sexta-feira, 31 de Agosto de 2007
GAFANHA DA NAZARÉ

PARÓQUIA FAZ HOJE ANOS
Em 31 de Agosto de 1910, D. Manuel Correia de Bastos Pina, Bispo-Conde de Coimbra, assinou a criação da paróquia da Gafanha da Nazaré. A freguesia havia sido criada por Decreto Real de D. Manuel II, com data de 23 de Junho do mesmo ano.
NOTAS:
- A Gafanha da Nazaré era, à data, um lugar de São Salvador, Ílhavo, Diocese de Coimbra. A Diocese de Aveiro seria restaurada em 1938;
- Tinha já gente em número suficiente para exercer de forma capaz os diferentes cargos paroquiais;
- Estava nas condições de exigidas por lei para poder ser erecta freguesia;
-Possuía uma capela, sob a invocação de Nossa Senhora da Nazaré, com capacidade, paramentos, vasos sagrados e alfaias necessárias para servir, provisoriamente, de igreja paroquial;
- Estava a construir uma nova igreja, já numa fase adiantada;
- Obrigava-se a pagar, anualmente, cem mil reis de côngrua ao pároco, que ficava ainda com as tdemais benesses e emolumentos que fossem de uso, direito e costume na freguesia de que era desanexada.
In Boletim Cultural da Gafanha da Nazaré, n.º 1
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Fernando Martins
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O AR QUE RESPIRAMOS
PÓ DO PORTO COMERCIAL
É público que o Prof. Carlos Borrego, da Universidade de Aveiro, vai coordenar um estudo sobre o ar que se respira na Gafanha da Nazaré. Pela sua indiscutível competência, penso que todos vamos ficar a saber se podemos, ou não, andar descansados.
Ninguém ignora que uma zona industrial e portuária tem custos acrescidos na área do ambiente. Há produtos tóxicos e poluentes a serem armazenados e manipulados, o que não pode deixar de inquietar as populações, já que, com regularidade ou esporadicamente, há o perigo de derrame ou de fuga para o ambiente.
Entretanto, a Gafanha da Nazaré começou a ser invadida por areias e pós que vinham do Porto Comercial. Incomodavam, obviamente, toda a gente, chegando a invadir as casas. O povo começou a protestas e desses protestos se fizeram eco os diversos órgãos de comunicação social.
Fernando Martins
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quinta-feira, 30 de Agosto de 2007
Jardim Oudinot vai ter nova cara
O projecto de qualificação urbana e ambiental do jardim Oudinot abre a concurso neste mês de Setembro. Se tudo correr como previsto, as obras estarão concluídas no Verão do próximo ano. Percursos pedonais, parques infantis, um ancoradouro de recreio e um pequeno hotel são apenas algumas das infra-estruturas a incluir neste espaço.
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quarta-feira, 29 de Agosto de 2007
Um artigo de D. António Marcelino
Se não aumentarem os abortos a pedido, dizia-se nas entrelinhas, como se poderá chegar aos 30 mil clandestinos de que tanto se falou na campanha? O fantasma, porém, está aí de novo. O problema é preocupante, porque os do “não” continuam em campo e não vão desarmar, nem se vão calar… Que pesadelo! Como se não bastassem os números.
Para levantar os ânimos abatidos dos preocupados, o Director Geral, um técnico com tiques e reacções a pedir um estudo das profundidades, já vai ensaiando, segundo os jornais, dois cenários apaziguadores: aos três meses de contagem dos abortos, pedidos e realizados, é que se saberá o andamento, por isso há que esperar confiantes, até Outubro; se os abortos não aumentarem, na linha da profecia que afirmava os clandestinos a roçar os 30 mil por ano, então é porque, finalmente, (!) as grávidas portuguesas se dispuseram a participar na redução do número de abortos, de harmonia com os objectivos previstos pela lei…Nem mais.Toda esta conversa só se justifica porque no Verão pouca gente lê os jornais e depressa se passa a página. Também não é muita a gente que ouve os políticos, a não ser que haja sarilhos e “botas” desenquadradas. Por outro lado, com o futebol a entrar em cena, tudo o mais passa a secundário.
Os movimentos abortistas de há muito depuseram armas, uma vez que a sua batalha estava ganha. Voltam-se, por agora, para os transgénicos… As clínicas abortadoras legais estão em boa maré. Mais dez ou menos dez semanas, há sempre razão para acolher bem quem as procura para se aliviar de pesadelos e de fetos vivos. As não legais actuam sem temores e os juízes são agora mais benevolentes…Assim vai o país no que de mais sério se pode pedir a quem governa e aos cidadãos: defender a todo o custo a vida já gerada e promover a saúde própria e a de todos.
Entretanto, fecharam-se maternidades por razões técnicas e, também, porque davam prejuízo, mas há agora, em cada quartel de bombeiros, uma maternidade de quatro rodas, que vai fazendo partos pelas estradas, umas vezes bem sucedidos e outras não tanto. De quem é a culpa dos fracassos, quando ocorrem? Dos jornais, claro, que dizem tudo… Sempre houve fracassos nas maternidades normais e não se fazia tanto barulho. Tudo natural, a não ser que o escândalo fosse grande e a família não se conformasse…
A gente sensata previa tudo, até os confrontos escandalosos aí à vista. Já nada traz novidade. A descriminação entre uma parturiente normal, trabalhadora, e uma grávida que quer abortar é simplesmente inadmissível. Os muitos direitos desta fazem correr o ministério para que tudo se resolva sem encargos para ela, aqui, ali ou além. E no resto da saúde? Portas abertas para fazer abortos, portas fechadas para milhares de portugueses que esperam em vão por uma cirurgia urgente, que se resolve a conta gotas, pondo o Ministro a ser ridículo pelas explicações que dá ao país.
Sobra cada vez mais pano para fazer mangas. É preciso continuar. Que a gente que pensa, acorde e perceba, perante o que se vê, se vive e se legisla, que as soluções legais, nem sempre são justas, morais e éticas. E que as políticas, muitas vezes são um logro.
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Passeios baratos
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Exposição de Fotografia no Aveirense
Vai ser inaugurada amanhã, 30 de Agosto, pelas 18 horas, no Salão Nobre do Teatro Aveirense, uma Exposição de Fotografia, “A Cidade Azul, Fragmentos de uma Realidade Inefável”, da autoria de Aurore de Sousa.
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terça-feira, 28 de Agosto de 2007
Contas dos partidos políticos
Dos 11 partidos que concorreram a este acto eleitoral, apenas um, o Partido Operário da Unidade Socialista, não irá ser sujeito a coima, embora receba também uma admoestação do TC.
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segunda-feira, 27 de Agosto de 2007
GAFANHA DA NAZARÉ MAIS LIMPA
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Gafanhões no mundo
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domingo, 26 de Agosto de 2007
A última crónica de Eduardo Prado Coelho
Sucede que há algumas semanas atrás começou a não aparecer ou a chegar mais tarde. Não se tratava, como vim a saber, de deambulações existenciais por montes e vales, nem mesmo de acessos místicos, mas antes de razões infelizmente mais prosaicas: ia ao SEF. Rapidamente descobri que se tratava do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. E pude compreender que o modo de funcionamento desta instituição nem sempre teria aquela perfeição que nós desejaríamos para um serviço público em área tão sensível como esta. Comprova-se que, se por vezes encontramos funcionários amáveis e colaborantes, desejosos de nos facilitar a vida, outras há em que nos confrontamos com pessoas stressadas e amarguradas pelo amarelo das paredes e os dramas conjugais para os quais quase nunca contribuímos mas de que pagamos as implacáveis consequências. Para ir ao SEF, a Nágila levantava-se antes de o Sol nascer para se deslocar de Alverca até Lisboa, onde, às portas do SEF, se organizava uma fila imensa de pessoas que esperavam cinco e seis horas para serem atendidas. E quem as atendia? Gente zangada com a vida que parecia ter uma especial volúpia em criar dificuldades: incapazes de explicarem tudo o que as pessoas precisavam de levar, incapazes de perceberem que as pessoas que atendiam tinham certas limitações na compreensão dos mecanismos burocráticos portugueses, descobriam sempre mais papéis que faltavam, o que obrigava a recomeçar tão exaltante peregrinação.
Tenho à minha frente o papel que acabou, ao cabo de porfiados esforços, por lhe ser dado e que, num português em que "há menos" se escreve "à menos", se intitula "Renovação de Autorização de Permanência Temporária para Trabalho subordinado", esclarecendo-se, para consolo das nossas almas, que é ao abrigo do art. 217, n.º 1, da Lei 23/207 de 04 de Julho. Que é preciso? Um passaporte válido, um comprovativo das condições de alojamento (contrato ou atestado da Junta de Freguesia), declaração do IRS e cópia da nota de liquidação relativa ao ano fiscal anterior, contrato de trabalho e declaração actualizada da entidade patronal a atestar o vínculo laboral, declaração da Segurança Social regularizada a confirmar os descontos efectuados, requerimento em impresso de modelo próprio (www.sef.pt) e duas fotografias. Com todas estas tarefas, por sucessivos dias, a Nágila deixou de aparecer. Andava por Alverca e Lisboa à procura de papéis - belo ideal de vida. Única vantagem: aprimorei a minha capacidade de fazer camas. E vou melhorando noutras tarefas domésticas.
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In PÚBLICO de hoje
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TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 38

Caríssima/o:
Lenda são certos saberes e sabores que já se não usam nem se conhecem.
Vem comigo: sigamos o odor que hoje enche a casa. É do galo do A. A. (não digo o nome para não ferir a sua modéstia e preservar a sua privacidade; mas tu próprio/a podes atribuir nomes: assim ao 1.º A – António? André?, e ao 2.º – Amaro? Antão?...). Disse-nos ele:
- Ainda bem que o galo escapou à rapina. Sei que era uma rapina porque vi penas num monte e depois tinha asas assim (e abria os braços...); ladrava como um cão! É para o comermos todos juntos!
- Como é que ele escapou?
- Ia dormir com o cão na casota.
E o cheiro não nos enganou – preparado apenas com a sua água, o galo soube-nos pela vida e o arroz de cabidela (baptizado por “arroz de chocolate” pelos netos) estava de três assobios; o tinto combinou à maravilha.
Mesmo sem fechar os olhos, a imaginação voou para as festas em que o galo era rei (os Reis, a Nossa Senhora da Nazaré, ..., e mais recentemente, o Santo António). Logo se lhe associaram as primeiras férias que gozei por convite amável das filhas do senhor João Maria Pereira Júnior, a Maria de Jesus e a Maria de Fátima, fazendo companhia a seu neto Manuel. Foram quinze dias em Macieira de Cambra e a leveza do ar e da água nunca mais se esqueceu.
E há sempre um saber novo numa lenda que espreita por nós:
«As festas de Santo António são o orgulho de Vale de Cambra. Festas de âmbito concelhio, é certo, e bem animadas. Desde 1977 que o 13 de Junho é feriado municipal e não se pode dizer que, a partir daí, as condições meteorológicas não tenham sido as mais agradáveis. A procissão prima pela imponência e concorrência, com todas as irmandades do concelho integradas, combinando-se os aspectos religiosos com os culturais. Exposições de artes e artesanatos e muita música. Porém, nem sempre tudo correu como agora. E Fernando de Bulhões, o nosso Santo António, não deve ter ganho para o susto!
Por muito amado que seja o grande taumaturgo, faz-se lá ideia o que lhe passou pela cabeça quando ouviu a ameaçadora sentença que lhe atirou Chico Brão, que ele sempre considerara um dos seus mais fiéis amigos, que é como quem diz devoto do coração:
- Enfia-se o santo num saquinho e mete-se na água, ali mesmo ao pé da ponte da Gandra!
Ante uma assembleia de amigos e mordomos da festa, Chico Brão, na verdade Francisco Pinto Soares, não teve dúvidas em explicar:
- Se o nosso rico Santo António quer água, que a tenha, mas só para ele! A nós já bom prejuízo nos deu!
Pois nem queiram saber o que acontecia! Raro era o dia 13 de Junho que um de Macieira não agarrasse no telefone e ligasse para um amigo de Gandra a perguntar à falsa-fé:
- Faz favor, diz-me se está aí a chover?
Era uma pergunta de chacota. Os macieirenses não perdoavam aos de Gandra terem ficado, a favor deles, sem a cabeça do concelho. E até aquelas irritantes chuvas, diríamos mesmo: até aquelas tradicionais chuvas, no próprio dia da romaria, serviam para o gozo de sempre!
Os da Gandra, logo que conseguiam as verbas necessárias para a festa, começavam a decorar a capela de Santo António e a engalanar os espaços públicos. Naquele tempo usavam mais papelinhos que outra coisa, pelo que as súbitas chuvas do fim da Primavera eram extremamente arreliadoras, pois encharcavam tudo.
Porém, no ano em que Chico Brão decidiu dizer que metia o santo nas águas, isso foi uma ameaça vingativa. É que nesse ano, por volta de meados da década de 40 do século passado, o Inverno parece que se tinha esquecido de qualquer coisa e reapareceu. E logo a 13 de Junho. Sem contemplações, destruiu as ornamentações e mais ainda o que era de todo o ano. Os romeiros tiveram de regressar a suas casas sem terem comprado um rebuçado e os de Gandra aguentaram-se com aqueles ribeiros correndo pelas suas ruas. Nesse dia, nem os de Macieira fizeram a pergunta anual!
Vale de Cambra reatou as suas relações com Santo António praticamente quando ele se decidiu proteger a vila da intempérie no dia grande da sua romaria. Mas teria sido só por via da ameaça de Chico Brão ou pelo respeito que o santo tinha pelos seus amigos das terras de Cambra?» [V. M., 274]
Será caso para aceitar apostas?
Manuel
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sábado, 25 de Agosto de 2007
Morreu Eduardo Prado Coelho
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Um artigo de Anselmo Borges, no DN
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sexta-feira, 24 de Agosto de 2007
GAFANHA DA NAZARÉ CHEGA MUITO LONGE


O Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré orgulha-se de preservar e defender as raízes culturais da Gafanha da Nazaré e do Concelho de Ílhavo tanto em Portugal como no estrangeiro, onde já esteve por diversas vezes. Desta feita deslocou-se à Polónia, às cidades de Wodzislaw Slaski e Kedzierzyn Kozle, de onde regressou recentemente. A viagem iniciou-se no dia 30 de Julho e a chegada à Gafanha da Nazaré aconteceu no dia 11 de Agosto e foi como “pagamento” da visita do grupo polaco à nossa terra em 2002. Durante a viagem houve a oportunidade de visitar a cidade de Paris, onde pernoitámos, tanto à ida como à vinda.
Em terras da Polónia mostrámos as nossas danças, cantares, trajes e alfaias, enfim, o fruto do nosso trabalho de recolha e preservação ao longo de quase 25 anos, procurando fazê-lo com empenhamento e orgulho e dignificando o nome do grupo, da nossa terra, do concelho e, muito especialmente, do nosso país.
Desde quinta-feira, dia em que chegámos, até quarta-feira, dia em que partimos, efectuámos seis actuações. O ponto alto aconteceu no sábado à noite, num festival internacional com vários dias de exibição e em que participaram mais de 20 grupos de folclore de Portugal, Canadá, Bulgária, Áustria, Egipto, Eslováquia, França, U.S.A., Moldávia, Espanha, Macedónia, Sérvia e Coreia, além de alguns grupos polacos. Neste dia, e com muita surpresa nossa, encontrámos um nosso conterrâneo, morador na Gafanha da Boavista, a assistir ao festival. No final da actuação tivemos a oportunidade de conversar com ele durante alguns minutos. Além das actuações, houve também uma vertente cultural nesta visita à Polónia. Pudemos visitar um museu na cidade de Rybnik, visitámos a bela cidade de Cracóvia e o museu de Auschwitz, campo de concentração nazi.
A viagem decorreu sem incidentes, apesar da distância e do muito trânsito que encontrámos, sempre com um bom ambiente entre todos os componentes do grupo. O espírito de companheirismo e a alegria constante foram um tónico para nos aliviar do cansaço de tantas horas de viagem.
O Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré vai continuar o trabalho de divulgação da sua freguesia e do seu concelho por esse país fora e, sempre que surgir a oportunidade, além fronteiras. Espanha, França, Alemanha, Itália e Polónia tiveram já a ventura de contactar com a nossa cultura. Fomos embaixadores do concelho nestes países e em todos eles deixámos uma boa imagem. Aproveitamos para agradecer a todos quantos contribuíram para o sucesso desta viagem.
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AVEIRO: FEIRA DAS VELHARIAS

Esta iniciativa permite adquirir os mais variados tipos de objectos que, actualmente, já não se encontram nos estabelecimentos comerciais, e que podem ser gratas recordações. Assim, os selos, os livros, os discos em vinil, os candeeiros, os móveis, os têxteis, entre outros, apresentam-se a todos os aveirenses, no centro da cidade.
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Centenário do Escutismo
O apelo aqui fica...
ONDE ESTÃO
A organização gostaria de juntar os seus escuteiros “famosos”, gente que se destacou ou destaca nas diversas vertentes da sociedade portuguesa.
Todos conhecemos aqueles nomes mais sonantes, como o Prof. José Hermano Saraiva, D. Manuel Clemente, D. Ximenes Belo, Prof. Carvalho Rodrigues, João Garcia, mas faltam muitos outros.
Assim, pedimos a sua colaboração no enriquecimento da lista, mesmo de personalidades que se destacaram em âmbito regional.
Mesmo que não saiba a morada não se preocupe, indique o nome, nós tratamos do resto.
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Um poema de Afonso Lopes Vieira
Ai ondas do mar, ai ondas,
ó jardins das alvas flores,
sobre vós, ondas, ai ondas,
suspiram os meus amores.
No fundo dos búzios canta
o mar que chora a cantar
ó mar que choras cantando,
eu canto e estou a chorar!
Ai ondas do mar, ai ondas,
eu bem vos quero lembrar:
«a minha alma é só de Deus
e o meu corpo da água do mar!»
Afonso Lopes Vieira
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Crédito para estudantes universitários
SEM BOM APROVEITAMENTO...
O Governo aprovou um novo sistema de crédito para estudantes universitários. Trata-se de uma boa medida, a qual permitirá que muitos jovens, sem recursos familiares ou próprios, consigam estudar ou concluir os seus estudos universitários. Segundo a lei, os empréstimos começarão a ser reembolsados um ano após a conclusão do curso.
Numa altura em que muitas famílias, com filhos em idade de entrar no Ensino Superior, vivem com grandes dificuldades, é de aplaudir esta medida do Governo, que facilitará a vida dos estudantes universitários, sobretudo dos que querem mesmo estudar e concluir os seus cursos.
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quarta-feira, 22 de Agosto de 2007
Recordações de Jales
Torre de Menagem, em ChavesSegundo a RTP, estão a processar-se escavações arqueológicas na zona das minas de ouro de Jales, Vila Pouca de Aguiar. Procuram-se vestígios de trabalhadores, possivelmente escravos, habitações e outras marcas do período pré-romano, antes de Cristo, para se ficar a conhecer o passado pré-histórico e histórico daquela região. Por que razão abordo esta questão, hoje e aqui?
Há décadas, uma família amiga levou-me até às minas de ouro de Jales, na altura em laboração. Recebidos com toda a simpatia por um responsável, foi possível assistir à fase da extracção do ouro do minério negro, de que guardo um ou outro bocadinho, que nada diz ter minúsculas partículas de ouro. Mas foi interessante ver e mostrar aos filhos o trabalho numa mina de onde se sacava riqueza.
Porém, o que mais marcou esta visita foi a maneira como o encarregado geral nos recebeu. Não satisfeito com tudo o que nos explicou e mostrou, achou por bem levar-nos para a sua própria casa, onde nos ofereceu um lauto lanche, à transmontana, onde o presunto e o pão de centeio, de sabores únicos, nunca mais deixaram o meu palato.
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Os transgénicos
Diz-se que os transgénicos, produtos agrícolas geneticamente alterados para maiores produções e para resistirem às doenças das plantas, podem ser prejudiciais à saúde de quem os ingere. Penso que cientificamente isso não está comprovado. Se virmos bem, há muito que comemos produtos animais e vegetais que sofreram transformações ao longo dos séculos, em especial no último século.
A destruição que um grupo de ecologistas provocou num campo de milho transgénico é uma ofensa não só à propriedade privada, mas também à democracia. Merece, por isso, o nosso repúdio. Num país democrático, as nossas convicções, os nossos projectos, as nossas ideias ou sugestões não podem ser impostos pela força, muito menos pela destruição do que quer que seja.
O Presidente da República já alertou para esta situação. Sempre quero ver se a legalidade é respeitada.
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Museus em férias
Fotocópia do original do Avé de FátimaRECONHECEU O MILAGRE DO SOL
“A relação de Afonso Lopes Vieira com a religião não foi constante nem rectilínea. Nos verdes anos da juventude declarou-se ateu, com afirmações esporádicas de anarquismo, salpicadas da herança positivista da venerada Geração de 70. No largo período do seu amadurecimento como homem e como escritor, aprendeu a respeitar a fé da mulher, D. Maria Helena de Aboim, e reconheceu o milagre do Sol, avistado da varanda da Casa de S. Pedro de Moel, com a inauguração de uma capelinha dedicada a Nossa Senhora de Fátima, em 12 de Maio de 1929. Para essa ocasião festiva, Lopes Vieira escreve o AVÉ de Fátima, assinando apenas um servita. A estátua de N. Sr.ª de Fátima que ainda hoje adorna a rosácea da capela da casa de S. Pedro de Moel – com o altar virado a poente – foi esculpida por um canteiro da região de Porto de Mós.”
In "Roteiro da Exposição
da Casa-Museu Afonso Lopes Vieira",
em S. Pedro de Moel
:
NOTA: As férias também podem servir para passar por Museus. Qualquer cidade ou vila e mesmo algumas aldeias têm o seu, com curiosidades dignas de admiração. Em S. Pedro de Moel há este, em casa onde viveu o poeta Afonso Lopes Vieira, casa que lhe foi oferecida por seu pai, precisamente “onde a terra se acaba e o mar começa”, em S. Pedro de Moel
Hoje, para além do Museu, a casa do poeta oferece um lugar para Colónia Balnear e a Capela.
Se passar por lá, não deixe de entrar, para sair um pouco mais rico.
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Partidos Políticos
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Sinais de Festa
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terça-feira, 21 de Agosto de 2007
S. Jacinto
O meu amigo e leitor Ângelo Ribau enviou-me há dias esta foto, na tentativa de colher informações. Como não as tenho, aqui fica o apelo, na esperança de que alguém diga alguma coisa.
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segunda-feira, 20 de Agosto de 2007
Canonização da beata Joana, de Aveiro
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Para os nossos emigrantes
de ir buscar água à fonte, junto à Mata da Gafanha
Posso garantir que, muitas vezes, sou interpelado por emigrantes de férias na Gafanha da Nazaré. Quando deambulo pelas ruas desta nossa terra, sobretudo em Agosto, encontro muita gente amiga que já não via há anos. É um prazer enorme para mim e decerto para eles. Então, há perguntas e mais perguntas de alguns deles, no sentido de saberem novas desta terra que nos viu nascer, que se vai modificando ano após ano. Muitas construções, ruas que vão nascendo ou que vão sendo melhoradas, ares modernos em muitos cantos. Porém, as recordações do passado, que brotam nas conversas que entabulo com eles, trazem a todos uma incontida alegria e um prazer inexplicável.
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Arte para todos
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domingo, 19 de Agosto de 2007
Folclore na Barra
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TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 37
FADAS
Da Gafanha, saltei para Vilar, ali ao pé de Aveiro.
E ir a Vilar é reencontrar bons Amigos que lá fiz. De entre todos – que não me levem a mal os Matias ( o João, o Paulo,...), os Vieiras, os Gamelas... - bem, de entre todos há uma referência especial à Bondade personificada do Padre Almeida! Assim, os nossos jovens poderão saber que além de homens-lobos havia (e há!) homens-bons!
Parece estar a ouvir o Fernando Ferrão a chamar-me à pedra: Então esquece a boa Senhora que deu tudo pelo Patronato?!
Cá para nós que ninguém nos ouve (ou melhor, nos lê) estou quase como os “Amigos da Escola de Vilar” que se reúnem todos os anos... mas só... eles!
Bem procurei uma lenda que ilustrasse a minha passagem por Vilar. Com a zundapp a toda a brida, apenas encontrei estas fantasmagorias de João Pereira Lemos, em tudo iguaizinhas às que ouvimos ou, quiçá, nos fizeram mudar de cor com o susto. Revisitemos então Vilar, ao luar, na década de 40 do século passado:
«Na nossa meninice ouvíamos falar nas fadas transformadas em cisnes brancos que vogavam na represa da Azenha da Ti Cândida! Na pipa que rolando subia a ladeira da S. Rita. No Lobisomem que, vagueando de noite para cumprir o seu fadário de cão raivoso, só voltava a ser homem depois de ser picado por uma agulha. Ou os fantasmas do Pinhal dos Frades que não passavam das sombras das copas dos pinheiros e que eram projectadas em noite de luar e se moviam com aligeira brisa. [...]
Um dia no ano de 1947, vínhamos na companhia do Artur Leite a passar à porta do Cemitério Novo por volta da meia-noite, quando um lençol saiu da porta do dito, rodopiando e vindo ao nosso encontro. Ficámos siderados, sem fala, cabelos em pé quase desmaiando de susto; porém, o Artur que se calhar nem acreditava nos espíritos invocados pela mãe, correu direito à “alma do outro mundo” e deu-lhe dois valentes murros que produziram logo efeito. De dentro do lençol alguém de carne e osso suplicou “Não me bata mais que estou aqui à espera do meu patrão!” Era o criado do Manuel Vieira Bacalhau que o queria matar com algum ataque do coração!...
Outra ocasião, vínhamos noite dentro a passar pelos “carreiros” ali da rua do Caseiro, e a verdade é que vínhamos assustados com o que diziam se passava naquele local, quando começámos a ouvir no fim dos muros onde hoje o Zé Manel Saraiva tem a casa, um resfolegar estranho. O coração quase nos parou mas caminhámos resolutos, já agora “morra o bicho, fique a possanha”. Então o que era senão o burro do Zé Lindo que se espolinhava levantando uma enorme nuvem de poeira, e o dono curtia, soprando, uma enorme bebedeira!...»
[Vilar Doce e Poético Cantinho, João Pereira Lemos, pp. 199-200, Edição da Acção Católica Rural de Vilar, Aveiro, 1991]
E agora dizei-me qual de vós ainda não enfrentou noites assim. Se não, o luar de Agosto é companheiro ideal!
Manuel
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Ares do Verão
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sábado, 18 de Agosto de 2007
Um artigo de Anselmo Borges, no DN
No limite, o autêntico ateísmo coerente seria "o ateísmo silencioso", como escreve Georges Minois, aquele que não pusesse sequer a questão de Deus. Pergunta-se, porém, se precisamente a questão de Deus enquanto questão, independentemente da resposta positiva ou negativa que se lhe dê, e a questão do Sentido último não são constitutivas do ser humano.
Citando Georges Gusdorf, G. Minois conclui a sua História do Ateísmo com "um quadro implacável e lúcido" da Humanidade do ano 2000: "Vive no Grande Interregno dos valores, condenada a uma travessia do deserto axiológico de que ninguém pode prever o fim." Durante muito tempo perseguido, o ateu obteve o direito de cidadania no século XIX e acreditou mesmo poder proclamar a morte de Deus. Mas já no fim do século XX houve a tomada de consciência de que, "ao eclipsar-se, Deus levou consigo o sentido do mundo". E continua: o futuro é imprevisível, porque o ateísmo e a fé enquanto compreensão global do mundo andaram sempre juntos. A ideia de Deus era um modo de apreender o universo na sua totalidade e dar-lhe, de forma teísta ou ateia, um sentido. Assim, a divisão hoje já não está tanto entre crentes e descrentes como entre "aqueles que afirmam a possibilidade de pensar globalmente o mundo, de modo divino ou ateu, e os que se limitam a uma visão fragmentária em que predomina o aqui e agora, o imediato localizado. Se esta segunda atitude prevalecer, isso significa que a Humanidade abdica da sua procura de sentido".
Se entendi bem, foi isto que Eduardo Lourenço foi dizer na abertura do Encontro Internacional de Lisboa, organizado pelo Grande Oriente Lusitano e subordinado ao tema Religiões, Violência e Razão.
A crise contemporânea é estranha. Enquanto o Ocidente se encontra desertificado de Deus, noutras culturas não só não há morte de Deus como, em vez da laicização, continuam na sua Idade Média, acreditando que o seu Deus é o verdadeiro e o Ocidente está em vias de perdição.
De facto, o Ocidente teve um dinamismo incomparável, e a razão disso é que o seu debate foi sempre à volta de Deus. Noutras culturas, Deus é um dado e está no centro de tudo; no Ocidente, Deus tem sido uma interpelação infinita. Deus não é uma evidência, porque não é um objecto. Deus é o nome, precisamente enquanto antinome, da nossa incapacidade de captar o Absoluto, o modo de designarmos a nossa incapacidade de ocuparmos o seu lugar. O Ocidente é a procura e o debate à volta desta questão. É-se contra a objectivação de Deus, porque Deus-pessoa não é objectivável. Deste modo, o Ocidente afirma-se como procura da liberdade. Quando, noutras culturas, se dá a pretensão de apoderar-se de Deus, temos fanatismo.
Eduardo Lourenço continuou, dizendo que, quando se dogmatiza, é para dominar. A perspectiva cristã caminha sobre outro chão. Aqui, Deus aparece como não violência, como puro amor, como espaço de liberdade absoluta. Sem Ele, as nossas liberdades não têm lugar. Ao revelar-se como amor, Deus mostra que, se a violência é o estado natural, a não violência é que é o mistério, e o que liberta é o não poder.
Deste modo, concluo eu, a crise actual não é o ateísmo. Precisamente o debate à volta de Deus enquanto debate infinito, mesmo para negá-lo, funda a liberdade e a dignidade
A raiz da crise é a indiferença e a consequente impossibilidade de pensar o sentido da totalidade, já que tudo se escoa na imediatidade e no fragmentário.
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sexta-feira, 17 de Agosto de 2007
FÁTIMA
Inauguração no próximo mês de Outubro
Os responsáveis pela obra lembram que, "sendo o Santuário de Fátima um local de carácter internacional, por onde passam anualmente peregrinos de várias dezenas de nacionalidades, o novo espaço pastoral procurará que, também através das obras de iconografia, possa transparecer esta mesma universalidade".
O Santuário consultou os directores dos principais museus de vários países para que indicassem nomes de artistas, que foram depois convidados a apresentar as suas propostas.
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PÚBLICO: Memórias de uma praia da Barra
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quinta-feira, 16 de Agosto de 2007
ÍLHAVO: Trilho das Padeiras

AO ENCONTRO DA NATUREZA
E DAS PADEIRAS DE VALE DE ÍLHAVO
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Ares do Verão
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quarta-feira, 15 de Agosto de 2007
Tabaco faz mal à saúde
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Centenário de Miguel Torga
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Igreja celebra Solenidade da Assunção
Dogma da Fé católica, celebrado por todo o país, foi definido pelo Papa Pio XII a 1 de Novembro de 1950

ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA AO CÉU
A Assunção é um dogma da Fé católica, definido por Pio XII a 1 de Novembro de 1950, mediante a Constituição apos-tólica “Magnificentissimus Deus”.
Neste documento, o Papa refere as relações entre a Imaculada Conceição e a Assunção, as petições recebidas para a definição dogmática, a consulta feita ao Episcopado, a doutrina concorde com o Magistério da Igreja. Resume os testemunhos da crença na Assunção, a devoção dos fiéis e o testemunho dos Santos Padres, dos teólogos escolásticos desde os primórdios, passando depois pelo período áureo e atingindo a escolástica posterior e os tempos modernos.
Pondera o fundamento escriturístico e a oportunidade da mesma, e logo pronuncia, declara e define ser dogma divinamente revelado que “a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.
Este foi o culminar dum processo de séculos, durante os quais toda a Igreja e todos os cristãos dedicaram à Virgem Maria uma especial devoção e uma crença nos seus privilégios, em ordem a ser a Mãe de Deus.
O Catecismo da Igreja Católica explica que "a Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos” (966).
A Assunção de Maria ocorre imediatamente depois de terminar a sua vida mortal e não pode ser situada no fim dos tempos, como sucederá com todos os homens, mas tem de considerar-se como um evento que já ocorreu.
A glorificação celeste do corpo de Maria é o elemento essencial do dogma da Assunção. Ensina que a Virgem, ao terminar a sua vida neste mundo, foi elevada ao céu em corpo e alma, com todas as qualidades e dons próprios da alma dos bem-aventurados e com todas as qualidades e dotes próprios dos corpos gloriosos. Trata-se, pois, da glorificação de Maria, na sua alma e no seu corpo, quer a incorruptibilidade e a imortalidade lhe tenham sido concedidas sem morte prévia, quer depois da morte, mediante a ressurreição.
A importância desta solenidade litúrgica em Portugal, com festas populares um pouco por todo o país, é tal que ainda hoje a República Portuguesa a reconhece como dia feriado.
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Fonte: Ecclesia
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Mais ricos e mais pobres
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NOVA ENCÍCLICA DO PAPA
BENTO XVI PREPARA ENCÍCLICA

No documento, o segundo do género de Bento XVI, são esperadas críticas, por exemplo, aos paraísos fiscais, encarados como socialmente injustos, acrescenta Ignazio Ingrao, da revista Panorama.
Outros observadores no Vaticano adiantam que o Papa irá defender uma regulação do comércio mundial e da economia a um nível que impeça maiores injustiças.
O documento servirá ainda para comemorar os 40 anos da Populorum Progressio (O Desenvolvimento dos Povos), a encíclica em que Paulo VI defendeu a melhoria das condições de vidas nos países pobres através da acção directa dos estados mais ricos.
Fonte: EXPRESSO
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terça-feira, 14 de Agosto de 2007
FOLCLORE NA PRAIA DA BARRA
CULTURA POPULAR
À sombra dele, vai ter lugar, então, mais um festival de folclore, uma boa razão para todos os veraneantes, e não só, poderem deliciar-se com a beleza da cultura popular portuguesa, que merece ser apreciada e apoiada, para permanecer como matriz da nossa identidade nacional.
Às 17.30 horas, os grupos convidados serão recebidos na Casa Gafanhoa , uma casa-museu representativa de lavrador rico dos primórdios do século XX, havendo na altura uma cerimónia de boas-vindas e entrega de lembranças. Depois do jantar, na Escola Preparatória da Gafanha da Nazaré, haverá o desfile, pelas 21.30 horas, junto ao Molhe Sul, iniciando-se o festival pelas 22 horas.
O convite aqui fica, na certeza de que, as gentes da região, com os muitos veraneantes, saberão aplaudir as danças e cantares de diversas zonas do País.
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domingo, 12 de Agosto de 2007
Centenário de Miguel Torga
Homem de temperamento difícil, tão agreste como as penedias do seu Marão, tinha na alma a simplicidade de uma criança e uma ternura ímpar que reflectia em muito do que escrevia, quer em prosa quer em verso.
Não gostava de dar entrevistas nem autógrafos, não gostava de festas sociais nem de grandes convívios, mas gostava de calcorrear as serras do seu Reino Maravilhoso que tanto retratava na sua extensa e diversificada obra.
Coimbra vai abrir hoje a casa em que viveu, durante 40 anos, na cidade dos doutores, nos Olivais, revelando, com ela, algumas facetas da sua riquíssima sensibilidade.
Penso que no futuro e a partir de hoje todos teremos que meter nas nossas agendas este destino, talvez para descobrirmos um pouco mais a alma deste escritor multifacetado.
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Ares do Verão
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TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 36
Caríssima/o:
Outro passeio teve lugar mas para Sul: Batalha? Alcobaça?
Em Peniche nos detivemos e avistámos, ao longe, as Berlengas - as maiores ilhas junto à costa portuguesa e sempre ilhas de encantamento. E de encantados nem nos apercebemos do forte que se quedava à nossa frente – creio mesmo que nem sabíamos o que se passava dentro daqueles muros...
Assim como o nosso contador de lendas: começa a falar de queijos e segue até pôr as medas a andar!
«1. Pois é, alguns dizem que não sabem onde fica Penela, mas se se lhes fala do Queijo do Rabaçal, têm uma clara ideia onde o podem ir buscar... no supermercado! Pois um queijo « de crosta lisa e coloração amarelo-palha, pasta ligeiramente untuosa, com alguns olhos e, por vezes, deformável. O seu sabor é suave, limpo e muito característico». Mas quem se lembrou de trazer para aqui a lenda deste queijo? E já tem foros disso este magnífico produto da Serra de Ansião!
2. Ah, mas o fantástico em Penela pode ser julgado por aqueles dois altos montes que se confrontam. Sabiam que eram de Penela aqueles dois manos gigantes, um chamado Melo e outro Gerumelo? Ambos ferreiros, montaram oficina cada um em seu monte. Porém, como só tinham um martelo, atiravam-no entre si, conforme precisavam. Ora um dia o Gerumelo estava de péssimo humor e, quando o irmão lhe gritou a pedir a ferramenta, mandou-a com tal força que o martelo se desencaixou no ar. E a maça de ferro caiu no sopé do monte irrompendo logo uma fonte de água férrea, hoje ao pé da antiga povoação da Ferretosa – hoje Fartosa, que as pessoas só estão bem a dar cabo das palavras!-, enquanto o cabo, que era de zambujo, caiu mais longe, enraizou-se e deu origem a um zambujal, que ao lado tem a sede da freguesia do Zambujal!
3. Jamaut, autor de uma monografia do município (1915), conta assim a lenda do castelo:
D. Afonso Henriques, querendo reaver os castelos de Sobral e Penela, de que os árabes se haviam apoderado em 1127, arranjou uma manada de bois que enfeitou com ramos de árvores, e entre eles os seus guerreiros do mesmo modo e seguiram o caminho de Penela.
Junto das ameias do castelo, a filha do governador do castelo catava-o, quando viu aproximar-se a emaranhada ramagem, e perguntou:
- Meu pai, as moitas andam?
Ao que ele respondeu:
- Tu és doida, filha! Cata! Cata!
À terceira vez que a filha lhe fez esta pergunta, de que obtinha invariavelmente a mesma resposta, replicou-lhe:
- Mas eu vejo-as andar!...
Então, o pai reparando, conheceu o ardil e o grito de Alah-Huachbar ressoou por todos os cantos, mas em vão, porque as esforçadas hostes portuguesas forçando a praça a retomaram depois de porfiada luta.
Os mouros retirando-se, deixaram a sua passagem assinalada por grande número dos seus combatentes que ficavam estropiados, e de enraivecidos destruíam tudo quanto encontravam na sua passagem: pães, vinhas, olivais, etc.» [V. M., 197]
E que, onde quer que nos encontremos, saibamos viver o encantamento da nossa vida!
Manuel
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Um artigo de Anselmo Borges, no DN
A razão humana não cria a partir do nada. Ela constrói a partir do dado e, feito todo o seu percurso, sabe que acende a sua luz na noite do Mistério. Se pergunta, é porque ela própria é perguntada pela realidade, que é ambígua. Precisamente na sua ambiguidade, provocando, por isso, espanto positivo e negativo, a realidade e a existência convocam para a pergunta radical: o que é o Ser?, o que é o Homem?
Quando, na evolução, se deu a passagem do animal ao Homem, apareceu no mundo uma forma de vida inquieta que leva consigo constitutivamente a pergunta pelo sentido de todos os sentidos, portanto, a pergunta pelo sentido último. A dinâmica religiosa deriva da experiência de contingência radical e da esperança num sentido final. A mesma experiência tem um duplo pólo: a radical problematicidade do mundo e da existência e a referência em esperança a uma resposta de sentido último, plenitude, felicidade, orientação, identidade, salvação.
Este domínio da busca de sentido aparece de modo tão central na vida humana que a História da Humanidade não se compreende sem a História da Consciência Religiosa, não sendo de esperar o fim da religião e das religiões.
Neste contexto, não é ousado afirmar que todo o ser humano é religioso, na medida em que é confrontado com a pergunta pela ultimidade. Só poderíamos falar de irreligiosidade no caso de alguém se contentar com a imediatidade empírica, recusando todo e qualquer movimento de transcendimento.
Concretizando, aprofundando e expressando este movimento de religiosidade, aparecem as diferentes religiões, sendo necessário, aqui, sublinhar que a categoria primeira, no quadro do universo religioso, não é Deus, mas o Sagrado. Numa fenomenologia da religião, deve distinguir-se entre religioso e Sagrado. O religioso é o pólo subjectivo e diz respeito à atitude do Homem, nos aspectos intelectual, moral e cultual, frente ao Sagrado. Precisamente o Sagrado ou Mistério enquanto pólo objectivo é o referente último das várias religiões.
É esta distinção que permite, no limite, perceber que, por paradoxal que pareça, possa haver e haja de facto quem seja ao mesmo tempo religioso e ateu. É religioso porque, como diz a própria etimologia da palavra (religião, de relegere, segundo Cícero - recolher, revisitar, reler - ou religare, segundo Lactâncio - ligar), vive-se vinculado ao Sagrado, àquela Ultimidade que o Homem não domina nem possui. Mas, por outro lado, ateu, porque, figurando o Sagrado ou a Ultimidade como anónimo(a) - pense-se, por exemplo, na Natureza, não enquanto Natureza naturada, mas enquanto Natureza naturante, Força e Fonte divina impessoal donde procede tudo quanto vem à luz -, não pode haver uma relação pessoal com ele ou com ela, não se lhe pode rezar nem se espera a salvação num encontro pessoal.
Isto significa, por exemplo, que as guerras religiosas estão do lado do pólo subjectivo religioso e não do lado do pólo objectivo, que é o Sagrado. Também se entende que o fundamentalismo é mesmo idolátrico. Porquê? Há fundamentalismo sempre que alguém ou alguma instituição pretendem dominar a Ultimidade. Ora, ninguém possui o Fundamento, é ele que nos tem a nós.
Percebe-se agora este mimo de estória, contada pelo escritor israelita Amos Oz, no seu livrinho Contra o Fanatismo. Alguém encontra Deus. "E tem uma pergunta a fazer-lhe, uma pergunta crucial, sem dúvida: 'Querido Deus, por favor, diz-me de uma vez por todas: Qual é a fé verdadeira? A católica romana, a protestante, talvez a judaica, acaso a muçulmana? Qual fé é a verdadeira?' E, nesta estória, Deus responde: 'para te dizer a verdade, meu filho, não sou religioso, nunca o fui, nem sequer estou interessado na religião'."
Realmente, o Homem é que é religioso. Deus já é nome pessoal do Sagrado e não põe a questão de Deus.
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sexta-feira, 10 de Agosto de 2007
A sociedade é injusta
A TELENOVELA CONTINUA
O caso da criança britânica desaparecida no Algarve, há 100 dias, continua a mobilizar a comunicação social do mundo ocidental. É espantoso como um tema, dramático, sem dúvida, consegue preocupar tanta gente, numa ânsia incontida de se descobrir a verdade. Graças, também, à acção constante dos pais, que não se têm poupado a esforços para tornar conhecido o seu drama.
Não estou, naturalmente, contra o envolvimento dos meios de comunicação social, que considero legítimo e necessário, nem contra outras instituições que, do mesmo modo, se preocupam com o desaparecimento da menina, numa zona de férias do Algarve. O que me choca, isso sim, é que as muitas centenas de crianças desaparecidas nos últimos tempos, um pouco por toda a parte, não tenham merecido as mesmas preocupações e o mesmo tratamento policial e jornalístico. Vivemos, pelo que se vê, numa sociedade injusta, onde há, nitidamente, pessoas de primeira e de segunda, quando se prega que toda a gente deve ter tratamento igual, em circunstâncias iguais ou parecidas.
Esta menina já mereceu da comunicação social do nosso País, seguramente, mais cobertura mediática do que todas as crianças portuguesas desaparecidas. E, pelos vistos, a telenovela vai continuar… até aparecer outro assunto que faça vender notícias e reportagens.Não seria mais prudente deixar trabalhar a polícia sem tantas pressões?
F.M.
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quinta-feira, 9 de Agosto de 2007
Um livro de Laurinda Alves
ATITUDE XIS
– Um olhar positivo sobre a vida –
"ATITUDE XIS" recolhe os editoriais escritos na "XIS", revista que se publicou aos sábados e veio integrada no "PÚBLICO", durante dois anos. Li-os todos e sempre colhi neles ensinamentos e sugestões para a vida, tão pertinentes os achei.
Na apresentação desta obra, em jeito de prefácio, o padre e poeta José Tolentino Mendonça, personalidade da Igreja e do mundo da cultura que também tanto admiro, diz que “Há palavras que representam mais do que um sublinhado: são epifanias. Quer dizer: revelam, desdobram, abrem o mundo, cúmplices do seu pulsar inacabado e misterioso”. Pois é verdade. Ler texto após texto é sentir que há um mundo infinitamente belo e bom que vale a pena cantar e interiorizar, para depois o exteriorizarmos à nossa volta, numa cumplicidade repleta de gestos positivos e de mãos dadas com quem acredita numa sociedade mais fraterna e em construção permanente.
Nestas férias, já li e reli alguns textos e não resisto a recomendá-los aos meus amigos, na certeza de que vão gostar. E se é verdade que nestes tempos de lazer há horas para tudo, então não deixe de apreciar este livro de Laurinda Alves.
Como aperitivo aqui fica um texto, tão simples quanto belo:
da lua cheia
do silêncio puro
da geometria da minha rua
dos dias compridos
de abraços demorados
de sorrisos no elevador
de pessoas autênticas
de conversas eternas
das janelas todas abertas sobre o rio e a cidade
de luzes baixas e amarelas dentro de casa
de quadros grandes
da cor do fogo
de todas as estrelas do céu
do sol da manhã e da luz do dia
do barulho do mar ao entardecer
da maré vazia ao fim do dia
do vento quando deixa marcas na areia lisa
do rumor vegetal das folhas nas árvores
do manto lilás das folhas de jacarandá que cobre o chão
de coincidências, surpresas e milagres
de ver pessoas felizes
de olhos que riem
de cidades grandes com rio
da voz dos que amo
de estar calada
da casa cheia de amigos
de jantares improvisados
de ouvir tocar piano e violino sempre
de ficar abstracta, às vezes
de livros e de poetas
de acordar tarde
de certas rotinas
de me esquecer das horas
da areia da praia ao meio dia, quando está a ferver
das vozes descombinadas no ar nas tardes de calor
do rapaz que passa na mota, ao meu lado
de quando sai a correr para a última fotografia com a luz do dia
dele muito mais do que ninguém
de saber que ele sabe isso
gosto da luz dourada do entardecer reflectida nos seus olhos
gosto da intimidade
da verdade e da cumplicidade
de templos e lugares sagrados
de horizontes líquidos
do azul infinito
de riscos brancos no céu
da cor púrpura do entardecer
de histórias de pessoas
de descobrir umas mãos fortes
de ir mais longe com alguém
dos que rezam comigo
da lua árabe só com uma estrela, no alto do céu
de ficar em casa, embalada nos barulhos da casa
de ainda ter comigo todos os que mais amo
de adormecer e de sonhar acordada
de amar e ser amada
de ser alguém especial
do amor dos amigos também
de estar com eles na praia até ser noite
de tantas outras coisas
e da vida, todos os dias.
In "ATITUDE XIS – um olhar positivo sobre a vida"
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quarta-feira, 8 de Agosto de 2007
Poesia na cidade
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terça-feira, 7 de Agosto de 2007
Ares do Verão
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Os meus contos
O Piteira
Magro, pele tisnada pelo sol e pelos ventos salgados da maresia, beata ao canto dos lábios, sempre do lado esquerdo, boné à marinheiro, olhos bem abertos para o infinito, nunca fitava de frente fosse quem fosse, falava sem tino a maior parte do dia e até de noite. Pregava sermões não se sabe a quem, de quando em vez, mas não se conheciam animosidade de sua parte.
Bebia tinto, sempre tinto, que outras bebidas o seu estômago não aceitava. Faziam-lhe azia, dizia a quem procurava saber o porquê dessa discriminação. Só o tinto, pois, e a qualquer hora, fazia dele um bêbado famoso nas redondezas. Mas era um bêbado cordato. Não se notavam nele tendências agressivas, não armava zaragatas e até fugia delas, não discutia com ninguém e frequentemente respondia, a quem o interpelasse com menos delicadeza, “quem está, está; quem vai, vai”.
O Piteira deambulava pela aldeia, ao deus-dará, indiferente a tudo e a todos, à chuva e ao vento, ao frio e ao calor. Como quem busca qualquer coisa que sabe difícil de encontrar. E a quantos teimavam em saber a razão de ser da sua vida, o porquê de gostar tanto do tinto, respondia com o silêncio e com olhares mortiços. Às vezes indiferentes e não raramente altivos. Conjecturava-se sobre algum desgosto de amor, sobre alguma revolta social, sobre algum complexo que o amarfanhava. Mas a tudo isso o Piteira respondia do mesmo jeito, como quem não deve nada a ninguém:
- Gosto de vinho, porque sim! – foi a única explicação que um dia deu, não se sabe porquê.
Na família do Piteira não havia alcoólicos. Gente simples, trabalhadora, honesta, pacata, não gostava que o seu Piteira desse má nota dos seus. Mas nem por isso deixava de mostrar estima por ele, aceitando-o quando aparecia e dele cuidando com carinho. O Piteira comia pouco em casa de uns e de outros familiares. Nunca de amigos, que também os tinha. Às refeições bebia água, simplesmente. Depois de comer, senta-se num banco tão velho como ele, perto de uma figueira ainda mais antiga, do tempo dos seus avós. Por ali se quedava, pensativo e calado. Via os sobrinhos mais pequenos e deles se ria do que faziam e diziam. Com os mais crescidotes, embevecido, talvez recordasse os anos em que foi moço de salinas, onde trabalhava de sol a sol à torreira do calor abrasador e salgado. Em certos dias, sem sal para raer e para encher os montes nas eiras, o marnoto não lhe perdoava o não ter que fazer e lá o levava para as tarefas agrícolas no aido grande. Animava-o apenas o sorriso lindo e o ar donairoso das duas filhas do patrão, a Ermelinda e a Maria Rosa, que por ali passavam de quando em vez. Só por isso, valia bem esse esforço não remunerado do Piteira, em dias de tempo chuvoso ou sem sol que desse sal.
Depois, num repente, saltava do banco e voltava às suas caminhadas, sem horizontes e como que perdido no tempo. Alheio a tudo, com a prisca ressequida e eternamente apagada que nunca lhe caía do canto esquerdo dos lábios gretados. Nos tascos por onde passava, inevitavelmente, havia sempre quem lhe oferecesse um copito de três, que ele engolia num trago e sem agradecer. Um aqui, outro ali, e tanto bastava para manter em alta o nível alcoólico que fazia do Piteira um doente crónico.
Certo dia, um amigo, aproveitando ocasião de alguma lucidez, avançou com a ideia de o Piteira se tratar. Sempre podia ficar com mais saúde; o tratamento seria fácil; umas simples pastilhas receitadas por um médico seriam uma ajuda preciosa para começar a ter fastio pelo vinho. Depois poderia levar uma vida normal, com trabalho para não sobrecarregar ninguém; nem faltariam amigos e familiares que o amparassem, se estivesse de acordo. Até poderia casar e constituir família! Quando ouviu as palavras casar e família, o Piteira explodiu, como nunca ninguém o viu. Berrou sem nexo, praguejou com gestos agressivos. E fugiu.
O Piteira saiu de cena na aldeia. O povo e a família estranharam a sua falta. Questionaram-se sobre o que teria acontecido ao Piteira: Por onde andará? Onde estará? Terá morrido com mais uma bebedeira mais forte? A polícia foi alertada e até apelos nas missas se repetiram.
As buscas começaram. Ria e seus canais, cantos e recantos da aldeia foram batidos sem êxito. Terras vizinhas associaram-se às buscas. E nada.
Quando a ideia da morte era ponto assente, o Piteira surgiu à luz do dia. Mais magro, com ar cadavérico e sem sinais de tinto. Lúcido. A família acolheu-o como filho pródigo. O nosso homem não deu explicações. Ninguém lhas pediu.
O Piteira acamou em estado de exaustão. Recusava a comida. Esperava-se o pior. O médico bem receitou, mas o Piteira recusava sistematicamente os xaropes. A família, que o rodeava com muito carinho, pressentiu a hora da partida para a última caminhada. A vida esvaía-se lenta e firmemente. O Piteira, com a voz sumida, entrava em agonia.
– Quero ver a Ermelinda… Quero ver a Ermelinda… – foram as suas últimas palavras.
Fernando Martins
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Citação
(1623-1662)
Filósofo e Matemático francês
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AVEIRO: Efeméride
Igreja da Misericórdia, que já foi Catedral de Aveiro7 de Agosto de 1808
“Na importante procissão de penitência que nesta data se realizou desde a catedral – que era na igreja da Misericórdia – até à igreja do Mosteiro de Jesus e fora ordenada dois dias antes, o virtuoso bispo de Aveiro, D. António José Cordeiro, seguiu o andor com a veneranda imagem do Senhor “Ecce-Homo”, caminhando descalço e humildemente despido das vestes pontificais e com uma corda ao pescoço.”
In Calendário Histórico de Aveiro,
NOTA: D. António José Cordeiro foi Bispo de Aveiro entre 1800 e 1813. em 1802 publicou “uma célebre carta pastoral, notável pela erudição e pureza de estilo, primorosa na doutrinação cristã e inspiradora de documentos morais de outros prelados … e, durante as cruéis Invasões Francesas, surpreendentemente se manifestou como intrépido defensor de Aveiro e da sua região, fazendo frente aos ‘opressores do povo e inimigos da Pátria e da Religião’”.
In Os Bispos de Aveiro e a Pastoral Diocesana,
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domingo, 5 de Agosto de 2007
Um poema de João de Deus
Vi o teu rosto lindo,
Esse rosto sem par;
Contemplei-o de longe mudo e quedo,
Como quem volta de áspero degredo
E vê ao ar subindo
O fumo do seu lar!
Vi esse olhar tocante,
De um fluido sem igual;
Suave como lâmpada sagrada,
Benvindo como a luz da madrugada
Que rompe ao navegante
Depois do temporal!
Vi esse corpo de ave,
Que parece que vai
Levado como o Sol ou como a Lua
Sem encontrar beleza igual à sua;
Majestoso e suave,
Que surpreende e atrai!
Atrai e não me atrevo
A contemplá-lo bem;
Porque espalha o teu rosto uma luz santa,
Uma luz que me prende e que me encanta
Naquele santo enlevo
De um filho em sua mãe!
Tremo apenas pressinto
A tua aparição,
E se me aproximasse mais, bastava
Pôr os olhos nos teus, ajoelhava!
Não é amor que eu sinto,
É uma adoração!
Que as asas providentes
De anjo tutelar
Te abriguem sempre à sua sombra pura!
A mim basta-me só esta ventura
De ver que me consentes
Olhar de longe... olhar!
João de Deus
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Citação: Sophia de Mello Breyner Andresen
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Diocese de Aveiro
Como temas fundamentais da pastoral de férias, para este ano, D. António Francisco pretende exalta os valores do espírito, que dão sentido e esperança à vida. Assim, o Bispo de Aveiro vai apostar em sublinhar o valor, a beleza e a riqueza da vida na sua plenitude, mas também a importância da família, como santuário de vida e garantia do amor.
Por outro lado, quer lembrar a importância da vocação, como desafio que abre caminhos ao ideal do ser humano e à sua capacidade de opção na fidelidade a Deus. Ainda deseja estimular a vivência da solidariedade, como valor intrínseco do cristianismo, que não pode parar, enquanto houver alguém em pobreza, em sofrimento ou em solidão.
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Vagueira
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ÍLHAVO: Festas do Município
A Câmara de Ílhavo oferece, todos os anos, em especial no mês de Agosto, festas para todos os gostos e para todas as idades. As componentes culturais, artísticas e recreativas estão em destaque. Claro que todas estas ofertas não são apenas para as gentes ilhavenses, ílhavos e gafanhões, mas também para quantos nesta altura nos visitam e gostam de usufruir das nossas praias, Barra e Costa Nova, sem dúvida as mais afamadas da região.
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Um artigo de Anselmo Borges, no DN
A Encyclopedia Britannica apresentou em 2006 a distribuição e percentagem das "religiões universais". Cristãos: 2 133 806 000 (33,1%), sendo os católicos 1 118 991 000 (17,3%), os protestantes 375 815 000 (5,8%), os ortodoxos 219 501 000 (3,4%), os anglicanos 79 718 000 (1,2%), outros cristãos 459 321 000 (7,1%), cristãos sem filiação 113 622 000 (1,8%). Muçulmanos: 1 308 941 000 (20,3%). Hindus: 860 133 000 (13,3%). Budistas: 378 808 000 (5,9%).
Aparecem também os outros grupos. Não religiosos: 769 379 000 (11,9%). Religiões populares chinesas: 404 921 900 (6,3%). Religiões étnicas: 256 332 000 (4,0%). Ateus: 151 612 000 (2,3%). Novas religiões: 108 131 200 (1,7%).
Embora as estatísticas no domínio religioso tenham de ser vistas com os seus limites próprios - basta pensar em quantos se afirmam cristãos, mas não praticantes -, estes números são pelo menos indicativos, concluindo-se que, se a população do planeta estava calculada em meados de 2005 em 6 453 628 000, só cristãos, muçulmanos, hindus e budistas totalizavam praticamente 73%.
Mas o que é a religião? O que deve entender-se por pessoa religiosa? Qual é a religião autêntica? No Novo Testamento, na Carta de São Tiago, escreve-se que faz bem quem crê que há um só Deus, mas acrescenta-se que "também os demónios crêem e tremem": "a religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e conservar-se puro da corrupção deste mundo." O Evangelho diz que, na revelação final da História, o que conta é ter dado de comer ao faminto, de beber ao que tem sede, ter visitado o doente e o preso - ter sido solidário com o outro ser humano na sua necessidade.
Toda a religião tem a ver com a ética e também com a estética. Hegel viu bem quando afirmou que a arte, a religião e a filosofia estão referidas ao Absoluto. A pergunta é, como escreve o filósofo José Gómez Caffarena, se a ética, a estética e a filosofia acabarão por absorver a religião, como já insinuava Goethe: "quem tem arte (e moral e filosofia) tem religião; quem a não tem que tenha religião."Segundo Lucrécio, "o medo criou os deuses". Desde então, isso tem sido repetido, acrescentando a ignorância e a impotência, de tal modo que, com o avanço da ciência e da técnica, a religião acabaria por ser superada e desaparecer.
Será, porém, verdade que na génese da religião estão o medo, a ignorância e a impotência? Ninguém poderá negá-lo. A questão é saber se esses são os únicos factores e de que modo actuam. De facto, não é a limitação enquanto tal que está na base da religião, mas a consciência da limitação.
Na consciência da finitude, que tem a sua máxima expressão na consciência da mortalidade, o Homem transcende o limite e articula um mundo simbólico de esperança de sentido último e salvação. Como disse Hegel, a verdade do finito encontra-se no Infinito, e Kant viu bem, ao referir a religião à esperança de um sentido final, que nem o Homem nem a Natureza podem oferecer - só a Deus, Amor originário, pertence dá-lo.
É possível que a ciência e a técnica obscureçam a força do apelo religioso e de Deus. Mas, permanecendo a finitude e a sua consciência, há-de erguer-se sempre a pergunta pelo Sentido último. Como disse Ciorán, "tudo se pode sufocar no Homem, salvo a necessidade do Absoluto, que sobreviverá à destruição dos templos e mesmo ao desaparecimento da religião". Subsistirá, portanto, o Mistério. Mas, não se tratando de uma questão simplesmente teórica, pois implica o Homem todo, a resposta religiosa dependerá, em última instância, das experiências e da decisão de cada um.
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TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 35
Depois da Segunda Guerra Mundial não havia dinheiro. Lembro-me que pelo bilhete de identidade fui a primeira vez a Ílhavo e, a segunda, para fazer o exame da quarta classe; Aveiro só a visitei quando fiz o exame de admissão ao Liceu. Então, já no primeiro ano, a Professora de Português marcou uma redacção sobre “os comboios”, levantei-me e confessei que nunca tinha visto nenhum! Era assim naqueles tempos.
Os passeios escolares iniciaram-se anos mais tarde, já a década de 50 do século XX ia adiantada e em modalidade familiar: orçamento magro, quando se podia e o trabalho o permitia, os pais ou os avós acompanhavam o escolar.
A Guimarães foi o primeiro na condição de professor – quantas vezes lá iria depois! A passagem pelo Porto era obrigatória, tanto na ida como no regresso- havia só a ponte D. Luís. À tardinha parámos na Praça Marquês do Pombal - bom arvoredo, urinóis, igreja e adro, cafés e tascas. À hora da abalada, a minha camioneta partiu mas a do Professor Salviano ficou à espera de um marido que se perdeu [no dizer da esposa] porque “o senhor Professor não tomou conta do meu home!”.
E hoje a lenda não nos leva ao Castelo, mas bem perto da porta da traição:
Pois certa vez, o mais velho disse aos demais que tinha o carro aparelhado, que o mais novo agenciasse urna boa merenda e os outros dois que tratassem das mantas. Iam a uma romaria e decerto chegariam bem tarde. E à hora aprazada, Iá se meteram a caminho e quando chegaram, boas pessoas como eram, foram saudados com gritos de alegria e convites para os comes e os bebes. Porém, aconteceu algo que nunca se passara. Ficaram separados. Melhor, o mais novo, às tantas viu-se isolado dos manos. E preparava-se para furar a multidão em busca deles quando ficou de caras para uma jovem lindíssima, que lhe sorria. Pouco habituado a tais encontros, mesmo assim, ele não deixou de lhe sorrir e não tardou que ambos conversassem animadamente, a ponto de se apaixonarem. O moço estava entusiasmadíssimo e falava muito dos irmãos, pelo que foi ela a recomendar-lhe que se não precipitasse e fosse buscá-los para se conhecerem. E ele assim fez, pedindo -lhe que ela se não afastasse dali, pois não tardaria a regressar.
E o irmão mais novo lá conseguiu atravessar aquela gente toda a divertir-se e finalmente, deu com os irmãos, que estavam, preocupados. Sem dizer mais nada. anunciou que se ia casar. Disse que com uma rapariga lindíssima, mas os manos não o levaram a sério. No entanto, cada vez mais curiosos pela maneira como ele descrevia a moça, os manos quiseram conhecê-Ia, outorgando-se o mais velho o poder de poder optar ele próprio. E, em nome dos manos, foi procurar a jovem. Porém demorou a fazê-lo. Mas lá se encontrou com a rapariga.
Brincando com o fogo, ela disse-lhe que ele demorara tanto que já os outro, manos haviam estado com ela e todos ficaram apaixonados. Ora ela gostava também de todos quatro pelo que tinha decidido casar apenas com o mais forte, com o mais valente. E a melhor maneira de se saber qual, era uma luta entre eles. E pela primeira vez na vida dos quatro irmãos, houve rancor e ódio entre eles, pela posse daquela rapariga de artes diabólicas. Lutaram, tendo primeiro caído o mais velho, depois os outros dois conheceram o sabor do pó do chão da feira. O mais novo estava tão mal que nem sequer se poderia dizer que era sobrevivente da luta em que os lódãos tinham partido cabeças e ossos aos mais amigos e unidos irmãos de todo o Minho!
Expirou o mais novo nos braços do prior da freguesia, que não teve dúvidas em ver naquilo uma artimanha dos demónios para apanharem aquelas quatro boas almas. E fez erguer urna capelinha em memória deles, que eram seus amigos, e sobre cada sepultura apareceu um penedo. Vão lá ver o que resta ...» [V. M., 114]
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sábado, 4 de Agosto de 2007
Roteiros de férias
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Roteiros de férias
CASTELO DE MONTEMOR-O-VELHO
Visitei há dias o Castelo de Montemor-o-Velho, que se me ofereceu em muito bom estado de conservação. Já lá não ia há muitos anos, embora o visse de longe, muitas vezes, a desafiar-me. O Castelo de Montemor-o-Velho é a maior fortificação do Mondego e uma das maiores do País, tendo desempenhado um importante papel nas lutas pela conquista do território aos mouros.
Num dia destas férias de Verão em que lá estive, na semana passada, dia de calor abrasador que convidava à procura das sombras das muralhas, encontrei bastantes turistas que, tal como eu, liam com interessa as legendas explicativas dos cantos e recantos do castelo, todas elas cheias de ricas lições de história.
As partes mais antigas são as duas fortes torres junto à porta de Nossa Senhora do Rosário, do século XIII, e a base da Torre de Menagem, talvez da Alta Idade Média. Mas há mais motivos de cuidada atenção: Ruínas do Paço das Infantas, cuja construção se atribui a D. Urraca, séculos XI e XII; Porta da Peste; Castelejo; Torre do Relógio; e Igreja de Santa Maria de Alcáçova, fundada em 1090, tendo sofrido reformas nos séculos XII e XIII.
Foi neste Castelo de Montemor-o-Velho que, em 6 de Janeiro de 1355, D. Afonso IV, reunido com os seus ministros e conselheiros (Álvaro Gonçalves, Pêro Coelho e Diogo Lopes Pacheco), ordenou a morte de D. Inês de Castro, amante do Infante D. Pedro, futuro rei D. Pedro I, o Justiceiro.
A vila de Montemor remonta à Idade do Bronze e teve ocupação romana, visigótica e, até ao século XI, esteve, durante largos períodos, sob domínio árabe. Nessa época chamava-se “Munt Malhur”. Depois, os cristãos passaram a tratá-la por Monte Maior e no tempo de D. Sancho I, o Povoador, acrescentaram a esse nome O Velho, porque uma nova vila, com o mesmo nome, Montemor-o-Novo, tinha sido conquistada aos mouros no Alentejo.
A Igreja de Santa Maria de Alcáçova, do século XI, sofreu constantes obras, onde estão bem visíveis os Estilos de cada época. No primeiro quartel do século XVI, no entanto, foi reedificada em definitivo, embora haja elementos dos séculos seguintes. O Estilo dominante é o Manuelino.
Os retábulos frontais, em talha dourada, merecem uma atenção especial, pela beleza da sua estatuária e pelo recorte das decorações.
Em tempo de férias, ou fora delas, vale sempre a pena uma visita com tempo ao castelo de Montemor-o-Velho. Há quem me diga que estas coisas do nosso passado histórico só interessam aos mais velhos. Quem assim pensa está redondamente enganado. Vi por lá muitos idosos, é verdade, mas também apreciei muitos jovens que tudo filmavam e fotografavam, como que a quererem registar na memória os vestígios da matriz da nossa identidade pátria.
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Jorge de Montemor onde nasceu?
A mesma terra o mesmo céu que eu pinto
Castelo Velho o que foi deles é meu.
Afonso Duarte
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sexta-feira, 3 de Agosto de 2007
Um livro de Antonio Monda
ACREDITAS?
Através de entrevistas, as ideias de Paul Auster, Saul Bellow, Michael Cunningham, Nathan Englander, Jane Fonda, Richard Ford, Paula Fox, Jonathan Franzen, Spike Lee, Daniel Libeskind, David Lynch, Toni Morrison, Grace Paley, Salman Rushdie, Arthur Ashlesinger Jr., Martin Scorsese, Dereck Waltcott e Eli Wiesel mostram que, mesmo os não crentes, assumem que a espiritualidade faz parte do ser humano.
O autor, António Monda, é docente de Realização Cinematográfica na Universidade de Nova Iorque e colaborador da secção de cultura do jornal italiano La Repubblica, bem como crítico cinematográfico de La Rivista dei Libri. Diz ele que a sua obra “é um livro inteiramente construído com base numa provocação simples, mas fundamental: pedi aos meus interlocutores que me dissessem, com toda a honestidade, se acreditam que Deus existe e qual é, consequentemente, a sua opção de vida.”
Gostei de ler as respostas dos entrevistados, alguns dos quais fazem parte do nosso imaginário do mundo do cinema, e não só. O que pensam, como vêem e sentem Deus, como O vivem nas artes que cultivam. O autor perguntava, com frequência, em que filmes, de muitos realizadores conhecidos, estava Deus. E foi curioso ficar a conhecer mensagens nem sempre detectadas ou sentidas na altura nos filmes que vi.
Li e reli algumas entrevistas e delas registei frases, conceitos, vivências, culturas e projectos espirituais que, de uma forma ou de outra, me enriqueceram sobremaneira.
Ainda captei, com facilidade, as imagens de Deus, ou da sua ausência, das personagens que se dispuseram a dialogar com António Monda, ligando, quantas vezes, a arte à espiritualidade ou vice-versa, tal como a presença do sentido do divino em ateus e nas expressões artísticas que cultivam.
Aqui ficam algumas frases:
“Não, não acredito. Mas isso não quer dizer que não considere a religião um elemento culturalmente fundamental da existência”
“Não creio que se resolva tudo apenas com a destruição dos corpos […] tudo o que tem sido dito pela ciência é insuficiente e insatisfatório”
“Descobri a grandeza do universo cristão muito recentemente e fiquei surpreendida com a dimensão da ignorância que há a respeito dele”
“Cada um de nós tem dentro de si o potencial para a revelação, e para intuir a presença divina”
David Lynch
“O catolicismo assumiu uma importância extraordinária em toda a minha vida, e diria que o meu cinema se tornaria inconcebível sem a presença da religião”
“Sinto que vivo num mundo que é visto em primeiro lugar pelo intelecto. Mas penso que, na pureza da juventude, é mais fácil entrever, e portanto intuir, a presença da alma”
Derek Walcott
Nathan Englander
“Acredito que existe algo eterno e tenho um grande respeito por qualquer experiência mística. É uma parte essencial da minha vida”
Jonathan Frezen
NOTA: Outras ideias, outras frases, outros conceitos, outras visões do mundo, de Deus, do mistério, do espiritual e do sagrado podem ser lidos e meditados neste livro de António Monda.
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quinta-feira, 2 de Agosto de 2007
Grupo Desportivo da Gafanha
NA HORA DE RECORDAR
Ontem participei, na dupla condição de gafanhão e de sócio desde a primeira hora, na sessão solene comemorativa das Bodas de Ouro do Grupo Desportivo da Gafanha (GDG), o mais eclético clube da Gafanha da Nazaré, como bem na altura foi recordado. O clube nasceu, oficialmente, em 1 de Agosto de 1957, com a aprovação, em Assembleia Geral, dos primeiros estatutos.
Na hora de recordar uma longa vida de meio século ao serviço do desporto na Gafanha da Nazaré e no concelho de Ílhavo, em várias frentes, Luís Leitão sublinhou a urgência de todos os gafanhões contribuírem para um futuro ainda mais brilhante deste clube. Já António Pinho, eleito há poucas semanas para dirigir os destinos do GDG, lembrou a necessidade de se continuar a promover “o contrato que nos liga aos fundadores”, fazendo do clube uma verdadeira família que aposte “numa função social com peso na sociedade”.
O presidente da Junta, Manuel Serra, depois de lançar a questão da eventual criação de novas secções, para mais respostas às apetências das actuais gerações, fez um apelo às forças vivas, indústria, comércio e populações, no sentido de ajudarem o GDG a crescer mais, em qualidade e eficiência.
A encerrar a sessão, Ribau Esteves, presidente ilhavense, sublinhou a premência do GDG enfrentar, com mais determinação, “a ambição partilhada por todos de se fazer mais e melhor, de forma solidária e sustentada”. Disse que a autarquia está a apostar numa infra-estruturação com qualidade para a zona do Complexo do GDG, com áreas de desporto e lazer, finalizando a sua intervenção com um apelo à premência de “recentrarmos as nossas preocupações fundamentalmente no Homem”. Urge cultivar nos jovens o espírito de cidadania na prática do desporto, em especial na lealdade para com os adversários, “com poucos cartões amarelos e nenhuns vermelhos”, salientou. Recordou ainda que a Câmara de Ílhavo distinguiu, recentemente, o GDG com a Medalha de Ouro do Município, por ter completado 50 anos ao serviço do desporto do concelho.
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Um artigo de D. António Marcelino
De há muito que me impressiona que muitos estudantes terminem o secundário e mesmo o superior sem que tenham adquirido qualquer hábito de leitura, vontade de saber mais e alegria pelo que já conseguiram. Uma prova imediata desta pobreza e vacuidade é o estilo tradicional das festas de finalistas e a onda de desânimo perante dificuldades normais, se estas surgem. Por aqui se vê onde chegou o grau de cultura, aquisição de saber e capacidade, de ser de muita gente que encheu escolas durante anos.
Não se estuda para saber, para participar criteriosamente da riqueza do património cultural da humanidade, para produzir nova cultura, através de uma participação, válida e séria, na vida social, para satisfação interior. O horizonte era pequeno e assim ficou, por certo, passados os anos. Basta um emprego que não demore, onde se ganhe bem e não se tenha muito trabalho, o resto é para intelectuais, investigadores e diletantes porque os livros não dão pão.
Quando emerge algum jovem que, dentro ou fora do país, é reconhecido pelo seu saber os jornais falam como se se tratasse de coisa rara, porque de facto o é. O que devia ser normal, segundo os talentos de cada um, tornou-se uma coisa extraordinária.
Não obstante, nunca houve tantos licenciados, mestres e doutores. Um benefício de assinalar, fruto da legítima democratização do ensino e de uma exigência inegável dos novos mercados de trabalho que exigem cada dia mais qualificação.
A cultura, por si e para muitos, não justifica tanto trabalho e, quando o emprego não está logo ali à porta de escola, lamenta-se ter um curso para nada, culpa-se o estado que ninguém quer como patrão, mas é com isso, no fundo, que se sonha. Tudo como se a longa aprendizagem, reconhecida por um diploma, não capacitasse, também, para deitar mãos à vida, saltar o muro das dificuldades, ser criativo e inovador e construir caminhos novos, que até podem ser reconhecidamente meritórios, para o próprio e para outros.
Alguns jovens, que não se resignam nem esperam que os outros continuem a fazer tudo eles, vão já fazendo história. A instrução é, também, uma enxada para a vida, embora muitos pais digam que querem que os filhos estudem para se livrarem da enxada…
Se o ideal é ganhar muito, depressa e com pouco trabalho à vista, nem todos nasceram génios do futebol, nem privilegiados do euromilhões e terão de se decidir palmilhar os caminhos normais da vida, porque a sorte contempla os audazes, não os desanimados.
Toda esta epidemia de gente amarga, pelo que tem e pelo que não tem, se pode reportar a causas conhecidas. A escola é para muitos um mal menor e o importante é passar, porque assim o exigem as estatísticas do estado e da Europa; muitos professores, desmotivados por razões múltiplas, perderam o entusiasmo e acham que o seu dever não é educar e dar um contributo, ao lado de outros, para capacitar o aluno para uma vida, nem sempre fácil, mas que pode ser sempre realizada e feliz; os projectos educativos são muitas vezes castradores de horizontes com raízes e razões; a família, instância educativa fundamental não consegue situar-se numa sociedade sem valores e sem rumo; a comunicação social enfeudou-se às audiências e a elas subordina tudo o resto; as forças morais, importantes na sanidade do país e futuro dos jovens, são desacreditadas a torto e a direito; o estado empobrece os ideais por via das medidas que implementa; a sociedade globalizada muda cada dia e comporta desafios a que não se atende…
O futebol volta. A política volta à ribalta, sem prestígio. A literatura do vazio vende-se cada vez mais. As férias aí estão e coisas sérias não têm agora lugar… Amanhã as escolas abrem e o importante é ter lugar e tudo comece sem demoras nem sobressaltos. A carga frustrante de hoje não se alija assim sem mais nem menos. A escola está doente e os problemas da educação, embora gerais, têm consequências graves e imprevistas.
A vida será isto e só isto? É a pobreza de um pragmatismo, sem ideias nem sentido, que nos empurra para aqui. E neste horizonte fechado não se vê sinal de luz nem de esperança.
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quarta-feira, 1 de Agosto de 2007
Grupo Desportivo da Gafanha
Tempos antes, na barbearia do Hortênsio Ramos, nasceu a ideia de se criar um clube desportivo que fosse, de alguma forma, o herdeiro da União Desportiva da Gafanha, do Atlético Clube da Marinha Velha e da Associação Desportiva da Gafanha, entretanto extintos. A escolha do nome logo se impôs, porque havia outros tantos adeptos dos clubes que anos antes haviam entusiasmado os gafanhõese que lutavam pela preservação dos nomes dos clubes históricos. Houve então necessidade de ultrapassar o obstáculo e a primeira proposta de baptizar a nova instituição com o nome de Grupo Desportivo da Gafanha partiu do indigitado presidente Henrique Correia. Era um nome pouco expressivo para a época e, talvez, para os nossos dias. Mas foi o que ficou.
Recordamo-nos do último argumento que entretanto foi aduzido e que foi mesmo convincente: “Não podemos adoptar qualquer nome dos clubes extintos — dizia o Henrique Correia, cuja memória sentidamente recordamos para a homenagem que lhe é devida, já que foi, embora por pouco tempo, o primeiro presidente do Grupo Desportivo da Gafanha — porque não queremos nem devemos assumir responsabilidades perante os credores desses clubes.” Naquele tempo, tal como nos nossos dias, os clubes desportivos tinham inúmeras dificuldades económicas e financeiras e era legítimo que o grupo nascesse sem quaisquer vinculações aos anteriores, a não ser ao gosto pelo desporto que eles nos legaram. Também assim, livre de tutelas do passado de qualquer deles, poderia o jovem clube congregar à sua volta todos os gafanhões, amantes, principalmente, do desporto-rei.
Ao entusiasmo da primeira hora, que conduziu mesmo à elaboração dos Estatutos e consequente registo e publicação no Diário do Governo (III série, n.º 163, de 14 de Julho de 1958) e inscrição na Associação de Futebol de Aveiro, não correspondeu uma adequada organização. O presidente Henrique Correia emigrou para o Canadá e os colegas da Direcção, mais jovens e inexperientes, deixaram o Grupo Desportivo da Gafanha em letargia, até que o calor da Primavera o fizesse acordar para uma vida nova. E assim aconteceu no dia 31 de Maio de 1968. Nessa data, e conforme reza a acta número um, foram eleitos os novos corpos gerentes, cujos cargos ficaram assim distribuídos:
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Presidente, Padre Domingos José Rebelo dos Santos
Vogal, Manuel Vergas Caspão
Direcção
Presidente, José Henrique dos Santos Sardo
Secretário, José Alberto Ramos Loureiro
Tesoureiro, João Gandarinho Fidalgo
Vice-presidente, Carlos António da Silva Loureiro
Vogal, Hortênsio Marques Ramos
Conselho Fiscal
Vogal, Nelson Mónica Modesto
Vogal, José Casqueira da Rocha Fernandes
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Roteiros de férias
O nosso roteiro de férias leva-nos a visitar alguns dos museus temáticos existentes na área geográfica da Diocese de Aveiro. Se fosse possível, o percurso seria feito de comboio e de navio, ao som de música popular e saboreando um vinho bairradino.
Atracado junto ao Forte da Barra, na Gafanha da Nazaré, o Navio-Museu Santo André é um antigo navio da pesca do bacalhau adaptado a museu, que conserva todo o seu equipamento e respectivos apetrechos da pesca.
Algumas das suas dependências, como os antigos porões, são agora salas de exposições e um pequeno auditório, onde o visitante pode ficar a conhecer melhor algumas das actividades relacionadas com a pesca do bacalhau, como também pode visitar exposições temporárias sobre variados temas ou participar em eventos diversos.
A casa das máquinas, a ponte (de comando do navio), os camarotes (tanto dos oficiais como dos pescadores), a cozinha, o refeitório, entre outras dependências, estão de acordo com o original, de modo a que o visitante possa ter uma ideia fiel de como era a vida a bordo no navio.
O Navio-Museu Santo André é propriedade da Câmara Municipal de Ílhavo e está tutelado pelo Museu Marítimo de Ílhavo.
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Voltas de férias
Nas minhas voltinhas de férias, não podia deixar de passar por alguns sinais históricos e turisticamente recomendáveis. Num dia de algum calor, parei defronte de um palácio, que foi propriedade dos Viscondes de Maiorca. Os desdobráveis turísticos recomendam, com justiça, este edifício, que é, desde 1977, imóvel de Interesse Público.
Trata-se de um edifício de planta longitudinal irregular, cuja fachada assimétrica se compõe de um portal central, como facilmente pode ser confirmado.
Tudo isto tinha lido e me dispunha a confirmar in loco, mas dei com o nariz na porta. O paço estava encerrado ao público. Indaguei então que o antigo palácio dos Viscondes de Maiorca, que havia sido adquirido pela Câmara Municipal da Figueira da Foz, no tempo da presidência de Pedro Santana Lopes, estaria à espera de ser convertido num luxuoso hotel. Melhor que ficar por ali fechado sem ninguém o poder visitar, como me aconteceu a mim.
F.M.
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Ares do Verão
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Trilho das Padeiras (Foto da 

















