urge preservar, museologicamente falando, o que for possível. Foi alvitrada a oportunidade de enriquecer as nossas rotundas com elementos decorativos provenientes dos restos das embarcações miúdas que hão-de desaparecer, mais ano menos ano, que outros materiais começam a merecer a preferência dos construtores navais, a par da motorização, cada vez mais frequente, de todo o tipo de barcos.
Em jeito de conclusões, a autora adianta, como propostas válidas, “as manifestações exteriores de fé, as chamadas procissões, com a presença de modelos de embarcações tradicionais em andores”, as “regatas, quer lagunares, fluviais, estuarinas ou flúvio-marítimas, tão em moda”, e a “construção autêntica de algumas réplicas navegantes”.
Glossário, referências bibliográficas, mapas e índices pormenorizados constituem uma mais-valia para o leitor interessado nesta obra de Ana Maria Lopes. Mas ainda para os que se identificam com o litoral português e com o nosso passado marítimo e lagunar.
Fernando Martins
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HOSPITAL DE AVEIRO: Cirurgias suspensas por causa do frio
Entretanto, por causa das "temperaturas desadequadas" (Diga-se por causa do frio, sem eufemismos), foram suspensas 13 cirurgias.
Estas duas notícias de uma mesma notícia, a visita da ministra ao Hospital Infante D. Pedro, dão para reflectir sobre a situação do nosso hospital, quiçá de outros. A ministra, que deve estar suficientemente informada da realidade do Hospital de Aveiro, ainda não sabe o que fazer. Construir um novo ou remodelar o actual.
Sempre ouvi dizer que remendo novo em pano velho nunca faz um fato novo. Será sempre um remedeio. E disso estamos todos fartos. Se é assim, por que razão havemos de andar com remendos, quando precisamos de um hospital que responda, com eficiência, às necessidades dos utentes? Pegue-se nas informações que há e decida-se, com urgência, a construção de um novo edifício, com todos os requisitos compatíveis com as exigências do nosso tempo. Acabe-se com a barracada dos pavilhões e mais pavilhões e faça-se um hospital de raiz!
Repare-se no ridículo que a segunda notícia representa. Cirurgias suspensas por causa do frio. Isto nem no terceiro mundo! E se morresse alguém por força da suspensão das cirurgias? Mas, afinal, em que país estamos?
FM
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Marcadores: Saúde
A morte e a morte
"Estamos todos bem servidos/ de solidão", escreve Alexandre O'Neill. Não de solidão sozinha; de multitudinária solidão sim, e essa "de manhã a recolhemos/ no saco, em lugar de pão". Porque, ao mesmo tempo que abandonamos os nossos velhos à pior e mais dolorosa das solidões, desaprendemos de estar sós connosco. A verdade é que a maior parte de nós não é boa companhia para si próprio.À nossa volta, nos locais de trabalho, na rua, quantas vezes na família, a humilhação tomou cada canto e esquina das nossas vidas, instalou-se nos comportamentos e nos corações, corroendo, como um cancro, a existência individual e social.
Tememos ficar sós porque tememos aquilo que temos para nos dizer, e sentamo-nos diariamente diante da TV como quem fecha os olhos.
Há uma novela de Cesare Zavattini cuja personagem planeia durante toda a vida dar uma merecida bofetada ao chefe e morre sufocada por esse desejo nunca consumado e pelo desprezo de si mesmo.
Quantas vezes morreram por dentro, antes de se matarem, os polícias e GNR (este ano já são 14) que em Portugal regularmente se suicidam "com a arma de serviço"?
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quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008
NATAL - 2008
Do Santa Claus, herdara o nome e a destreza física. O primeiro deslizava pelas planícies geladas da Lapónia, num trenó puxado por renas amestradas, numa correria expresso, para entregar as prendas a tempo e horas. O segundo fazia piruetas e cavalos com a sua bicicleta, na rua onde morava, para expandir o excesso de energia que o dominava.
Era vê-lo correr, com o rabito levantado, do selim, ou exibir o seu talento de malabarista, levantando a roda da frente, tal qual garboso cavalo, arqueando as patas dianteiras.
Era ele um adolescente cheio de vivacidade, com os fartos cabelos louros, caindo-lhe em anéis sobre os ombros, ou presos atrás, em rabo-de-cavalo, com ar desafiador perante a vida e muita contestação reprimida.
A vida fora madrasta para ele, em toda a extensão da palavra. A morte prematura da mãe precipitara a desagregação dos laços familiares, que aquela conciliara enquanto viva. O padrasto, remetendo-o para a sua situação de filho “adquirido”, restituíra-o à sua anterior condição de órfão de pai, agora da família inteira. Teria ficado sozinho no mundo, não fora a generosidade, a abnegação e o amor da avó materna, que desfrutava, há bem pouco tempo, a tranquilidade duma reforma bem merecida. Prodigalizava esforços, carinhos, para o compensar da falta prematura e súbita da mãe. Havia passado ainda pouco tempo após a sua morte, quando se avizinhava mais um Natal, na vida do protagonista desta história.
Na ânsia de lhe minorar o sofrimento e a falta do amor maternal, a avó inquiriu um dia, o neto, sobre a prenda que gostaria de receber. Foi enumerando coisas que fazem as delícias da criançada e que são habitualmente pedidas ao Pai Natal.
Escurecia-se-lhe o rosto, sempre que era interpelado sobre tal questão. O tom pesaroso e sombrio que o acometia evidenciava a nostalgia que perpassava na mente deste jovem.
Escusava-se a responder, permanecendo num mutismo prolongado. Um dia, depois de muito instado para dar a resposta, sem medo, sem contemplações, atirou, em desespero:
- Quero a minha mãe!
A torrente de lágrimas aprisionada no cárcere da tristeza jorrou livremente, inundando o campo que tanto quisera proteger!
Essa prenda, nem com toda a fortuna do mundo lha poderia dar!
Mª Donzília Almeida
01.12.08
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A Nossa Gente: Frei Silvino

Nascido a 19 de Janeiro de 1954, na freguesia da Gafanha da Nazaré, Município de Ílhavo, o Frei Silvino completou a instrução primária na Escola Primária da Cambeia, tendo prosseguido os estudos no Liceu
Nacional de Aveiro.
Para fazer o Postulantado, ingressou no Noviciado dos Padres do Carmo de Fátima a 4 de Fevereiro de 1974, tendo a partir daí trilhado um caminho com vista à vida sacerdotal: tomou o hábito do Carmo a 8 de Outubro do mesmo ano e fez a sua Profissão Simples na Ordem a 21 de Setembro de 1975, ambos em Fátima.
No ano lectivo de 1975-1976 frequentou o Seminário Carmelitano de Viana do Castelo, onde estudou latim, grego e outras matérias. Em 1976, iniciou os estudos filosóficos e teológicos no ICHT – Instituto de Ciências Humanas e Teológicas, do Porto (1º ano), frequentou os 2º e 3º anos na Universidade Pontifícia de Salamanca, regressando ao ICHT para concluir a referida licenciatura.
A 16 de Novembro de 1980, consagrou-se perpetuamente ao Senhor como Carmelita Descalço pela Profissão Solene, no Convento do Carmo de Aveiro, onde foi igualmente ordenado de diácono a 1 de
Março de 1981.
A ordenação presbiteral aconteceu a 27 de Setembro de 1981, na Igreja da Gafanha da Nazaré, pelo Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade.
Nesse ano, voltou ao Convento do Carmo de Viana do Castelo para trabalhar como missionário no Seminário Carmelitano e também no secretariado diocesano da pastoral da Juventude, onde permaneceu até 1984. Os 3 anos seguintes foram vividos na Casa do Carmo, em Fátima, como responsável do Postulantado.
No dia 20 de Julho de 1987, celebrou a sua primeira Missa como conventual do Convento do Carmo de Aveiro, onde se encontra desde então, tendo cumprido há dois anos o jubileu das suas bodas de prata sacerdotais.
Para o homenagear, a Câmara Municipal de Ílhavo e a Ordem dos Padres Carmelitas promoveram a apresentação do Livro “Alegrai-vos! Homilias do Frei Silvino”, que decorreu na Biblioteca Municipal de Ílhavo, no dia 16 de Dezembro de 2006, do qual apresentamos um pequeno excerto inteiramente dedicado à época natalícia que se avizinha:
“Nos braços do Menino de Belém que se estendem como um bebé para nós, devemos ver o amor de Deus e agradecer-Lhe porque nos criou para sermos como Ele, Deus.
Que o Natal nos anime a todos na fé de seguir, servir, amar e louvar aqui e para sempre o Deus que Maria trouxe no seu ventre, deu à luz em Belém e é o Senhor de toda a história e de todos os homens.
É Natal, alegremo-nos e rejubilemos porque somos para Deus o melhor que ele tem, porque somos para Deus a obra mais preciosa e Ele não nos deixa ficar pelo caminho, quer levar-nos para a casa onde um dia nasceremos depois da morte, como Ele nasceu no Natal em Belém.
A todos, santas e alegres festas do Natal de Cristo nosso Deus, Redentor e Criador. Que assim seja.”
In Alegrai-vos! Homilias do Frei Silvino
– “Solenidade do Natal(I) – Somos o melhor que Deus tem!”
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Efeméride gafanhoa: Capela de Nossa Senhora dos Navegantes
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Marcadores: Efemérides
terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
NATAL - 2008
ORAÇÃO DO DEUS-MENINO
Era noite; e por encanto
Eu nasci, raiou o Dia.
Sentiu meu pai que era Santo,
Minha mãe, Virgem-Maria
As palhinhas de Belém
Me serviram de mantéu;
Mas minha mãe, por ser Mãe,
É a Rainha do Céu.
Nem há graça embaladora,
Como a de mãe, quando cria;
É como Nossa Senhora,
Mãe de Deus, Ave-Maria!
Está no Céu o menino,
Quando sua mãe o embala.
Ouve-se o coro divino
Dos anjos, a acompanhá-la.
Como num altar de ermida,
Ando no teu coração;
Para ti sou mais que a vida
E trago o mundo na mão.
Não sei de pais, em verdade,
Mais pobrezinhos que os meus;
Mas o amor dá divindade,
E eu sou o filho de Deus!
In Anunciação e Natal na Poesia Portuguesa,
Antologia organizada por António Salvado
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Marcadores: Natal
AMÁLIA – Um Filme
Sabendo-se, muitas vezes pelas palavras da própria, que Amália não se considerou, na totalidade da sua vida, uma mulher feliz, não é de estranhar que a obra explore incisivamente uma componente dramática. Diga-se, porém, em abono da verdade, que a fita está longe do “dramalhão” que uns anunciam e outros temem, conseguindo-se um razoável equilíbrio nos registos em que a obra se inscreve.
Ainda assim, em termos da força do seu contéudo, a opção pela sequência de vários momentos da história de Amália, dá muito mais lugar à componente amorosa – com os diversos homens que passaram pela sua vida e a influência que obrigatoriamente tiveram no seu decurso– do que propriamente à força que o dom, o prazer e até a necessidade da música teve ao longo da sua existência, incluindo como ponto de partida e chegada dos seus momentos mais e menos felizes. A obra chega mesmo a ser, em larga medida, um filme de actriz se tivermos em conta que é na estreante Sandra Barata Belo que assenta a sua melhor surpresa – embora um pouco mais de energia, até de rispidez, em certos momentos, lhe assentassem bem.
Nas palavras da equipa que produziu e realizou o filme o grande objectivo foi mostrar Amália – Vida e Morte -, um princípio quanto a mim ambicioso de mais para o resultado superficial que a obra vem a ter no seu conjunto.
De qualquer forma, retratar no cinema uma personagem como Amália, uma mulher sempre à beira de se deixar ultrapassar pelo seu dom e pela própria vida, nunca será tarefa fácil. Como qualquer outra equipa, a de Coelho da Silva fez as suas opções podendo nós apenas por enquanto reconhecer-lhe a coragem de arriscar trazer ao grande público a sua versão de tão tamanho vulto.
Margarida Ataíde
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Marcadores: Cinema
A irmã - crise
Por fora, entretanto, tudo parece normal. A cidade move-se, a publicidade impõe, o turismo convida, as prendas de Natal prometem, as festas e espectáculos cumprem. A vida roda para além das engenharias bancárias e financeiras e das piruetas dos barris de petróleo.
Em que ficamos, afinal?
A vida merece ser pensada. O ser, o ter e o haver precisam ser sacudidos para nos posicionarmos interiormente em novos ângulos que observem a realidade com menos ilusões, menos distorções de interesse, imediatismo, parcialidade. Talvez o grande mérito deste momento seja confrontar-nos com o que estamos a edificar. Não para lançar anátemas sobre o nosso tempo, o nosso espaço, a nossa cultura e até a nossa forma de viver a fé Mas para, corajosamente, ensaiarmos no concreto o que já se vem sentindo como profecia subliminar do nosso tempo. Estamos desafiados no nosso quotidiano. Na energia, no ambiente, no desperdício, na alimentação, no gasto, na austeridade, no essencial, no supérfluo. E no sentido da vida. E da nossa relação com os objectos. Como nos novos clamores que nos chegam para um outro olhar sobre a justiça, a cultura, o desenvolvimento, a liberdade, a segurança, a evolução tecnológica, as potencialidades da ciência, o respeito pela terra, pela vida, pelas crianças e pelos idosos, as iniciativas de voluntariado, a serenidade ideológica que confere maior humildade para ouvir, aceitar, ousar a mudança no diálogo, no respeito pela pluralidade de expressões, culturas, artes, religiões. Para trás ficam séculos rígidos e desumanos de escravatura, pena de morte, injustiça silenciada, esmagamento dos mais fracos, sem recurso ou direito de protesto. O nosso tempo, não sendo um clube de santos, oferece novos horizontes. E os sobressaltos económicos e políticos também são profecia, sinal, desafio, apelo, coragem para mudar. Esta lição dura não pode reduzir-se a alguns escândalos que explodem em tempo de crise. Os factos não são novos. Apenas eram ignorados.
E se nos organizássemos para uma reciclagem sobre a nossa vida, o nosso mundo, a economia, a terra, a água, a energia, a espiritualidade, o sentido da existência? Os vindouros dirão um dia que uma crise contribuiu para a mudança duma civilização.
Mesmo sem entendermos tudo, temos condições para pensar o principal. E pôr em prática. Sei lá se Francisco de Assis não lhe chamaria irmã-crise. Os cristãos sempre chamaram ao tempo do Advento tempo de conversão. Não é tarde nem cedo. É a hora.
António Rego
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Marcadores: Espiritualidade
segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
Feriado Nacional – 1.º de Dezembro
COMO ERAM DIFERENTES OS NOSSOS AVOENGOS!Com 60 anos de ocupação filipina, no dia 1 de Dezembro de 1640, um grupo de portugueses expulsou o rei estrangeiro e os seus sequazes e traidores, alguns dos quais filhos desta Nação que deu novos mundos ao mundo, e proclamou o Duque de Bragança como rei de Portugal, com o nome de D. João IV, mais tarde cognominado de o Restaurador.
Diz a História que, a alguns que indagaram o que estava a acontecer, os conjurados responderam, com determinação, que iam tirar um rei e pôr outro, num já. Com esta facilidade toda. Os portugueses de antanho eram assim. Com um golpe certeiro, tiraram ou rei e proclamavam outro. Uns traidores foram janela fora.
Como eram diferentes os nossos avoengos!
FM
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Marcadores: História
Avenida Dr. Lourenço Peixinho quer voltar aos tempos áureos
A tarefa não será fácil, já que cada tempo tem os seus aliciantes. As pessoas, naturalmente, sentem-se atraídas pelo novo e pelo original. Aquela proximidade com o passado, alimentada durante décadas, pode ruir de um dia para o outro, principalmente quando cheira a coisa diferente. E se essa coisa diferente for alimentada por uma publicidade agressiva, condizente com as necessidades do povo, não há dúvida nenhuma de que os gostos põem para trás das costas as amizades e familiaridades antigas.
Sou do tempo em que a Avenida Dr. Lourenço Peixinho era mesmo a sala de visitas de quem chegava a Aveiro. Por ali se andava aos domingos a ver as montras e se prometiam regressos para adquirir, à semana, o que ficava na ideia. Depois da passeata, lanchava-se nos cafés e pastelarias, antes do regresso a casa. Uns iam ao cinema, sobretudo no Inverno. De Verão, comiam-se gelados enquanto se caminhava ou sentados nos bancos da avenida.
Depois veio o OITA, que passou a ser a nova sala de visitas. Aos domingos, e mesmo à semana, estava sempre repleto de pessoas. Era agradável andar por ali.
Com o Fórum, tudo se alterou. A Avenida começou a esmorecer, a decair, e as lojas seguiram-lhe o caminho. Poucas resistiram. E as que teimam, mesmo modernas e de ares chiques, gostariam de ter mais clientes.
Mais tarde, surgiram as grandes superfícies. Novas atracções, novos desafios, novas ofertas, com cinema e tudo. Há festas, promoções, sabores diferentes, muita variedade. E até mesas disponíveis para a cavaqueira, em dias de frio, que o ambiente está aquecido. Face a isto, que fazer à Avenida? Confesso que não sei. Longe de mim a ideia de a cobrir, como enorme superfície reservada a peões. E se fosse? Fico ansiosamente à espera de ideias, porque a Avenida Dr. Lourenço Peixinho precisa delas. Quero aplaudir uma proposta genial, porque a Avenida Dr. Lourenço Peixinho a merece.
Fernando Martins
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Marcadores: Aveiro
Crónica de um Professor...
Baseada na pedagogia do “Magister dixit”, regia-se por uma construção do saber, autocrática, disciplinadora. Do seu estrado, o mestre debitava o saber, em discurso baseado na unilateralidade de ideias. O aluno ouvia e, quer concordasse quer não, tinha que aceitar a palavra do mestre como verdade insofismável.
Quem como a teacher está neste contexto de actividade sabe, sente na pele, no seu quotidiano, que a Escola hodierna está nos antípodas deste conceito de ensinar.
Hoje, o aluno está no centro das atenções, das actuações, das preocupações! E na avaliação? Nessa... ganha-lhe o professor! Pelo menos, assim dizem os nossos governantes, nomeadamente a tutela da educação.
Reportando-se à áurea década de 60, em que estudava ao som da música dos Beatles, em que trauteava e percorria na memória as letras lindíssimas das suas canções, lembra, com saudade, o ambiente de paz, ordem e respeito que se vivia. Que bom era ser professor... nessa época remota!
Hoje, a Escola é geradora de conflitos, houve a massificação, nem sempre a integração da diferença se faz de forma eficaz e temos o caos que se vive e que vai estendendo os seus tentáculos!
Numa dessas aulas conturbadas, em que a disciplina teima em não vingar, a teacher recorda um episódio, que se tornou recorrente na sua prática lectiva.
Quando, no decurso da aula, voam aviõezinhos de papel, bocadinhos de borracha aterram na cabeça ou no livro do aluno que teima em estar atento, quando bolinhas de papel mastigado, lançadas como projécteis pelos canos vazios das esferográficas vão cair na mesa do professor, quando surgem grunhidos oriundos duma selva distante das terras gafanhoas, ou o relinchar perfeito dum puro sangue equino, etc., etc., etc., a teacher desespera! Não entrou ainda na hagiografia portuguesa!
Depois de muitas vezes ter admoestado os alunos para estarem atentos às tarefas da aula e de ter interceptado algum OVNI (!?), interroga, já fora de si:
- Quem foi, desta vez, o autor da “brincadeira”?
Ninguém se acusa, numa cumplicidade fraterna, pouco consistente no mundo mesquinho dos adultos. Depois de várias vezes instados para que se acuse o transgressor, a teacher atira para o ar:
- Não foi ninguém, pois não? Deve ter sido o João da Esquina...
Na intenção de excluir os nomes dos possíveis intervenientes, os Fábios, Sandros, Hugos, Marcos e outros mais, estrangeirados, ocorre-lhe um nome, bem português, disseminado a esmo, nas cédulas de nascimento de há décadas atrás! A figura rubicunda de João da Esquina que emparceira ao lado de João Semana e José das Dornas, assoma à memória, como um nome clássico, bem representativo do homem português... Numa observação perspicaz, pergunta um aluno:
- Quem é esse senhor, setôra? Está sempre a falar nele!
Júlio Dinis, “As Pupilas do Senhor Reitor”... PNL (Plano Nacional de Leitura).
E assim, sem ser detentora da “cátedra” de Língua Portuguesa, a teacher contribui para o fomento da leitura na sala de aula!
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Banco Alimentar não descansa
Já diversas vezes constatei que em tempos de crise há mais generosidade. Os sociólogos terão, com certeza, explicação para o facto. Cá para mim, quem sofre e quem experimenta, no dia-a-dia, as dificuldades da vida, compreende, melhor que ninguém, a urgência de olhar para os mais pobres.
Congratulo-me com isso, mas que a generosidade não se fique por aqui, mas que seja, em cada momento, um estímulo para a procura de soluções políticas e sociais para a erradicação da pobreza.
Fernando Martins
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Marcadores: Banco Alimentar, Fome
NATAL - 2008
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Marcadores: Natal




















































