domingo, 30 de Novembro de 2008

UMA RUA POR MÊS: Av. José Estêvão

José Estêvão (1809-1862)

Homenagem justa ao grande tribuno aveirense

No dia 12 de Março de 1860, iniciou-se a construção da primeira estrada que atravessa a região da Gafanha, ligando os estaleiros ao Forte da Barra. Foi concluída em 30 de Abril de 1861. Estas são as informações da Monografia da Gafanha, do Padre João Vieira Rezende.
Começou em Aveiro, em 1855. Posteriormente, seis anos depois, chegou ao Forte. A seguir, passou à Barra, atravessando uma ponte de madeira, junto ao Forte Novo. Por fim, atingiu a Costa Nova.
Na área da Gafanha da Nazaré, foi baptizada com o nome de Avenida Central, passando, já nos nossos dias, a Avenida José Estêvão, numa oportuna homenagem ao grande tribuno.
A este propósito, até se conta uma história interessante, que terá sido protagonizada por José Estêvão. Recorda João Evangelista de Campos, em “Achegas para a Historiografia Aveirense”, que o grande orador há muito reclamava a ligação rodoviária entre Aveiro e Costa Nova. Vai daí, conseguiu trazer um dia um grupo de deputados, “dos mais refilões”, para verificarem essa urgência. “Embarcados num saleiro, começou a viagem com um tempo regular.”
Entretanto, na hora do regresso, quando saíram da Costa Nova, “levantou-se um ventinho”, que foi aumentando. As “marolas” obrigavam o barco a baloiçar perigosamente; com os viajantes a mostravam medo, José Estêvão sossegou-os dizendo-lhes que, “se tivessem ido de bateira, seria muito pior”. E “quando já iam ao largo da cale”, a atmosfera começou “a mostrar sinais de que a trovoada se aproximava”. O medo apoderou-se ainda mais dos convidados, “com o barco a baloiçar e a trovoada a ribombar”. Então, José Estêvão lá anuiu ao pedido dos deputados, dizendo-lhes que regressariam a Aveiro, “se eles dessem a sua palavra de que estavam convencidos da necessidade de se construir a estrada e de que defenderiam (…) essa construção”. E isso terá acontecido, porque o medo era muito.
A ser verdade, não há dúvida de que o nosso tribuno era muito esperto. Tão esperto, que até “encomendou”, para essa viagem, um temporal capaz de convencer os “deputados refilões” da premência da estrada, de que a nossa actual Avenida José Estêvão faz parte.

Fernando Martins

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 105



A PROVA DE PASSAGEM DA 2.ª PARA A 3.ª CLASSE


Caríssima/o:

Pudesse eu dar-vos imagens de boa qualidade do que vos pretendo transmitir! São pouco mais que borrões o que resta desses longínquos acontecimentos: papéis amontoados, amarrotados, amarelecidos, desbotados, ratados alguns...
Foi em 1949 que fiz a passagem para a terceira classe!
O ambiente era o mesmo do escrito anterior, apenas com uma ligeira diferença: os escolares já não são principiantes! E com esta confiança e a certeza de que tudo vai correr muito bem e até é fácil terão, muitas vezes, de encarar com o nariz torcido a tinta que escorreu do aparo e pôs uma borrata logo ali no meio da cópia! Certificado de pouco cuidado? Pouca destreza? Desleixo e desmazelo? Oh! Céus! Ninguém repara que a caneta não está em condições e o 'prevaricador' choroso vai mostrar à Professora a 'obra prima'! “Não faz mal... Anda pr'à frente...Isso não tem importância! É só um pingo!” Era mesmo só um pingo mas as lágrimas pegadas aos olhos aumentaram o tamanho... Vamos então continuar e seja o que Deus quiser, mas agora mais cuidadinho!
Depois da cópia, vinha o ditado e depois a redacção; pronto, a parte escrita feita sem precalços... para além do que aí fica.
Um pequeno intervalo e vamos à matemática, às contas e aos problemas; isso é canja. Pois é, mas cuidado que aquele que é um barra atrapalhou-se e passou mal a resposta!
Por fim o desenho na última página e a prova escrita concluída.
Mais descontraídos e confiantes, tudo termina com a leitura...
Resultados afixados na porta com a aprovação de todos e de todas, seguiu-se o jogo das escondidas pelos carreiros da vizinhança da Escola do Ti Bola... e amanhã a liberdade era total: as férias!



O EXAME DA 3.ª CLASSE



Há dias em conversa alguém me dizia que o Professor Carlos era baixo e pequenote... Fiquei perplexo! Na minha ideia ele era um 'gigante'... Foi assim que me ficou retido na minha infantil imaginação quando o contemplo ao lado da minha Professora que o aguardava à porta da Escola acompanhada por outra que também fazia parte do júri. Apareceu montado na sua bicicleta e a 'fotografia' que a minha memória reteve mostra-o como um homem grande!
E o caso estava sério: tínhamos um Professor a presidir ao nosso exame da terceira classe, o exame do 1.º grau!
Todo ele eram sorrisos e palavras de estímulo, mas sempre era um... homem!
O papel utilizado na prova escrita era em tudo semelhante ao das provas finais realizadas por nós nas primeiras classes, mas agora começava-se logo pelo ditado, com a prova da caligrafia por baixo; na página seguinte, redacção; três problemas verificavam os conhecimentos nessa área e terminava-se com um desenho (o tal vaso... ou um copo...)
A prova escrita estava feita... logo à tarde é que vão ser elas!
Comida a buchita do almoço, ala para o pequeno alpendre e nada de correrias nem de saltos; olhávamos uns para os outros e parecíamos mesmos as ovelhas e os cordeiros que vinham para a festa de Nossa Senhora da Nazaré: também elas e eles não conheciam a sorte que lhes estava reservada.
Entrámos e vimos e ouvimos que o senhor Professor fazia perguntas como as da nossa Professora e ria e animava-nos e afinal foi de festa o ambiente que rodeou a afixação do edital com os resultados: “Todos os alunos e alunas submetidos ao exame da 3.ª Classe foram aprovados” ... e seguiam-se as assinaturas dos elementos do Júri.
E nós sabíamos que este exame do 1.º grau era importante porque ainda no ano anterior quase todas as meninas deixaram a Escola e, dos rapazes, dois ou três não voltaram que foram trabalhar. As férias esperavam por nós, em Outubro logo se veria como era!

Manuel

sábado, 29 de Novembro de 2008

CUFC: ADVENTO PARA TODOS




Grupos, Movimentos, PALOP, Coros,
Voluntariados… a Caminho do Natal

1. Sublinhemos a palavra caminho, pois não há meta sem percurso, nem triunfo sem esforço dedicado. Estamos diante de um tempo novo que se quer revestir de novos desafios para todos nós. A aceitação corajosa de captarmos os convites permanentes que nos são propostos poderá transfigurar todas as coisas. Mas o essencial não virá do exterior, sim do interior do coração… Este, quando na sua beleza generosa aceita ser parte da construção, do fazer caminho edificante e não do parar na indiferença ou no criticismo que deita a perder os novos horizontes…
2. O tempo de Advento aparece diante de todos nós como uma oportunidade sempre única, até de dar o justo sentido às palavras. Natal não significa coisas mas atitudes, num renascimento espiritual que se abre aos outros e a Deus com novo ardor. Demos tempo à vida, numa vida que deve ter tempo para tudo. Sem o alimento espiritual – que depois se manifesta nos valores vivenciais – o caminho fica aquém do ideal. Este passa pelo reconhecimento de que Deus nos veio visitar e veio para ficar connosco, ser Natal para sempre!
3. Todos somos convocados! Para uma melhor aceitação vivencial temos muitas ajudas, começando pelo Profeta Isaías, passando pela figura emblemática de João Baptista e sentindo em Maria o aconchego do acolhimento. Não haverá Natal sem caminho de aperfeiçoamento. Acolhamos em nós aquele “choque espiritual” que nos poderá despertar para toda a Esperança! Esperança, valor fundamental que também norteará o caminho diocesano… Passo a passo, todos juntos, aceitemos as etapas que nos conduzirão ao verdadeiro Natal! Acolhamos o Convite:

CONVITE: Advento Natal CUFC :
3 Dez: 18.30h Celebração
21h Serão para conhecer os Jovens Sem Fronteiras
Alexandre Cruz

Harpa na Viola

video

Momento musical para este sábado de chuva e muito frio. Que a beleza da melodia e a força expressiva do artista possam aquecer o espírito de todos os meus amigos. A sugestão veio do poeta Orlando Figueiredo, meu prezado amigo e familiar,

Política e Economia: cada cabeça cada sentença

Se há ciência que prima pela variedade de certezas (ou dúvidas?), a economia é uma delas, andando de braço dado com a política. O que uns defendem outros condenam. Por isso, acho que importa ler o possível para nos decidirmos pelo que acharmos melhor. Às vezes podemos acertar.
"Em Portugal, Teixeira dos Santos diz que o Governo vai estimular a economia através do investimento público. Ou seja, vai desperdiçar dinheiro em projectos de duvidosa rentabilidade que já eram contestados antes da crise financeira. As debilidades da economia portuguesa são conhecidas. O peso do Estado é elevado, os serviços públicos de saúde e educação são ineficientes, a justiça não funciona e o sector privado está sobrecarregado de impostos e de burocracia. Perante isto, o Governo recorre à solução fácil de atirar dinheiro para a economia, agravando o défice e o endividamento público."
Ler ESTÍMULOS de João Miranda, Investigador em Biotecnologia

IGREJA, SEXUALIDADE E BIOÉTICA


No lançamento do livro A Sexualidade, a Igreja e a Bioética. 40 anos de Humanae Vitae, de Miguel Oliveira da Silva, procurei reflectir sobre o paradoxo de, sendo o cristianismo uma religião do corpo - não diz a Bíblia que Deus criou os seres humanos em corpo e viu que era muito bom e não confessa a fé cristã que Deus assumiu em Jesus a corporeidade humana e que ela está presente, pela ressurreição, no seio da Trindade? -, em boa parte a má vontade contra a Igreja radicar na sua relação com o sexo. Como admitir, por exemplo, mesmo quando a saúde e a própria vida ficam ameaçadas, a proibição do preservativo?
O que envenenou a relação da Igreja com a sexualidade foi o choque entre o poder e o prazer, porque o prazer pode abalar o poder.
Concretamente, há a doutrina do pecado original, entendido não como o primeiro de todos os pecados - todos pecam -, mas como um pecado herdado de Adão e transmitido por geração, portanto, no acto sexual.
Depois, com a reforma gregoriana, século XI, foram-se erguendo as três colunas sobre as quais assenta, segundo Hans Küng, o paradigma católico-romano: papismo (poder centrado no Papa), celibatismo (celibato obrigatório por lei para os padres), marianismo (devoção a Nossa Senhora como compensação).
Como se determinou que tudo o que se refere ao sexo é por princípio matéria grave e como, por outro lado, não há ninguém que não tenha pelo menos pensamentos relacionados com o sexo e só o sacerdote ou o bispo podem perdoar os pecados, a confissão acabou por tornar-se não um espaço de reconciliação e paz, mas tantas vezes de opressão, e raramente uma instituição acabou por deter tanto poder sobre as consciências, criando infindos complexos de culpabilização. Quando se lê os manuais dos confessores e todos aqueles interrogatórios inquisitoriais, quase reduzidos ao campo sexual, percebe-se que muitos tenham começado a abandonar a Igreja por causa da confissão, considerada ofensiva dos direitos humanos.
No universo sexual, que, como escreve Miguel Oliveira da Silva, continua a ser "um imenso, incómodo e multifacetado mistério", é evidente que não vale tudo. Ele reconhece que "a sociedade ocidental vive um profundo e grave vazio ético em matéria de sexualidade".
De qualquer modo, a Igreja precisa de reconciliar-se com o mundo e a ciência, o corpo e a sexualidade. Mas enquanto se mantiver a lei do celibato obrigatório não estará todo o discurso eclesiástico sobre o tema debaixo do fogo da suspeita?
Nos seus Jerusalemer Nachtgespräche, o Cardeal Carlo Martini interroga precisamente esta lei e, depois de considerar os estragos da encíclica Humanae Vitae, reconhece que muitos esperam do Magistério uma palavra de orientação sobre o corpo, a sexualidade, o casamento e a família. "Procuramos um caminho para, de modo fiável, falar sobre o casamento, o controlo da natalidade, a procriação medicamente assistida, a contracepção."
Neste domínio da contracepção, o equívoco fundamental da encíclica Humanae Vitae encontra-se numa concepção de lei natural fixa, estática e centrada na biologia. Ora, por natureza, o ser humano é cultural e histórico e a própria realidade é processual. A sexualidade humana não pode ser vista apenas na sua vertente biológica. Como pode o Magistério fixar-se na biologia, esquecendo que, para ser verdadeiramente humana, a sexualidade envolve o biológico, o afectivo, a ternura, o amor, o espiritual?
Por outro lado, na perspectiva bíblica, não criou Deus o Homem como criatura co-criadora? Não é o Homem, por natureza, interventivo, aperfeiçoador e transformador da natureza? Então, no juízo moral, o critério não pode ser o natural identificado com o bem e o artificial identificado com o mal, mas a responsabilidade digna e a dignidade responsável. Aliás, quem defende os métodos contraceptivos naturais como os únicos legítimos deverá ser confrontado com a objecção: para lá da sua falibilidade, ainda serão naturais os métodos que têm a ver com uma descoberta e aproveitamento humanos dos períodos inférteis da mulher?

Anselmo Borges

sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Teatro na Gafanha da Nazaré


Os tempos mudam, tal como mudam os hábitos das pessoas. Há 35 anos, surgiu na Gafanha da Nazaré um Grupo de Teatro com projectos organizativos que apontavam para muitos anos de vida. Antes, como bem me lembro, já se fazia teatro, um tanto ou quanto ao sabor das necessidades das festas. Terminadas estas, terminavam também as temporadas teatrais. Mas o GATA - Grupo Activo de Teatro Amador não queria ter vida curta nem sonhos sem ambições. Nasceu em 27 de Setembro de 1973 para dar muitas alegrias aos gafanhões, com o entusiasmo e a competência que pôs nos seus trabalhos. Tenho-me lembrado do entusiasmo do Humberto Rocha, um tanto igual ao entusiasmo que põe em tudo em que se mete. Os anos até parece que nem passam por ele. Mas, presentemente, com outras motivações, a juventude já não olha para o teatro.
Ao tentar alinhavar a história do GATA, com base no que for possível compilar, mais não quero do que homenagear o meu amigo Humberto Rocha, que foi, há 35 anos, o grande animador daquele Grupo de Teatro. Mas ainda é hoje um gafanhão, sempre em actividade, capaz de manter uma juventude invejável. Aliás, tal não é de admirar, porque, sendo ele médico, terá sabedoria mais do que suficiente para afugentar o stresse e qualquer maleita que o possa incomodar.
FM

Declaração Universal dos Direitos Humanos


60 anos depois, a actualidade dos seus princípios mantém-se

No próximo dia 10 de Dezembro, o mundo celebra o 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A efeméride recorda a proclamação dos seus 30 artigos, em Paris, em 1948, pela Assembleia-Geral das Nações Unidas, três anos depois de mais uma sangrenta guerra – a II Guerra Mundial - que abalou o mundo ocidental. Fruto, decerto, de tantos conflitos, a Declaração emerge como resposta à necessidade de pôr o homem no centro da civilização, com todos os seus direitos, assentes no respeito pela liberdade e pela dignidade de todos os seres humanos, rumo a uma sociedade mais justa, fundamento de uma paz duradoira.
Mas se é certo que tal desiderato se impunha há 60 anos, não é menos certo admitir que, nos tempos actuais, as ofensas aos direitos do homem continuam na agenda de todos os órgãos de comunicação social, como realidade sentida na pele por multidões de refugiados e outras vítimas de conflitos armados, mas também de guerras psicológicas, de lutas tribais e de perseguições políticas e religiosas.
Lendo e meditando sobre cada um dos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, compreendemos como todos eles se mantêm actuais, justificando-se, contudo, uma maior e mais ampla divulgação, com sentido pedagógico, junto das mais diversas camadas das populações de todos os países. Sobretudo dos mais jovens, os que um dia hão-de segurar nas suas mãos os destinos do mundo. Sem esse trabalho de construção de um homem novo, com alicerces na Declaração, jamais daremos corpo a uma sociedade mais fraterna e mais solidária.
Olhando para a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com seis décadas de vida, temos de reconhecer que os seus artigos, sob o ponto de vista cristão, assentam ou se coadunam com a Boa Nova de Jesus Cristo. Mais uma razão para todos nos empenharmos na proclamação dos seus princípios, na defesa dos seus valores, na oportunidade de os levarmos à prática no dia-a-dia: na família, nas instituições, no lazer, no social, no político, no educacional, no ensino, no desporto, na arte.

Fernando Martins

Jornal "Timoneiro" volta à luz do dia


O “Timoneiro”, jornal mensal da paróquia da Gafanha da Nazaré, reiniciou a publicação, após 11 meses de paragem, agora com o Padre Francisco Melo como director. Saiu com 16 páginas, tendo como propósito ser “um espaço privilegiado de comunicação e partilha entre as pessoas, grupos, sectores e âmbitos de acção pastoral”, como sublinha o director em “Uma primeira palavra…”.
O Padre Francisco Melo ainda manifesta o desejo de que o jornal seja um veículo de "informação, mas também de formação humana, cristã e cívica dos seus leitores”.
Para além de espaços alargados dedicados à paróquia, o “Timoneiro” assume a intervenção (desde a primeira hora desta sua nova fase) na comunidade humana, procurando ir ao encontro das pessoas concretas e das iniciativas que preenchem o seu quotidiano, numa aposta de proximidade fraterna, sem lutas mesquinhas e sem politiquices.
Ao aceitar colaborar, com todo o meu empenho, fi-lo na convicção de que o "Timoneiro" continua a ter o seu lugar na zona geográfica em que se insere, procurando ser uma mais-valia para a união de todos os gafanhões, onde quer que eles se encontrem.
Os interessados em se inscreverem como assinantes podem dirigir-se ao Cartório Paroquial, Av. José Estêvão, 3830-555, Gafanha da Nazaré.

FM

Efemérides aveirenses: Bombeiros

28 de Novembro

Este dia, em Aveiro, nos anos 1882 e 1908, houve sinais evidentes de solidariedade e de voluntariado.
Em 1882, um grupo de aveirenses aprovou os estatutos da "Companhia de Bombeiros Voluntários de Aveiro".
Em 1908, um punhado de bons aveirenses, reunidos na velha sede da extinta Associação dos Bateleiros, próxima da capela de S. Gonçalinho, decidiu fundar a "Companhia Voluntária de Salvação Pública Guilherme Gomes Fernandes - Bombeiros Novos".
In Calendário Histórico de Aveiro
NOTA: Guilherme Gomes Fernandes nasceu na Baía, em 1850. Foi comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto, onde se destacou como inspector dos Serviços de Incêndios. A sua perícia conduziu os bombeiros portuenses ao primeiro lugar num campeonato do mundo, em 1910.

quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

ESCOLA QUE FORMOU GENTE DE TÊMPERA PARA A VIDA



Refiro-me à Acção Católica. Celebrou agora os 75 anos de existência em Portugal. Foi e continua a ser, na Igreja e para a Igreja, grande escola de formação de leigos militantes, que enriquecem tanto a comunidade cristã, como tornam presente, na sociedade, o Evangelho feito vida.
A minha história está ligada à Acção Católica desde 1958. Padre novo, acabado de regressar de Roma, onde fizera também, por iniciativa própria, estudos relacionados com esta, logo fui designado assistente de movimentos operários e, depois, de diversas estruturas diocesanas. Conheço a história e a realidade da Acção Católica, admiro e continuo a seguir a sua metodologia, experimentei ao vivo o dinamismo que a instituição traz consigo desde sempre, tentei dar-lhe força e lugar na acção pastoral, sofri os seus momentos difíceis, estou-lhe grato pelo número de leigos cristãos que nela se formaram. Pela sua têmpera e coragem, creditaram a acção da Igreja nos diversos meios sociais e em situações diversas em que a militância dos leigos cristãos era não apenas um desafio, mas também um risco, conscientemente assumido.
A Acção Católica hpje, em Portugal, lamentavelmente, não tem a expansão de outros tempos. Os movimentos operários continuam os mais resistentes, porque a vida os oprime mais. As alterações sociológicas dos chamados meios sociais são por demais evidentes. O mundo da escola encontrou derivativos mais propensos a aspirações pessoais, mas menos exigentes e duros, frente aos desafios e compromissos da vida concreta. Mesmo assim, continua a haver, pelo país fora, militantes de qualidade e de horizontes largos, tanto no meio rural agrário, como no mundo escolar, no meio independente e nas associações profissionais.
O Vaticano II assinalou a importância da Acção Católica. Os bispos portugueses também a afirmaram sem reservas. As mudanças sociais e culturais realçaram a sua importância. Porém, os caminhos do laicado parecem agora andar noutra direcção.
A crise vivida na mudança não foi bem lida por muita gente responsável, que mais apontou nos desvios inevitáveis, que no rumo que sempre levara e que fazia parte da sua identidade. Só não pisa o risco em momentos de perplexidade, quem não suja os pés no lamaçal da vida..Até os bispos, lá atrás e num momento difícil, votaram pelo seguro, à revelia da história e do testemunho dos que continuavam a acreditar na Acção Católica porque a conheciam por dentro, nela tinham trabalhado e sabiam ler os sinais e o sentido dos ventos.. Estes votaram vencidos, em contra mão da maioria vencedora. Com o coração a sangrar, mas com a esperança em ponto alto, aguardando a luz da profecia.
A história da Igreja e do laicado apostólico não se faz, entre nós, sem olhar a Acção Católica. O governo de há décadas perseguiu-a, quis pôr-lhe mordaças, anotou os que a acompanhavam e pôs-lhe os rótulos condenatórios de então. Gente da Igreja, sempre a houve, que não gosta de ventos fortes que sacodem e acordam, dei apoio aos governantes. Mas só a verdade faz história. E essa fez-se, a seu tempo.
Quantos jovens formados na Acção Católica, hoje adultos ainda na primeira linha! Quantos outros descobriram e andaram rumos novos nas suas vidas! Quanta gente houve, a acender, corajosamente, o fósforo que rompeu trevas e desmascarou rotinas e mentiras! Quantos projectos solidários inovadores, aparentemente temerários, que mostraram que a fé se vive fora dos templos e não no aconchego dos mesmos! Quantos padres, com militantes ao seu lado, venceram crises, abriram caminhos pastorais novos, contagiaram colegas! Sempre houve cegos e surdos e hoje também os há.
Outros movimentos laicais surgiram na Igreja. Parece que alguns ainda não entenderam que a vocação de leigo, é de ser cristão no mundo e animador evangélico das estruturas sociais. A AC é movimento de fronteira e sem ela as fronteiras estão desguarnecidas.
António Marcelino

Efeméride aveirense

Fotos da capa do livro de Armando Tavares da SilvaJornal aveirense

27 de Novembro de 1908


D. MANUEL II foi recebido em Aveiro com grande entusiasmo

Há precisamente 100 anos, D. Manuel II visitou Aveiro, onde foi recebido com grande entusiasmo, tendo-se realizado festas de extraordinária imponência; esteve presente o Bispo-Conde de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina, seu padrinho de baptismo, que recebeu o monarca à porta da igreja de Jesus, conforme lembra o Calendário Histórico de Aveiro.
Por sua vez, Armando Tavares da Silva, catedrático aposentado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, diz, no seu livro "D. Manuel II e Aveiro – Uma visita Histórica (27 de Novembro de 1908)", que houve “cerimónias, festas e realizações populares”. Acrescenta que “D. Manuel II esteve ainda presente no distrito de Aveiro por mais duas vezes pouco antes do 5 de Outubro de 1910. A primeira para uma demorada permanência no Buçaco, no Verão desse ano, e a segunda para as comemorações do primeiro centenário da batalha do Buçaco, em Setembro de 1910”.
Mas se é verdade que as festas foram imponentes, com a adesão popular e das autoridades, também é certo que a oposição se manifestou contra a visita, denunciando as altas despesas que ela comportou.
No livro de Armando Tavares da Silva, pode ler-se, citando O Commercio do Porto, que as festas foram brilhantes, "cumprindo comtudo especialisar os numeros da noite, isto é, o fogo, as illuminações e a marcha, que chegaram a exceder a espectativa dos proprios organizadores".
Depois, adianta: "Passava das nove horas quando se deu por finda esta brilhante festa, que decorreu tão cheia de enthusiasmo como de distincção."
Por sua vez, O Democrata, que havia considerado a visita como “Real bambochata”, descreveu com sarcasmo o que viu, sublinhando que “a academia de Aveiro foi reforçada com collegas do Porto e de Coimbra”; referiu que “o sr. Dr. Jayme Silva […] animando com a sua voz cavernosa as frias gentes [estava] sempre prompto a defender o régio vizitante d’algum attentado… feminino. O povo não acclama […], move-se para ver o moço rei que […] ostenta vistosas condecorações […]”
Aqui fica este breve apontamento para tornar presente a efeméride, não vá ela ser esquecida por toda a gente. Para mais informações, clicar em Armando Tavares da Silva

Fernando Martins

quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Um Livro de Ana Maria Lopes


“O Vocabulário Marítimo Português
e o Problema dos Mediterraneísmos”


Como já neste espaço anunciei, com a certeza de que voltarei ao assunto, Ana Maria Lopes vai lançar, no Museu Marítimo de Ílhavo, no próximo sábado, 29, pelas 17 horas, mais um livro, com ligações ao Mar, tema de paixões da autora. Intitula-se ele “Regresso ao Litoral – Embarcações Tradicionais Portuguesas”.
Tenho tido o privilégio de conversar com Ana Maria Lopes sobre estas questões para perceber a riqueza dos seus conhecimentos sobre matérias marítimas, e não só. De tal modo que o seu blogue, que visito com frequência, foi baptizado com o expressivo nome de Marintimidades. Ou seja, um nome que nos remete para as suas intimidades com ligações profundas ao oceano, ou não se reflectisse ele nos olhares de todos os ílhavos, de que a autora é paradigma. Sobretudo quando se fala das influências que o mar exerce nas gentes daquela terra maruja.
Mas antes de falar desse trabalho que a envolveu durante bastante tempo, numa busca constante de tudo quanto diz respeito às embarcações tradicionais da nossa costa, permitam-me que lembre, hoje e aqui, uma outra obra de Ana Maria Lopes – O Vocabulário Marítimo Português e o Problema dos Mediterraneísmos –, publicada em 1975, surgindo em 2.ª edição, facsimilada, em 2006, sob a responsabilidade dos Amigos do Museu Marítimo de Ílhavo.
Este livro, que é a dissertação de licenciatura em Filologia Românica de Ana Maria Lopes, apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em Janeiro de 1970, oferece um repositório precioso de vocábulos e expressões que corriam o risco de se perder no tempo. Com o rigor da recolha e investigação feitas pela então jovem autora, a obra dá, a quem a lê, o prazer de voltar ao linguajar dos nossos antepassados que mourejavam no nosso mar, mais ao largo ou mais em terra. E sendo certo que uma boa parte do trabalho publicado se destina a estudiosos de ciências linguísticas e náuticas, não deixa de ser interessante que pessoas como eu, pouco dadas a rigores fonéticos e a termos técnicos deste domínio, sintam um grande prazer na leitura daquele livro.
Com ilustrações, a preto e branco, e grafismos elucidativos, com redes, alfaias e barcos diversos, de meu directo conhecimento, uns, e meus ilustres desconhecidos, outros, esta obra da autora ilhavense merece ser mais conhecida e mais apreciada pelas gerações actuais, em especial pelos que se dispuserem a colaborar na preservação do nosso passado colectivo.
Olhando para os seus quatro capítulos, com a atenção devida, reconhece-se o esforço meritório de Ana Maria Lopes, numa altura em que talvez não fosse muito frequente ver uma jovem andar de terra em terra nas pesquisas eruditas que ousou empreender, mostrando, no que fez, uma paixão digna de nota.
No capítulo I, o leitor entra em contacto com vários tipos de barcos, costeiros e do alto, e de apetrechos para diversas funções. No Capítulo II, os processos de pesca, com aparelhos e sistemas, mais venda e transporte de peixe. No Capítulo III, dedicado ao confronto entre o litoral algarvio e a costa ocidental, registamos o Portugal com costa de alguns contrastes. Por último, no Capítulo IV, temos a relação entre Portugal e o Mediterrâneo, com índices que ajudam na procura dos temas a ler. É que, para quem gosta de fazer uma leitura, sem pressas, talvez dê jeito começar à cata de um ou outro assunto, segundo o apetite da ocasião.

Fernando Martins

Melhor acolhimento para os imigrantes


Os Bispos católicos da Europa e da África lançam um apelo às suas comunidades para que sejam “ainda mais acolhedoras em relação aos irmãos estrangeiros, reconhecendo o valor e o contributo que os imigrantes trazem aos países de acolhimento”.

Crónica de um Professor


O Gentleman


Quando se cruzava com a teacher, nos longos corredores da Escola, com um sorriso amistoso, saudava-a, sempre, de forma cordial! Era um rapaz entroncado, rondando os 16 anos e que finalizava, nesse ano, a sua frequência, naquela Escola E.B 2/3.Já não era seu aluno, mas a delicadeza de maneiras, o fino trato, o cavalheirismo arreigado, não o tinham abandonado. E os seus olhos verdes, a fazer estremecer corações, à sua volta, num raio bem alargado da zona escolar? As meninas pululavam como abelhas, em volta de uma flor viçosa, colorida e cheia de fragrância. Era o Julinho, carinhosamente apelidado pela teacher, que, à semelhança de um outro Júlio, sexólogo proeminente da nossa praça, também a cativara pela diferença! Sim, que a monotonia da má educação, da boçalidade, da ignorância, também cansam e desgastam.
Um dia, na sala de informática, em substituição de um outro professor, a teacher deparou com esta cena... ternurenta e… tão frequente em meio escolar. Em frente do PC, as imagens sucediam-se, no display, a um ritmo acelerado, captando a atenção do aluno. Sim, digo do aluno, pois foi essa a primeira impressão deixada! Com efeito, ali estavam duas cabecinhas jovens, tão coladinhas, tão empolgadas uma com a outra, que a teacher não ousou interromper aquele idílio! Estavam na idade dos sonhos, das ilusões, do melhor da vida. Como bem os compreendia aquela teacher! Sim, porque ela também sonhava! Por isso se sentia jovem. “Uma pessoa só envelhece, quando os sonhos dão lugar aos lamentos” - ouvira alguém dizer.
Apenas comentou, no final da aula:
- A tua colega é muito bonita, não é Julinho?
Um sorriso cúmplice espraiou-se no rosto… daquele aspirante a Gentleman!
A teacher cogitou:
- Il n'est pas bon que l´homme soit seul! Lá dizia a Bíblia!
Mª Donzília Almeida

terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Recordando Eça de Queirós


Eça agHora

Disse João da Ega,
Que não era um primo
A campanhas alegres dado,
Depois que encontrou
Carlos, no avistado arrimo
Do Turf, num Rossio ultrapassado
Pelos anos em que ensonou
Num País de lupanares e calotes,
E de malandros aos magotes,

Num País de corridas falazes
E de vestidos sérios de missa,
Com jornais bafientos
E de artigos rançosos
Lidos por uns tantos rapazes
De futuros pachorrentos
E costumes ociosos:

«-Falhámos na vida, menino!»

E os tempos verbais trocados
Ensinam a História redita,
Desde os serões iluminados
Pelas lições da monarquia,
À juventude nérvea de sabedoria
E impaciência liberal,
Que corre num vai-vem
Num outro aterro irreal
Aquém delirante do trem
Que nem sempre alcançamos.

E assim vai o País de quem promete
Lançar carris em largueza
Para deixar de vez a charrete
E permanecer na certeza
Das falas finais que relembramos:

«-Ainda o apanhamos!»


Hélder Ramos
25.XI.2008
NOTA: A propósito do dia de hoje, aqui segue um poema dedicado a Eça de Queirós, pelo 163º aniversário. É um poema ao estilo parodioso do romancista, inspirado em algumas personagens e obras marcantes do autor.
Hélder Ramos

FÓRUM NÁUTICO DO MUNICÍPIO DE ÍLHAVO

O MAR POR TRADIÇÃO

A Câmara Municipal de Ílhavo e um conjunto de entidades deste concelho e da Região de Aveiro vão criar o “Fórum Náutico do Município de Ílhavo”, com o objectivo-base de dinamizar o desenvolvimento das actividades náuticas, centradas no recreio, no desporto e na cultura.
Esta é uma aposta estratégica para a terra que tem “O Mar por Tradição” e a modernidade como aposta permanente, tirando proveito e rentabilizando as suas condições ao nível da natureza, da história e da cultura da nossa gente.
Nesse âmbito, vai realizar-se amanhã, 26 de Novembro, quarta-feira, pelas 18 horas, no auditório do Museu Marítimo de Ílhavo, o acto formal de constituição do “Fórum Náutico do Município de Ílhavo”.
Nota: Clicar na foto para ampliar

Efeméride aveirense

25 de Novembro

Neste dia, em 1905, o Governador Civil de Aveiro aprovou os primeiros estatutos do Clube dos Galitos, prestimosa colectividade aveirense fundada em 24 de Janeiro do ano anterior, conforme se pode ler nos Estatutos do Clube dos Galitos, edição de 1905, páginas 21-23, e edição de 1956, página 3.
In Calendário Histórico de Aveiro

Madre Teresa: para pensar


NUNCA TE DETENHAS

Tem sempre presente, que a pele se enruga,
que o cabelo se torna branco,
que os dias se convertem em anos,
mas o mais importante não muda!

Tua força interior e tuas convicções não têm idade.
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha.

Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada triunfo, há outro desafio.

Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo.
Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo.

Não vivas de fotografias amareladas.
Continua, apesar de alguns esperarem que abandones.

Não deixes que se enferruje o ferro que há em ti.
Faz com que em lugar de pena, te respeitem.

Quando pelos anos não consigas correr, trota.
Quando não possas trotar, caminha.
Quando não possas caminhar, usa bengala.

Mas nunca te detenhas!

Madre Teresa de Calcutá


Banco Alimentar vai recolher alimentos


A CRISE ATINGE MAIS OS MAIS FRÁGEIS DA SOCIEDADE

Nos dias 29 e 30 de Novembro, o Banco Alimentar vai recolher alimentos junto das grandes superfícies. Precisa, por isso, de voluntários, que possam dar algum do seu tempo para esta tarefa.
Todos sabemos que a crise que estamos a sentir na pele atinge muita gente, mas com mais força os mais frágeis da sociedade. Porém, é precisamente nestes momentos que a solidariedade deve manifestar-se com mais vigor. Que cada um saiba dar um pouco do seu tempo, mas também daquilo que tem, alimentos ou dinheiro, na certeza de que esse gesto irá direitinho para quem passa fome.
Eu sei que às vezes temos dificuldade em acreditar que há gente sem pão para comer, em época de tanta abundância para alguns. E se nos convencermos desta realidade, então mais força encontraremos em nós para a partilha, urgentíssima.

“Moinhos do Distrito de Aveiro”


Marca da nossa memória colectiva


“Moinhos do Distrito de Aveiro” é um livro de Armando Carvalho Ferreira, que vai ser lançado na Universidade de Aveiro, na Sala dos Actos Académicos (Edifício da Reitoria), no dia 13 de Dezembro, pelas 16 horas.
Com este trabalho, o autor, um apaixonado pelo tema, pretende mostrar o trabalho de recolha e investigação que fez durante dois anos. Ainda apresenta o património molinológico da nossa região, "a grande maioria dele desconhecido ou esquecido, contribuindo assim para a sua valorização como marca da nossa memória colectiva", lê-se no convite de divulgação do evento.

Carlos Duarte apresenta fotografias


(Clicar nas fotos para ampliar)

"O MEU OLHAR"
“O meu olhar” é uma exposição de fotografia de Carlos Duarte. Vai ser inaugurada em 29 de Novembro, na Biblioteca Municipal, com o apoio do Rotary Club de Ílhavo.
São fotografias retratando temas diversos como a Ria, Costa Nova, os canais de Aveiro ou as procissões, mas com a matriz própria de quem vê estas imagens para além do real, o que para o comum dos observadores não será fácil de captar num primeiro registo.
Esta mostra é feita em parceria com o Rotary Club de Ílhavo e a receita reverte para a campanha que os rotários estão a levar a efeito para apoiar a Obra da Criança.
Do seu currículo, destaca-se a colaboração que tem prestado a diversos eventos, tendo sido, pelo seu labor, distinguido pela associação Os Ílhavos com o “Leme da Reportagem”.
Carlos Duarte expôs, pela primeira vez, em Ílhavo, na Junta de Freguesia, em 2005. Em 2006, na Gafanha da Nazaré, e em 2007 na Biblioteca Municipal, apresentando o livro “40 anos de fotografia”, cuja edição se esgotou.

segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Para minha mãe

Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente, esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
Bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe.

Sebastião da Gama


NOTA: Quando hoje acordei lembrei-me deste poema de Sebastião da Gama. Tenho boas razões para isso. Setenta anos de vida, bem vividos, justificam esta pequena imodéstia.

FM

domingo, 23 de Novembro de 2008

XANANA ditador?


Xanana, o herói timorense, anda nas bocas do mundo, acusado de ditador. O filho querido do povo Lorosae, que sofreu nas masmorras a tirania dos que não queriam Timor livre e independente, “já não goza da admiração de outrora”, no dizer do EXPRESSO.
Durante anos, mesmo depois da independência da ex-colónia portuguesa, era escutado com respeito e seguido com devoção. Presentemente, e depois de uma nebulosa eleição que o levou ao poder, como primeiro-ministro, não falta quem o acuse de estar ilegitimamente no cargo, chegando-se ao ponto de dizer que está conotado com atitudes autoritárias. Estará, assim, a cair em desgraça.
Sempre vi em Xanana um herói simples, com capacidade de se dar a causas justas, como a da libertação do seu povo. Até admirava o seu estilo, que chegou a ser parodiado em programa televisivo. Vi, algumas vezes, como humanamente acalmou o povo revoltado e resolveu conflitos entre militares, governantes e a população. Mas também registei, embora à distância, as eleições pouco claras e as manobras pouco democráticas que o levaram à chefia do Governo. Então tive pena do Xanana.
Para mim, os heróis raramente têm uma segunda oportunidade. De repente, quando menos se espera, passam a ser olhados com desconfiança. Não me espanta nada que isso venha realmente a acontecer.
Teria sido bem melhor para a história de Timor e para o próprio Xanana que ele tivesse ficado simplesmente numa situação de reserva da nação. Xanana, sem cargos políticos na sociedade timorense, seria muito mais útil ao seu povo do que na chefia do Governo. O futuro o dirá. Mas, pelo que é possível perceber, o Xanana, mártir da independência, estará a ser destruído, com a sua própria colaboração.

Fernando Martins

Mais vale ser ex-ministro que ministro


Há muito se diz que é melhor ser ex-ministro que ministro. O caso de Dias Loureiro, que saiu sem fortuna quando deixou o Governo e que logo a seguir enriqueceu, é paradigmático. E julgava eu, ma minha boa-fé, que não era assim. Não terá acontecido com muitos, mas é um caso dos que se serviram dos relacionamentos de ministro para subir na vida dos negócios, aparentemente com uma facilidade incrível. Uns contactos, umas viagens, mais uns amigos daqui e dali, e está bem feita a cama onde pode dormir descansado o resto da vida. Ele e a família.
Não tenho nada contra o ex-ministro Dias Loureiro, que sempre me pareceu um homem digno, sendo certo que, até prova em contrário, temos de o respeitar. Porém, depois da entrevista na RTP, já há quem o desminta, sobre a história dos contactos que manteve no BdP, por causa do BPN. A justiça dirá.
Vem isto a propósito de me habituar há muito à ideia de que cargos políticos são, para os vocacionados para isso, para servir a comunidade, como missão e contributo para o bem comum. Para servir, que não para ser servido. Mas, afinal, parece que não é bem assim. Daí o vigor com que muitos políticos se agarram aos “tachos”, como lapas à rocha dura. Para eles, a vida, fora disso, nem terá sentido. Continuo a ter dificuldades em aceitar estes comportamentos, embora admita que possa estar enganado.
Eu sei que o poder, pelos vistos, é aliciante. Há quem goste de estar na crista da onda, quem goste de ocupar cargos de chefia, quem goste de mandar e de impor as suas razões, e, ainda, quem goste de ficar na história, de preferência com busto ou estátua na praça pública.
Eu gostaria mais de ver políticos que cumprissem, com dignidade, os cargos para os quais foram eleitos, regressando às suas ocupações anteriores com toda a naturalidade deste mundo. E se gostassem de se dar à comunidade, haveria sempre um qualquer campo de intervenção tão importante como os cargos políticos. Não há por aí tantas instituições à espera de voluntários?
É claro que nem todos os políticos terão na manga a preocupação de enriquecer depois de regressarem a uma vida profissional normal. Nem todos enriquecem à custa dos cargos que desempenharam, mas começa a notar-se, infelizmente, que há uma certa vantagem em ser ex-ministro. Não será a maioria, mas, pelos vistos, há quem se aproveite.
Fernando Martins

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 104


A PROVA DE PASSAGEM DA 1.ª PARA A 2.ª CLASSE

Caríssima/o:

Pelo que se vê, estamos a chegar ao final do ano, mas antes ainda temos de esfolar o rabo, que é como quem diz: temos de passar por uma prova bem difícil.
E que prova era essa? Apenas e só a prova de passagem de classe, levada ao extremo da seriedade e da ansiedade!
Começava pelos treinos: papel almaço e com umas palavras impressas sobre as quais sobressaía e se sobrepunha um escudo de Portugal!
Aí, nessa primeira página, rabiscávamos o nosso nome a tinta... e não podia ter emendas nem borrões. Preparativos minuciosos, qual motor de fórmula um, para verificar e afinar o aparo, se não abanava, se a tinta não caía... E o lápis bem aguçado... E as mãos limpas para não deixarem marcas no papel...
À prova assistia a nossa Professora e uma outra que muitas vezes nos era desconhecida, vinha de escola próxima... Procuravam cativar-nos e sorriam e que fizéssemos tudo com cuidado que ia correr tudo bem e todos passávamos...
Começávamos pela cópia: do livro de leitura, à sorte.
A seguir uma redacção que também não trazia grandes surpresas: as duas ou três frases que se escreviam já nos não eram desconhecidas.
Agora era a vez da aritmética: um problema de uma operação, com a respectiva indicação e uma resposta completa e também uma conta que podia ser de somar, subtrair, multiplicar ou dividir, com toda a tabuada até nove. Claro, a multiplicação e a divisão era só por um algarismo... Havia também a representação de uma fracção por meio de um desenho-gráfico e a escrita de um número romano até XX...
Está quase, que só falta o desenho na última metade da quarta página (pois em cima tínhamos feito a fracção e escrito o tal romano...): o vaso fica mais bonito com uma flor!
Terminada a prova escrita, íamos para o recreio esperar que nos chamassem para mostrarmos a nossa arte na leitura.
Muitas vezes, só à tarde é que aparecia pregado à porta o papel onde se lia que todos os que fizeram a prova de passagem tinham transitado para a 2.ª classe...

Manuel

sábado, 22 de Novembro de 2008

Voluntários Hospitalares


Quando passo por um hospital, quase sempre registo a presença dos voluntários hospitalares. Homens e mulheres que se dão ao apoio a quem está a sofrer, física e psicologicamente. Ontem mais uma vez confirmei o bem que eles fazem. Atentos a quem chega, frequentemente pressentem quem precisa de ajuda. A partir daí, não mais deixam de estar com a pessoa.
“Eu sei que não é fácil vir a estas casas, mas temos de ter esperança que tudo se vai resolver; há ali café, chá e bolachas que oferecemos a quem quiser”, disse um, enquanto, com o seu sorriso, dava algum ânimo a quem estava.
Tanto quanto posso imaginar, são pessoas reformadas e, por isso, disponíveis. Porém, não se vão meter em casa à espera que o tempo passe, nem se acomodam num qualquer café… ou banco de jardim. Dão-se aos outros generosamente.
É certo que não é voluntário hospitalar quem quer. Reconheço que é preciso ter vocação para lidar com doentes, mas também sei que em reuniões vão recebendo formação específica. Hoje, mais do que nunca, estas tarefas delicadas exigem conhecimentos e preparação, sob pena de se cometerem falhas que podem provocar efeitos contrários aos desejados. E depois, os voluntários hospitalares têm de assumir os seus compromissos, cumprindo, escrupulosamente, os horários que subscrevem.
Por tudo isto, e pelo que diariamente fazem nos hospitais, junto dos doentes, mais admiro os voluntários que no dia-a-dia estão próximos dos que sofrem.

FM

A INFAUSTA DOUTRINA DO PECADO ORIGINAL


A impressão geral que me ficava da religião nos tempos da catequese não era luminosa. Pelo contrário, tudo aquilo transmitia um mundo bastante tenebroso, a ideia de um Deus castigador e de nós sujeitos a um destino de submissão trágica. Os primeiros pais tinham pecado, Deus andava irado com a gente e Jesus sofria na cruz para ver se nos libertava. A alegria era um roubo e a palavra Evangelho, que quer dizer "notícia boa", não pousava sobre nós nem nos aquecia.
O que infectava o cristianismo era a doutrina infausta do pecado original. Escreveu o célebre historiador católico Jean Delumeau: "Não é exagerado afirmar que o debate sobre o pecado original, com os seus subprodutos - problemas da graça, do servo ou livre arbítrio, da predestinação -, se converteu (no período central do nosso estudo, isto é, do século XV ao século XVII) numa das principais preocupações da civilização ocidental, acabando por afectar toda a gente, desde os teólogos aos mais modestos aldeões. Chegou a afectar inclusivamente os índios americanos, que eram baptizados à pressa para que, ao morrerem, não se encontrassem com os seus antepassados no inferno. É muito difícil, hoje, compreender o lugar tão importante que o pecado original ocupou nos espíritos e em todos os níveis sociais. É um facto que o pecado original e as suas consequências ocuparam nos inícios da modernidade europeia o centro da cena mundial, sem dúvida muito atribulado."
No entanto, a doutrina do pecado original, no sentido estrito de um pecado transmitido e herdado, não se encontra na Bíblia. Jesus nunca se referiu a um pecado original.
Na sua base, encontra-se fundamentalmente Santo Agostinho, a partir de um passo célebre da Carta de São Paulo aos Romanos, capítulo 5, versículo 12. Mas ele seguiu a tradução latina: Adão, "no qual" todos pecaram, quando o original grego diz: "porque" todos pecaram. Ora, uma coisa é dizer que todos são pecadores e outra afirmar que todos pecaram em Adão, como a árvore fica infectada na raiz, de tal modo que todos nascem em pecado do qual só o baptismo os pode libertar. Santo Agostinho deixava cair no inferno, mesmo que menos terrível, as crianças sem baptismo. Durante séculos, houve mães tragicamente abaladas, porque os filhos morreram sem baptismo.
A Santo Agostinho serviu esta doutrina sobretudo para, convertido do maniqueísmo ao cristianismo, "explicar" o mal no mundo, que não podia vir do Deus criador bom.
De facto, baseou-se numa exegese errada. E quem não sabe hoje que o que diz respeito a Adão e Eva e à queda é da ordem do mito? Adão e Eva não são personagens históricas. Depois, se eles ainda não sabiam, como diz o texto do Génesis, do bem e do mal, como podiam pecar? O que o texto diz é outra coisa, e fundamental: o que caracteriza o Homem frente ao animal é a liberdade. O Homem já não é um animal como os outros: tem auto-consciência, sabe de si como único - a nudez metafísica - e que é mortal.
Mas os estragos desta doutrina infausta foram e são incalculáveis, sobretudo a partir do acrescento de Santo Anselmo e a sua doutrina da retribuição: os primeiros pais cometeram uma ofensa contra Deus infinito e, assim, era necessária uma reparação infinita para uma dívida infinita que só o Deus-homem Jesus podia pagar na cruz.
Ficou então a ideia de um Deus por vezes monstruoso, que precisou da morte do Filho para reconciliar-se com a Humanidade. Mas como era isso compatível com o Deus amor? Porque o pecado se transmitia pelo acto sexual, a sexualidade, o corpo e a mulher ficaram envenenados, numa situação dramática: era preciso continuar a gerar filhos - no limite, a actividade sexual só se legitimava para a procriação -, mas eles eram gerados em pecado e a mulher trazia o pecado dentro dela.
Porque é que o primeiro acto humano da História havia de ser o pecado? Hoje, com a teoria da evolução, a contradição torna-se maior. E, afinal, o que São Paulo diz no passo célebre da Carta aos Romanos é uma mensagem de esperança: todos os seres humanos pecam, o pecado do Homem é grande, mas o amor de Deus é maior. Infinito.

Anselmo Borges

quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

O significado de vestir a camisola da selecção


Face ao escandaloso comportamento dos jogadores da selecção portuguesa de Futebol, no jogo com o Brasil, o seleccionador nacional, Carlos Queiroz disse: "Todos têm e já tiveram oportunidade de mostrar empenhamento e atitude. Isto tem de servir de lição, de aprendizagem. Nós podemos tentar estimular e tentar chamar a atenção daquilo que é importante fazer. Depois compete, no momento certo, fazer e se não acontecer teremos naturalmente de tomar decisões para aquilo que é o significado de vestir a camisola da selecção."
Mesmo percebendo muito pouco de futebol, permito-me acrescentar que, no mínimo, os nossos multimilionários jogadores foram passear até ao Brasil. Que a triste figura que fizeram lhes sirva de lição, são os meus votos.

PISTAS PARA O EXAME FINAL



Ao cair da tarde, em terras da Judeia, um pastor separa as ovelhas dos cabritos. Acção simples, mas cheia de simbolismo, que Jesus aproveita para transmitir uma mensagem sublime e interpelante. A linguagem que usa é fruto da cultura bucólica e campestre. A forma literária pertence a um género especial – a apocalíptica. A realidade envolvida na narrativa faz parte da vida humana, dos modos de relacionamento entre as pessoas, do uso dos bens, da capacidade de ver as “coisas” em profundidade e extensão.
Faz assim um “esboço” do Reino que se torna presente e desenvolve, quando aquela realidade é vivida no amor e na justiça, na verdade e na liberdade, na solidariedade e na paz. Por cada pessoa e por toda a humanidade. Como Ele vive, anuncia e deixa em forma de testamento.
Ser fiel à herança de Jesus constitui a alegria cristã mais profunda, revigora a esperança mais consistente e intensifica a dedicação mais generosa àqueles que Deus ama e quer ver felizes. Supõe o nosso envolvimento afectivo e inteligente, completo e integral. Brota da certeza que Jesus está connosco e nos abre caminhos acessíveis cada vez mais concretos.
A prova de fidelidade faz-se na vida, nos critérios e comportamentos assumidos. Um dia, ao fazer o nosso “exame final”, Deus não pergunta pelo modelo do carro, pela grandeza da casa, pela marca da roupa, pela conta do ordenado, pela categoria profissional, pela quantidade de amigos, pela cor da pele, pela religião, pela frequência do culto ou prática devocional. Não. Se chegar a fazer tais perguntas é por causa de outros assuntos mais importantes. Ele prefere seguir outra pista para nos ajudar e vai-nos segredando:
Que fizeste com os teus bens? A quantas pessoas serviste com o carro e a quantas acolheste em casa? O ordenado era fruto de trabalho honesto ou vendeste a consciência e deixaste-te corromper? A categoria profissional foi merecida pela competência e honradez ou resultado de suborno e falcatruas? Quantas pessoas te consideravam amigo sincero? Como tratavas os vizinhos? Fazias discriminação de alguém apenas pela cor da pele ou preconceito de raça? Viveste a fé como um compromisso de amor, uma âncora de esperança, um farol de horizontes novos?
Dando respostas positivas, o estilo de vida da humanidade, sobretudo dos cristãos-discípulos do meu Filho Jesus, configurará o rosto social da realidade nova que vos proponho no meu Reino. Será um rosto belo e atraente. Será uma realidade inclusiva e envolvente. Para bem e felicidade de todas as criaturas e de toda a criação.

Georgino Rocha

Obamomania


Com a vitória de Obama nas eleições presidenciais dos EUA, uma onda de euforia se espalhou pelo mundo. Uma vitória inédita num país que se proclama como o mais democrático do mundo deu para alimentar a esperança da construção de uma nova ordem social. Uma nova ordem social assente no diálogo, na democracia, na paz e na justiça.
Desde a eleição e até hoje têm-se multiplicado esses sinais de esperança, mesmo de certeza de que essa nova ordem social será uma realidade a curto prazo. Nem passa pela cabeça de ninguém admitir o contrário. Obama, para muitos, já ganhou o céu, ocupando um lugar especial no coração de cada cidadão do mundo.
Contudo, estou convencido de que o paraíso não está a chegar, sobretudo à medida dos sonhos de muitos. Bem gostaríamos que assim fosse, mas não vale a pena acreditar em utopias, embora os ideais ocupem os nossos quotidianos. A realidade vai ser bastante diferente, quando as suas propostas se confrontarem com o dia-a-dia do seu país e dos demais países da terra, até onde chegam os interesses dos EUA.
Admitindo que os sonhos fazem parte da vida de todos os seres humanos, temos de assentar os pés na terra em momentos como este. Quando Obama decidir, seja o que for, logo depois de tomar posse da principal cadeira da Casa Branca, é certo e sabido que de imediato brotam os descontentamentos, um pouco por todo o lado.

FM

O ILHAVENSE FAZ ANOS



O ILHAVENSE completou hoje 87 anos de vida. Mesmo a caminho do seu centenário (já não falta muito), não podemos dizer que se trata de um jornal velho. E não é velho porque continua na luta constante pela defesa do seu lema, isto é, por ÍLHAVO e pelas suas gentes, tal como desde o nascimento. E se soubermos que não é fácil, nos dias que correm, alimentar princípios de justiça e de verdade, quando cada um se arroga o direito de admitir a sua justiça e a sua verdade como únicas e indiscutíveis, então mais facilmente compreendemos as dificuldades que têm de enfrentar, no dia-a-dia, os responsáveis por um órgão de comunicação social como este.
Ao seu director e meu bom amigo, José Manuel Torrão Sacramento, e a quantos fazem O ILHAVENSE dirijo os meus parabéns, na certeza de que não lhes há-de faltar coragem para prosseguirem na caminhada, para bem de todos os ílhavos, neles incluindo os ilhavenses e os gafanhões.
Fernando Martins

Crónica de um Professor...

Furo

Em tempos não muito remotos, na década de 80 do século passado, ocorreu um episódio insólito, em que foi protagonista um Mercedes amarelo. Este, partindo da Invicta Cidade, levava um grupo de professores para uma Escola do interior, neste país rural.
Uma pequena avaria, um furo no pneu da frente, fez atrasar a viagem, que prosseguia, rumo a terras da Lixa. Dizia um colega com ar jocoso, quando se aproximava do baixo em que ficava a Escola:
- Estamos a chegar à Cova...
Sim, rumava esse grupo docente para a pequena vilinha rural de Vila Cova da Lixa, ali mesmo ao lado de Amarante. Também integrava esse grupo, a teacher, que aproveitava o percurso para uma amena conversa com os demais companheiros de viagem.
Enquanto se procedia à reparação do furo, na estação de serviço local, na Escolinha, várias turmas de alunos pulavam de contentes, anunciando, a altos brados, aquela “prenda” inesperada, que aqueles professores lhes haviam oferecido:
- Temos furo, temos furo...
Era uma alegria, quando faltava um professor e se anteviam uns instantes de brincadeira, acrescidos!
Sem pretender fazer a apologia das faltas dos professores, apraz-me aqui tecer algumas considerações, sobre a tão amaldiçoada aula de substituição. Qual será, à luz duma pedagogia dos valores, dos afectos do são desenvolvimento, a vantagem de aprisionar a energia incontrolável de crianças, alunos, no interior de uma sala de aula, numa actividade de mero entretenimento?
Que lucrarão as crianças em permanecer, trancadas, entre quatro paredes, na ausência do professor da disciplina, supervisionadas por um outro qualquer docente, totalmente alheio às matérias e à empatia estabelecida pelo colega?
A palavra “furo”, outrora sinónimo de feriado, intervalo inesperado entre duas aulas, perdeu, hoje, a polissemia e restringiu-se apenas ao conceito de “perfuração”! Se não existissem os pneus dos carros a arcar com esta responsabilidade... dos furos..., seria considerada um arcaísmo!Em contrapartida, surgiram novos vocábulos, para suprir as falhas existentes no léxico: professor substituto, aula de substituição, bloco de 90 minutos, meio bloco... etc; serão os neologismos criados pela força inovadora da língua! Esta é um processo dinâmico...
Com 20 minutos de atraso, lá foram professores e alunos aproveitar o que restava da aula de 55 minutos. Não houve protestos, não houve birras. Todos, ordeiramente, acompanharam os professores; estes, alheios à falta que lhes fora atribuída, apenas pensaram em cumprir o seu dever, apesar do percalço que lhes tinha acontecido. Apesar do inesperado acréscimo de tempo de brincadeira, nenhum aluno sentiu que a aula ia ser um castigo! In illo tempore! No século passado!
Mª Donzília Almeida

Trabalho Infantil


A Renascença noticia que "Há crianças em Portugal que trabalham 12 horas por dia. O trabalho infantil é uma realidade e a Confederação Nacional de Acção contra o Trabalho Infantil alerta para o seu aumento, por causa da crise e do aumento do desemprego."
Há muitos anos que se fala deste problema, mas a verdade é que as crianças continuam a ser obrigadas a ser adultos, à força, em idade de brincar.

Efeméride aveirense


1880 - 20 de Novembro
Numa reunião de prelados do Continente, efectuada em Lisboa na presença do ministro da Justiça, foi resolvida a extinção da Diocese de Aveiro pelos arcebispos de Mitilene e de Braga e bispo de Lamego. Votaram pela sua conservação o arccebispo de Évora e o bispo de Bragança e abstiveram-se de votar os bispos de Coimbra e do Porto.
In "Calendário Histórico de Aveiro"


quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Cavaco Silva lamenta falta de diálogo entre Ministério da Educação e Sindicatos

Face à incapacidade para dialogar, entre o Ministério da Educação e os Sindicatos dos Professores, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirmou hoje ter "muita pena" que o seu apelo para a serenidade do sector não tenha aparentemente surtido efeito. Estou em crer que, mais dia menos dia, o momento do diálogo soará. Portugal não pode continuar a assistir a posições irredutíveis, sob pena de se prejudicarem de forma irreparável os alunos, mola real da vida do Ministério da Educação e dos Professores.

Jubileu do Carmelo de Aveiro


O Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, escreveu uma Nota Pastoral sobre o Jubileu do Carmelo de Cristo Redentor. Nela sublinha:
“A paz, o silêncio e a contemplação são fontes de alegria e de esperança, espelhadas no olhar puro e simples de quem, habitado por Deus, reparte o amor e a esperança pelo mundo e retira com suavidade e mansidão deste mesmo mundo a vaidade, a ganância, o orgulho, a inveja e a maldade.
Os caminhos humanos do nosso tempo estão frequentemente marcados pela rotina, pela corrida e pela pressa e obrigam-nos a passos distraídos e a viagens desencontradas que nos distanciam da verdade, do bem e do belo e nos afastam de Deus e das pessoas.”

Nostálgicos do religioso abundam por aí


Falar de religião, brincar com temas religiosos, pôr a ridículo os sentimentos das pessoas crentes, proclamar o agnosticismo pessoal, cultivar dúvidas e propalar convicções de quem as transformou em certezas próprias, parece hoje ser moda e oportunidade aproveitada por gente que tem tribuna livre e antena aberta, e, ainda por cima, recebe por utilizá-las a seu belo prazer, que muitas vezes é a seu mau gosto. Uma nostalgia do religioso que talvez os psicanalistas possam explicar e que o povo já explicou quando disse: “Quem desdenha quer comprar”. Este campo vai sendo ocupado por políticos, legisladores, jornalistas, humoristas, gente de certa cultura, muitos deles incapazes de reconhecerem as suas limitações culturais e incapazes de calar os gritos interiores que os povoam. Fazem lembrar crianças que nasceram e brincaram no adro da Igreja e voltam lá, mais tarde, para apedrejarem telhado, quando não mesmo o interior do templo.
Deste modo, mostram, também, a aprendizagem necessária para viver numa sociedade democrática plural, para aceitar os direitos humanos fundamentais, para respeitar opiniões e vivências diferentes, relacionadas com aspectos importantes da vida, como a liberdade de consciência, que tem na liberdade religiosa uma expressão essencial.
Por vezes, o produto publicitado de diversos modos passa quase despercebido, como semente que se lança à terra, sempre na esperança de que caia em terra onde, mais tarde ou mais cedo, se gere dúvida ou repulsa. Acontece assim com gente que tanto fala e escreve sobre desporto como política internacional, com políticos que tanto bajulam como desprezam, com humoristas gastos que, com a sua pitada que suja os sentimentos religiosos de outros, mendigam sorrisos e aplausos, que já mal conseguem de outro modo.
Não ando, nem nunca andei na vida, à caça de bruxas e aprendi cedo a respeitar os outros, conhecidos ou desconhecidos, que pensam como eu ou que divergem livremente de mim. Mas, como compro os jornais e os leio, procuro estar atento ao que neles se diz e a quem o diz. Comunicar também é semear e a parábola do trigo e do joio é, para este tempo concreto, uma advertência que não me pode deixar indiferente, mesmo respeitando o comunicador.
Leio no Público (4.11.08) o artigo que aí escreve semanalmente, e mais de uma vez, um dos seus jornalistas de opinião que eu leio habitualmente. Desta vez escreveu: “Em certo sentido, a eleição do próximo Presidente dos Estados Unidos da América é a notícia mais esperada desde a ressurreição de Jesus Cristo - embora esta última ainda não tenha sido confirmada, dois mil anos depois”. Outra qualquer opinião sobre religião far-me-ia passar ao lado. A ressurreição de Jesus Cristo, pese embora a racionalistas, agnósticos ou ateus, será sempre a verdade central do cristianismo, aquela sobre a qual o silêncio é traição. Por isso mesmo, a piada não me deixou insensível.
Está equivocado o jornalista em causa. Nenhuma verdade cristã está mais confirmada do que esta, pois que nem sempre a razão é o melhor caminho para a verdade.
A vida dos crentes é, desde há dois mil anos, a melhor prova da ressurreição de Cristo e continuará sê-lo até ao fim dos tempos. Quem ama a sua vida, até ao ponto mais alto de a entregar por aquilo em que acredita, avaliza a verdade da sua fé. Milhares de cristãos convictos que se entregam, por completo, à causa de Jesus Cristo, e dão, se necessário, ontem como hoje, a própria vida ao martírio, que provam senão isso? Em plena consciência e de modo livre não se dá a vida por uma simples opinião ou crença, qualquer que ela seja. Nunca a ressurreição de Jesus Cristo foi provada por argumentos da razão. A adesão à fé é um acto de amor. A razão mostra, por factos consequentes, que acreditar não é um absurdo, mas a forma mais pura da liberdade.
A compreensão das coisas mais profundas requer sempre meios adequados. Quem endeusa a razão empobrece a liberdade humana. O crente é um homem livre, por isso mais homem e mais senhor da sua vida.

António Marcelino

Manuela Ferreira Leite: afirmações de mau gosto


“Eu não acredito em reformas,
quando se está em democracia…”

Mal vai o País quando um político brinca com coisas muito sérias. E se esse político é um chefe partidário, então começamos a ficar confusos. Manuela Ferreira Leite, líder do maior partido político da oposição, cometeu uma gaffe do tamanho do caos em que vive o PSD. A nossa democracia precisa de muito mais do que afirmações de mau gosto.
“Até não sei se não é bom haver seis meses sem democracia” não pode ser tida como tirada irónica, como veio o PSD esclarecer. A ironia não estava no rosto nem no tom de voz de Ferreira Leite. Ela estava mesmo a falar a sério, compenetrada do que estava a dizer. Não houve ali nenhum esgar que denunciasse a intenção de brincar. E mesmo que houvesse, seria sempre uma brincadeira, como quem conta uma anedota numa festa íntima. Não era o caso.
Tenho pena que o PSD não acerte com um líder carismático para fazer valer os seus ideais. Assim, meus caros amigos do PSD, o PS não pode deixar de dar graças a Deus para que Ferreira Leite continue de saúde, pelo menos, até às próximas eleições. A derrota do PSD começa, assim, a definir-se. O que é pena. É que um partido do Governo sem oposição que seja alternativa corre a tentação de esquecer o diálogo com a sociedade.

terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Se quereis conhecer Deus


“E, se quereis conhecer Deus, não vos preocupeis em querer decifrar enigmas.
Olhai antes ao vosso redor e vê-l’O-eis a brincar com os vossos filhos.
E olhai para o espaço e vê-l’O-eis a caminhar nas nuvens e a estender na luz os Seus braços, descendo com a chuva.
Vê-l’O-eis sorrindo nas flores, erguendo-se em seguida para agitar as árvores com as Suas mãos.”

In “O Profeta”, de Khalil Gibran

Aveiro: Canal Central antigo

As gavetas e velhos arquivos são sempre um manancial de recordações. Desta feita, encontrei este postal sobre o Canal Central, que partilho com os meus amigos mais velhos. Os que, afinal, talvez mais gostem de recordar imagens que nos não saem da memória. Quem quer colaborar, enviando-me as suas velhas fotos?

Fotografia de Carlos Duarte


“O meu olhar” é uma exposição de fotografia de Carlos Duarte, patente ao público na Biblioteca Municipal de Ílhavo, com o apoio do Rotary Clube da mesma cidade, a partir do próximo dia 29 de Novembro. A receita reverte para a Obra da Criança de Ílhavo.
Canais de Aveiro, Ria, Costa Nova e procissões, entre outros motivos, segundo a objectiva e a sensibilidade de Carlos Duarte, merecem ser apreciados até 13 de Dezembro.

Fotografia na Casa da Cultura


PORTO DE ENCONTRO


No passado sábado, foi inaugurada, na Casa da Cultura de Aveiro, a exposição “Porto de Encontro”. Inclui seis dezenas de trabalhos participantes no concurso de fotografia “Porto de Encontro”, organizado pela Comissão das Comemorações do Bicentenário da Abertura da Barra de Aveiro.
Resulta de compromisso assumido pela organização aquando do lançamento do concurso. A exposição pode ser visitada de terça a domingo, entre as 14h e as 19h, até ao próximo dia 30 de Novembro.

segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Mais um livro de Ana Maria Lopes


“REGRESSO AO LITORAL - Embarcações Tradicionais Portuguesas”

O mais recente livro de Ana Maria Lopes, “REGRESSO AO LITORAL - Embarcações Tradicionais Portuguesas”, editado pela Comissão Cultural da Marinha, vai ser lançado no Museu de Marinha, em Lisboa, no Pavilhão das Galeotas, no próximo dia 24, pelas 17.30 horas. A apresentação da obra vai estar a cargo de Álvaro Garrido, director do Museu Marítimo de Ílhavo.
Entretanto, posso já adiantar que a referida obra será lançada em Ílhavo, no Museu Marítimo, no dia 29 de Novembro, pelas 17 horas, ficando a apresentação ao cuidado de Rodrigues Pereira, director do Museu da Marinha.
“REGRESSO AO LITORAL - Embarcações Tradicionais Portuguesas” é um livro que reflecte, tanto quanto sei, o trabalho profícuo a que a autora já nos habituou, merecendo ocupar um lugar de destaque nas estantes de quem gosta de temas ligados ao nosso mar, e não só.

domingo, 16 de Novembro de 2008

Semana dos Seminários


Termina hoje a Semana dos Seminários. Tanto quanto é possível imaginar, todas as dioceses do nosso país se empenharam nela, procurando chamar a atenção dos fiéis para a importância dos seminários na vida da Igreja, concretamente nas paróquias, base da vida eclesial. Dos Seminários saem, por norma, os padres que são, nas comunidades e nos demais sectores da Igreja Católica, os braços direitos dos Bispos.
Nos Seminários, para além dos candidatos ao sacerdócio ministerial, há outros serviços de apoio à vida diocesana. Em Aveiro, por exemplo, no edifício do Seminário de Santa Joana Princesa, funciona o ISCRA (Instituto Superior de Ciências Religiosos).
Quando se fala destas casas de formação, logo nos lembramos dos alunos, professores e responsáveis pela espiritualidade dos seminaristas. Mas nem sempre recordamos outros servidores, encarregados de diversas tarefas.
Hoje, enquanto esperava pela missa das 18.30 horas, que na igreja do Seminário se celebra para os universitários e outros fiéis, conversei um pouco com a Irmã Emília, que todos os domingos abre a porta do templo e tudo prepara para a eucaristia.
A Irmã Emília pertence às Religiosas do Amor de Deus e veio para o Seminário de Aveiro em 1974. De sorriso franco, foi-me falando um pouco da sua vida. Esteve em África, onde serviu desde muito nova.
Natural de Guimarães, um dia desejou professar e a partir dos votos de consagração aceita estar onde é preciso. É uma daquelas pessoas que estão na base da vida do Seminário de Aveiro. Trabalha na cozinha, dando o melhor de si, mas sabe que tem outras tarefas no dia-a-dia. Por exemplo, os vasos com plantas, que decoram os claustros e salas do Seminário, estão ao seu cuidado.
Quando a questionei sobre o dia de folga semanal, adiantou que nem pensa nisso. Está ali para trabalhar, seguindo o princípio da obediência. Férias? Só quando vai para as termas, no Gerês, porque sofre da vesícula. "Às vezes abusamos um bocadinho!" - disse-me ela. Para além disso, participa em encontros de formação do instituto a que pertence. Mas aqui, refere que também tem de trabalhar um pouco, embora com a cabeça.
Na Irmã Emília, com todo o seu sorriso e testemunho, apetece-me homenagear vários servidores do Seminário de Aveiro, com o meu carinho e reconhecimento pelo muito que fazem, na sombra de tudo o que é tido como de fundamental importância para a Igreja Diocesana.

FM

“Correio do Vouga” faz anos

O “Correio do Vouga”, órgão oficial da Diocese de Aveiro, celebra hoje o seu aniversário. Nasceu em 16 de Novembro de 1930, tendo como director o Dr. António Almeida e Silva Cristo, como editor o Padre Alírio Gomes de Melo e como administrador o Padre António Fernandes Duarte Silva.
Em 1938, quando a diocese foi restaurada, passou para a responsabilidade da Igreja de Aveiro, mantendo-se, presentemente, como arauto dos valores cristãos. É, pelo que sei, o mais antigo jornal com publicação permanente na cidade dos canais, apostando, como desde a primeira hora, na defesa do bem e do justo, bases de uma sociedade mais fraterna.
Tive o privilégio de dirigir o “Correio do Vouga” durante 12 anos, pelo que mais me ficou no coração. Vivi o dia-a-dia da redacção com o entusiasmo de quem acredita na possibilidade e na vantagem de apostar num jornal aberto ao que a vida tem de positivo. Ainda experimentei – com que entusiasmo! – os novos desafios sugeridos pelas novas tecnologias da comunicação, sem esmorecimentos nem cedências.
Agora, que o jornal diocesano prossegue na caminhada de renovação permanente, não posso deixar de agradecer a quantos, durante 12 anos, me acompanharam, me ajudaram e me incentivaram a alimentar a esperança de contribuir para um semanário atento ao mundo, que sonhasse para além dos adros das igrejas. Aos seus actuais responsáveis e meus bons amigos, formulo votos sinceros de que continuem, como, aliás, o têm feito, a oferecer a toda a gente uma leitura cristã dos acontecimentos, na perspectiva de uma sociedade mais solidária.
Fernando Martins

Bicentenário da Abertura da Barra de Aveiro

Vasco Lagarto entrega prémio à professora Madalena Anastácio, da Escola da Chave, com aluno a assistir



Prémios para contos e blogues


O Bicentenário da Abertura da Barra de Aveiro teve ontem mais uma iniciativa. Não foi uma iniciativa capaz de atrair muita gente, mas teve o mérito de distinguir contos e blogues que responderam aos desafios da APA e da Rádio Terra Nova. Apreciei a satisfação dos que saíram vencedores e alguma tristeza de quem esperava ver mais reconhecido o seu trabalho. A vida, no entanto, tem destas incongruências. De qualquer forma, haverá outras oportunidades noutros contextos.
Há, porém, um registo que não posso deixar de lado. Não existiu, por parte de alguns Agrupamentos e Escolas, o devido esforço para motivar alunos e turmas para este concurso de contos. Vasco Lagarto, presidente da Rádio Terra Nova e grande entusiasta por acções do género, lamentou o facto e disse que tal atitude não é de agora.
Sempre gostaria de saber por que razão os Agrupamentos e as Escolas se divorciam destas acções, quando é sabido que as crianças e jovens precisam de ser incentivados, no sentido de se abrirem ao envolvimento nas propostas culturais, sociais e outras, que são postas à disposição de todos. Escolas e alunos alheios ao mundo que os envolve não contribuem para uma sociedade mais participativa, mais culta e mais fraterna.

STELLA MARIS: Jogo da malha com castanhas

Ontem à tarde houve mais um convívio no Stella Maris, clube da Obra do Apostolado do Mar. Um grupinho de amigos ali se reuniu a convite da direcção, para jogar a malha, mas também para saborear as castanhas assadas, regadas com jeropiga, bebida conhecida, entre nós, por vinho-abafado. Não eram pessoas propriamente muito jovens, embora o espírito o seja, como bem vi, pelo que temi que não houvesse força para atirar a malha a 25 metros. Porém, a verdade é que me enganei. Na foto, o Zé Manel, perito em consertar motorizadas e bicicletas, mostrou que tem força e habilidade para lançar a malha. Apreciem os meus amigos a postura correcta de quem sabe disto. Eu nem tentei, para não dar cabo de algum músculo ou osso. Contudo, derrubei um meco porque... tropecei.
O presidente da direcção, Joaquim Simões, com esta e com outras iniciativas, lá consegue mostrar que o Stella Maris tem potencialidades para congregar pessoas. Vontade não lhe falta. Resta-nos, como amigos, dar uma ajudinha.
FM

Um Poema de Maria Donzília Almeida

Variações em Citrinos



A filha da Laranja é a Tangerina
E o Limão? Um primo afastado.
A primeira é fresca e ladina.
Tem a pequenez duma menina
E tem um gosto doce e refinado!

Do Limão se faz a limonada.
Azedo, mas refresca no Verão!
Por isso fica aqui a lição dada:
Qualquer coisa, até, menosprezada
Tem no fundo, sempre servidão!

Variando em doçura e não somente,
A tângera tem aqui seu parentesco.
Da Laranja é nobre descendente
Que nos dá, de forma permanente
O seu suminho doce e tão fresco!

E que dizer da nossa Clementina?
De um paladar muito apurado,
Tem nome de mulher ou de menina,
Embora bem chegada à Tangerina,
Tem sabor extra doce e requintado.

E as limas de casca tão fininha,
São uma fruta rica e sumarenta.
Apreciadas são na caipirinha,
Que ajuda a passar uma noitinha,
De forma sonhadora e pachorrenta!

E por fim aparece a toranja,
Algo amarga, terá sua qualidade!
Humilde descendente da Laranja
Decerto não se come como canja,
Mas terá, porventura utilidade!

Mª Donzília Almeida
NOTA: Ora aqui está uma forma bonita e artística de ensinar os dotes da fruta, tão importante numa alimentação sadia. Sobretudo numa época em que aparece tanta coisa para comer, que nem sabemos bem o que é. Às vezes até são petiscos saborosos, mas uma frutinha fresca não trará mais benefícios para a nossa saúde? Julgo que sim...
FM

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 103


OS JOGOS
Caríssima/o:

Tal como hoje, muitos dos nossos jogos eram marcados pelo ritmo da cantiga que se desenrolava enquanto decorria; outros eram “a seco”.
Uma lista de alguns jogos da nossa meninice aí fica para que acrescentem os que faltam e se entretenham a descrever as regras e o desenrolar dos mesmos:
jogo da macaca
da malha
da choca
da bilharda, dos calotes ou calarotes
do pião; dos sete posséis
da barra
das nações
da glória
do xui (bingo)
do «dá-me lume»
do esconde-esconde (agacha), escondidas ou escondidoiro
do eixo, 'uma-bala-uma'
do gato e do rato
do bom barqueiro
do belindre
do cantinho
do chícharo ou das pedrinhas
da cabra-cega
do pico-pico
do lencinho
da sardinha
assim se r'amassa
do botão, tiço
do ringue...

Muitos dos poucos que me fazem companhia nesta viagem estão a rir-se porque me esqueci do seu jogo preferido, ou escrevi mal este ou aquele... E devo até confessar que de alguns não lembro as regras nem o modo como eram jogados e, um ou outro só os ouvi da boca da geração anterior à minha, logo já não os jogávamos: “ dá-me lume”... Alguém o conhece?
Há que ir preparando os piões que o tempo aproxima-se e as nuvens de trovoada anunciam chuva!

Manuel

sábado, 15 de Novembro de 2008

Se Gostas de Cinema...


Se gostas de cinema... Se gostas de falar sobre filmes e partilhar a tua opinião... Se gostas de alargar horizontes e sentes vontade de conhecer pessoas como tu... Ou se queres apenas dar uma espreitadela... Então estás convidado/a a aparecer no CUFC, esta terça-feira, 18 de Novembro. O filme escolhido é "O Menino de Cabul". Continuamos assim a nossa temporada de bons filmes e emocionantes debates/conversas. Como sempre, na companhia de bons amigos e boas amigas!Aparece! E já agora, traz alguém contigo! Terça-feira, 18 de Novembro, pelas 20.45, no CUFC - Aveiro.
Fraternidade Missionária Verbum Dei

MUSEU MARÍTIMO DE ÍLHAVO: Colóquio internacional sobre cultura marítima


É já nos próximos dias 17 e 18 deste mês que vai decorrer, no Museu Marítimo de Ílhavo (MMI), um colóquio denominado “Octávio Lixa Filgueiras – Arquitecto de Culturas Marítimas”, para debate de temas tão importantes como história marítima, arquitectura naval, arqueologia subaquática, etnografia naval, antropologia marítima e culturas marítimas, patrimónios marítimos e museologia.

Zona do Forte vai ser requalificada


A zona que envolve o Forte da Barra vai ser requalificada. Todo o velho casario vai desaparecer para aquele espaço beneficiar de grandes investimentos, ao nível da hotelaria, da habitação, do comércio e dos serviços. As obras há muito que vêm a ser reclamadas por quem deseja ver tudo aquilo mais bonito. Todos sabemos que o Estado está com dificuldades, porque a crise atinge tudo e todos, mas a verdade é que aquele velho casario é uma vergonha. Quem passa, não pode deixar de estabelecer uma comparação óbvia: ao lado de casas em ruinas há as modernas e funcionais instalações do Porto de Aveiro. Então, vamos aguardar que esta imagem degradante que envolve o Forte desapareça, o mais depressa possível.

Crónica de um Professor

Beijinhos...


Passou pela linda zona piscatória das Caxinas, no seu périplo, como docente, neste “jardim florido à beira-mar plantado”.
Na verdade,

Vila do Conde espraiada,
entre pinhais, rio e mar...”

traz-lhe gratas recordações, da já longínqua década de 80. Todos os dias, na sua peregrinação para a Escola, passava religiosamente, pela casa do poeta José Régio. O excerto do seu poema, cantando e enaltecendo a cidadezinha do litoral, vinha-lhe sempre à memória e mentalmente o recitava, mantendo-lhe o ritmo e a musicalidade. Era uma apaixonada pela poesia, pelo José Régio..., pela beleza das coisas...
A cidade, outrora ainda uma vila, evoca-lhe um episódio ternurento, passado no interior duma sala de aula. Um dia, ao apresentar um novo assunto, que tinha a ver com as actividades de lazer, vulgo, hobbies, interpelou os alunos sobre o tema. Dentre as várias formas de ocupar os tempos livres de forma lúdica, referiram alguns alunos que se dedicavam ao coleccionismo: caricas, calendários de bolso, canetas, berlindes, caixas de fósforos, etc. A professora, na intenção de se imiscuir com a massa discente, referiu também a colecção a que se dedicava e que lhe proporcionava um grande prazer: as conchas!
- Sim? - Perguntaram os alunos com ar de espanto.
- Gosta de coleccionar conchas setôra?
- É que aqui, na praia das Caxinas, há muitas!
A Professora arregalou os olhos e fantasiou logo, a aquisição daquelas preciosidades.
Hoje em dia, muita gente se dedica a esta arte, tão bela, quanto poética, no meu simples entender.
Com efeito, aquela professora transmitiu ali, aos seus alunos, quanto admirava essas maravilhas da natureza. Sem a intervenção da mão humana, como era possível, darem à praia autênticas obras de arte, das mais variadas formas e coloridos? Extasiava-se aquela criatura na admiração destas peças de arte, sem artifícios!
Dias depois, esquecido já o episódio das conchas, durante uma aula, interpela um aluno, a professora:
- Setôra! Posso dar-lhe beijinhos?
Pelo inusitado da pergunta, a professora ficou surpresa, mas anuiu, com alguma hesitação.
Por que não? Que mal há nisso?
O aluno levanta-se do seu lugar, dirige-se à mesa da professora e exibe a mão direita aberta, cheia de “beijinhos”!
Era uma espécie de conchinhas muito pequeninas, mas que pela sua configuração se assemelhavam a bocas minúsculas, com os lábios sobrepostos. E... o que sugerem as bocas? Beijinhos... daí o nome pitoresco das referidas conchinhas.
Passadas já duas décadas do incidente, conserva ainda os tais “beijinhos”, bem guardados e expostos, juntamente com outros exemplares da colecção! Todos os dias, admira as suas conchinhas e recorda este episódio do seu já vasto reportório.
A força do mar, nas Caxinas, arroja à praia estas “pérolas” marinhas!
Maria Donzília Almeida

Sabia que...

Aveiro inaugura serviço telefónico
Quem está habituado às novas tecnologias da comunicação decerto não imagina o longo caminho que foi percorrido para se chegar a este estádio da nossa civilização. E aos aveirenses, hoje, nem lhes deve passar pela cabeça que no dia 15 de Novembro de 1928 foi inaugurado na cidade o serviço telefónico, com apenas quatro assinantes! Quem seriam os felizardos? Pago uns saborosos OVOS-MOLES a quem me informar, com verdade, naturalmente.

DARWIN CONTRA DEUS?


O diálogo entre o bispo S. Wilberforce e Th. Huxley, aqui narrado no sábado passado, será mais lenda do que história. Facto é que, a partir do darwinismo, há quem pense que a única conclusão cosmovisional é o materialismo e o ateísmo.
Mas essa é uma conclusão que nem Darwin tirou. Ele é mais agnóstico do que ateu, como pode ler-se na sua Autobiografia: "Sinto-me compelido a considerar uma causa primeira com uma mente racional análoga à do Homem; e mereço ser chamado teísta. Mas então surge a dúvida: pode-se confiar na mente do Homem, que, estou convencido, se desenvolveu a partir de uma mente tão primitiva como a que possuía o mais primitivo dos animais, quando tira conclusões tão sublimes? Não podem estas ser o resultado da relação entre causa e efeito, que, embora nos pareça necessária, provavelmente depende só da experiência herdada? Também não podemos ignorar a probabilidade de que a imposição constante da crença em Deus na mente das crianças produza um efeito tão pronunciado, e talvez herdado, nos seus cérebros não totalmente desenvolvidos que lhes seja tão difícil libertarem-se da sua crença em Deus. Não posso pretender lançar a mínima luz sobre problemas tão nebulosos. O mistério do começo de todas as coisas é para nós insolúvel; e eu, pelo menos, tenho de contentar-me com continuar a ser um agnóstico."
João Paulo II reconheceu, em 1996, numa intervenção na Academia Pontifícia das Ciências, que novos conhecimentos levam a considerar a teoria da evolução como mais do que uma simples hipótese.
Há evolucionistas materialistas. Mas também há evolucionistas que são crentes. Não há incompatibilidade entre a fé e o evolucionismo, que, segundo a obra célebre do padre e cientista Teilhard de Chardin, podem mesmo harmonizar-se. Depois de se esclarecer o "como" do processo evolutivo que leva ao aparecimento do Homem, ainda se não calou a pergunta pelo "porquê" da evolução desembocando num ser humano que continua a perguntar pelo sentido da sua existência e de tudo.
Bento XVI não se cansa de insistir que não somos um produto casual e sem sentido da evolução. "Cada um de nós é o resultado de um pensamento de Deus." Sim, porque é que o Deus criador pessoal não haveria de poder servir-se do acaso para realizar o seu desígnio de uma criatura inteligente e amante, com quem estabelecer a sua aliança?
Contra J. Monod, que concluiu o seu célebre O Acaso e a Necessidade, escrevendo que "o Homem está só na imensidão indiferente do Universo, donde emergiu por acaso", o cientista Juan-Ramón Lacadena crê numa "teleologia externa, cujo agente é a Causa Primeira, Deus", que tem uma finalidade na criação. Mas acrescenta que tem de ficar claro que nem ele "o pode provar cientificamente" nem ninguém "o pode rebater com provas científicas". "É uma simples, mas importante, questão de crença ou não crença. Um cientista crente pode aceitar a existência de um Criador, sem necessidade de que o mesmo Deus tenha de continuar a intervir pontualmente no processo evolutivo desde as origens do universo."
Pelo contrário, o crente reflexivo, precisamente porque o é, recusa um Deus intervencionista. Francis S. Collins, coordenador do Consórcio Internacional da Sequenciação do Genoma Humano, escreveu na sua obra The Language of God, defendendo a tese de uma evolução teísta: "Deus criou o universo e estabeleceu leis naturais que o governam. Deus escolheu o próprio mecanismo evolutivo para dar lugar a criaturas especiais, dotadas de inteligência, conhecimento do bem e do mal, livre arbítrio, e o desejo de buscar amizade com Ele", acrescentando: "A minha modesta proposta é dar outro nome à evolução teísta: 'Bios mediante Logos' ou simplesmente, BioLogos - bios, termo grego para 'vida', e logos, 'palavra', em grego. Para muitos crentes, a Palavra é sinónimo de Deus, como dizem de forma tão poderosa e poética as majestosas linhas que abrem o Evangelho de São João: 'No princípio era o Verbo (Logos), e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus' (Jo. 1, 1). 'BioLogos' exprime a crença de que Deus é a fonte de toda a vida e que a vida exprime a vontade de Deus."

sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Os desafios da ADERAV

Da igreja de S. Francisco


Em entrevista ao Diário de Aveiro de hoje, Luís Souto, presidente da ADERAV, afirmou: "Os desafios são muito grandes, há várias situações. Para este mandato elegemos a questão das igrejas geminadas de Santo António e São Francisco, que é um monumento nacional – dos poucos que temos em Aveiro – e está num estado de desleixo e abandono gritante. Essa é a nossa prioridade, mas há outras situações: para além da questão da avenida, há meia-dúzia de casas senhoriais que também são das poucas marcas que temos anteriores aos séculos XIX e XX e seria da maior importância que fossem preservadas, mas não me parece que seja esse o caminho, porque todos os sinais apontam no sentido contrário. Depois há situações recorrentes, como a casa que foi da família de Eça de Queiroz, de que se fala há mais de dez anos, mas o certo é que a casa continua só à espera de ir abaixo e com ela a memória de um espaço muito importante. É um pouco da nossa história colectiva que vai morrendo. Também não defendemos a manutenção de fantasmas arquitectónicos, mas queremos revitalizar os espaços com respeito pela sua memória. Um óptimo exemplo é a Escola do Adro que foi reconvertida em sede da Junta de Freguesia da Vera Cruz, quando o mais fácil era pôr abaixo. Infelizmente a sina deste país é que não temos o património como prioridade, mas tenho esperança que haja um tempo em que o património não seja só um adereço que se coloca nos programas políticos."

PORTO DE ENCONTRO: Exposição de Fotografias


Amanhã, sábado, 15 de Novembro, pelas 16 horas, vai proceder-se, na Casa da Cultura de Aveiro, à inauguração da exposição “Porto de Encontro”.
A exposição inclui seis dezenas de trabalhos participantes no concurso de fotografia “Porto de Encontro”, organizado pela Comissão das Comemorações do Bicentenário da Abertura da Barra de Aveiro. Resulta de compromisso assumido pela organização aquando do lançamento do concurso.
Recordamos que os prémios, entregues a 3 de Abril do corrente ano, foram assim distribuídos:
1.º - José Maria Pimentel;
2.º - Armando Jorge Anastácio;
3.º - Nuno Miguel Ramalho.
De realçar, também, a parceria entre o Porto de Aveiro, a Câmara Municipal de Aveiro e o Núcleo de Arquitectos de Aveiro.
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A ocasião será também aproveitada para a entrega dos prémios referentes a outros dois concursos, “BLOGMAR” e “Histórias do Mar e da Ria”.
“Caminho Azul” (http://caminho-azul.blogspot.com/), de Bruno Martins venceu o concurso de blogs; o segundo lugar coube a “Gaivota da Ravessa” (http://gaivotadarevessa.blogspot.com/), de Sónia Neves, com “Barramar” http://barramar.blogspot.com/), de Carla Ferreira ocupando o terceiro posto.
O júri deste concurso foi constituído por Fernando Martins, Júlio Almeida e Carlos Oliveira, este último em representação da organização. O vencedor vai receber 1.000 euros, o segundo classificado 500 euros e o terceiro 300 euros.
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No que reporta ao concurso literário “Histórias do Mar e da Ria”, organizado pela Rádio Terra Nova em parceria com o Porto de Aveiro, os prémios ficaram assim distribuídos pelo Júri, constituído por Zita Leal, Isabel Almeida e Fernando Martins:
Escalão A – 1.º Ciclo de Ensino Básico
1.º Prémio – “Uma aventura na Ria”, de (EB 1 da Chave – Gafanha da Nazaré) (450 €)
Escalão B – 2.º Ciclo de Ensino Básico
1.º Prémio – “O Tesouro da Ria”, de (EB 2, 3 – Aradas) (525 €)
2.º Prémio - “A Viagem à Ria”, de (EB 2, 3 – Aradas) (350 €)
3.º Prémio - “À descoberta de Aveiro”, de (EB 2, 3 – Aradas) (175 €)
Escalão C – 3.º Ciclo de Ensino Básico
1.º Prémio – “Espírito de Pescador”, de (Agrupamento de Escolas de Vagos) (750 €)
2.º Prémio - “O Mar, um Orgulho para Mim”, de (EB 2, 3 – Aradas) (500 €)
3.º Prémio - “A Epopeia do Marujo Salvador”, de (Agrupamento de Escolas de Aveiro) (250 €)
Escalão D – Ensino Secundário
1.º Prémio – “O Sabor do Sal”, de (Escola Secundária de Estarreja) (900 €)
2.º Prémio - “Está sem título”, de (Escola Secundária de Vagos) (600 €)
3.º Prémio - “Lágrimas de Mar”, de (Escola Secundária Dr. João Carlos Celestino Gomes) (300 €).
Para além dos prémios indicados, as turmas vencedoras (1.º prémio) foram contempladas com uma visita, à escolha, ao Oceanário, Pavilhão do Conhecimento, Planetário, Jardim Zoológico, Museu das Comunicações ou Centros Ciência Viva.
Fonte: Porto de Aveiro

Torneio Internacional de Natal de Basquetebol

Jovens atletas recebem instruções do treinador
A Gafanha da Nazaré, que nunca foi, no seu passado, terra de grandes basquetebolistas, tem, há anos, graças ao esforço do Grupo Desportivo da Gafanha, a secção de Basquetebol, envolvendo atletas de ambos os sexos e das diversas faixas etárias. Tanto quanto sei, o nível alcançado tem sido elevado, pelo que merece, ainda mais, a nossa atenção e o nosso apoio, para não esmorecer. Entretanto, destaco a organização do Torneio Internacional de Natal de Sub-14, Masculinos e Femininos, denominado “Cidade da Gafanha da Nazaré”. A competição está prevista para os dias 20 e 21 de Dezembro, no Pavilhão Gimnodesportivo da Gafanha da Nazaré. Isto significa que, para já, não podemos deixar de marcar presença nesse torneio, porque os nossos atletas e os outros precisam do carinho dos gafanhões.

A Escola em Portugal - Educação Integral da Pessoa

"A educação é o percurso da personalização, e não apenas socialização e formação para a cidadania. A educação autêntica é a educação integral da pessoa. Isto exige promoção dos valores espirituais, estruturação hierárquica de saberes e de valores, integração do saber científico-tecnológico num saber cultural mais vasto, mais abrangente e mais englobante. Exige igualmente partilha dos bens culturais e democratização no acesso aos conhecimentos, aos saberes científicos e competências tecnológicas, que são património comum da humanidade. Exige ainda promoção do homem-pessoa em recusa do homem-objecto de mercado, rejeição de todas as formas de alienação do ser humano, defesa do primado da solidariedade e da fraternidade sobre o interesse egoísta e a competição desenfreada."

Da Carta Pastoral dos Bispos Portugueses

Falência dos Estaleiro de S. Jacinto deixa ex-trabalhadores sem nada

A notícia, que acabo de ler no JN, é triste, porque da falência dos Estaleiros não restou nada para indemnizar os ex-trabalhadores. Mas também é triste saber-se da morte de um estaleiro naval que foi, durante décadas, o sustentáculo económico das famílias de uma terra, S. Jacinto. Também das terras vizinhas, das Gafanhas, Aveiro, Ílhavo, Pardilhó e Murtosa, entre outras.
Depois, a conjuntura (a eterna culpada) ditou a morte dos Estaleiros, a que o seu fundador, Carlos Roeder, não teve o desgosto de assistir.
Os Estaleiros tinham muito trabalho e muitos trabalhadores. Bastantes deles, das Gafanhas, deixaram a lavoura e outros ofícios para ingressarem naquela unidade industrial. Sempre era um salário certo, disseram-me alguns. E era verdade. Porém, as “economias”, quando não conseguem adaptar-se às circunstâncias, dão nisto: falências que deixam ex-trabalhadores sem qualquer indemnização. Claro que o Estado não pode olhar para estas situações. Mas se for um Banco...

Teresa Saporiti expõe no CAE da Figueira da Foz


Até 23 de Novembro, ainda pode apreciar no CAE da Figueira da Foz, na Sala Zé Penicheiro, trabalhos da artista Teresa Saporiti. Como ela refere no desdobrável oferecido aos visitantes, trata-se de flores do seu jardim. Diz assim:
"As flores que aqui deixo são flores do meu jardim.
E são, também, flores de outros jardins.
Das bermas dos caminhos. Dos espaços sem fim dos campos da minha terra.
Em cada flor encontrada, procuro a sombra que define as formas.
O contorno que marca a sombra.
Procuro a linha que desenha cada flor.”

quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Timor: 17 anos depois do massacre de Santa Cruz


A Marieke lembrou hoje um acontecimento brutal que correu mundo. Não fora ela, e eu por aqui continuaria na minha indiferença em relação àquele drama. O massacre de Santa Cruz, em Timor, mostrou ao mundo o que estava a passar-se naquela ex-colónia portuguesa, ocupada, à força, pela Indonésia. Os governantes do nosso País e outras instituições bem clamavam pela libertação do povo timorense, mas todos faziam ouvidos de mercador, ignorando ou fingindo ignorar o sofrimento de uma nação, que os portugueses ajudaram a nascer. Os grandes do mundo, os que põem muitas vezes os interesses pessoais acima dos interesses dos mais frágeis, nunca quiseram ouvir quem pedia justiça e o direito de viver livre. Faz precisamente nesta data 17 anos que o massacre aconteceu e até parece que todos já esquecemos o sofrimento dos timorenses, como se eles não precisassem de nós. Dos nossos apoios e da nossa solidariedade, no esforço que estão a fazer para traçarem caminhos de progresso e de democracia plena.

Geração de Ouro da Bioética em Portugal



Sem grande relevo, e nada chamativa para quem só lê os títulos grandes dos jornais, lá vinha a notícia: “O Presidente da República condecora pais da bioética.”
A justificar a condecoração fala o Presidente “de uma verdadeira e impressionante «geração de ouro» da bioética portuguesa”. O designativo é acertado e é bom reconhecê-lo.
Os titulares da condecoração são três médicos insignes, professores universitários, reconhecidos pelos méritos e competência na respectiva especialidade, e de renome que vai além fronteiras, pela sua luta a favor de uma consciência ética no exercício da sua profissão, na preparação de novos médicos, nos seus escritos e múltiplas intervenções em congressos ou outros encontros nacionais e internacionais. Trata-se de Daniel Serrão e Walter Oswald, ambos da Faculdade de Medicina Porto, e de Jorge Biscaia, da de Coimbra. A estes junta-se, para um renovada homenagem, por expressa vontade do Presidente da Republica, o jesuíta Luís Archer, de Lisboa, padre e cientista, figura ímpar da investigação científica e pioneiro em caminhos por ele abertos e por onde têm passado gerações de novos investigadores.
Muitas vezes vemos serem condecoradas pessoas sem que saibamos bem qual a última razão de tal reconhecimento público. Terá acontecido isso mesmo comigo, o que me levou a interrogar-me, seriamente, sobre o porquê da comenda recebida há anos, pois não vejo, na minha vida, senão a preocupação de cumprir o meu dever, de harmonia com a missão a que me votei livremente, ontem no Alentejo e, há quase trinta anos, em Aveiro e, ultimamente, um pouco por todo o lado.
Agora, porém, sabe-se a razão porque se sublinham pessoas que, para além da sua profissão, sempre se empenharam e assim continuam, num serviço gratuito, mas importante, tanto à comunidade científica, como à comunidade em geral.
Sem pretensões apologéticas desnecessárias, não me escuso de dizer que se trata de três cientistas leigos, assumidamente católicos, que sempre puseram e continuam a pôr o seu saber científico ao serviço da pessoa e da comunidade, vazado em eloquente tes-temunho de coerência, pessoal e profissional que tem provocado sempre o respeito dos colegas, dos demais investigadores e dos profissionais honestos. Já exerceram cargos internacionais de relevo no campo da medicina, da bioética e das associações profissionais de médicos, tendo os seus nomes ligados a projectos e actividades de relevo e mérito.
O padre Luís Archer, homem simples e grande, é figura de um cientista suficientemente conhecido e escutado, que introduziu em Portugal métodos novos de investigação e de estudo da biologia molecular, importantes e hoje indispensáveis em muitos aspectos da vida e do saber tecnológico.
A decisão do Presidente da República, da qual tive conhecimento apenas porque leio os jornais, encheu-me de muita alegria, não só pelo respeito e pela estima que me liga aos condecorados, mas, também, por ver publicamente reconhecido, nas suas pessoas e lutas, o valor indiscutível da bioética. Por outro lado, também, é de realçar que a fé não é marginal nem contra a ciência e, o diálogo sério entre ambas, que gente menos lúcida continua a considerar como impossível e inútil, leva sempre a novos horizontes que são caminhos de humanização, pois que outra não é a razão deste diálogo.
Uma ciência relativamente nova, a bioética torna-se ponto de referência, exigente e permanente, no campo das ciências onde se joga o valor da vida e a dignidade da pessoa humana e o modo como considerá-la e tratá-la. Os atropelos a que neste campo assistimos, não se corrigem senão com um saber objectivo determina o agir moral, a que não podem estar alheios nem os legisladores, nem os profissionais que tocam na vida das pessoas e não podem deixar de respeitar promover a sua dignidade.

António Marcelino

terça-feira, 11 de Novembro de 2008

São Martinho: Castanhas sem Vinho


Hoje não cumpri bem a tradição. Comi castanhas assadas, que estavam excelentes, mas não pude provar o vinho. Achei melhor assim, para dormir mais sossegado, sem o estômago a irritar-me. Já lá vai o tempo de as comer assadas na braseira, com a mãe a contar a lenda de São Martinho. O pai andava no mar, nessa época do ano. Dizem que São Martinho era um santo homem, de coração sensível. Capaz, por isso, de partilhar, em noite fria, a sua capa com um pobre mendigo. A lenda, que a Igreja terá aproveitado para santificar a generosidade da partilha e o desprendimento, continua actual, como incentivo que nos leve a olhar para os mais carentes de afecto e de tudo.
Ontem, o Presidente da República recebeu uma Comissão que apresentou a “Carta aberta contra a pobreza e desigualdade", na linha de erradicar a fome entre nós. Aliás, a aposta em acabar com a pobreza é um propósito do milénio, que está longe de ser conseguida. Talvez a lição do São Martinho nos ajude a partilhar um pouco do que temos, a começar pelas castanhas.


A ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores) defende que "A pobreza e o desemprego permanecem como os dois principais problemas da sociedade portuguesa e há um risco não negligenciável de se agravarem no próximo ano. Todos os empresários e gestores deverão consciencializar a importância do seu papel neste contexto, assumindo-se como verdadeiros Líderes sociais, gerando confiança e agindo de forma positiva e solidária, sobretudo em quadros de grande dificuldade." E acrescenta que, "Neste contexto, deve ser dada especial atenção à questão do salário mínimo e ser feita uma avaliação, articulando critérios de sustentabilidade da empresa com critérios de generosidade e amor aos mais desfavorecidos, no sentido de apurar, em consciência, se é possível pagar acima do mínimo legal."
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ISCRA no centro da Igreja Diocesana

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TEMPO E TEMPLO DE SABEDORIA
O Bispo de Aveiro quer que o ISCRA esteja no centro da atenção da Igreja diocesana, tendo proposto que dois órgãos de aconselhamento pastoral reflictam em breve sobre o Instituto. Na abertura do ano lectivo, que decorreu no sábado passado, 8 de Novembro, no Seminário de Aveiro, D. António Francisco sublinhou que o ISCRA deve ser “tempo e templo de harmonia”, “tempo e templo de sabedoria”, onde há “lugar e vagar para Deus”, “espaço de formação cristã”, “plataforma de diálogo com o mundo e com a cultura”. Em breve, o Conselho Diocesano de Pastoral (formado por leigos, consagrados e clero) e o Conselho Presbiteral (formado apenas por presbíteros) vão pronunciar-se sobre a identidade e objectivos da escola nascida há 19 anos principalmente para a capacitação de leigos.
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Coisas do nossos "intigos"

"Lembro-me que, em criança, andando a vaguear pela Ria, ali pelo Regueirão, na Marinha Velha, havia um sítio a que nós chamávamos o Moinho – e lá estavam ainda os restos da construção: pedaços de adobos, telhas quebradas… Teria sido mesmo um moinho? – Assim no-lo atestava a nossa imaginação e uns restos de tradição oral.
Mas seguindo por um rego que derivava para terra, lá bem na estrada, surgiu mesmo um “moinho” a sério, mas movido a electricidade, creio que era do Ti João Conde. (De uma vez fui lá trocar milho e resolvi ir de bicicleta. À volta, no Zé da Branca, dei o maior trambolhão da minha vida. Ainda não dominava bem a “burra”, pois aprendera a andar nessas férias, para ir para o liceu… Amigos, senti-me voar, até me faltou o ar na descida tão brusca… e dei comigo no fundo da valeta!)"

Excerto de um texto escrito, em 1985, por Manuel Olívio da Rocha e publicado no Boletim das Bodas de Diamante da criação da Gafanha da Nazaré. Pode ler tudo aqui.

A Arte de Roubar de Leonel Vieira

Não senhora. Não rouba nem ensina a roubar. Mas leva-nos qualquer coisa este novo filme de Leonel Vieira. Leva-nos a atenção para a vantagem de encarar o cinema português com tradição e actualidade, lembrando-nos não só que é bom mas necessário saber conjugar veia artística e brilho comercial.
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Monumentos de origem portuguesa no mundo

Segundo diz o Jornal de Notícias, são 22 os monumentos de origem portuguesa espalhados por África, Ásia e América do Sul classificados pela UNESCO que concorrem ao título de Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. A eleição começa dia 10 de Dezembro. Se quer ver algumas, clique aqui.

A melhor juventude


É possível abordar o fenómeno da Acção Católica de um ponto de vista puramente histórico e referir como nestes 75 anos ele se tornou um observatório privilegiado para olhar o interior da própria Igreja e o impacto desta no mundo. Três quartos de século permitem uma visão suficientemente ampla e diversa e, entre os estudiosos, restam hoje poucas dúvidas sobre a centralidade decisiva da Acção Católica e o papel charneira que essa militância representa. Ela tem espelhado e trabalhado cada tempo num esforço metódico de coincidência com o real (distante das espiritualidades autosistémicas e desencarnadas), mas concebendo o tempo como laboratório do Reino: nas suas tensões e sinais a interpretar, na sua largueza e na tarefa que nos compromete.
É possível abordar a Acção Católica em chave sociológica e maravilhar-se com esta movimentação transversal a meios e estratos sociais, onde o laicado encontrou uma espécie de escola de formação e de oportunidades, mas também onde tantos padres carismaticamente se destacaram. A “marca” Acção Católica é detectável um pouco por todo o lado: na linguagem e nas prioridades dos programas pastorais; no currículo dos bispos e no seu modo de leitura da realidade; nas vozes mais consistentes e originais do laicado, sendo de mulher muitas dessas vozes; no tecido eclesial como um todo; na vida das paróquias e na dinâmica dos movimentos que, entretanto, emergiram; no ideário e na praxis social e política. Num mundo em acelerada recomposição, a Acção Católica tem sido a antena e o sintoma, o posto de escuta e o palco de experimentação.
Mas a interpretação da Acção Católica e do seu significado ficariam irremediavelmente lacunares sem uma leitura espiritual. A Acção Católica não é apenas expressão organizativa ou a introdução de uma eficaz cultura metodológica na prática cristã. É expressão da primavera do Espírito que dá a cada baptizado a consciência dinâmica da sua condição e missão. É obra desse incessante Pentecostes que explica o mistério da própria Igreja e instaura cada cristão, face ao mundo, como sentinela da aurora.

José Tolentino Mendonça

segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Foto-Desafio

Descobrir a identidade deste homem é tarefa muito difícil. Eu sei. É como descobrir agulha num palheiro. Mesmo sabendo isso, não desisto de lançar aqui o desafio aos meus leitores. Quem será este homem? Onde terá sido tirada esta fotografia? Junto de uma seca do bacalhau? Claro. No porto bacalhoeiro? Evidentemente. Na Gafanha da Nazaré? Penso que sim. Mas quem será ele? O avô ou bisavô de um qualquer conterrâneo nosso? Talvez. Ajudem-me nesta tarefa. Um doce para quem me informar. Com provas? Pois claro!

Igreja não cala convicções sobre família


D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e presidente da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), defendeu, na abertura da Assembleia Plenária dos bispos portugueses, que “O Estado tem a alta responsabilidade e a grave obrigação de defender a instituição familiar”. Noutro passo do seu discurso, adiantou que “Devemos ser respeitadores dos pensamentos diferentes. Só que não podemos renunciar à nossa identidade que, em muitos aspectos, se consubstancia com a cultura portuguesa”.


Dar voz aos pobres para erradicar a pobreza

Imigrantes

"Dar voz e poder aos pobres na resolução dos seus problemas é uma condição para o sucesso das estratégias de luta contra a pobreza. Assim o entendemos e ficou assinalado nesta Audição Pública. Este passo deve ser dado, desde já, através do incentivo à participação dos utentes dos serviços sociais públicos e de instituições de solidariedade social na avaliação dos mesmos. Há, porém, que ir mais longe e fomentar as associações que integrem pessoas de grupos sociais mais fragilizados, dando-lhes oportunidades de poder e participação na resolução dos seus problemas e maior visibilidade junto das respectivas Autarquias e outros poderes públicos. A este propósito, merece referência específica a situação dos imigrantes e a das populações que vivem em bairros de habitat degradado ou em bairros sociais que carecem de apoio para que se organizem e aproveitem de sinergias inerentes ao trabalho em rede."
Ver todo o documentos aqui

Crónica de um professor


O poster

Quando colocou, no quadro, os posters dos artistas trazidos pelos seus alunos, não pôde esconder o comentário que aquela personagem lhe despertava: -I like Brad Pitt! He is a “bird”, he is a good-looking man! E usou os maneirismos que uma adolescente ostenta, perante a admiração dos seus ídolos. Além do mais, o nome era uma referência no imaginário feminino, quanto aos dotes que qualquer mulher aspira num homem! Era um artista de cinema, um ícone da indústria cinematográfica, que andava na boca de todas as jovens de bom gosto. Tratava-se do Brad Pitt, o namorado da Angelina Jolie, apressou-se o Edgar a acrescentar.
Com efeito, era dotada de certa jovialidade de espírito, esta professora; no concernente ao corpo, praticava a filosofia do nosso rei D. Duarte: “Mens sana in corpore sano!”
Compreendia o espírito irreverente dos alunos e até participava em algumas brincadeiras. A brincar, também se aprende, e nada melhor do que partilhar as vivências dos jovens e adolescentes, para os cativar para a parte mais séria da vida escolar – a aprendizagem.
Assim, para lhes ensinar as nacionalidades, na língua estrangeira, pediu-lhes que levassem, para a aula, figuras/fotos/recortes de pessoas famosas, oriundas de outros países .
Por uma sequência aleatória, foi colocando, no quadro, várias imagens, tendo ficado, em último lugar, a do Brad Pitt. Foi feita a apresentação do novo vocabulário, o registo escrito, nos cadernos diários, e quando se estava no melhor da aula, a admirar o “ídolo” (!!!), eis que a campainha toca, vindo pôr fim àquela contemplação.
Ultimava os preparativos para deixar a sala, ainda sem ter retirado a figura do supracitado actor, quando na mente daquela professora perpassou, fugazmente, a ideia de”coleccionar” a foto.
Empunhava já a pasta, quando subtilmente aquela aluna, tendo, por telepatia, adivinhado os pensamentos da professora, lhe pergunta: Quer ficar com o poster para si? Um fulgor brilhou no olhar da mestra que disse para os seus botões! - Ainda há alunos atentos na aula! Ainda alguém presta atenção às minhas palavras! Ainda vale a pena, evocando as palavras de Fernando Pessoa: ”Tudo vale a pena se a alma não é pequena!”
E… a alma daquela professora era a de uma menina, adolescente, que ainda se deixa deslumbrar com a beleza de um artista de cinema!
Mª Donzília Almeida

domingo, 9 de Novembro de 2008

Eu, professor aposentado, me confesso…

Confesso que começo a ficar baralhado. Fui professor e continuo muito ligado à classe. Temas como escola, ensino, educação, alunos, professores e comunidade educativa continuam a ter um lugar especial na minha mente. Bem tento ficar de fora, alheando-me do que se passa à minha volta, ao nível do ensino e da educação, mas não consigo. De todo…
Perante a realidade das gigantescas manifestações de descontentamento dos professores, não posso ficar indiferente. Não consigo. E se a isto juntar o que ouço de alguns professores, com esgares de revolta e de tristeza, não devo ficar calado. Este país não pode continuar alheio ao diálogo; não pode aceitar a incapacidade, permanentemente demonstrada por parte dos responsáveis, para se sentarem, de uma vez por todas, à volta de uma mesa, para se acabar com os tristes espectáculos que todos estão a fazer passar para os alunos. Quando os professores e os governantes não conseguem entender-se, gritando, em altos berros, as suas razões, que hão-de as crianças e jovens pensar?
Eu sei que há professores muito honestos e muito esforçados; eu sei que há professores muito competentes e muito criativos; eu sei que há professores que trabalham por vocação, numa entrega diária; mas sei que o contrário também é verdade. Os primeiros, no entanto, estarão em grande maioria. Disso tenho a certeza absoluta. Já por lá passei.
Por estes dias tenho ouvido diversos docentes, de vários graus de ensino. Todos se queixam do excesso de burocracia, o que os impede de se entregarem mais e melhor àquilo que gostam de fazer: ensinar; muitos se queixam de alunos indisciplinados e pouco estudiosos; diversos contestam a arrogância e a prepotência do ministério; outros tantos sentem-se desesperados pelo clima desgastante do dia-a-dia, que lhes destrói a serenidade necessária para ensinar e motivar os alunos, para a descoberta e para a aprendizagem.
Deste meu recanto, de professor aposentado, apetece-me pedir a quem nos governa que ouse ouvir os professores, para que o caos acabe. E ao Presidente da República suplico que, pensando muito nos alunos, converse com o primeiro-ministro. É urgente encontrar uma saída para este drama nacional. As nossas escolas precisam de paz. Todos ganharemos.

Fernando Martins

Direitos Humanos celebrados em Aveiro


A Plataforma DH congrega 15 entidades locais e regionais para a celebração condigna do 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A coordenação é da Comissão Fórum::UniverSal, sendo a organização de PANGEA org. e Fórum::UniverSal - Fundação João Jacinto de Magalhães e Centro Universitário Fé e Cultura.
A Declaração, adoptada e proclamada, aconteceu a 10 de Dezembro de 1948, em Paris, por iniciativa da Assembleia-Geral das Nações Unidas, e apresenta 30 Artigos, que mantém uma actualidade abrangente e digna de ser amplamente divulgada e aplaudida.
Amanhã, 10 de Novembro, Dia Mundial da Ciência ao Serviço da Paz e do Desenvolvimento, no Auditório da Livraria SAS-UA, pelas 17 horas, vai ser divulgada a Agenda Aveiro DH. Mas as comemorações da Declaração Universal dos Direitos Humanos vão continuar até 24 de Dezembro, com “10 Milhões de Estrelas, um Gesto de Paz”.

Nota: Regularmente, aqui farei eco do que aconteceu e do que irá acontecer, já que a Agenda da Plataforma DH inclui muitas e diversificadas acções.

DAR


Os jornais-referência começam a perceber que vale a pena apostar em temas que nos suscitem a reflexão e a acção. O EXPRESSO é um deles e a sua REVISTAÚNICA tem abordado, semana a semana, assuntos que são outros tantos desafios.
O último número tem por PRATO PRINCIPAL o tema DAR. Deixando de lado as ENTRADAS e as SOBREMESAS da Ementa, fixemo-nos no mais importante. Vai ser uma excelente refeição para toda a semana.
Então, DAR mostra-nos extraordinários caminhos de vidas que se dão aos outros. É gente com imaginação fértil, generosa em extremo e com capacidade sem fim para amar.
A dado passo, encontro um subtítulo que diz o seguinte:

Dar de nós. Dar sem medo. Dar sem tempo. Dar sem pedir. Dar por todos. Dar tudo por tudo. Dar o melhor. Dar e trocar. Dar. Um verbo conjugado de várias formas pelos voluntários. Eis cinco histórias singulares.

É isso mesmo. São histórias singulares que nos convidam a olhar à nossa volta: Voluntária num Centro de Dia. Estar disponível para aceitar o outro. Voluntária para trabalhar com animais. Voluntário numa Associação. Voluntária nos Médicos do Mundo.
A ÚNICA mostra-nos “Uma Pessoa Comum”, portuguesa, que fundou um Orfanato no Quénia, construiu casas no Nepal e lutou pelos Direitos Humanos na Birmânia. Dá casos concretos de jovens a quem Portugal concedeu asilo. Retrata “mães de Aldeias SOS”. Apresenta gente capaz de “dar um pouco de si” próprios [órgãos] aos outros. Revela os sem-abrigo de forma diferente, “para mostrar como somos todos iguais”. Divulga causas, fala do consumo e até nos mostra lapsos de políticos a “dar… barraca”.
Leiam para meditar. E para também se darem, se puderem.
Boa semana.
FM

Artesanato da Região de Aveiro


Desde sempre gostei muito do artesanato da nossa região. Nas feiras e nas exposições, individuais ou colectivas, paro sempre para apreciar a habilidade da nossa gente. Sem complexos, os artesãos trabalham à vista de todos, mostrando a sua arte e a habilidade que possuem para, das suas mãos, nascerem peças normalmente únicas.
Falando com eles, aprecio o gosto com que se entregam à paixão de criar, mas também o desgosto que sentem por saberem que, se não houver estímulos, muito artesanato pode morrer. Ao chamar a atenção dos meus leitores para o nosso artesanato, apenas me move o desejo de ver mais gente na sua loja, ali junto aos Arcos, em Aveiro. Mas, já agora, sugiro que visitem a Galeria do seu “site”.

FM

Raul Brandão passou pela Gafanha

Raul Brandão foi para mim o escritor que melhor retratou a Ria de Aveiro e as gentes ribeirinhas, quando por aqui andou em 1922, para depois publicar no seu muito badalado livro “Os pescadores”. Já tenho falado deste escritor e elogiado o que escreveu. Gosto da poesia que brota da sua alma.
Raul Brandão apresenta-se em "Os pescadores" como um tipo "esgalgado e seco, já ruço, que dorme nas eiras ou sonha acordado pelos caminhos". "Sou eu que gesticulo e falo sozinho, envolto na nuvem que me envolve e impregna. Que força me guia e impele até à morte?”
Quando relembra o seu regresso do mar, das muitas viagens que fez, para depois descrever, com arte e poesia, o que viu e sentiu, diz que vem sempre “estonteado e cheio de luz” que o trespassa.
Depois pega nos “apontamentos rápidos”, em “meia dúzia de esboços afinal, que, como certos quadradinhos, do ar livre, são melhores quando ficam por acabar”. E acrescenta com nostalgia de poeta da prosa: “Estas linhas de saudade aquecem-me e reanimam-me nos dias de Inverno friorento. Torno a ver o azul, e chega mais alto até mim o imenso eco prolongado… Basta pegar num velho búzio para perceber distintamente a grande voz do mar. Criou-se com ele e guardou-a para sempre. – Eu também nunca mais o esqueci…”
FM

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 102




AS CANÇÕES

Caríssima/o:

Para além do Hino Nacional, cantávamos, na Escola ou durante as nossas brincadeiras, muitas canções, cânticos e cantilenas.
Quem há aí que não se lembre de alguma destas:
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Foi na loja do Mestre André,
Fui ao jardim da Celeste,
O bom barqueiro,
A Ciranda,
Sou vareira,
Os caçadores,
Mata-tira-nira-ná,
A menina da canastrinha,
Ó Condessa, ó Condessinha,
Bóia, bóia, binha,
A moda da Carrasquinha,
A primavera, tão lindas flores,
Padeirinha,
Ah,ah, minha machadinha,
Canção da Amélia,
As pombinhas da Catrina,
Alecrim,
...

Nunca mais esqueci o entusiasmo que púnhamos a cantar a “Loja do Mestre André” e nos gestos esfuziantes com que a acompanhávamos: ele era o pífaro, o violino, o rabecão, o piano, ... e o bombo!
Claro que as cantigas são como as pessoas, vão mudando com os tempos e hoje os nossos netos têm outras preferências, mas o importante é cantar, cantar, cantar.
Também tínhamos as nossas cantilenas. Alguns recordarão:

Una, duna, tena, catena,
cigalha, migalha,
catrapis, catrapés,
conta bem, que são dez.

Já me esquecia de dizer que não havia creches nem jardins-de-infância; aprendiam-se estas coisas por transmissão oral, fazia parte das tradições que iam passando de geração em geração, tudo natural, sem sobressaltos.
E digam lá se não apetecia iniciar esta manhã com o

Ai olé, ai olé
foi na loja do Mestre André!
Manuel

sábado, 8 de Novembro de 2008

Para erradicar a pobreza


Numa declaração de 14 pontos, a Comissão Nacional Justiça e Paz exprime que a pobreza não é uma “fatalidade”, porque existem “recursos já alcançados, em quantidade suficiente para a satisfação das necessidades humanas consideradas básicas”. O problema está no funcionamento “da economia desfocado das necessidades das pessoas”.
Leia mais aqui

Sabia que...


O YouTube, que nos permite, hoje, publicar, ver e divulgar, livremente, vídeos, não é assim tão velho quanto muita gente supõe. Nasceu apenas em Fevereiro de 2005. Três anos depois, oferece, a quem o consulta, mais de 80 milhões de vídeos, sendo, sem sombra de dúvidas, o maior fenómeno da Net. Quem há por aí que o não consulte? E quem não o ajude a crescer?

Os poetas são assim…

Os poetas são assim: atentos aos poetas que nos ilustram a vida; abertos às mensagens com que eles nos brindam; capazes de recordar os seus aniversários.
O Helder Ramos é um desses, dos que olham, com olhos de ver, para os grandes poetas. Desta feita, brindou-nos com um poema que dedicou a Sophia. Precisamente, no dia do aniversário da grande poetiza. Para aqui o transplantei, copiando-o da margem direita (sem política) do meu blogue.

FM

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E se fosse luz?

a Sophia de Mello Breyner*
A praia da tua memória
Fazia brotar palavras
Nas gerações inventadas

E o teu país tinha ondas
Conchas
E azuis leves
Que ainda se guardam nas páginas vivas

De poemas breves

Helder Ramos
06.XI.2008

* Sophia nasceu em 6 de Novembro de 1919

Ontem foi dia de folga no meu blogue


Ontem foi dia de folga no meu blogue. Não para um qualquer passeio, que até seria legítimo e talvez necessário, mas por outras tarefas também importantes. Afinal, não escrevi para este meu espaço, mas escrevi para um jornal, onde reiniciarei a colaboração possível, depois de uma pausa de uns anitos. Refiro-me ao TIMONEIRO, um mensário da Gafanha da Nazaré, que retoma agora a publicação, depois de uns meses de repouso.
Esta minha colaboração, já para o próximo número, vai ser uma forma de regressar, embora sem grandes responsabilidades, ao jornalismo activo, de que tenho saudades, devo confessar. Habituado à agitação da redacção, ao stresse do fecho de um jornal, que os prazos têm de ser cumpridos, à escrita apressada da última hora, sobre o joelho, e com a preocupação de ser fiel à verdade dos factos a retratar, não é de um dia para o outro que se atira tudo para trás das costas. O regresso vai servir, então, para me recolocar num espaço em que me sinto bem. Sem o vigor, obviamente, de outros tempos.
Em hora certa, o que escrever para o TIMONEIRO aqui ocupará o seu lugar. E o contrário não deixará de ser verdade, embora com as devidas alterações, já que se escreve, ou deve escrever, de acordo com os órgãos de comunicação em que se colabora. E sendo assim, os leitores deste meu recanto da blogosfera nunca sairão prejudicados. Aqui fica, portanto, o convite, para que fiquem atentos ao TIMONEIRO da Gafanha da Nazaré.

FM

DEUS CONTRA DARWIN?


Não cabe aqui um esboço sequer da história das concepções evolucionistas. De qualquer modo, a ideia de evolução já tinha acenado entre os gregos. Em 1809, Lamarck expôs a sua teoria da não imutabilidade das espécies. Mas foi em 1858, há 150 anos, que a ideia da selecção natural e da luta pela existência, de Alfred Russel Wallace e Charles Robert Darwin, foi apresentada na Linnean Society de Londres.
No ano seguinte, em 1859, Darwin publicou a obra célebre: A Origem das Espécies.
Atendendo a estas datas e sobretudo às celebrações do segundo centenário do nascimento de Charles Darwin - nasceu em 12 de Fevereiro de 1809 -, aumentarão os estudos científicos sobre as teorias da evolução, não faltando os debates à volta da sua relação com a religião, por causa do livro do Génesis, do "criacionismo" e do chamado "desígnio inteligente".
O primeiro embate célebre deu-se logo em 1860, em Oxford. Perante uma assistência numerosa, o bispo de Oxford, Samuel Wilberforce, foi perguntando ao naturalista Thomas Huxley, defensor de Darwin, se descendia do macaco pelo lado do avô ou pelo lado da avó. Huxley respondeu: "Penso que um homem não tem que envergonhar-se por ter um macaco como avô. Se tivesse de envergonhar-me de um antepassado, seria de um homem: um homem de inteligência superficial e versátil que, em vez de contentar-se com os sucessos na sua esfera própria de actividade, vem imiscuir-se em questões científicas que lhe são completamente estranhas, não faz senão obscurecê-las com uma retórica vazia, e distrai a atenção dos ouvintes do verdadeiro ponto da discussão através de digressões eloquentes e hábeis apelos aos preconceitos religiosos."
Por causa desta resposta, considerada pouco elegante, uma senhora desmaiou. A mulher do bispo, essa, terá dito entre dentes: "Só faltava esta: descender de macacos! Se for verdade, rezemos para que ninguém saiba."
A teoria da evolução constituiu uma daquelas humilhações do Homem de que falou Freud. Embora o Homem não descenda do macaco, ele e o macaco descendem de um antepassado comum, o que não constituiu uma descoberta particularmente exaltante. Desde então a nossa visão da natureza, do Homem e de Deus modificou-se.
Significativamente, já na altura, muitos religiosos britânicos declararam que não havia incompatibilidade com a fé. O historiador das ciências D. Lecourt escreveu: "A figura mais importante da Igreja escocesa declarou-se evolucionista e, num curso, em 1874, aconselhou os teólogos a sentirem-se 'perfeitamente à vontade com Darwin'." Darwin, sepultado com pompa, em 1882, na abadia de Westminster, a alguns passos do túmulo de Newton, nunca foi oficialmente condenado pela Igreja católica e A Origem das Espécies nunca esteve no Índex.
De qualquer modo, segundo o reverendo Malcom Brown, director dos serviços de relações públicas da Igreja Anglicana, a sua Igreja deveria agora pedir desculpa pela má interpretação de Darwin e algum fervor anti-evolucionista.
Hoje, os equívocos beligerantes provêm essencialmente do "criacionismo" americano e do chamado "desígnio inteligente". Mas o "criacionismo" assenta numa leitura literal do mito da criação do Génesis, esquecendo que o Génesis é um livro religioso e não de ciência e que só uma leitura simbólica é adequada. Quanto ao "desígnio inteligente", o seu equívoco provém da ambição de demonstrar Deus pela ciência.
De facto, como é evidente, a existência de Deus não é nem pode ser objecto de ciência. Mas afirmar taxativamente que a evolução é mero produto do acaso não deixa de ser também uma posição dogmática. A ciência vai respondendo ao "como" da evolução, mas não responde ao "porquê", concretamente ao porquê e para quê da existência do Homem e de tudo: "Porque há algo e não pura e simplesmente nada?"
Como escreveu o cientista Francisco J. Ayala, na conclusão da sua obra Darwin e o Desígnio Inteligente, "a evolução e a fé religiosa não são incompatíveis. Os crentes podem ver a presença de Deus no poder criativo do processo de selecção natural descoberto por Darwin".

quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

O Fio do Tempo


McCain, saída em Unidade


1. A grandeza humana diária é colocada fortemente à prova em horas como a que McCain terá vivido no final do processo eleitoral. De muitas realidades que transpareceram para todos da democracia americana nestes dias, valerá a pena salientar o sentido inconfundível da unidade de todos em torno de ideais que, afinal reflectem a vontade do povo. Sabe-se que nos países democráticos já existe o bom hábito adulto das saudações de apreço mútuo do vencedor e do vencido. Mas quantas vezes essa saudação é absolutamente torcida, arrancada a ferros, pois, sejamos francos, não será fácil ao fim de tantos meses de duro combate entre candidatos!
2. Numa necessária análise isenta dos factos, nem pró nem antiamericana, seja dito que a agilidade e verdade da democracia também se reflectem quando os primeiros discursos pós-eleições manifestam um pendor intocável no sentido do bem comum como o bem maior de todos. Valerá a pena reter como exemplo os pedidos comunitários sublinhados nas primeiras mensagens. Aquele momento em que McCain convida os republicanos a associarem-se a ele na saudação e nos votos de boa presidência a Obama tem muito de autêntica “transcendência”: os apoiantes republicanos começam aos assobios ao nome Obama e McCain abre os braços reconciliadores e orienta todo o discurso no bem maior da nação e do mundo. Momentos grandes que são escola de vida e de sabedoria.
3. A democracia, como modelo possível na história, enriquece-se nesta nobreza de gestos, a que vale a pena juntar as palavras de Obama que pede ajuda a McCain na resolução dos grande problemas a enfrentar. Ficou patente que, após uma campanha aguerrida, não se tratava simplesmente de pró-formes ou de simpatias de cumprir o protocolo mas de um verdadeiro sentido da política como serviço à comunidade, esta a palavra “mágica” que formou Obama no amor e na educação. A sociedade democrática aprecia estes sinais!

ARADAS: Empresário oferece lar de idosos

GESTO MUITO BONITO
"Manuel Madaíl, empresário e ex-autarca, está a construir um lar de idosos para oferecer à população de Aradas, uma freguesia de Aveiro. O apoio deverá estender-se aos estudantes e às mães solteiras.
Um empresário de Aveiro vai oferecer um lar da terceira idade à população de Aradas, a freguesia onde nasceu e onde foi presidente da Junta de Freguesia, entre 1976 e 2001. Manuel Madaíl, 75 anos, o mecenas de que falamos, está a investir 1,5 milhões de euros num equipamento inexistente em Aradas. Quarenta idosos vão beneficiar da nova infra-estrutura, dotada de lar, centro de dia e apoio domiciliário, já visível junto ao cemitério de Aradas."
Ler mais no JN

DEMOCRACIA, PROJECTO PARADO OU LENTIDÃO INTERESSADA?


Um passo democrático positivo dado nos últimos dias foi, sem dúvida, o alargamento da representação partidária na assembleia regional dos Açores, com a alegria de se votar livremente. Sempre que haja mais vozes a ouvir-se, desde que o bem do povo açoriano seja o interesse de quem fala, a democracia aparece como benefício de todos.
“Não há bela sem senão” e mais de 50% de abstenções em dia de sol, é de mais. Amanhã já não se falará disso, mas o facto provoca interrogações à espera de resposta. Nenhum partido pode cantar vitória, e muito menos o que governa com maioria, quando cresce o desinteresse do povo por um acto central do regime democrático. Assim nos Açores, no continente, em qualquer autarquia.
Lá e cá, o povo que, no seu conjunto, festejou a liberdade do voto e o acesso alargado às urnas, quando se omite, não age sem razões. Há que tentar percebê-las. Muitas se devem, por certo, ao modo como se vive a política partidária e como actuam os seus profissionais neste jogo habitualmente, mais ainda por altura de eleições.
Não se pode deitar a culpa só para o comodismo e da irresponsabilidade cívica dos faltosos, embora também estes existam em muitos casos. O facto, porém, tem mais a ver com o comportamento dos políticos da ribalta e dos que lhes fazem corte, pelo modo como se relacionam uns com os outros, pelos objectivos porque se batem, pela escandalosa contradição nas suas palavras, atitudes e juízos, consoante se está no governo ou na oposição. Tem a ver com a argumentação usada para se defenderem e acusarem mutuamente, e com a memória parada no tempo, que apenas se gasta a vasculhar o que se disse há anos ou se fez há décadas, para disso fazer arma de arremesso com o gáudio das suas claques. Tem a ver com o malabarismo de uma linguagem com sorrisos, que responde sobre alhos quando se falou de bugalhos. Tem a ver com a mentira com a aparência de verdade, que tanto se cultiva no jogo da política partidária, de modo a já se dizer que não é bom político quem não sabe mentir.
Gostava de ver profissionais competentes, psicólogos, psiquiatras, sociólogos e gente de bom senso e sensibilidade aguçada a estudar, a sério, os comportamentos públicos dos políticos e dos seus fanáticos partidários, que aguardam vez e lugar remunerado no palco de um regime de favores.
O povo não é estúpido, nem desinteressado do que lhe diz respeito. Apenas vai deixando de acreditar e, pelo alheamento das eleições, mostra o cartão vermelho ao trânsito mal encaminhado e empurrado para um beco escuro e sem saída.
A democracia exige uma educação adequada para a sua prática e para a sua vivência social, coisa que não se vem fazendo. Ao contrário, criam-se ou permitem-se condições para que não se chegue lá ou se chegue, por empurrão, daqui a um século. O povo perde, mas há sempre alguém que ganha., por um tempo, também ele passageiro.
A abstenção às urnas pode ser corrigida com leis objectivas e sensatas, mas só será vencida com uma prática democrática digna dos responsáveis partidários. O caminho da democracia não se faz a aliciar o povo e a prometer-lhe o que não se pode dar, nem a dizer o que lhe agrada e a calar-lhe a verdade. Faz-se a esclarecer, a informar correctamente, a ajudar a crescer no sentido crítico e no uso correcto da liberdade, a criar condições e a dar testemunho de respeito pela diferença, a não fazer dos contrários inimigos a abater, mas cidadãos a acolher pelo contributo que podem e devem dar à causa pública. Prestigiar a acção politica é caminho certo para construir a democracia.
As maiorias traduzem-se por responsabilidade mais acrescida, nunca por orgulho que menospreza os vencidos. Numa democracia todos fazem falta e todos têm lugar. O povo não se abstém sem razão, nem desiste de ser ele quem mais ordena. Alguns políticos já assim entenderam. Para outros, a lição não cola e preferem o papel de vendedor de feira.
António Marcelino

Biblioteca Municipal de Ílhavo

Utilizador do Pólo de Leitura

Pólo de Leitura da Gafanha da Nazaré quer mais leitores

Não sei se todos os gafanhões sabem que na Gafanha da Nazaré há um Pólo de Leitura, da responsabilidade da Biblioteca Municipal de Ílhavo. Se não sabem, sugiro que passem por lá, para o verem com os próprios olhos. O Pólo de Leitura está no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré, na ala voltada para a Extensão de Saúde. Trata-se de um espaço arejado, com boa luz e com ofertas diversificadas. Há ali bons livros, vídeos, computadores e acesso à Internet. Para todos os gostos e para todas as idades.
Cláudia Rodrigues no espaço de acolhimento

Cláudia Rodrigues, técnica de biblioteca, adiantou-me que há cerca de 300 leitores por mês e que a esperança de que esse número cresça faz parte da programação da Biblioteca. Nessa linha, quando aparecem crianças em número suficiente, organiza-se a Hora do Conto ou a Hora da Leitura, e todos os meses é promovido um autor, com a apresentação das suas obras mais representativas.
Os leitores, possuidores de cartão de utilizador, têm liberdade para requisitar livros para ler em suas casas, pelo período de 15 dias, período esse que pode ser alargado, se tal for necessário.
Reconhecendo que há horas mortas, coincidentes com os horários escolares, Cláudia Rodrigues sugere que os adultos passem a frequentar o Pólo de Leitura nas suas horas livres, já que o ambiente é acolhedor. Se pensarmos bem, há muitos aposentados e reformados que poderiam criar hábitos de leitura, pois não faltam livros novos e mais antigos que vão chegando ao Pólo, de acordo, decerto, com as solicitações.
Aquela responsável ainda lembrou que o Pólo de Leitura pode beneficiar de dádivas de bons livros, se houver gente generosa com vontade de colaborar. Basta pegar neles e entregá-los no Pólo.
O Pólo de Leitura da Gafanha da Nazaré funciona às segundas-feiras, das 14 às 18 horas, e de terça a sexta-feira, das 10 às 12.30 horas e das 14 às 18.30 horas.

FM

Sabia que...


O EURO chegou no dia 1 de Janeiro de 2002


Se calhar, já poucos se lembram que o EURO, "um pedaço da Europa no bolso de cada um", como sublinhou Eduardo Lourenço e o PÚBLICO divulgou, viu a luz do dia em 1 de Janeiro de 2002. Na altura, os arautos da desgraça anunciaram um mar de confusões e dificuldades sem conta para nos adaptarmos à nova moeda. Enganaram-se todos. Não há ninguém por aí, julgo eu, que não domine a moeda da Europa que quer ser unida. Mais de 300 milhões de cidadãos andam com o EURO no bolso, neles se incluindo dez milhões de portugueses.

BAR DO TEATRO AVEIRENSE: Conversa sobre Educação


Júlio Pedrosa reflecte sobre sistemas educativos

Júlio Pedrosa, antigo reitor da Universidade de Aveiro, ex-ministro da Educação e actual presidente do Conselho Nacional da Educação, conduz uma “Conversa sobre Sistemas Educativos”, hoje, 6 de Novembro, às 21 horas, no Salão-Bar do Teatro Aveirense.
A iniciativa é promovida pela Plataforma Cidades, um grupo de aveirenses que se reúne periodicamente para debater questões da cidade de Aveiro. Integram o grupo, além de Júlio Pedrosa, Pompílio Souto, José Mota, M. Oliveira de Sousa e Maria da Glória Leite.

Semana dos Seminários


Mensagem de D. António Francisco dos Santos

Seminário, campo a semear e barco de amarras soltas

Ao abrir o coração da multidão e a inteligência dos discípulos para o mistério da vocação, Jesus falou de campos a semear, recordou viagens de outros tempos e apontou a desconhecidos pescadores da Galileia o mar alto, convidando-os a soltar as amarras.
As viagens que fazem partir da terra e abandonar tranquilos projectos para abraçar estranhas promessas de Deus, os campos a semear onde o semeador pacientemente aguarda a colheita esperada e as amarras soltas dos barcos no mar de Tiberíades em horas de faina sem êxito, lembram-nos misteriosos convites de vocação que decidiram e decidem projectos felizes de tantas vidas.
É de viagem que se trata quando falamos da vocação. Uma viagem única e irrepetível. Uma viagem realizada em passos de peregrino, em campos a semear ou em rotas desconhecidas de pescadores e marinheiros, sempre de olhos colocados em longínquas paragens aonde nos conduz o chamamento de Deus.
Assim aconteceu em Abraão. Assim acontece em tantos outros ao longo de tão belas histórias de vocação e de generosidade.

Ler toda a Mensagem aqui

Porto de Aveiro: Concurso de Blogues


Caminho Azul vence concurso BLOGMAR

“Caminho Azul”, de Bruno Martins, venceu o concurso de blogs BLOGMAR, iniciativa desenvolvida pela Comissão das Comemorações do Bicentenário da abertura da Barra de Aveiro, em parceria com o “Diário de Aveiro”.
O segundo lugar coube a “Gaivota da Ravessa”, de Sónia Neves, com “Barramar”, de Carla Ferreira, ocupando o terceiro posto.
O júri deste concurso foi constituído por Fernando Martins, Júlio Almeida e Carlos Oliveira, este último em representação da organização.
O vencedor vai receber 1.000 euros, o segundo classificado 500 euros e o terceiro 300 euros.
A entrega dos prémios será efectuada no próximo dia 15 de Novembro, integrada na inauguração da exposição de fotografias “Porto de Encontro” (Casa da Cultura de Aveiro, a partir das 16 horas).

Fonte: Newsletter do Porto de Aveiro

Um Poema de Madona

Denúncia

O Doutor foi um algoz,
Pois um crime perpetrou
E eu clamo, de viva voz,
Essa horrenda cena atroz:
Dois cravos decapitou!

Foi crime premeditado
Com requintes de malvadez!
Pois de bisturi empunhado,
E sobre os ditos debruçado
Actuou com altivez!

Sem se comover do pranto
Que os pobres derramaram,
Avançou p’ra meu espanto,
Mas eu achei nisso encanto,
Pois suas mãos actuaram!

Mas houve cumplicidade,
Nesse crime planeado!
Na dona houve crueldade
Por só ver deformidade,
No cravo ali plantado!

Contratou um “profissional”
No meio do seu desatino,
Que executou por sinal
E fez limpeza radical,
Nesse “jardim” clandestino!

Foi um crime ternurento
E ao seu executor,
O meu agradecimento
E todo o contentamento
Por ter sido este Senhor!

Madona

quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

O Fio do Tempo


Obama, a força das ideias

1. Não há dúvidas que o passo histórico dado na eleição de Barack Obama merecerá grandes estudos. A democracia americana, com os seus valores e limites (como todas as democracias) dá uma grande prova de vitalidade. É verdade que a conjuntura se foi proporcionando para o refrão «we can, we change». São muitas, hoje, as revistas no escaparate que proporcionam o entender a vida de Obama e donde provém a sua força co-responsável como líder de ideias. Mesmo acima de toda a poderosa máquina do marketing político ou da lógica coisificante económica, a verdade é que as ideias estão vivas e deram uma enérgica resposta ao serem coroadas de êxito…
2. O retrato da vida da família de Obama e a sua eleição como 44º presidente dos EUA encarnam quase uma face mitológica. O triunfo dos simples do novo líder tocará semelhanças com o libertador Martin Luther King ou com o Kenedy que deixou órfã a América. A eleição da sabedoria deste homem afro-americano deixa antever que será seguido passo a passo, e mesmo com toda a legitimidade democrática da razão política, será sempre estreita a sua porta no patamar da emoção sociocultural… Obama soube tornear muitas questões; campanha é campanha, governar será diferente. Os seus primeiros discursos deixam transparecer um claro realismo, como quem diz que o caminho não será nada fácil. Este discurso faz baixar à terra a euforia dos seus apoiantes e quer ser promoção e empenho de todos…
3. A sua matriz intercultural, do ADN às ideias geradoras de pontes comunitárias, é um admirável sinal para os tempos de globalização. Este mundo, em ansiosa busca de regulação, não se compadece com o isolado unilateralismo que ficará como imagem de marca Bush. A «força das ideias» tem conduzido Obama e conduziu-o ao poder. O mesmo povo que havia eleito a «força das armas» aposta na mudança. Que nenhum «11 de» perturbe o «sonho» comunitário de Obama. O mundo saiba acolhê-lo!

Vitória Histórica nos EUA



OBAMA na Casa Branca

Hoje é um dia histórico para os EUA e para o mundo. Obama deu um estrondoso pontapé no racismo e vai sentar-se na Casa Branca. Não para se deliciar em cadeiras de luxo, mas para mostrar aos seus concidadãos e aos demais povos da Terra que a construção de um mundo melhor é possível e necessária. E urgente, face às nuvens negras que o liberalismo desenfreado provocou nos últimos tempos. Uma nova ordem social se impõe e se espera. Os filhos dos escravos que receberam carta de alforria há cerca de 100 anos nos EUA viram-se retratados nesta vitória de Obama. Também os oprimidos e os famintos, os refugiados e os perseguidos devem ter sorrido, na convicção de que dias melhores hão-de surgir.
Será o novo presidente da maior nação da globo capaz de cumprir todas as promessas que fez durante a extraordinária campanha eleitoral, ganha passo a passo, degrau em degrau? Não creio. Mas creio que Obama vai conseguir encetar novos caminhos de mais justiça e de mais paz. Todos os povos de todos os quadrantes têm os olhos nele. Porque Obama é, indubitavelmente, um sinal de muita esperança.
FM

terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Recomendações do Papa há um ano

A propósito da visita Ad Limina que os bispos portugueses fizeram ao Papa Bento XVI, há um ano, D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, diz que na Igreja, em Portugal, tem havido um "activismo pouco centrado no essencial e dificuldade de leitura actual". E sublinha que, "Enquanto houver algum predomínio do clericalismo, aos diversos níveis, e do individualismo pastoral, que parece satisfazer cada um na autonomia do seu território, não será possível abrir caminhos novos para uma Igreja Comunhão, suporte de uma Missão que a identifica com o projecto de Jesus Cristo".

Noite de expectativa

Esta noite vai ser, para muitos, de longa expectativa. O mundo ocidental e até o outro estão de atalaia, com a curiosidade de saber quem será o próximo presidente dos EUA. Não é por acaso que isto acontece, pois trata-se da eleição do presidente da mais poderosa nação da Terra.
Quer queiramos quer não, esta expectativa prende-se com o facto de muitos esperarem, ansiosamente, uma mudança radical na política americana. Deseja-se, praticamente, desde a tomada de posse do presidente Bush, que dos EUA venha uma política mais condizente com o mundo de paz que imensa gente sonha. Um mundo mais fraterno e sem guerras.
Afinal, os homens e mulheres do nosso mundo, sobretudo os que amam a liberdade em paz, acreditam que o terrorismo e a violência não se combatem com as mesmas armas. Querem, no fundo, um presidente que proponha uma nova ordem social, que conduza toda a gente nos caminhos da felicidade. É este sonho, a meu ver, que provoca esta expectativa.
Se os povos da Terra votassem, por aquilo que tenho lido e ouvido, Obama seria o vencedor. Mas como os norte-americanos é que escolhem o seu presidente, vamos acreditar que o eleito, Obama ou MacCain, seja capaz de oferecer ao mundo a esperança num futuro melhor. Um futuro de paz, de progresso e de fraternidade para todos.

FM

O Fio do Tempo


O vulcão dos bairros-de-lata


1. A mobilidade populacional, na procura de uma vida melhor, foi-se e vai-se concentrando nas cidades. Quantos postais denunciadores das desigualdades mostram as grandes torres ao fundo e as barracas e favelas da pobreza ao perto. A prestigiada revista Além-Mar (já no seu ano 52 – http://www.alem-mar.org/) traz no rosto da última edição (nº 575, Novembro 2008) uma dessas imagens do estendal da pobreza nos subúrbios da grande cidade. O título perplexo diz: Bairros-de-lata, vulcões prestes a explodir. Vem, assim, um complexo conjunto de problemáticas, em difícil conjuntura, desinstalar aqueles que vivem instalados numa concepção de bem-estar só para alguns…
2. O acentuado êxodo rural (do abandono da interioridade), as calamidades naturais que arrastam populações na luta pela sobrevivência, as guerras e perseguições que ainda existem em muitos países do mundo e que geram multidões de refugiados, a grave crise económica e financeira actual que aumenta tremendamente o fosso, o decrescer para a pobreza das classes médias… conjunturas de um renovado (e velho) mapa de preocupações. O avolumar das incertezas, das precariedades, a ausência de oportunidade justas como trampolim para o auto e heterodesenvolvimento trazem para a praça pública das ideias e cidades o desafio da sobrevivência que, no fundo, se transforma numa nova aprendizagem do exercício da subsidiariedade (do ensinar/aprender a pescar) e da solidariedade (do pão e água da sobrevivência diária).
3. Sente-se, também diante da conjuntura de crise financeira (que espelha a crise e a necessidade reguladora de ética mundial), que são necessários novos paradigmas globais de resposta para as novas problemáticas universais. Os múltiplos mecanismos sociais (da ciência às religiões, das economias às políticas) haverão de saber mais construir o fortalecer do “dar as mãos” na busca de inspiradas e humanísticas soluções. Ou teremos de aguardar até às reuniões dos G7, G8, 10… terem de fugir para a lua?!

Sabia que...


O GPS nasceu em 1995

O GPS (Global Positioning System), hoje tão em moda, nasceu apenas há 13 anos, concretamente, em 1995. Graças à conjugação de diversos satélites lançados pelos EUA, desde essa altura o planeta que habitamos tornou-se mais pequeno. O GPS guia Aviões, barcos, automóveis ou simpesmente um normal cidadão nos caminhos da vida, levando-o, com rigor, ao ponto desejado.

Efeméride aveirense

João Jacinto de Magalhães

No dia 4 de Novembro de 1722 nasceu em Aveiro e aqui foi baptizado em 22 deste mês, na igreja de São Miguel, o ilustre aveirense João Jacinto de Magalhães, que professou na Congregação dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, com o nome de D. João de Nossa Senhora do Desterro. Secularizado, fixou-se na Inglaterra, onde faleceu. insigne pelo saber, pela independência de espírito e pela nobreza de carácter, foi um dos mais famosos cientistas do século XVIII, considerado em todo o mundo culto. Há em Aveiro uma Fundação que o tem por patrono.
Fonte: Calendário Histórico de Aveiro

Gafanha do Carmo – reabilitação da engrenagem de uma moagem


Foi restaurada uma Mó que se encontra no Jardim Central da Gafanha do Carmo, junto à Igreja Matriz, num investimento de cerca de 3300 euros, mais a mão-de-obra oferecida pela Câmara Municipal de Ílhavo.
Esta Mó foi pertença de Silvino da Silva Troca, antigo proprietário do terreno onde a mesma se encontra. Foi nos anos 60 que Silvino da Silva Troca, ourives de profissão, mandou construir uma moagem industrial para processamento do centeio, milho e trigo, que depois vendia.
Há cerca de nove anos, a Câmara Municipal de Ílhavo adquiriu o terreno aos herdeiros de Silvino Troca e transformou-o em Jardim, um espaço privilegiado de encontro para a população da Gafanha do Carmo, preservando a Mó como memória da moagem tradicional.

O remendo em pano novo


É surpreendente como toda a liturgia dos mortos se envolve na esperança da vida para além da vida. Dir-se-ia que é a coragem máxima perante o maior dos obstáculos e a mais cruel das objecções. Vencida a morte nada derrota definitivamente o homem. Os sobressaltos da história com o seu somatório de injustiças, as acumulações do mal como que se diluem diante dessa realidade proclamada por Jesus, repetida pelos Apóstolos, levada ao extremo por Paulo:”Eu sou a ressurreição e a vida…” “Aquele que ressuscitou Jesus, também nos há-de ressuscitar.”
Depois disto nenhum desespero tem cabimento nos que professam a fé cristã. E não apenas para a morte de cada um, mas da própria humanidade. Por isso cada momento tem de ser lido com este olhar. Que não esconde a crueza do real mas não admite a derrota como desfecho da vida. Quando toca a nossa vez o mundo do passado e do futuro parece desabar sobre toda a lógica da esperança. Isso quer apenas dizer que podemos ter depositado as nossas esperanças num imediato fútil, insignificante, num agora sem passado nem futuro.
Ao querermos uma solução imediata para a crise financeira e económica que sobre todos se abate, podemos perder-nos deixando o essencial para último plano. A cultura, a arte, as humanidades, os grandes valores patrimoniais, a própria expressão de fé como significação última da vida, podem ser eternamente adiados em troca do urgente. Como se apenas de pão vivesse o homem. Como se todas as premências se resumissem na aquisição de meia dúzia de objectos que adornam o nosso estatuto e que a moderna orquestra do ter propôs como imprescindíveis, invertendo o sentido das prioridades, salvando as finanças, a economia, os teres e haveres, com esquecimento total do grande ser.
Importa pois perceber que não é qualquer solução que interessa para a crise. Precisa ter a dimensão do homem no seu todo muito mais que um receituário breve para ficar tudo como dantes. Também aqui o cristianismo, recentrando tudo no homem, separa o trigo do joio. Se a morte foi vencida, as pequenas mortes são como que insignificantes. Para que não fiquemos com remendo novo em pano velho.
António Rego

Solidariedade



No dia 23 de Outubro de 2008, teve lugar, aqui, numa das Escolas da Gafanha, um encontro de pessoas, unidas pelo mesmo objectivo: prestar homenagem a uma colega.
Acometida por uma doença insidiosa, teve que se retirar do serviço e por força das circunstâncias vai viver para longe da nossa terra.
Nisto há a salientar o factor humano que se sobrepôs a tudo o resto. Cansados das suas lides docentes, que os absorvem até à exaustão, souberam renunciar ao seu descanso e à comodidade dos seus lares, para estarem perto e confraternizarem com a colega demissionária.
Sentia-se algum pesar pela situação inesperada da colega em destaque, mas vivenciou-se uma transmissão de carinho e afecto numa onda de calor humano, que de todos emanava.
Ainda estamos todos vivos e é importante que estas manifestações não se percam.
No fim, foi entregue, em nome de todos, uma lembrança composta por objectos de bricolage, num apelo directo à vida e a uma vida nova que a colega vai ter na sua nova casa.
Eram utensílios de jardinagem, com que irá ocupar-se, nos longos tempos livres, que irá ter pela frente e que se augura sejam longos.
Estava emocionada, comovida com a adesão em massa, pela resposta ao chamamento feito pelos promotores da iniciativa.
E das profundezas do meu ser pensante e reflexivo tirei estas notas. Por mais prepotentes que sejam as forças políticas, sociais e outras que nos condicionam, nos atrofiam, nos anulam, nada há que consiga fazer estiolar a nossa força anímica, de professores, de pessoas, de seres humanos sensíveis, altruístas e solidários.
Muita energia, muita vida, muita alegria... te desejam todos os teus colegas e amigos.
E… vai-nos dando o feedback da utilização que vais dando à nossa prendinha. Queremos sabê-la… profusamente rentabilizada, usada… e sê ousada a tirar partido da vida, com ela! Nós cá estamos à espera!
Madona

segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

AVEIRO: Poesia na Biblioteca Municipal

No próximo dia 7 de Novembro, sexta-feira, pelas 21.45 horas. Se puder, não falte. Entrada livre.

O Fio do Tempo


Magalhães: O antes e o depois?

1. Talvez o magalhães resista ao choque ou à água, mas não resistirá ao utilizador. Qualquer dia alguém escreve uma peça teatral e dá-lhe o nome “no princípio era o Magalhães”! Entre o mérito e o excesso, entre a oportuna aposta estratégica no futuro das tecnologias e uma “magalhenite” vai muita distância. Está provado que os portugueses agarram facilmente as novidades das tecnologias, que o diga a rápida massificação que o telemóvel atingiu. Por isso, mais que o publicitar até ao rubro da nova conquista tecnológica lusa, terá de haver lugar para a formação do seu utilizador. Para já não falar de qualquer dia a imagem de marca de um país ser o magalhães novo numa escola onde chove ou há frio que congela os dedos e os teclados.
2. Compreende-se, para nós que estamos habituados ao pessimismo de velhos do restelo, um certo puxar para cima apologético como eixo de motivação ou distracção. Mas, vale a pena perguntar pelo antes e pelo depois, e se o que está em causa é mesmo consistente ou é passo maior que a perna educativa. Seja claramente dito que uma boa parte da percentagem da crise financeira actual (para já não falar da última de um banco português apanhado em falsos negócios…), verdadeiramente, provém de áreas sábias no manusear das mil e umas tecnologias virtuais da comunicação. Como todas as coisas, o magalhães pode ser óptimo ou péssimo. Como em todos os instrumentos, tudo depende do utilizador e a verdade é que há uma desproporção como se de uma falésia se tratasse. Investe-se tudo na máquina, pouco no Ser.
3. É incontornável que o futuro passa pelas comunicações em processo de megamassificação. Mas esta, antes que seja tarde demais, para um dignificante futuro verdadeiramente humano, precisa do grande investimento numa rede humanista onde o utilizador assim como cresce rapidamente na aprendizagem da “coisa” cresça no patamar das responsabilidades. Ainda vamos a tempo? Sejamos realistas, atentos em prevenção…

O Riso de João Paulo II

Será que os Papas também sabem rir? Veja o riso de João Paulo II. Proposta do meu amigo Manuel Olívio.

Estado tem de ser pessoa de bem

“O Conselho de Ministros de 2 de Novembro aprovou medidas para o pagamento, a curto prazo, de dívidas do Estado a empresas, no valor de 2450 milhões de euros, sendo 1200 milhões de dívidas da Administração Central, e 1250 milhões da Administração Local. O Ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, declarou que as dívidas da Administração Central serão pagas «nos próximos três meses», e que as da Administração Local serão regularizadas depois de ouvidas as suas entidades representativas, para estabelecer a forma do pagamento.”

In Portal do Governo

NOTA: Toda a gente já sabia que o Estado tem sido mau pagador, justificando a fama de que não se trata de pessoa de bem. Tem exigido o que não cumpre, no que diz respeito às suas obrigações para com os fornecedores. Tem pago quando quer e quando lhe apetece.
Agora vem prometer que esse comportamento vai mudar, passando a pagar o que compra e a quem o serve a tempo e horas.
Penso que se trata de uma excelente medida. E se cumprir, assumindo o papel de pessoa de bem, então já poderá exigir que os contribuintes o imitem.

Governo nacionaliza BPN

Onde está a sociedade justa e solidária?
O Governo de José Sócrates decretou a nacionalização do BPN, garantindo que os clientes não serão afectados nos seus depósitos. A CGD vai controlar a situação, depois de terem sido descobertas graves irregularidades, com negócios paralelos e à margem das leis. Que se saiba, os administradores fraudulentos ainda não terão sido incomodados. O Banco de Portugal, que tinha por missão estar atento à vida do banco e de todos os bancos, não deu por nada, ao longo dos anos. A onda avassaladora do liberalismo económico, sem alma e sem regras, deu nisto. O que virá a seguir?
Quando se fala de nacionalizações, em áreas fundamentais da vida económica, muita gente grita que estamos a cair numa sociedade colectivista, que ofende a liberdade e a propriedade privadas. Agora, face à crise que o liberalismo sem regras gerou, pondo em risco os bens, as poupanças das pessoas e até as suas pensões de reforma, todo o mundo se cala, achando bem que o Governo nacionalize o BPN.
Não sei, ninguém sabe, onde está a sociedade justa e solidária. O comunismo real e o capitalismo selvagem faliram. Os economistas não encontram soluções credíveis. Estamos todos suspensos de alguém que nos indique o sistema político-económico que promova o bem comum, a justiça social e a liberdade.
E como já vai sendo hábito, os administradores habilidosos e fraudulentos continuarão por aí impunes. Um desgraçado qualquer que seja apanhado a roubar um pão para matar a fome corre o risco de cair na cadeia, sem apelo nem agravo.

FM

A Nossa Gente


Capitão Amantino Lopes Caçoilo


No mês em que o País e o Município de Ílhavo comemoram o Dia Nacional do Mar, a 16 de Novembro, a Câmara Municipal de Ílhavo dedica a rubrica “Nossa Gente” a um grande homem da Pesca e do Mar, o Capitão Amantino Lopes Caçoilo.
Filho de António Lopes Caçoilo e de Maria da Luz Lopes, Amantino Caçoilo nasceu a 5 de Setembro de 1946, na Gafanha da Nazaré. Casado, e com duas filhas, o Capitão reside actualmente na sua cidade-natal, onde assume as funções de Técnico Superior da Unidade Operacional da Forpescas, em Ílhavo, estando a sua actividade profissional desde sempre ligada ao Mar.
Após terminar o Secundário, no Liceu Nacional de Aveiro, em 1966, Amantino Lopes Caçoilo deixou a terra que o viu nasceu e rumou à Escola Náutica Infante D. Henrique, em Oeiras, onde concluiu o Curso Geral (1969) e o Curso Complementar de Pilotagem (1986), tendo, mais tarde, concluído a Licenciatura em Administração e Gestão Marítima, já em 1999. Ao seu já vasto currículo, Amantino Caçoilo acrescentou, ainda, outros Cursos de Formação, na sua maioria ligados à Pesca, mas não só. Em 1986, terminou o curso de Simulador de Radar, na Escola Náutica Infante D. Henrique, o curso Avançado de Combate a Incêndios, na Escola da Armada, e, ainda, o curso de Novas Tecnologias de Pesca, do Instituto Superior de Estudos Marítimos. Já na década de 90, o Capitão Ilhavense ainda teve tempo para se dedicar a um curso de Informática e a um outro de Aperfeiçoamento para Gestores de Formação, alargando o seu leque de especialidades.
Paralelamente a vários estudos e participações em diversas conferências de âmbito nacional e internacional, Amantino Caçoilo manteve a sua vida profissional bastante preenchida.
Começou por desempenhar funções de Piloto na pesca do bacalhau, em 1970, em navios da EPA – Empresa de Pesca de Aveiro, subindo de posto em 1973, onde foi Imediato até ao ano de 1979. Sempre ligado à pesca de bacalhau, foi pela Sociedade da Pesca Silva Vieira e da TAMNEV, S.A. que se tornou Capitão, em 1980, onde desempenhou funções no domínio da gestão da sua frota de navios.
A sua relação profissional com o Forpescas – Centro de Formação Profissional para o Sector das Pescas teve início em 1987, contando já com quase vinte anos de vida. A partir de 1989, o Capitão Ilhavense assumiu um conjunto vasto de responsabilidades, que abrangeram quase todos os domínios técnicos da empresa, desde Navegação, Segurança, Formação, Gestão de Recursos Humanos. Em 2003, abraçou a função de Director Regional do Centro de Formação em Ílhavo, tendo sido o principal responsável pela criação do FORMAR – Centro de Formação Profissional das Pescas e do Mar, em 2008.
Enquanto munícipe e cidadão activo, o Capitão Amantino Lopes Caçoilo manteve uma postura social bastante interventiva. Foi Sócio-fundador e Director da Associação para os Desenvolvimento dos Interesses da Gafanha da Nazaré (ADIG) e Vice-presidente do Grupo Desportivo da Gafanha. Foi, ainda, Vice-presidente e Presidente da Fundação Prior Sardo e Membro da Direcção da Rádio Terra Nova, da Direcção da Cooperativa Cultural e Recreativa da Gafanha da Nazaré e do Concelho Pastoral da Paróquia da mesma. Ao seu longo e brilhante curriculum, Amantino Caçoilo acrescenta, actualmente, as funções de Presidente da Assembleia de Freguesia da Gafanha da Nazaré.
Capitão de Mar e eterno académico das Pescas, Amantino Lopes Caçoilo é um orgulho para as gentes da sua terra e uma referência para o Município, que tem no Mar a sua Tradição.
In "Viver em" , da CMI


NOTA: Dá-me sempre um prazer especial verificar que os meus amigos são distinguidos pelas suas qualidades, no domínio da sua intervenção social, cultural ou profissional. O meu amigo Amantino, que conheço desde sempre e que tenho acompanhado ao longo da vida, é um desses. O que tem feito sob diversos pontos de vista, em resumo, aí está, bem retratado, na agenda "Viver em" da nossa Câmara Municipal. Porém, eu ouso sublinhar a sua inquietude face às injustiças que afectam as pessoas e a comunidade, levando-o a ser, quando é preciso, contundente e exigente com tudo e com todos. Não é dos que ficam calados a ver passar a carruagem. É dos que protestam com veemência. Sempre pelo que considera justo.
Um abraço para o meu amigo Amantino
FM

Diáconos Permanentes celebram 20 anos de ordenação - 6

6 – Duas décadas do diaconado permanente na Diocese de Aveiro

Durante estas duas décadas, os primeiros diáconos permanentes da Diocese de Aveiro exerceram a sua acção pastoral nos mais diversos domínios, de âmbito paroquial e arciprestal, mas também em serviços diocesanos.
Em Julho, o Bispo de Aveiro, conforme notícia inserta no Correio do Vouga, torna público as seguintes nomeações, para além dos trabalhos pastorais a desenvolver nas suas paróquias:
Afonso Henriques Campos de Oliveira, Pastoral Sociocaritativa no arciprestado de Águeda e apoio à Equipa sacerdotal de Águeda; Daniel Rodrigues pastoral dos marginais, integrada no sector da Pastoral Sociocaritativa; Fernando Reis Duarte de Almeida, membro do Secretariado das Migrações e Turismo e apoio a paróquias mais carenciadas pastoralmente; João Afonso Casal, equipa diocesana da Cáritas; José Joaquim Pedroso Simões, equipa diocesana da Cáritas; Carlos Merendeiro da Rocha, sector pastoral família-catequese (Gafanhas) e responsável pela formação espiritual e catequética do CNE (Gafanha da Nazaré); Luís Gonçalves Nunes Pelicano, pastoral familiar no arciprestado de Oliveira do Bairro e lançamento de trabalho pastoral em associações e instituições sociais de voluntariado; e Manuel Fernando da Rocha Martins, Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais e pastoral social na zona das Gafanhas.
Depois, e conforme as necessidades pastorais e as disponibilidades e carismas dos diáconos permanentes, o Bispo de Aveiro procedeu a diversas nomeações, havendo de parte de todos o sentido de serviço e a co-responsabilidade eclesial.
Paralelamente às tarefas que lhes foram distribuídas, os diáconos integraram-se na formação permanente proposta pela Diocese, ao mesmo tempo que puderam contar com apoio espiritual e com acompanhamento pastoral, próprio de cada sector onde exerciam o seu ministério.
Fernando Martins

O nosso azul

Permitam-me que comece a semana útil (o que é isto?) com este nosso azul. Céu e mar misturam-se ou completam-se, tão docemente, que até nos deixam extasiados. Dir-me-ão que este azul anda por aí à solta, por todos os cantos. Mas o nosso, perdoem-me a ousadia, é mesmo o melhor do mundo. E tenho dito. Vamos então ao trabalho.

domingo, 2 de Novembro de 2008

O Fio do Tempo


Obama Multilateral


1. Estamos a horas de saber quem será o novo presidente dos EUA. Tantas eleições que existem em tantos países ao longo de todo o ano, mas, contra factos não há argumentos, o certo é que o mundo aguarda a todo o momento por esta eleição. O megaespectáculo das campanhas que gastaram mais milhões (e humor) que nunca está concluído. Toda a conjuntura pós-11 de Setembro 2001 gera, talvez como ilusão, um carácter decisivo nesta eleição. A marca registada “Bush” ao longo de oito anos é torneada até pelo candidato republicano. Das palavras-chave escolhidas por Obama talvez seja “change” (mudança) a ideia mais sublinhada, como estratégia de despertar a motivação cívica das gentes de um país de contrastes.
2. Na preparação das campanhas ao milímetro, o mundo foi surpreendido com uma obamania que, por exemplo, da Europa de Berlim, arrastou uma multidão de cem mil pessoas. Enquanto isto McCain, experiente em cenários de guerra a que sobreviveu, tem o difícil deserto de dizer que tem uma proposta diferente de Bush e que a experiência de vida vale tudo. Talvez tenha sido a entrada em cena dos vice-presidentes o momento decisivo nesta campanha. Obama convida alguém experiente em política externa consolidando-lhe amplitude de multilateralismo numa visão de mundo como busca dos grandes consensos. McCain, surpreendeu com o ar fresco de uma vice-presidente, que, de tão repentina, seria sol de pouca dura!
3. É certo que crise financeira internacional veio dar votos à “mudança” proposta por Obama. Mas não se pense que ele é um inexperiente; como alguém há dias dizia, um inexperiente não chega a este sábio patamar. Estas semanas também foram oportunidade de conhecer a vida dos candidatos. A Europa (e, no fundo, o mundo) prefere de longe a história do criador de pontes multilaterais (como Obama em Chicago...) que a guerra e a força... Daqui vimos nós! Parabéns Obama, se a mudança for esta já vale a pena!

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 101


O HINO NACIONAL

Caríssima/o:

Continuando as nossas imagens rápidas, fugidias e, quiçá, um tanto desfocadas e desbotadas, não avançaremos sem nos determos um tudo-nada e falarmos de algo que muito nos dizia. Conheço pessoas da minha geração que, quando em cerimónias mais ou menos importantes, ouvem tocar e cantar o Hino Nacional ficam emocionadas, sem fala e quase lágrima furtiva lhes aflora ao canto do olho. E se os jogadores da selecção o não cantam é o bom e o bonito!
Verdade seja que nessas épocas de antanho as crianças aprendiam a cantar o Hino e sempre lhes ficava a ideia de que era algo de quase sagrado; tanto que ao ouvi-lo se tirava o boné ou a boina! E levava-se muito a sério... O mesmo acontecia com a Bandeira, afinal ambos símbolos da Pátria.
Não sei se os tempos são outros, o que sei é que deixou de ser assim e podemos perguntar-nos e quedar-nos a pensar que “é tudo igual ao litro”. Será, será, mas...
Desculpai-me o desabafo que aí fica, mas agora como dizem que é assunto para sociólogos e psicólogos, ...
As minhas imagens não me dão o direito de fazer comentários; tão-só expô-las e que outros digam de sua justiça.

Pois nós lá cantávamos e repetíamos até sabermos de cor a letra que começa assim:

Heróis do mar
Nobre povo
Nação valente
E imortal!...

E o Professor ia explicando o sentido de cada verso e de cada estrofe. Por vezes, ia mais longe e contava-nos como tinha surgido e até o nome... Ah, é verdade: A Portuguesa! Também nos ia dizendo que a letra era de Henrique Lopes de Mendonça e a música de Alfredo Keil... Desculpai, mas isso também vós sabeis e ainda mais e melhor do que eu...

Aqui chegados não posso passar à frente sem referir que já nessa altura havia uns “engraçadinhos” que, agachados lá atrás, iam cantarolando outra letra... e nós rindo na inocência de que os 'caracóis' não podiam ir longe com tais protagonistas... E tudo ficava por ali que as Professoras davam a entender que não tinham ouvido!...
Afinal brincalhões sempre os houve!...

Manuel

sábado, 1 de Novembro de 2008

When the Saints Go Marching In

Por sugestão da Domingas, no Regador

Dia de Todos os Santos


OS MEUS SANTOS


Hoje todo o mundo católico celebra o Dia de Todos os Santos. Os que a Igreja Católica considerou dignos das honras dos altares, mas todos os outros que, por certo, são incontáveis. Nascidos na Igreja Católica e nas outras religiões. Quiçá sem qualquer confissão religiosa. São os chamados santos laicos, os que, pelos seus méritos, Deus, com a sua infinita misericórdia, acolheu no seu seio.
Nós, os católicos, acreditamos que os santos são todos os que, deixando a vida terrena, foram para Deus. Estão como Ele e n’Ele, gozando a felicidade plena e eterna. E também cremos que nessa situação poderão interceder por nós, numa prova de amor que nos religa, permanentemente, ao Criador.
É por isso que eu, no meu dia-a-dia, me lembro com frequência dos meus santos, daqueles que conviveram comigo e eu com eles, dos que me deram exemplos de bondade e me testemunharam a ternura de Deus. Não me inclino normalmente para muitos santos que estão nos altares, porque nunca os senti, concretamente, nos meus caminhos da vida. Mas os meus santos, os que andaram comigo ao colo, que me levaram a descobrir o bem e o belo, me ensinaram a rezar, me apoiaram nos primeiros passos que dei, me ajudaram a levantar quando caí, me ensinaram a ler e a compreender o mundo, me estimularam a partilha da compaixão, me orientaram para viver a caridade, esses é que são para mim os santos que hoje e sempre recordo com muito amor.
Eu sei que a Igreja não pode distinguir todos os santos que conhecemos, não haveria altares para todos. Também sei que a Igreja nos oferece os santos e os põe nos altares para que nos sirvam de exemplo. É verdade. Mas permitam-me que, mesmo assim, eu prefira os meus santos. Aqueles que continuam comigo, não apenas no dia 1 de Novembro, mas todos os dias do ano.

Fernando Martins

DIAS DE ANIVERSÁRIO: 1 E 2 DE NOVEMBRO


Nas nossas sociedades tecnocientíficas e urbanas, a morte é tabu, mas permite-se que todos os anos, nos dias 1 e 2 de Novembro, os mortos regressem: são os dias dos mortos. E os cemitérios enchem-se de vivos, numa saudade sem fim. A palavra saudade talvez venha de solitate (solidão) - talvez melhor, de salutem dare (saudar). De qualquer forma, do abismo sem fundo da nossa solidão, ergue-se uma prece, mais religiosa ou mais laica, pelos mortos: estejam onde estiverem, que estejam bem! É o aniversário dos mortos, no sentido etimológico (annus+vertere): o que volta cada ano, todos os anos. Se pensarmos bem, não é o aniversário dos mortos, mas apenas dos vivos, que, cada ano, recordam os mortos. Para os mortos, precisamente porque apanhados pela morte, já não há aniversário.
É por isso que, na celebração do aniversário, há algo que remete para a metafísica. Como escreve o filósofo P.-H. Tavoillot, "lembra-nos que há um princípio e um fim e que, na aparente repetição das estações, se esconde um fio cada vez mais curto e ténue". Lá está o que se encontra na maior parte das lápides dos túmulos: a data do nascimento, frequentemente com a indicação de uma estrela - ter vindo à luz do mundo - e a data da morte - entre nós, a maior das vezes, com um sinal da cruz. Daí a diferença com que as crianças e os adultos encaram a festa de aniversário: os primeiros sonham exaltados com as prendas; os outros, sobretudo com o avanço da idade, tomam consciência do cutelo do tempo. O mistério do Homem é o tempo e a morte.
Foi também com Tavoillot que aprendi que a celebração do aniversário é recente. Antes, com este nome, o que se celebrava não era o dia do nascimento - aliás, antes da generalização do registo civil, a referência a esse dia nem sempre era exacta -, mas o dia da morte, concretamente dos mártires, chamado dies natalis (dia do nascimento).
A Igreja opunha-se à celebração do nascimento. Para Santo Agostinho e outros Padres da Igreja, celebrá-lo significaria, por um lado, ligar-se a práticas pagãs e, por outro, lembrar a vinda ao mundo de um pecador. Ora, exceptuando Jesus, Maria ou João Baptista, não havia "qualquer razão para alegrar-se!"
Aí está a razão de, ainda hoje, mais em países de influência protestante, como a Alemanha, estar presente a tradição de os católicos festejarem o dia do nome (Namenstag): nome do santo patrono a quem o recém-nascido foi confiado. O tempo efémero ficava ancorado na eternidade.
Ao pôr em causa o culto dos santos, "o protestantismo abriu a via do novo aniversário": atente-se nas palavras alemã - Geburtstag - e inglesa - Birthday -, com o significado explícito de dia do nascimento. Agora, a vida do indivíduo tem consistência própria e não já em referência a uma realidade superior. Mesmo entre os católicos, lentamente a festa da celebração do aniversário natalício impôs-se, e lá estão a família e os amigos e os presentes e o bolo do/da aniversariante e as velas e o canto universal do Happy Birthday to You, cuja letra remontará a 1924, mas a música a 1893.
No quadro da secularização e do individualismo, é um modo de dar sentido e consistência a uma existência que se sabe efémera e mortal: "Pelo menos uma vez por ano, o fluxo quotidiano que cada um vive tenta transformar-se em destino e até em epopeia. É uma maneira profana de dar sentido ao curso da vida." Assim, as crianças aprendem a viver; os adultos, a envelhecer; quanto aos velhos, "é um modo de os honrar", pois, num mundo de exaltação da juventude e do êxito, "a performance suprema não é envelhecer?".
Para tentar explicar o espaço e o tempo como formas da sensibilidade, segundo Kant, desafio os estudantes a captar as coisas sem o espaço e a narrar a sua vida sem o tempo. Impossível! Aí está a razão por que a morte e o seu depois, porque para lá do espaço e do tempo, são completamente irrepresentáveis para nós. Depois da morte, para os mortos, já não há aniversário, porque, com a morte, sai-se do tempo e entra-se na eternidade. Na eternidade do nada ou na eternidade de Deus. Espero que na eternidade do Deus vivo e infinitamente bom.
Anselmo Borges
In DN