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A mostrar mensagens de Dezembro, 2007

DIA MUNDIAL DA PAZ - MENSAGEM DO PAPA

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Família Humana, Comunidade de Paz
"Condição essencial para a paz nas famílias é que estas assentem sobre o alicerce firme de valores espirituais e éticos compartilhados. No entanto, é preciso acrescentar que a família experimenta autenticamente a paz quando a ninguém falta o necessário, e o património familiar – fruto do trabalho de alguns, da poupança de outros e da colaboração activa de todos – é bem gerido na solidariedade, sem excessos nem desperdício. Para a paz familiar, portanto, é necessária a abertura a um património transcendente de valores, mas, simultaneamente, há que não menosprezar a sapiente gestão quer dos bens materiais quer das relações entre as pessoas. O falhanço nesta componente tem como consequência a quebra da confiança recíproca devido às perspectivas incertas que passam a pairar sobre o futuro do núcleo familiar." : Toda a Mensagem em Ecclesia

As prendas de Natal

DEUS ANDA PELA COZINHA


Há pessoas com uma intuição especial para escolher prendas de Natal para os familiares e amigos. Eu, confesso, tenho algumas dificuldades. Normalmente dou aquilo de que gostei. Sobretudo livros já lidos e que me encantaram. Esse meu hábito já mais do que uma vez foi contestado por familiares, alegando que aquilo de que gosto pode não dizer nada a quem ofereço. Contudo teimo nesse meu comportamento, por não ver outra saída.
Neste Natal, por exemplo, recebi livros que me deliciaram. Já dei uma vista d’olhos a alguns e percebi que os meus familiares e amigos acertaram em cheio. Deles talvez venha a falar ao longo do ano.
Há um, porém, que se lê num fôlego e que me encantou durante a tarde de ontem. Já tinha ouvido falar dele, mas não tinha sentido apetência pela sua aquisição e pela sua leitura. Nem sequer tinha dado conta de que o prefácio, texto fundamental, era do conhecido padre e poeta José Tolentino Mendonça, já de si garantia de um trabalho de qualidade. O m…

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 57

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O PRÍNCIPE E A ARANHA

Caríssima/o:

Seja então esta a última lenda das terras que fui/fomos percorrendo. Passa-se na Escócia que, se bem nos lembrarmos, foi lá que iniciei esta caminhada.
A versão que me caiu sob os olhos diz assim:

«Num país longínquo, vivia um príncipe que julgava que no mundo havia coisas e animais que não serviam para nada.
Dizia com muito mau humor:
- As moscas servem unicamente para nos incomodarem. As aranhas servem para sujar tudo com as suas sujas teias.
Em certa ocasião, esse príncipe perdeu uma batalha e, perseguido pelos seus inimigos, teve de fugir através de um bosque. Sentiu-se perseguido, dia e noite. Estava já tão cansado que, a determinada altura, pôs-se a dormir junto ao tronco de uma árvore.
Foi acordado por uma forte picadela de uma mosca. Viu que, bem perto dele, estavam os seus perseguidores e correu a refugiar-se numa gruta.
Os seus inimigos aproximaram-se. Olharam para a gruta e um deles disse:
- Aqui dentro não deve estar ninguém.
Um outro perguntou:
- Po…

PORTAL DE BELÉM

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Quem se aproxima do “portal de Belém” com olhos de ver não apenas as aparências, mas a realidade profunda, não deixa de ficar admirado com tanta ternura e carga simbólica: Uma família simples que não é propriamente modelo-tipo de família humana em qualquer parte do mundo, mas apresenta um estilo de vida familiar de valor universal. Um estilo de vida que há-de estar presente em todas as configurações históricas de qualquer família: o acolhimento da vida, o respeito pelo outro, o amor na relação, a ternura nos gestos de comunicação, a solidariedade nas tarefas a realizar, o lar a construir progressivamente, a liberdade crescente articulada com a autoridade exercida, a atenção à individualidade de cada um e a comunhão vivenciada por todos.
O Menino Jesus vê-se aconchegado pelo desvelo de Maria e de José. O seu olhar penetrante projecta-se em sonhos de humanidade feliz em que todas as crianças podem ver nascer o sol com sorrisos de alegria e de esperança.
Maria simboliza a Mãe solícita. As …

Coro de Câmara Nossa Senhora da Nazaré

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Como noticia a Rádio Terra Nova, o Coro de Câmara Nossa Senhora da Nazaré apresenta-se hoje, pelas 21 horas, na igreja matriz da Gafanha da Nazaré.
Luís Lé, fundador do coro, adianta que a ideia de criar este grupo coral nasceu de uma conversa de café e sublinha que a primeira parte desta primeira apresentação pública consta de um concerto de órgão.
Congratulo-me com a criação de um Coro de Câmara na Gafanha da Nazaré, terra onde o gosto pela rainha das artes é bem conhecido de todos, como o atestam os diversos corais, grupos musicais e escolas de música. Desta cidade, têm saído inúmeros executantes, em várias áreas musicais, sendo certo que haverá lugar para todos.

ARES DO INVERNO

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Apesar das iluminações de Natal, que emprestam ao ambiente um ar de beleza, a verdade é que o frio de Inverno está presente, ali à volta do Fórum, com a ria a seus pés. Bem o senti, quando tirei esta foto. Aliás, as árvores nuas mostram bem que os tempos que correm não dispensam os casacos, casacões e sobretudos. Que assim seja, para depois, quando a Primavera chegar, sabermos apreciar as temperaturas agradáveis que tanto nos fazem sorrir.

QUE SORTE A SUA!

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Em 2006 estive hospitalizado duas vezes. A primeira, num hospital coimbrão, e a segunda, no Hospital Infante D. Pedro. Em ambos fui muito bem acolhido e tratado. Nunca me cansei de dizer isto, porque há muito o hábito de se criticar, por isto ou por aquilo, os serviços hospitalares.
Num desses internamentos, a minha enfermaria estava relativamente perto de uma outra destinada a doentes pulmonares. Nas minhas caminhadas, de que necessitava para desentorpecer as pernas, passava por ali frequentemente. Havia, num ou noutro corredor, dísticos a proibir o fumo. Nem assim, porém, faltava quem se refugiasse num ou noutro recanto, para fumar um cigarrito, às escondidas dos médicos e enfermeiros.
Numa das minhas caminhadas cruzei-me, certo dia, com um senhor simpático e de palavra fácil, que me saudou em jeito de despedida. Realmente, estava de partida, depois de uma operação a um pulmão.
Conversa puxa conversa, fiquei a saber do que sofria. Cancro nos pulmões. Esta era já a segunda intervenção c…

A LOGOTERAPIA DE VIKTOR FRANKL

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Num tempo em que o mundo é atravessado por enormes perplexidades e as pessoas são assaltadas pela dúvida, pelo desânimo e até pelo niilismo, quereria, no décimo aniversário da sua morte, deixar uma homenagem a um homem que, na situação mais degradada e degradante dos campos de concentração nazis, mostrou como e porquê é possível manter a dignidade. Refiro-me a Viktor Frankl, fundador da chamada terceira corrente de psicoterapia de Viena: a logoterapia.
Ele próprio sintetizou o núcleo do seu pensamento: "O que é, na realidade, o Homem? É o ser que decide o que é. É o ser que inventou câmaras de gás, mas ao mesmo tempo é o ser que entrou nelas com passo firme, murmurando uma oração."
A logoterapia parte de uma concepção filosófica que tem o Homem enquanto pessoa como centro. O impulso primário da pessoa não é, como pensou Freud, a vontade de prazer, também não é a vontade de poder, como queria Adler, mas a vontade de sentido.
Este sentido não se inventa, mas descobre-se: numa obr…

Prenda de Natal

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Quando tinha 14 anos recebi uma prenda de Natal a que na altura não atribuí o verdadeiro valor. Apesar de não ostentar a referência CE (inexistente na época), cumpre todas as regras de segurança agora exigidas e mais algumas suplementares: não contém sais de chumbo ou peças miúdas desmontáveis, arestas cortantes ou cantos pontiagudos, não debota ou encolhe, é indeformável, não provoca alergias e embora haja quem a queira fazer passar de moda continua a dar conforto e bem-estar, ficando sempre bem a qualquer pessoa, independentemente do sexo. Posso até dizer que tem melhorado com a idade, ou sou eu que lhe vou dando cada vez mais valor. Um autêntico bem de capitalização contínua.
Nesse tempo em que frequentava o ensino secundário, era comum o uso de bicicleta de casa para a Escola Técnica em Aveiro. Nos dias de chuva havia algum desconforto, pois entre a Gafanha e Aveiro não havia qualquer abrigo na velha estrada que acompanhava a ria e as previsões de tempo para o percurso normalmente …

Fórum::UniverSal - 9 de Janeiro

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Nuno Rogeiro no CUFC

O politólogo Nuno Rogeiro vai estar no CUFC no dia 9 de Janeiro, quarta-feira, pelas 21 horas, para falar sobre “A Dignidade Humana das Nações”. A moderação é de Isabel Segadães. Trata-se de uma iniciativa integrada no Fórum::UniverSal, destinada a universitários, em particular, e à sociedade aveirense, em geral.
A presença de Nuno Rogeiro no CUFC, pela segunda vez, é uma boa oportunidade para se ouvir alguém que disserta, como poucos, sobre assuntos de política internacional.

A Melhor Juventude

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“Nada melhor do que ocupar estes últimos dias com bons livros, bons filmes e bons amigos. Por mim, gosto especialmente da luz de Inverno para dar passeios que terminam ao fim do dia na cozinha, em grandes improvisos de pratos de lume e forno que antecedem longos serões de cinema e conversas, se possível com os pés na lareira.”
In PÚBLICO on-line, caderno P2, página 11
NOTA: Laurinda Alves publica semanalmente, às sextas-feiras, no PÚBLICO, no segundo caderno, uma crónica adequada a cada tempo e vivência. É uma crónica serena, sempre pela positiva, que recomendo aos meus leitores. Leiam que vos faz bem. Penso eu.

ARES DO INVERNO

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A Natureza está, de facto, bem feita. Ou não fosse ela criada por Deus, como creio. Com o frio que o Inverno traz, as árvores refugiam-se num sono profundo de três meses. Descansam da labuta da Primavera e do Verão e olham para o Outono a ver o que isso lhes dá. Quando chegam à conclusão de que o frio, o vento e a chuva não perdoam, resolvem dormir por uns tempos. Quando vier uma temperatura mais amena, quando o vento e a chuva cessarem, então elas voltarão à vida com toda a pujança armazenada.

Política exclusivamente economicista?

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Penso que ninguém porá em dúvida a conveniência de o Governo, qualquer que ele seja, procurar reformar o Estado. É sabido que a máquina estatal está sobrecarregada com despesas incomportáveis para o nosso frágil Orçamento do Estado, cujo equilíbrio tem sido difícil de conseguir. Excesso de funcionários, muitos deles já substituíveis pelas novas tecnologias, tornam difícil esse equilíbrio orçamental. Contudo, qualquer reforma tem sempre de ter em conta as pessoas, sob pena de se criarem novos problemas sociais, com reflexos negativos incontornáveis nas famílias. O que se tem feito, atirando funcionários para o desemprego ou para situações equiparadas, não está correcto, humana e socialmente falando. O Estado vive para as pessoas.
Com a pressa de se acabar com o défice orçamental, têm surgido outras decisões gravosas para o povo. Sobretudo para o povo que não nada em dinheiro. Fechar Centros ou Postos de Saúde, Urgências e Atendimentos nocturnos, obrigando os doentes a deslocarem mais de…

Menos fumo a partir de 1 de Janeiro

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É já no primeiro dia do ano que o tabaco vai acabar nos edifícios públicos e nos restaurantes. Excepto nos que declaradamente optem por fumadores. Os não fumadores ficam a ganhar. Ainda há tempos aqui disse que tive de suportar, num conhecido restaurante da Bairrada, o fumo de um indivíduo, que, pelos vistos, não tem qualquer noção do respeito que deve aos outros. Como não fumador, concordo plenamente com a lei que vai entrar em vigor, mas não sou fundamentalista, ao ponto de pedir que se acabe com a comercialização do tabaco. Nada disso. Cada um que viva a sua liberdade, tendo sempre em consideração a liberdade dos outros.
Com esta nova lei, não faltam uns “filósofos” a atacar os direitos dos não fumadores. Que a sua liberdade, dizem eles, está a ser prejudicada. Que é um atentado fundamentalista a ao direito dos que gostam de fumar. Que o tabaco até é inspirador de artistas e de trabalhadores. Que o tabaco é companheiro em horas de angústias. Que o tabaco, afinal, não faz o mal que a…

O tempo da generosidade acabou?

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Natal é dia de ser bom, assim diz o poeta. Como aconteceu Natal no dia 25, não faltará quem pense que já podemos olhar de soslaio para os feridos da vida que se cruzam connosco nas ruas dos nossos quotidianos. Não direi que agora já podemos ser maus, mas, infelizmente, penso que não seremos tão bons. Agora, há que trabalhar. O tempo da generosidade e das manifestações de solidariedade acabou. Vamos à vida, que se faz tarde.
Por estranho que pareça, é mesmo assim. As festas para os sem-abrigo, com televisões a filmar e rádios e demais comunicação social a noticiar, fecharam as portas até ao próximo Natal. As consciências já ficaram cheias do muito que cada um fez, do muito que se conseguiu para os mais pobres, do muito (ou pouco?) que se partilhou. E tão cheias ficaram, que até vão ficar tranquilas durante um ano. De qualquer modo, foi bom o que se fez. E é natural pensar que lá há-de vir o tempo em que a generosidade se tornará hábito de todos os dias, para todos, e não apenas para alg…

BISPO DE AVEIRO CELEBRA NATAL NA CADEIA

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D. António Francisco irá presidir à Eucaristia na Cadeia de Aveiro, amanhã, dia 26, pela manhã, em celebração festiva de Natal, acompanhada por um Grupo de Jo-vens e pelos Visitadores Voluntários do Estabe-lecimento Prisional.
D. António Francisco já visitou a Cadeia, durante o seu primeiro ano de presença na Diocese e, agora, manifestou vontade de presidir à Missa de Natal, tal como fez, ao chegar à Diocese, celebrando no Hospital da Cidade.
Para o Padre João Gonçalves, da Diocese de Aveiro, que trabalha pastoralmente junto dos reclusos, este “é um gesto de dimensão profética, já que as Pessoas que sofrem merecem um carinho particular, por parte da Igreja, e isto tem também a ver com a dinâmica da Diocese, neste Ano Pastoral, voltada para a Pastoral Sociocaritativa”.
Foi nesse contexto que um Grupo de Jovens da Paróquia de Recardães, Águeda, promoveu um Encontro-Convívio na Cadeia de Aveiro.

Fonte: Ecclesia

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 56

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FIGURAS DO MEU PRESÉPIO

Caríssima/o:

Novamente o armar do Presépio.
E, como vem sendo hábito, procuro novos figurantes para o embelezar. E a busca resultou:

1- O ti Sarabando foi uma figura mítica – ele que não só nos introduziu no mundo da Bíblia mas também nos sacudiu as asas da imaginação. A sua pessoa recorta-se como alguém lendário no decorrer da nossa juventude. Assim sendo, neste ano em que passei pelas lendas das nossas terras, ponho junto do quentinho da fogueira o ti Sarabando e a sua Joana.

2- Certamente que não nos negará a sua companhia o Padre Domingos.
Natural ali da Murtosa, passou uns bons anos morando na nossa Residência Paroquial – cuja garagem cedeu para as reuniões da Juventude.
Poderíamos recordá-lo a compor o telhado da nossa Igreja, que depois afincadamente restaurou; ou escutá-lo como pregador; ou lê-lo no Timoneiro; ou sei lá quantos “ou...” poderíamos acrescentar...Mas uma coisa é certa: é com a Juventude que vejo o Padre Domingos, promovendo e participando nas sua…

Um livro de Amaro Neves

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“O Natal em Aveiro e sua Região – Tradição e Arte”

Há livros que vêm na hora certa. “O Natal em Aveiro e sua Região – Tradição e Arte”, do historiador aveirense Amaro Neves, é um deles. Chegou-me às mãos há pouco, já dei uma espreitadela, já li umas páginas e vou ler o que falta, que é muito, por estes dias. Na quadra natalícia, como está bem de ver. Porque vale a pena, ou não fosse esta obra, como todas as de Amaro Neves, o fruto de um trabalho cuidado e de pesquisas constantes, ou não fosse o autor um historiador competente.
Com capa de Humberto Gaspar, as tradições e a arte desta região ficam agora à disposição de todos os amantes da cultura e das diversas expressões artísticas que enformam o perfil religioso e a sensibilidade das nossas gentes, graças não só ao texto, mas também às belas e sugestivas ilustrações.
Num texto introdutório, António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, realça que “Este livro informa, dá sentido às coisas, valoriza as artes, esclarece dúvidas, sublinha a im…

NATAL

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Coimbra, 24 de Dezembro de 1985 – Natal. E, só pelo facto de o ser, o mundo parece outro. Auroreal e mágico. O homem necessita cada vez mais destas datas sagradas. Para reencontrar a santidade da vida, deixar vir à tona impulsos religiosos profundos, comer e beber ritualmente, dar e receber presentes, sentir que tem família e amigos, e se ver transfigurado nas ruas por onde habitualmente caminha rasteiro. São dias em que estamos em graça, contentes de corpo e lavados de alma, ricos de todos os dons que podem advir de uma comunhão íntima e simultânea com as forças benéficas da terra e do céu. Dons capazes de fazer nascer num estábulo, miraculosamente, sem pai carnal, um Deus de amor e perdão, contra os mais pertinentes argumentos da razão.

Miguel Torga, Diário XV

NOTA: Texto enviado, com os votos de um Natal Brilhante, pela Sara Silva e família.

Um conto de Natal

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O REGRESSO DO IRMÃO PRÓDIGO : Nas vésperas da noite de consoada fal-ta sempre qualquer coisa mais ou menos importante para a festa da família, as-sociada, há muito, ao nascimento de Jesus. Prendas, sobretudo. Porque não se contava com a visita de um familiar, porque as destinadas ao filho mais velho ou mais novo não se coadunavam, afinal, com os seus desejos ditos em jeito de brincadeira, porque a filha precisava de algo diferente para decorar a sala.
Não cultivo muito o gosto de fazer compras, excepto de livros, mas acompanhei uma familiar pelas lojas mais na moda ou mais agressivas na publicidade aos seus produtos. Essa minha pouca apetência pelas compras não foi fruto de uma qualquer catequese mal alinhavada, que leva à conta de puro consumismo tudo o que diz respeito a dar lembranças em datas marcantes das nossas vidas, mas, sim, a uma inexplicável falta de habilidade. As prendas, no fundo, e em especial as de Natal e Páscoa, são normalmente sinais dos nossos afectos e do nosso amor …

Isabel Jonet a figura do ano

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UM ESTÍMULO PARA CADA UM DE NÓS

Para o EXPRESSO, Isabel Jonet é a figura do ano, pelo seu entusiasmo na liderança do Banco Alimentar Contra a Fome. Todos sabem o que faz aquela instituição, durante todo o ano, no apoio a pessoas e famílias com falta de pão. Isabel Jonet, com a sua capacidade de trabalho e larga visão de reaproveitamento dos produtos alimentares que empresas doam ao Banco Alimentar, tem sido o rosto da verdadeira caridade, o sentimento só próprio das grandes almas.
Fiquei satisfeito quando soube desta distinção, por premiar uma pessoa e uma organização que têm estado ao serviço dos que passam fome. Não apenas na quadra do Natal, como muitos pensam, mas durante todo o ano. Quantas vezes distinguem personalidades criadas pelos que vivem e cultivam um mundo cor-de-rosa, que nada tem de positivo para a sociedade, ignorando os dramas que ela encerra. Mas dar de comer a quem tem fome, numa luta constante para se chegar, cada vez mais, a mais portugueses, sendo sabido que dois …

Na Linha da Utopia – Natal 2007

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À PROCURA DO CALOR! O NATAL PARADOXAL?

1. Cada vez mais se fala de Natal, cada vez menos se (re)conhece o verdadeiro Natal. Nascido da transformação da adversidade em acolhimento caloroso do “momento” (e)terno de Belém, a quadra comercial emergente foi-nos distanciando da lareira do aconchego natalício autêntico. Uma distância dessa fonte que “nesta noite” grita o apelo de todas as noites do ano, dos anos, da vida. Quem dera que, nesse mundo sonhado de Deus, à altitude da árvores, ao brilho das luzes, à luminosidade das cidades, ao… correspondesse esse calor humano que segreda a esperança de Deus que se faz próximo, aqui, “no-meio-de-nós”!
2. Uma esperança inapagável, diante de tamanha visita de que enobrece e exalta a nossa pequenez. De todas as distâncias infinitas, o Altíssimo faz-se Baixíssimo, o eterno junta-se ao tempo, a história dos homens passa a história de Deus. Ao frio que continua a atravessar o (per)curso humano do mundo e da vida, Deus vem dar calor, amor, ser presença si…

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 55

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LENDA DA SERRA DE MANI-CRICA

Caríssima/o:
Hoje vamos até Meinedo, do concelho de Lousada. As suas gentes continuam a dedicar-se ao cultivo da terra e muitos até desconhecem que [«Durante a ocupação da Península Ibérica pelos Suevos foi criado o primeiro Bispado de que há memória na região do Porto. Desse Bispado dá-nos notícias o II Concílio Bracarense, ocorrido em 572. Na respectiva acta, pode ler-se: "Viator, Magnetensis Eclesiae Episcopus, his gestis subscripsi". Magneto é Meinedo, e o seu primeiro Bispo foi, portanto, Viator.Dada a sua condição de Bispado, não se estranhe a existência de um Mosteiro em Meinedo. Contudo, a Sé cedo seria transferida para o Porto com a chegada dos Godos à Península ...»]
[«O ex- libris da freguesia é a Igreja Matriz que é uma reconstrução no estilo românico de transição que data do século XIII, mas que na sua fase inicial foi Igreja de Mosteiro (provavelmente do século VII).»]

Nesta igreja, [“existe a imagem centenária de Santa Maria Maior, mui…

CARTA A JOSÉ, PEREGRINO DE BELÉM

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Senhor José

Sou um padre católico, habito numa das regiões mais ocidentais da Lusitânia e, nestes dias, tenho pensado muito em si. Acompanho-o em Belém, da Judeia, onde procura lugar para hospedar Maria, sua noiva, que está prestes a ser Mãe. Percorro consigo os locais onde podia acolher-se: a casa de algum parente, a hospedaria pública, o compar-timento da moradia de alguém residente, o recurso a um barraco qualquer ou a um curral de animais. A necessidade faz a força – diz o povo, dando voz ao silêncio com que o Espírito fala na sua vida.
É verdade, Senhor José! O que mais me impressiona é o seu silêncio exterior. Nem palavra, queixa, gemido ou lamento. Nada. Apenas a persistência corajosa, a busca serena, a confiança expectante. E, no entanto, quantas emoções sentidas, quantas “revoltas” contidas, quantos gritos de alma calados! Nem sequer um desabafo com Maria, sua noiva, que via aproximar-se a “hora” feliz!
O seu modo de proceder, fazendo fé no que dizem os narradores da Infância de…

JÁ CHEGOU O INVERNO

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Já chegou o Inverno com a carga de frio, vento e chuva de acordo com as leis da natureza. Não há que estranhar. Neve só no interior e em especial nos sítios altos. Nós, os da beira-mar, não temos neve nem tanto frio, mas ficamos sem o encanto da brancura fofa que até dá para brincar.
Na agenda que me acompanhou durante o ano traz um conselho oportuno, para esta época:

“O Inverno está no seu mais profundo: acenda a lareira e conte uma história de família. Celebre o solstício: afinal, que melhor maneira de atrair o Sol que acendendo o fogo? Se não tem lareira, acenda uma vela. O Sol não vai deixar de voltar só por causa disso.”

Já agora, não se esqueça de que, para os cristãos, a luz, o sol e o fogo da lareira, com o lume que aquece os corações, também aí está com Jesus Cristo, que substituiu o deus-sol dos pagãos.

Bom Natal, com muito calor humano para todos.

FM

NATAL E CATÓLICOS NÃO PRATICANTES

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Na sua relação com Deus a Bíblia é atravessada por uma tensão. Deus é absolutamente transcendente. Afirma-se de modo radical e constante a transcendência de Deus. Há, por exemplo, aquele mandamento do Decálogo, no Êxodo, que proíbe qualquer imagem de Deus: "Não farás para ti imagem esculpida nem representação alguma do que está em cima, nos céus, do que está, em baixo, na terra, e do que está debaixo da terra, nas águas."
O Novo Testamento insiste na transcendência. A Deus nunca ninguém o viu, diz o Evangelho segundo São João. Esta palavra é repetida na Primeira Carta a Timóteo: Deus é "o único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui a imortalidade, que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu nem pode ver".
Esta impossibilidade de ver Deus é apresentada de modo sublime num passo célebre do livro do Êxodo, capítulo 33. Ali se descreve como Moisés quer ver a face de Deus e a sua glória. Deus responde que concede a sua benevolência …

Imagens da Gafanha da Nazaré

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Porto Comercial
Porto Comercial


Porto Industrial



Porto Comercial, com areia que incomoda os gafanhões





Prémio Padre Manuel Antunes para Manoel Oliveira

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Manoel de Oliveira sente-se «menos seguro» mas «mais apaixonado»

O cineasta Manoel de Oliveira declarou-se ontem, no Porto, «menos seguro» mas «mais apaixonado» pelo cinema do que há 77 anos, quando começou a filmar

«Quando fiz o primeiro filme, estava muito seguro do que era o cinema. Hoje estou muito menos seguro, mais duvidoso - mas também mais apaixonado», afirmou Manoel de Oliveira, momentos antes de receber o Prémio Manuel Antunes 2007 das mãos do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente.
O cineasta, que a 11 de Dezembro completou 99 anos, afirmou-se «extremamente sensibilizado» com o Prémio, sublinhando que «é um estímulo que anima as pessoas a fazer o melhor, fazendo melhor do que sabem fazer».
«Será mais difícil receber do que dar e mais justo e mais nobre dar do que receber», afirmou, recordando a sua educação nos valores cristãos.
«Foi como católico que nasci e fui educado, num colégio de jesuítas, a sobrecarregar-me com todas as dúvidas», disse Manoel de Oliveira, acrescentando que «…

Boa ideia natalícia

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JESUS NA VARANDA

A revista SÁBADO desta semana conta uma experiência interessante, no mínimo, face à moda de se colocar o Pai Natal a trepar aos telhados, como símbolo do velhinho (dizem que foi um bispo, mas não passa de uma boa ideia publicitária, lançada por uma multinacional americana) que distribui brinquedos pelas crianças, provocando a alegria de que também elas precisam. Diz assim:

“Um padre espanhol está a revolucionar as decorações natalícias em Espanha. Cansado de ver bonecos do pai Natal a subirem às varandas das casas, Javier Leoz, da paróquia de San Juan Evangelista de Peralta, em Navarra, iniciou uma campanha na Internet para substituir os Pais Natais por estandartes com o Menino Jesus. Custam € 14 euros e são um êxito – ao fim de um mês o padre já recebeu 100 mil pedidos.”

Ora aqui está uma ideia a ser seguida no futuro, em vez de passarmos a vida a criticar os que apostam nos Pais Natais. Não é verdade que os portugueses até adoram aderir a iniciativas inéditas. Alguém j…

UM POVO COM DIGNIDADE E HISTÓRIA

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Foi uma autêntica revolução. Alegrou uns, preocupou outros, deixou alguns perplexos e outros a indagar as consequências e a perguntar se isso era verdade e possível.
João XXIII dera a palavra de ordem, quando disse que a renovação da Igreja, necessária e urgente, exigia o regresso às fontes bíblicas e ao espírito e experiência dos inícios.
Muita lama do tempo se tinha colado à Igreja. Defendia-se o que já não era defensável. Ficar na concepção jurídica de “Igreja, comunidade perfeita” era empobrecer o presente, comprometer o futuro e impedir um diálogo com o mundo, de modo a poder-lhe ser útil.
O projecto de Deus fora edificar um Povo singular, diferente de qualquer outro fruto de em concepções puramente humanas e temporais. Este Povo seria seu, Povo de Deus. Um Povo de salvos, um sinal de salvação, acessível a todos os crentes.
O Vaticano II afirmou este desígnio de Deus: um Povo que O conhecesse em verdade e o servisse em santidade, com servidores, a tempo inteiro, para garantir o seu d…

NÃO VIVA O NATAL DE ALMA APAGADA

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Não viva o Natal de alma apagada:
volte-se para a luz.
Vá ver as iluminações
ou parta à descoberta do Portugal interior.
Saboreie a doçura de um algodão doce
ao pé das luzes da cidade
ou deixe-se aquecer
pelos “lumes” no adro das igrejas.
E não se esqueça de acender as luzes
também dentro do seu coração.


In “Pequenas Grandes Ideias”

NO STELLA MARIS: Festa de Natal

No Stella Maris, clube da Obra do Apostolado do Mar, com sede na Gafanha da Nazaré, houve festa de Natal dedicada aos menos jovens. O almoço, confeccionado pelas funcionárias do clube, contou com a colaboração de diversas instituições e empresas, em especial dos Escuteiros e do Banco Alimentar Contra a Fome. Os menos jovens, cerca de 80, foram indicados pela Obra da Providência e pela Fundação Prior Sardo, daquela freguesia.
Presidiu o Bispo de Aveiro, D. António Francisco, que realçou, na altura da sobremesa, o espírito de família que ali se fez sentir. O Natal, referiu, “é para nos dizer que todos somos irmãos uns dos outros”, independentemente das culturas diferenciadas dos povos que frequentam o Stella Maris. No entanto, frisou D. António, “temos de começar por aqueles que vivem perto de nós”.
Adiantou depois que é necessário que nos sintamos próximos, “valorizando a nossa terra e a Igreja Diocesana”, nos gestos e na solidariedade que manifestamos, porque “Igreja é comunhão e com…

Festa na Obra da Providência

Celebrou-se ontem, como recordei, os 50 anos da aprovação dos Estatutos da Obra da Providência, instituição que nasceu, como lembrou D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, na homilia da eucaristia de acção de graças, “para apoiar quem era espezinhado” pela sociedade. Na urgência, indicada por Cristo, de olharmos para os mais carentes.
D. António Marcelino frisou que as fundadoras, cuja história bem conhece, agiram como vicentinas e desde sempre foram ao encontro dos que mais precisam, descobrindo aí os “caminhos de Deus”, caminhos que contribuem para que “as pessoas se sintam mais amadas”.
No jantar de convívio que se seguiu, com dirigentes e funcionárias, foi bom sentir o espírito de fraternidade que a todos anima. Uma fundadora, Rosa Bela Vieira, também participou na festa. Ausente, apenas, por indisposição que vai passar, assim creio, Maria da Luz Rocha, a outra fundadora da Obra da Providência e alma mater da instituição desde a primeira hora. Faltou pela primeira vez a e…

QUANDO SERÁ DE NOVO O NATAL QUE JÁ FOI?

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Há pessoas maravilhosas e gestos lindos que não o seriam se não tivesse havido Natal.
O Natal que houve, é o Natal que há. Cada dia, se eu e tu quisermos.
No coração humilde de um crente, a fé do Natal é força explosiva e dinamismo imparável. Muito além do que se pensa. Natal que enche a vida e a faz sair de si, para dizer a todos que a minha vida, a tua vida, também é vida dos outros. De todos.
Vivência de Natal não se encontra em qualquer canto, não se espelha em qualquer rosto.
Hoje, como ontem, o Natal passa-se fora de portas, em campo aberto, povoado por gente humilde, gente de coração limpo e sensível. Gente desinstalada que vem, de longe ou de perto, à procura de amor. Gente que acredita que a luz vence as trevas, e onde o sol penetra pelas frestas das portas e janelas, já nada pode impedir que ele ilumine a noite de tantas casas habitadas de pessoas, desabitadas de ternura, de beleza, de paz.
Só onde estiver alguém que se julgue sol, as trevas persistirão.
Só onde vive gente instala…

Natal de 1962

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EU DORMIA PROFUNDAMENTE E... SORRIA! Poucos dias antes do natal de 1962 havia grande azáfama na nossa Companhia. Tínhamos recebido informações de que o IN iria aproveitar a época natalícia para meter grande quantidade de armas e munições no território angolano. A passagem seria pela já nossa conhecida picada do Quelo.
Ficámos admirados com tanta e concisa informação! Seria mesmo verdade? Ou isto seria mesmo contra-informação? Pelo sim pelo não ficou resolvido pelas altas esferas da Companhia que até ao dia 23 haveria sempre dois pelotões em movimento, fazendo emboscadas, patrulhando as picadas prováveis para a passagem do IN.
No dia 23 houve que ir ao abastecimento a São Salvador para a consoada! Que diabo de abastecimento seria esse? Batatas haveria, mas… e o bacalhau? E as couves?
Para mim uma boa feijoada com dobradinha brasileira era o suficiente! Para quê sonhar tão alto? Não querias mais nada: - bacalhau com couves! Estamos em Africa, dizia-me o Costa Pereira em ar de gozo.
O nosso p…