quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Citação

Sorri! Sorri sempre Ainda que o teu sorriso Seja triste… Porque mais triste Que o teu sorriso triste É a tristeza De não saber sorrir!... In placard de uma clínica

Ao sabor da maré

Ainda a questão do aborto DEMOCRACIA INFANTIL
Os Partidos políticos dividem muito os portugueses. É lógico. Diferentes maneiras de ver e viver a coisa pública, variadas concepções do mundo, diversas posições face à justiça social. Apesar de tudo isto, que é indiscutível, penso que há situações político-sociais que merecem ou deviam merecer algum consenso. Mas não foi o que aconteceu, perante os resultados do referendo sobre o aborto. Os Partidos da esquerda parlamentar marginalizaram ou ignoraram os do centro e direita, apesar das sugestões do Presidente da República, no sentido de haver o entendimento possível, para se evitarem divisões entre os portugueses, na hora da preparação das leis adequadas. E até marginalizaram os deputados do centro-direita, que apoiaram o "SIM". Os portugueses que somos são assim, numa demonstração clara de infantilidade democrática, onde o diálogo é quase impossível, quando devia ser sempre possível. Isto não quer dizer que tenha de haver consenso em todas as circunstâncias. Não sou utópico. Mas acredito que é a conversar que os homens e mulheres do nosso tempo se têm de entender. Só ganham se souberem e quiserem dialogar sobre o que a todos diz respeito, como é o caso do aborto.
É óbvio que é legítimo fazer coligações ou estabeler acordos com quem nos apetece, por ser esse um direito individual ou de grupos. Mas não me parece certo fazê-lo tão ostensivamente como nesta situação foi feito. Claro que o “SIM” ganhou e que a legislação que se segue tem de respeitar essa opção dos portugueses, a grande maioria dos quais nada terá a ver com a doutrina da Igreja Católica a esse respeito. Mas será que os do “SIM” terão mesmo que ignorar todos os outros? Penso que não. Mas também penso que muitos das actuais gerações no poder não têm espírito de diálogo, de partilha de opiniões, de capacidade de lutar por consensos. Vieram de tempos em que o diálogo era muito complicado ou inexistente e estão marcados por esse clima. Vejam a maneira como falam ou discursam no Parlamento. Parece que estão permanentemente zangados com tudo e com todos. Fernando Martins

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Túmulo de Jesus?

Alegada «descoberta» da sepultura de Cristo retoma polémicas sobre Madalena e a ressurreição

“O TÚMULO DE JESUS”

Depois da grande "revelação" sobre a vida de Jesus, trazida por Dan Brown no seu "Código da Vinci", é agora a vez dos realizadores James Cameron e Simcha Jacobovici apresentarem um documentário com novas "revelações": Jesus não ressuscitou, mas está sepultado em Jerusalém, com a família, incluindo o filho que teve com Maria Madalena.
A produção aproveita a onda mediática produzida pelo sucesso de Dan Brown - embora as novas teorias entrem em contradição com várias das suas teses. O documentário produzido pelo realizador de Titanic, James Cameron e realizado pelo judeu canadiano Simcha Jacobovici, estreia esta semana no Discovery Channel.
"O Túmulo Perdido de Jesus" parte da análises de dez ossários encontrados em 1980, no Bairro de Talpiot, em Jerusalém, e que presentemente estão entregues à Autoridade de Antiguidades de Israel e guardados num armazém em Bet Shemesh.
Os arqueólogos que estudaram as peças chegaram à conclusão, em 2003, de que o sarcófago data do século I d.C. No entanto, conteúdo, caligrafia e revestimento da inscrição tornam a sua autenticidade duvidosa. Além disso, salientam que os nomes nas inscrições eram muito comuns na altura.
"A afirmação de que o túmulo (de Jesus) foi encontrado não está apoiada em nenhuma prova e é somente uma manobra publicitária”, afirma o professor Amos Kloner, da Universidade Bar-Ilan e arqueólogo oficial do Distrito de Jerusalém, que fiscalizou as escavações do mesmo local em 1980.
"É muito pouco provável que Jesus e seus parentes tivessem um túmulo familiar ", explicou Kloner. "Eles eram uma família da Galileia sem vínculos em Jerusalém. O túmulo de Talpiot pertenceu a uma família de classe média do primeiro século de nossa era", defende.
"É uma óptima história para um filme, mas é impossível. É um disparate»", disse ao jornal Jerusalem Post.
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Leia mais na ECCLESIA

Um artigo de Alexandre Cruz


Alma (d)e património
que se perdem


1. Das reflexões decisivas que estarão em futuro próximo no mapa nacional, será, precisamente, a discussão sobre o que fazemos com as terras, aldeias, freguesias, tradições e patrimónios do interior de Portugal. Com a concentração nas grandes cidades de tendência litoralizante, e a impressionante desertificação do interior do país (numa desatenção continuada de políticas insensíveis a esta realidade específica), com o fechar múltiplos serviços, será caso para dizer que não há interior que resista.
Abandonámos essas nossas terras carregadas de alma, de história, de identidade plural que constituiu a nossa própria nacionalidade; foram muitos os grandes portugueses (agora em voga, daqui a uns meses esquecidos) que nos enchem de orgulho e que ergueram, fruto de vida dinâmica em horizonte rasgado, símbolos de uma comunidade vida, com alma e sentido, espelhados em castelos, muralhas, catedrais, jardrins, espaços públicos, escolas e hospitais, tudo acompanhado com uma beleza natural única da floresta que possuímos neste lindo país de sol.
2. Quem percorre, com atenção, alguns caminhos do interior verifica que o panorama é desolador. Há longas semanas fizemos essa viagem por algumas terras mais interiores, e a sensação do abandono impressiona. E é tanto mais assustador quando sabemos que ao abandono “natural” das populações (pela busca legítima de melhoria de vida), pela falta de política de projecto/visão e pelos números económicos que comandam a vida, corresponderá o fechar e refechar de tudo o que não compensa. Estranho, quase não queremos povoar na totalidade o país que outrora foi conquistado às custas de tantas vidas… (Quando o nosso Parlamento reflecte a sério nisto mesmo?)
Os serviços que se fecham, especialmente nos lados do interior e os critérios que presidem a esse “fechar” acabam por matar, por completo, o resto da esperança nas populações que lá residem. Que lá nasce (os poucos que nascem pois as novas famílias já lá não querem habitar – ou não lhes é permitido construir casa devido aos PDM’s - na terra em que correram e saltaram, tudo dificulta esse resto de saudade em se viver a vida onde se nasceu), os que nascem, nesta correria de modas citadinas, até correm o perigo de receber o estigma de ser da “aldeia”…, esquecendo-se, entre tantas vantagens, que a qualidade do ar lá é incomparavelmente melhor que na corrida da cidade.
3. Não teria merecido o interior de Portugal uma aposta estratégica diferenciadora – a realidade é diferente – das vivências litorais? Não terá havido oportunidade para uma concertação geral de energias na promoção do país como um todo – não só o puxar da brasa para a própria sardinha - numa dinâmica mobilizadora do interior? Não…? Como a capital política – Lisboa – vê Portugal como um todo? (Ou o país será só Lisboa?!). O que está feito, está feito! E pelo andar da carruagem nada há mesmo a fazer! Não conseguimos apostar na visão estratégica das causas, então acolhamos – já dizemos a médio prazo - as consequências da nossa demissão.
Que sentirão as populações e os governos quando, daqui a 15 anos, as freguesias e concelhos do Portugal interior forem “comprados” pelos turistas nórdicos ou inteiramente habitados por comunidades imigrantes entre nós?! Nada de especial, preparemo-nos para esta realidade, pois é por ela que continuamos a optar.
4. O perceber-se que cada serviço público que fecha arrasta outro e traz consigo a fuga total das populações (de meia idade, pois as populações mais idosas já não podem sequer fugir) para as grandes cidades de tendência litoral, comoverá profundamente (e eternamente) todos os que deram a vida para Portugal ter a fronteira lá em cima, junto a Vilar Formoso. Esses, onde quer que estejam, vêem o país interior padecer, não vislumbrando qualquer centelha visível, explícita, de preocupação política e estratégica decisivas. Cada vez faz mais sentido perguntar-se: ainda queremos o interior do país ou entregamo-lo? Ou menos que a visão turística transfigure em turismo o país que “não queremos” (não venham os outros inventar, criar, para depois nos explorarem na nossa própria terra…como as laranjas do Alqueva daqui a breves anos.).
E ainda, talvez mesmo o mais importante: nesse futuro, daqui a 15 anos, os nomes das ruas mudarão, serão outras as gentes a habitar o interior, a alma e o património português perder-se-á para sempre no tempo... Terra não habitada é terra esquecida. É admirável o esforço de tantos projectos e apostas, concretizados mesmo em Roteiros do Património; mas não chega. Será essencial repovoar o interior do país e definir itinerários claros para lá chegar. Quando não, quanta “alma” de história, memórias e património de Portugal, receberá uma implusão cultural (e depois queixamo-nos de sermos um povo com falta de auto-estima, dos mais tristes da Europa). Abramos as portas e dêmos alegria e vida(s) ao interior do País! Ou queremos este país sombrio e estranho, nada formoso?

Europeus felizes

COM EMPREGOS EXIGENTES E STRESSANTES
Os europeus consideram-se em geral relativamente felizes. Em Portugal, a percentagem dos que afirmam isso mesmo é de 86% - idêntica à média da União Europeia (UE). Está satisfeito com o seu nível de vida? Com a casa que tem? Estas foram algumas das perguntas feitas. Respostas: 75% dos portugueses e 83% dos cidadãos da UE dos 25 (a sondagem foi feita antes do alargamento a 27) estão satisfeitos com o seu nível de vida; 89% e 92%, respectivamente, estão contentes com as suas condições de habitabilidade. Já o trabalho é, para uma "significativa minoria" de trabalhadores da UE, uma fonte de mal-estar: dois quintos dizem que têm um emprego demasiado exigente e stressante. Em Portugal, são ainda mais: 55%. O país é o quinto com pior avaliação neste capítulo.
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Fonte: PÚBLICO

Um artigo de António Rego




A IGREJA E O PODER

Triunfo e desencanto ocupam algumas das análises ao momento que vivemos. Triunfo de analistas que não escondem o júbilo pelo facto de, com o referendo ao aborto, a Igreja ter sido derrotada, e ao mesmo tempo essa derrota significar o fim do ciclo de domínio na sociedade portuguesa. É um grito de vitória por, finalmente, a sociedade se ter libertado do osbcurantismo e do domínio clerical.
Alguns sectores políticos e religiosos não escondem o desencanto. E pedem à Igreja que recupere o lugar que ocupou na vida social portuguesa. Como que a exigir uma restauração da fé como império, do altar como trono, da hierarquia como poder, da sociedade como redil. Nenhuma destas perspectivas enquadra a Igreja na sua missão essencial e no lugar que deve ocupar na cidade dos homens.
A primeira afirmação da Igreja tem de caracterizar-se pelo serviço a todas as grandes causas do homem, sendo que a primeira é o anúncio da salvação em Jesus Cristo. Da afirmação da fé e das suas incidências, decorrerão todos os planos de presença da Igreja no mundo e do seu lugar na história. Este projecto, como se sabe, não é unívoco e procura em cada tempo interrogar-se sobre os sinais e as respostas mais eficazes e inteligíveis do Evangelho.
Hoje, perante o mundo real, a Igreja posiciona-se com maior liberdade porque independente dos poderes políticos e económicos. Com humildade, por reconhecer que existem outras opções religiosas e outras linhas de procura para os grandes problemas do homem e da história. Mas trabalha no seu terreno específico, proclama com maior vigor os caminhos do Evangelho, dialoga com todos os homens de boa vontade na procura das melhores respostas para as questões mais inquietantes que o mundo de hoje coloca. E lança perguntas sobre temáticas que parecem esclarecidas e arrumadas.
Não vale a pena alimentar a amargura de poderes perdidos em tronos duvidosos e em paradas que pertencem ao universo profano. Nem esboçar o mais pequeno gesto de saudade pelos velhos impérios. O lugar primeiro e privilegiado da Igreja é o da liberdade. E que deixe o resto para César. Não lhe faz falta.

Futuro da Europa


Valores e perspectivas na construção do Velho Continente juntam, em Roma, políticos
e representantes católicos



Episcopados da UE
discutem futuro da Europa



A Comissão dos Episcopados Católicos da UE (COMECE) está empenhada em fazer da celebração dos 50 anos dos Tratados de Roma, fundadores da Comunidade Europeia, um momento de reflexão sobre o futuro da Europa.
Roma será, precisamente, a sede do Congresso Internacional convocado pela COMECE, no próximo mês de Março, para discutir os "valores e perspectivas sobre a construção europeia", reunindo cerca de 400 participantes.
A intenção é "identificar valores-chave" para os cristãos, confirmando aqueles que definiram o processo de unificação europeia desde o seu início. Durante o Congresso será adoptada a "Mensagem de Roma", que será enviada aos Chefes de Estado e de Governo da UE.
23 delegações episcopais estarão presentes, ao lado dos maiores movimentos e comunidades católicas da Europa. Um grande número de políticos europeus de referência também irão marcar presença: Romano Prodi, Mary McAleese, Wolfgang Schäuble, Hans-Gert Pöttering, Peter Sutherland, Marcelino Oreja e Mario Monti.
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Fonte: Ecclesia

Provérbio

"Quem semeia ventos colhe tempestades"

O mar


APRECIANDO O MAR
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Uma forma de afugentar o stresse pode ser esta. Sentada, olhando o infinito, com a praia quase deserta a seus pés. No fim da caminhada, o mar é sempre um desafio e uma preciosa ajuda para quem aprecia a natureza. Alguma agitação das águas, em pleno Inverno, oferece ao passante um espectáculo raro de espumas que tentam saltar das águas salinas. Tudo para ver. Tudo para meditar.

Templos célebres


ITÁLIA: IGREJA DE SÃO MARCOS
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Fachada principal da Catedral dos Doges, igreja de São Marcos, com as suas reminiscências bizantinas, onde sobressaem os arcos decorados, em cima. Para uma visita de quem tiver possibilidades de lá ir.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Cáritas luta contra desigualdades



APOSTA IMPORTANTE:
EDUCAR PARA A CIDADANIA



A Cáritas Portuguesa foi desafiada a trabalhar em favor da educação para a cidadania, criando condições para um desenvolvimento sustentável. Este desafio foi lançado no Conselho Geral da Cáritas Portuguesa, este fim de semana, por Manuela Silva da Comissão Nacional Justiça e Paz que reflectiu sobre o tema da Semana Nacional da Cáritas e proposto também pela União Europeia.
“Pela Dignidade, Igual Oportunidade” serviu de mote para desenvolver orientações e sugestões para uma prática caritativa quer a nível nacional quer concretamente nas dioceses.
“O grande desafio vai no sentido de perceber as causas da pobreza e as causas que geram as desigualdades”, apontou à Agência ECCLESIA, Isabel Monteiro, Presidente interina da Cáritas Portuguesa. Outro desafio lançado vai no sentido da reflexão. “Perceber os estigmas e preconceitos da sociedade que não deixam avançar efectivamente para uma igualdade de oportunidades para todos”, sublinha. A igualdade de oportunidades “é um meio para a criação de um desenvolvimento sustentável e de uma cidadania activa e consciente” e para os cristãos o desafio é ainda maior, “pois pede-nos uma coerência com os valores que professamos”, manifesta a Presidente interina..
A educação, a saúde são direitos fundamentais consagrados na Constituição, mas trata-se de focar o problema “na educação”. “Esta deve ter no horizonte a cidadania, começando nas crianças e nas famílias”. São desafios lançados para tornar a Cáritas “mobilizadora de desenvolvimento, para criar uma consciência cristã esclarecida, efectivamente interventiva na sociedade portuguesa e com maior incidência nas comunidades cristãs”, manifesta Isabel Monteiro.
Compete agora às Cáritas diocesanas ter estes desafios em consideração e lançar pistas para concretizar estes objectivos, “algumas estão já atentas a estas questões, mas queremos estar em constante transformação e conversão”.
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Ler mais em Ecclesia

Homenagem a António Alçada Baptista



“ANTÓNIO ALÇADA BAPTISTA:
Tempo afectuoso - Homenagem ao escritor amigo de todos nós"

Foi com agradável surpresa que há dias encontrei nas livrarias um livro de homenagem ao escritor António Alçada Baptista – “ANTÓNIO ALÇADA BAPTISTA: Tempo afectuoso - Homenagem ao escritor amigo de todos nós". Trata-se de uma obra da responsabilidade da Editorial Presença e do Centro Nacional de Cultura, com coordenação de textos de Maria Helena Mira Mateus e Guilherme d'Oliveira Martins.
A homenagem é justíssima, ou não fosse Alçada Baptista um homem e escritor de afectos, que ensinou muita gente a pensar e a conhecer a vida de um País amordaçado pela ditadura. Os seus livros, muitos dos quais li à medida que foram aparecendo no mercado, sempre me impressionaram e encantaram, ou não fosse ele um escritor memorialista, com capacidade para nos conduzir, com realismo, através dos seus e nossos contemporâneos, marcados por comportamentos ora resignados e comodistas, ora corajosos na denúncia das injustiças. Com uma simplicidade que seduz, com uma naturalidade que encanta. Estórias e mais estórias da história dos homens e mulheres do seu tempo e do seu e nosso País, que ele retratou com arte e sensibilidade.
“ANTÓNIO ALÇADA BAPTISTA: Tempo afectuoso - Homenagem ao escritor amigo de todos nós" é um livro de testemunhos de amigos, muitos dos quais foram seus cúmplices em horas de sonhos e de lançamento de projectos, na qualidade de católico progressista, muitos deles condenados a esbarrar com impossibilidades de toda a ordem. Eduardo Lourenço, Mário de Carvalho, Teolinda Gersão, Dinis Machado, António Ramos Rosa, Mário Soares, Pedro Roseta e Edgar Morin, Ana Vicente, Guilherme d’Oliveira Martins, Lídia Jorge, João Bénard da Costa e Maria Alzira Seixo foram alguns dos muitos que escreveram para esta edição, com amizade e gratidão, pelo que dele receberam.
Alçada Baptista, 80 anos de vida bem vivida e rica de contactos humanos, que os seus 13 livros e diversos outros escritos revelam, bem merecia esta homenagem enquanto está entre nós. Mas quem quiser conhecê-lo e admirá-lo pode ler os seus livros. “Peregrinação Interior” (dois volumes), “Tia Suzana, Meu Amor”, “Os Nós e os Laços”, “Catarina ou o Sabor da Maçã”, “O Riso de Deus”, “A Pesca à Linha” e “O Tecido do Outono”, entre outros, aí ficam para saborearmos, com prazer.

Fernando Martins

“Música na Escola”

Centro Cultural da Gafanha da Nazaré


FILARMÓNICA DAS BEIRAS NO CENTRO CULTURAL
DA GAFANHA DA NAZARÉ

Nos próximos dias 27 e 28, da parte da manhã, no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré, os alunos das Escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico vão ter “Música na Escola”, por iniciativa da Câmara Municipal de Ílhavo. Actuará a Orquestra Filarmónica das Beiras, que apresentará o programa “10 Vocalizos para Leonor e Arcos”.
Por esta forma, as crianças das nossas escolas começam a habituar-se a ouvir e a aprender a ouvir música de qualidade. Os familiares e amigos também poderão participar.

Um artigo de João Gonçalves, no CV



A casa velha

Era uma vez uma cidade que não tinha casas velhas; a cidade era bonita e airosa e, por isso, não admitia nada que destoasse da concepção que para ela os artistas tinham programado. Dum lado e doutro de ruas e avenidas, só se erguiam casas bem arquitectadas, a sugerir que outros edifícios fora de linha não tinham ali cabimento.Um dia, pela calada da lei, entrou na cidade um grupo de forasteiros que estranhou a arrumação da cidade e não encontrou sítio de paragem; tudo era, de facto, estranho!Na coragem de quem se sente no direito de viver ou, ao menos, de sobreviver, puxam pela coragem de tentar activar os sistemas de alarme das casas novas e belas. De dentro, só ouvem vozes estranhas que indicam outros alarmes, que ficam noutras casas e noutras ruas; talvez lá encontrem pessoas...
Foi assim que os forasteiros, de porta em porta, sempre encontraram o que pretendiam: uma casa velha, que tinha escapado aos artistas que faziam e refaziam a cidade; foi o maior achado da sua vida de peregrinos, sem eira nem beira, onde poderão assentar arraiais e, finalmente, dormir e poder sonhar. Dali poderão entrar e sair sempre que queiram, podem regressar à hora que quiserem, podem até alimentar algumas ilusões, lado a lado com outros seus semelhantes, também já desesperados de tantas respostas inconsequentes; estão felizes na casa velha, que quase já é sua.
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Leia mais em CV

Uma quadra de António Aleixo

Qu’ria que o mundo soubesse que a dor que tortura a vida é quase sempre sentida por quem menos a merece.

Porto de Aveiro

Porto de Aveiro: Vias de acesso. Foto de Dinis Alves
VIAS FUNDAMENTAIS
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Porto sem vias de acesso compatíveis não tem futuro. Daí a preocupação de dotar o Porto de Aveiro, nas suas vertentes de Pesca Costeira, Pesca Longínqua, Comercial, Industrial e de Turismo, das melhores vias. Para já, há as rodovias. As ferrovias virão a seguir. Para breve, pensa-se.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Um soneto de Camões


AQUELA TRISTE E LEDA MADRUGADA


Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade,
Quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando à terra claridade,
Viu apartar-se de uma outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
Que de uns e de outros olhos derivadas,
Juntando-se, formaram largo rio.

Ela ouviu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio
E dar descanso às almas condenadas.

Citação

"As crises são necessárias e os confrontos também, porque só assim é possível ponderar e fazer escolhas"
Laurinda Alves,
na XIS

Provérbio

"A ingratidão é filha da soberba"

Arte para todos


Costa Nova com arte para toda a gente
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Diz-se, por aqui, que aos domingos há muita gente a dar a voltinha dos tristes. Não sei de onde veio esta expressão tão sem sentido. A ela está ligada a ideia de alguém que mete a família no carro e vai passear pelos recantos mais atraentes. Neste caso, para os de Aveiro e arredores, a saída leva-os até às nossas praias. Passeiam, olham a ria, lancham em qualquer café ou pastelaria, e voltam para casa. Hoje sugiro que apreciem a arte que está à disposição de todos, na ampla esplanada ao longo da Ria, na Costa Nova do Prado.

Um artigo de Anselmo Borges, no DN


Depois do referendo, o quê?


Durante a campanha para o referendo sobre o aborto - não é correcto dizer interrupção voluntária da gravidez, pois é de cessação que se trata -, foram citadas por adeptos do "sim", inclusive nos grandes debates televisivos, afirmações minhas sobre o tema, que não renego, mas que não exprimem todo o meu pensamento. Permito-me retomar algumas reflexões sobre questão tão delicada e complexa.

1. À pergunta do referendo, o povo português respondeu: "sim", 59%; "não", 41%; 56% abstiveram-se.
Espera-se agora uma lei da despenalização que seja equilibrada e com o maior consenso possível, tanto mais quanto se trata de uma questão que deveria ser tratada suprapartidariamente e na indicação de que o Estado favorece a vida e não a morte.

2. Houve uma elevada percentagem favorável ao "não", sendo generalização apressada arrumá-lo, sem mais, no mundo rural e pré- -moderno. Por outro lado, embora as razões da abstenção não sejam quantificáveis, não é legítimo excluir que entre elas se encontrou o facto de a pergunta dar azo à perplexidade do cidadão por causa da colisão entre o plano jurídico-penal e o moral: cidadãos que não querem ver a mulher penalizada receavam, não sem razão, que o "sim", para lá da despenalização, abrisse as portas à liberalização.
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Leia mais em DN

Tecendo a vida umas coisitas - 12


POVOAMENTO DA GAFANHA

Caríssimo:

Continuemos no reino da magia e da imaginação, mas incluamos uma forte dose de estudo e de investigação. Que resultará?
Ainda na companhia do padre João Vieira Resende e lendo a sua Monografia, 2.a edição, na página 47, verificamos que tira as seguintes conclusões:

“1.º que o povoamento da Gafanha começou seguramente cerca do ano de 1677, época relativamente muito recente, mas mais remota do que muita gente julgava;
2.º que, embora se não saiba de cultivadores existentes na Gafanha antes de 1677,prova-se no entanto que as suas terras já produziram pão, o que nos indica ter havido cultivadores anteriormente e, portanto, que o seu povoamento provável teria começado antes de 1677;
3.º que esse povoamento foi feito, pode dizer-se, quase exclusivamente pelos povos vindos da freguesia de Vagos e, mais, que eles ainda continuaram a povoar até uma época muito próxima;
4.º que os povos de outras freguesias só muito tarde e muito frouxamente contribuíram para o povoamento;
5.º que a infiltração destes povos na Gafanha, a princípio morosa e depois quase tumultuária, se explica e justifica documentalmente por necessidades de expansão e de cultura;
6.º que só frouxamente se pode dar foros de verdadeira à tradiçaõ de que seriam quatro criminosos os fundadores da Gafanha.”

Pois bem, em 1995, o nosso conterrâneo dr. Manuel C. Fidalgo, no livro «Açores – Ensaios de Sociologia», a páginas 479-480, dá-nos a sua opinião nestes termos:

“...[O]s róis de tripulantes dos barcos de bacalhau, matriculados no Porto de Aveiro, na primeira metade do século XVI, já apontam nomes de pescadores naturais dos lugares que hoje constituem esta freguesia e vila [a cidade da Gafanha da Nazaré]. É que já em 1506 saíam barcos de Aveiro para os bancos da Terra Nova. E, igualmente, penso que alguns dos marnotos e moços que trabalhavam as salinas, já em 1514, eram naturais e residentes na península da Gafanha. [...]
Com o decorrer dos séculos e com a passagem da barra para o Sul das Gafanhas as salinas do interior foram desaparecendo, substituídas por outras mais próximas da costa. Sabe-se, assim, que no início do século XVI já existiam as da Cale da Vila e Marinha Velha, trabalhadas por «marnoteiros» e moços que se presume habitarem próximo e não virem, diariamente, de Aveiro ou Ílhavo. Além do mais tinham guarnição próxima, no Forte então existente, local de controlo e defesa da Barra assim como posto alfandegário.
É de notar, também, que a primitiva imagem de Nossa Senhora da Nazaré é do século XVI, o que demonstra a existência possível de local de culto, tendo por orago esta invocação à Virgem.
Pescadores de bacalhau, marnotos e moços, servos dos vínculos e pessoal do forte da Barra foram, de certo, os primeiros habitantes a fixar-se no Norte desta Península a partir, pelo menos, do século XVI. A Gafanha da Nazaré, mais propriamente os seus lugares, não teve os seus primeiros habitantes só no século XVII como tem sido escrito. Para mim o início do povoamento é anterior de um ou mais séculos pela necessidade do controlo do porto.”

Assunto e matéria para conversa amena aí está; prometo, se Deus quiser, voltar ao assunto.


Manuel

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Corrupção

Portugueses permissivos face à corrupção
O procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, disse hoje, em Coimbra, que “não há ainda em Portugal uma consciência ética forte que censure a corrupção”, comentando um estudo segundo o qual “os portugueses são permissivos face à corrupção”. As conclusões preliminares do estudo “Corrupção e Ética em Democracia: o caso de Portugal”, elaborado pelo Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), divulgado hoje pelo PÚBLICO, revelam que “a maioria dos portugueses considera ineficaz o combate à corrupção e diz que há uma cultura de permissividade em Portugal”.Dos 1009 indivíduos inquiridos, entre 10 e 26 de Fevereiro de 2006, a maioria atribui ao Governo a responsabilidade pela ineficácia no combate à sua prática e só depois ao aparelho judicial.
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Leia mais no PÚBLICO

Templos célebres



BURGOS: CATEDRAL DE SANTA MARIA

Em Burgos, a Catedral de Santa Maria data do período gótico e tem ornamentos do século XV. Imponente e belo, este templo merece uma visita atenta.

Citação

"Tudo o que é verdadeiramente sábio é simples e claro"
Máximo Gorky

Um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


ESCUTO MAS NÃO SEI


Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies no vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado e amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco

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In Revista XIS,
última edição,
17-02-2007

Provérbio

"O Verão colhe e o Inverno come"

Porto de Aveiro

Porto de Aveiro: vista geral
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PORTO DE AVEIRO: Importância que ninguém nega
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Com esta foto aérea do Porto de Aveiro, zona comercial, apenas quero lembrar que para ele correm todos os caminhos que reflectem o dinamismo da região aveirense, com ramificações para todo o País. A sua importância ninguém a nega. E a prová-lo aí teremos, num futuro breve, a ligação ferroviária.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Templos célebres


IGREJA DA SAGRADA FAMÍLIA, EM BARCELONA
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A Igreja da Sagrada Família, em Barcelona, de Antoni Gaudí, obra prima do artista, começou a ser construída em 1882. Presentemente inacabada, as obras continuam, no respeito pela marca e estilo do autor. Centro de visita obrigatória para quantos gostam de arte.

UA na televisão

UA estreia novo programa
televisivo dedicado à Ciência


Viva a Ciência!

Nos próximos meses, a Universidade de Aveiro vai levar aos quatro cantos do mundo a ciência que se faz em Portugal. Do Minho ao Algarve, sem esquecer as ilhas da Madeira e dos Açores, o novo programa televisivo Viva a Ciência!, com estreia marcada para o próximo Domingo, 25 de Fevereiro, às 11.30 horas, na RTP Internacional e RTP África, vai dar a conhecer o que de melhor se faz no nosso País no que respeita à investigação científica, desenvolvimento tecnológico e inovação em geral.
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Leia mais em UA

Um artigo de Laurinda Alves, no CV


O CORAÇÃO E A RAZÃO

Como se prova o amor entre duas pessoas? E como é que sabemos que temos as ideias claras? E qual o melhor entendimento sobre esta ou aquela questão? O que faz sentido agora também vai estar certo mais adiante?
Estas e outras dúvidas recorrentes obrigam-nos a pensar e a procurar respostas. Ainda que a sensação seja resolver tudo pela via da razão, na realidade aquilo que mais transforma a nossa vida é aquilo que sentimos e em que acreditamos, Nem sempre aquilo que compreendemos nos leva mais longe, porque nem sempre a compreensão racional nos traz sentimentos positivos de que precisamos para avançar.Um dos grandes mistérios da vida é justamente este de não podermos provar tudo cientificamente. E muito do que não se prova pela razão, prova-se pelo coração. Comprova-se existencialmente, pela via dos sentimentos, dos afectos e das relações que vamos criando.
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Leia mais no Correio do Vouga

Porto de Aveiro

Entrada da Barra: Foto de Dinis Alves


PORTO DE AVEIRO

O Porto de Aveiro, visto de cima e de vários ângulos, é uma belíssima obra de arte da natureza. Nem sempre a olhamos com a devida atenção, é verdade, mas há muita gente disponível para nos oferecer belezas raras. As fotografias que mostrarei sobre o Porto de Aveiro são de Dinis Alves, que teve a amabilidade de mas enviar, o que agradeço.

Citação

“A oração, como fenómeno humano, é transversal às várias religiões, culturas e épocas”
José Tolentino de Mendonça, in XIS

Sabedoria de Confúcio

COPO DE ÁGUA O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal num copo-d'água e bebesse. -"Qual é o gosto?", perguntou o Mestre. - "Ruim ", disse o aprendiz. O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e a levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago. Então o velho disse: - "Beba um pouco dessa água." Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou: - "Qual é o gosto?" - "Bom!" disse o rapaz. - "Você sente gosto do sal", perguntou o Mestre? - "Não" disse o jovem. O Mestre então sentou-se ao lado do jovem, pegou na sua mão e disse: - "A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos. Então, quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo. Torne-se um lago..." Nota: Enviado por leitor amigo

Zeca Afonso



O CANTOR DA LIBERDADE
MORREU HÁ 20 ANOS

O cantor da liberdade, Zeca Afonso, morreu há 20 anos. Morreu fisicamente, mas a sua memória e o seu talento continuam vivos entre nós, tal a força e a originalidade da sua arte. Era um cagaréu, pois nasceu em Aveiro, na freguesia da Glória, em 2 de Agosto de 1929.
“Nasci em Aveiro; lembro-me de que jogava o pião e a malta dizia: -‘Ó pião de Aveiro, ó pião de Ovar…’; foi uma infância turva, ligada a uma tia que foi praticamente a minha mãe; vivia numa espécie de paraíso.” Assim o recorda Monsenhor João Gaspar, no seu livro “Caminhar na Esperança”, onde também recorda outras figuras gradas da nossa terra.
Mais adiante, lembra: “Descobri que sou neto de um livre-pensador de Aveiro, […] um republicano que esteve ligado a um movimento importante de renovação escolar. Chama-se Domingos José Cerqueira, […] que chegou a fazer uma ‘cartilha’, a segunda depois da ‘Cartilha Maternal’, de João de Deus.”
Depois desta evocação, para referenciar o artista que o mundo português, e não só, bem conhece, pela sua contribuição para a reconquista da liberdade e da democracia em Portugal, é justo sublinhar que Zeca Afonso influenciou toda uma geração que fez da arte de cantar a arte de despertar consciências para o respeito pela dignidade do homem. Cantando, soube acordar muita gente para que assumisse a luta pela instauração da democracia entre nós.
O artista da liberdade faleceu em 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, tendo-nos deixado uma mensagem muito expressiva, como recorda Monsenhor João Gaspar. “Nós não devemos apagar fogueiras, mas atear chamas!...”.
Talvez com a imagem de Aveiro e da sua Ria, disse noutra altura, cantando: “… tempo que leva tempo, meus amigos / regressam ternamente a suas casas; / com eles edifico uma morada! / Que Deus reme connosco na viagem!”

Fernando Martins

Um artigo de D. António Marcelino

MODERNIDADE
DE QUE TANTO SE FALA

Há anos recebi, a seu pedido, um jornalista de um jornal diário. Começou por uma pergunta, para mim sem pés nem cabeça. Por delicadeza tentei perceber e ir respondendo, mas logo fui por ele interpelado, perguntando-me se eu não sabia o que era a modernidade. Sem intenção de magoar ou humilhar, perguntei-lhe, por minha vez, o que é ele entendia por modernidade porque, sabendo-o eu, perceberia talvez a que propósito vinha a sua intervenção. Assim nos podíamos entender e tornar possível, entre nós, um diálogo válido. Retorquiu-me, incomodado, que o entrevistador era ele e não tinha que me dar nem explicações, nem respostas. Conclui que o bom do homem, com aquele incómodo e arrogância, não sabia nem fazia a mínima ideia do que dizia quando falava de modernidade. Apenas trazia consigo, bem forte, o preconceito de que a Igreja era contra…
Tenho, agora, a mesma sensação, quando ouço perorar, com entusiasmo, ministros e seus ajudantes, deputados e analistas, jornalistas e políticos de primeira linha, e até professores e cidadãos que se presumem de eruditos. Sempre todos em grande consonância. A torto e a direito, falam sobre assuntos diversos, não esquecendo, porque dá estatuto, de se referirem à modernidade e suas exigências. Muitos a traduzem por um laicismo serôdio, que quer atirar a Igreja para a sacristia, acordar velhas lutas e tirar-lhe qualquer influência na vida das pessoas e da sociedade. Alguns vão lá mais longe, porque nunca deram o salto no tempo de modo a purificar as tensões, fazendo perdurar as divisões de pensar e de agir, como se o mundo tivesse parado ou se reduzisse para sempre a dois blocos incomunicáveis, sempre dispostos a denegrir-se e a atacar-se mutuamente, na esperança de que algum deles morra ou desista primeiro.
A história diz-nos que a afirmação de um pensamento autónomo, quer religioso quer político, que está na origem da modernidade, nasceu como oposição a uma Igreja, demasiadamente influente nos povos da Europa, com falhas nos processos de relação e intervenções que extravasavam o sagrado. Embora o diagnóstico tivesse alguma objectividade, o movimento não foi facilmente aceite pela gente da Igreja, por razões que a história explica. As reacções iam provocando novas tensões num mundo ávido de autonomia. E, como a dogmatismos incómodos se iam contrapondo outros que o não eram menos, a serenidade para reflectir sobre os caminhos andados e projectar os futuros, não foi muita.
Deste modo, a Igreja foi sendo considerada empecilho do mundo novo que começava a nascer, com outros critérios e projectos. Esta ideia foi vingando. O poder político que surgia na Europa, por vezes com novas alianças religiosas contrárias ao catolicismo, foi carregando as cores, o pensamento filosófico que gerara a primeira ideia e a alimentava, deram suporte a movimentos políticos diversos que, impacientes ou com outros ventos no bojo, optaram pela perseguição e pela decisão de extermínio da Igreja e da sua anterior influência histórica. Vitórias passageiras, porque, não obstante as falhas inegáveis, não se apagam séculos de cultura, de promoção social e de desenvolvimento variado. Mas foram ficando marcas, acumulando-se preconceitos e sonhados, irreversivelmente, novos projectos de sociedade.
João XXIII, por terras onde andara antes de eleito, vivera experiências diversas de tensões, políticas e religiosas. Secundando gestos importantes de antecessores, toma a decisão profética de um concílio que ajude a Igreja a converter-se ao Evangelho das origens e a tentar a reconciliação com o mundo, dado que é sua vocação servi-lo. Abrem-se, então, caminhos novos de reconhecimento da legítima secularidade, da vantagem do diálogo aberto da Igreja com as realidades terrestres. A modernidade traz consigo um apoio à personalização, um direito à participação e ao pluralismo. Não permite, porém, sem perigo de perdas graves, o apagamento da história, a subversão dos valores, a ética das relações, a protecção social de uns, em detrimento de outros

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Papa anuncia documento sobre a Eucaristia

Bento XVI vai assinar, em breve,
a Exortação pós-sinodal relativa
ao Sínodo dos Bispos de 2005


"MISTÉRO EUCARÍSTICO"

O Papa anunciou hoje que assinará, em breve, a Exortação pós-sinodal sobre a Eucaristia, relativa ao último Sínodo dos Bispos que se decorreu no Vaticano, em Outubro de 2005. Este documento recolherá as indicações surgidas desta reunião magna, dedicada ao "Mistério Eucarístico”.
O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia de Bispos que representa o episcopado de todo o mundo e tem como tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja, com o seu conselho, para procurar soluções pastorais que tenham validade e aplicação universal. Sendo um órgão consultivo, oferece “proposições” e não posições definitivas.
A partir destas propostas, Bento XVI teve a missão de redigir a exortação apostólica pós-sinodal, o documento baseado nas “proposições” aprovadas pelos padres sinodais. Para realizar este trabalho, o Papa contou com uma ajuda específica, um Conselho pós-sinodal de Bispos, eleitos tanto pela assembleia (12 membros) como por ele mesmo (3 membros).
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Efeméride: "O Comércio do Porto" em Aveiro

22 de Fevereiro de 1969

Daniel Rodrigues, o segundo da direita,
em trabalho na Gafanha da Nazaré.
Da esquerda para a direita, Padre António Maria,
Fernando Martins e Padre Miguel Lencastre
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"O COMÉRCIO DO PORTO"
ABRE DELEGAÇÃO EM AVEIRO

Neste dia, em 1969, “ O Comércio do Porto” abriu em Aveiro uma delegação, que ficou a ser liderada, desde a primeira hora, pelo jornalista Daniel Rodrigues, que haveria de ser, durante décadas, um arauto de causas justas.
Recordar esta data é recordar a acção extraordinária dessa delegação e de quantos nela trabalharam, assumindo o seu papel como missão em prol da justiça e da verdade, sempre em favor das comunidades até onde poderia chegar a sua intervenção.
Daniel Rodrigues, mais um não-aveirense, oriundo das terras do demo, que se integrou, e de que maneira!, na cidade, foi exemplo de dedicação, de tenacidade e de coragem, nas lutas que teve de travar com muitos, sobretudo quando chegava a hora de denunciar o que estava mal. Sem temor, agia em conformidade com a sua consciência, ao mesmo tempo que mostrava terras e gentes do distrito, e não só, através de retratos humanos que fizeram história.
A Gafanha da Nazaré muito lhe deve quando foi preciso reivindicar o direito ao estatuto de Vila, precisamente nesse ano. Nessa altura, eu próprio o acompanhei em trabalhos jornalísticos, fundamentais à promoção desta terra em franco crescimento. Também, é certo, para lançar “O Comércio do Porto” nas Gafanhas. Na altura, pela prospecção que foi feita, apenas um exemplar se vendia, diariamente, no estabelecimento do senhor José Quinteles, junto à igreja da Gafanha da Nazaré.

F. M
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Um artigo de Ângela Silva, na RR

ADOECER DA CURA… José Sócrates, o Primeiro-ministro mais popular da última década, viveu ontem um dos dias mais difíceis dos seus primeiros dois anos de Governo. Não por ter perdido um ministro ou ser obrigado a remodelar, muito menos por ter sido criticado pelo Presidente da República ou ter sofrido uma derrota eleitoral intercalar. De tudo isto Sócrates já experimentou nestes dois anos e nem por isso tremeu do alto do seu pedestal. Mas o dia de ontem foi diferente. Milhares de pessoas de Chaves e de vários concelhos do Alto Tâmega vieram para a rua pedir a cabeça do ministro da Saúde pelo encerramento de mais Urgências hospitalares e de Centros de Saúde e o que se viu nas televisões merece alguma atenção. Claro que o ministro Correia de Campos aproveitou o facto de estarem em causa autarquias nas mãos do PSD para dizer que tudo não passa de manipulação. Mas a ira dos populares, que engarrafaram ruas e estradas com ensaios de buzinões, parecia demasiado autêntica para ser mera manobra política. Como é óbvio, afastar as Urgências de saúde das pessoas e obrigá-las a percorrerem quilómetros nas zonas menos desenvolvidas do país, levando uma hora para chegar a um hospital, é agravar os custos da interioridade. E a raiva do povo nas ruas não deixava margem para dúvidas: como há semanas o socialista Jorge Coelho avisou na SIC Notícias, “com a saúde não se brinca”. Desvalorizar as queixas dos que se sentem vítimas de reais penalizações sociais é um erro que Cavaco experimentou com as portagens na Ponte 25 de Abril e que José Sócrates deve ter em atenção no encerramento das Urgências. O povo português já mostrou que está disposto a sacrifícios, que percebe a necessidade do Estado poupar, mas não está disposto a ouvir discursos contra a desertificação do Interior, para depois vir agravar as condições de vida para quem ainda resiste nessas zonas do país. Se o Primeiro-ministro garante, como fez esta semana numa entrevista ao Expresso, que o Serviço Nacional de Saúde vai dar resposta, em todos os pontos do país, às mulheres que – dentro da nova lei – queiram abortar, é bom que não nos falte com igual prontidão, com os mais elementares Serviços de Urgência. Obrigar um cidadão do Interior, servido pelas piores estradas, a galgar o dobro dos quilómetros para ter um médico é um contra-senso. Se escamotear o problema em nome das poupanças públicas, José Sócrates arrisca-se a curar o défice e a adoecer da cura.

Frei Bento Domingues no CUFC

Em 28 de Fevereiro,
pelas 21 horas



“Sociedade, Ciência,
Religiões
– Em Cultura da Vida
e da Paz”
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No âmbito dos 20 anos do CUFC (Centro Universitário Fé e Cultura), vai rea-lizar-se no dia 28 de Fevereiro, quarta-feira, pelas 21 horas, na sede daquela instituição vocacionada para o diálogo entre fé e cultura, junto à Universidade de Aveiro, um debate sobre “Sociedade, Ciência, Religiões – Em Cultura da Vida e da Paz”.
Estará presente Bento Domingues, teólogo, docente da Universidade Lusófona e colunista do PÚBLICO, para desenvolver o tema e animar o diálogo com todos os que o desejarem.
Estes debates integram-se no programa “Diálogo Inter-Religioso”, imple-mentado, há anos, pelo CUFC e destinado aos universitários, em particular, e aos aveirenses, em geral.

Novo quartel da GNR na Gafanha da Nazaré


UMA LUTA DE VINTE ANOS


O novo posto da GNR da Gafanha da Nazaré está a funcionar desde o final de Janeiro, servindo também as freguesias da Gafanha da Encarnação e do Carmo. As novas instalações eram uma necessidade com cerca de duas décadas, já que o espaço ocupado anteriormente não oferecia as condições de trabalho essenciais a uma unidade militar. Embora a mudança sem aviso tenha desagradado Câmara e Junta de Freguesia, as duas entidades admitem que o importante é que o posto está a funcionar. A GNR concorda, afirmando que o fundamental «é garantir as melhores condições de serviço à comunidade»

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Leia mais no Diário de Aveiro

Porto tem novo bispo


D. MANUEL CLEMENTE É O NOVO BISPO DO PORTO

MENSAGEM À DIOCESE

Ao receber a nomeação do Santo Padre Bento XVI para Bispo do Porto, quero, antes de mais, agradecer ao Sucessor de Pedro a confiança que põe em mim para tão exigente ministério. Por minha parte, toda a confiança tenho na graça divina, que nunca nos falta com o necessário para o que Deus nos pede. A Deus me entrego, à Virgem Santíssima e à comunhão dos santos.
Dirijo uma palavra de muita consideração e estima ao Senhor D. Armindo Lopes Coelho, pedindo a Deus que o cumule de saúde e paz, na merecidíssima recompensa do seu fiel ministério. Consideração e estima que estendo também ao Senhor D. Júlio Tavares Rebimbas e aos Senhores Bispos eméritos residentes na Diocese do Porto. Com todos conto, no contributo inestimável da sua experiência e sabedoria.

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Ao sabor da maré - 6



TELEMÓVEL:
UM BRINQUEDO
PARA GRANDES E PEQUENOS

Ontem, numa clínica, pude apreciar quanto os telemóveis são o brinquedo dos nossos dias. Brinquedo para grandes e pequenos, para jovens e menos jovens, para gente de qualquer condição social.
Muitos dos que entravam na sala de espera vinham já de telemóvel na mão. Qual arma em riste. Pronta para o ataque. Os que vinham assim armados traziam os olhos fixos na máquina. Sentavam-se e começava a batalha do envia e recebe SMS, alguns usando uma rapidez incrível, com sorrisos nos lábios de quem está em diálogo interessante.
Ao meu lado, um mais velho, não parava de mexer no seu pequeníssimo aparelho, em jeito de quem joga qualquer coisa. Bem mirei e lá estava ele entretido, no carrega-e-carrega com um dedo ou outro.
Outros telefonavam por tudo e por nada: “Cheguei”, “Estou à espera”, “E por aí?”, “Vou sair mesmo agora”, “Onde nos encontramos?… e assim por diante.
Outros entretinham-se a mexer no telemóvel sem nada fazer de especial Parecia-me que estavam a tentar descobrir as suas múltiplas funções, muitas das quais nunca ou raramente se utilizam. E até crianças, quando chegavam, sentavam-se e reclamavam logo das mães os telemóveis para um joguinho…
Pensando bem, até acho melhor que cada um se entretenha com o seu telemóvel. Passa o tempo sem se aborrecer e… deixa de pegar em revistas velhas e gastíssimas pelo uso. Eu juro que nem lhes toco… sei lá por que mãos andaram…

F.M.

Provérbio

"Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir"

Um artigo de António Rego


PERGUNTAS PÓS-REFERENDO


Quem terá votado no sim e no não ao aborto? Dum lado foi longamente explicado que se tratava apenas de respeitar as decisões da mulher sem a mandar para a cadeia. Do outro argumentou-se que a conversa do sim era só parte da questão. O que estava em causa era sim ou não ao aborto, sim ou não à vida.
Mais de 50% dos eleitores não compareceu. Os que foram às urnas, do Norte, Centro ou Sul, decretaram a vitória do sim. Isto é, a maioria dos que votaram.
Logo foram tiradas ilações pelo governo: assim sendo, vamos legislar o sim. Transformar, com carácter de urgência, o político em jurídico. E surgem de imediato, divisões no sim: pausa para reflexão da mulher? Aconselhamento? Capacidade de resposta dos hospitais? Objecção de consciência dos médicos? Alteração do Código Deontológico? Vinculação jurídica ou política? Constitucionalidade ou não? Aprovação pelo Presidente da República? Capacidade técnica de acorrer aos pedidos de aborto? Prioridades adiadas na saúde? Entrega ou não à medicina privada?
O canto de vitória foi mais partidário que ideológico. Muitos “defensores da mulher”, pelo que se percebeu só a defendem nesta circunstância. As concepções que publicamente sustentam de sexualidade, casamento descartável, exploração comercial da mulher, fazem desconfiar de humanismos circunstanciais muito distantes da defesa da dignidade da mulher.
A Igreja em Portugal também se interroga: que pensam os 97,5 de portugueses que se declaram católicos, em questões de moral familiar? Que jogos de consciência individual esconde este referendo? Terão sido mesmo os católicos que disseram não? Ou, na dúvida, se desculparam com o dia chuvoso de Fevereiro, como o haviam feito num dia escaldante de Verão em Junho de 1998?
Seria bom que antes de tantas respostas prontas e interesseiras, todos nos interrogássemos, passado serenamente algum tempo sobre o referendo de 2007. Para alguns o resultado do referendo foi uma vitória do progresso e da modernidade. Ou será, como diz Humberto Eco no seu último livro que “a história se está a enrolar em si própria, caminhando velozmente a passo de caranguejo”?
O tema está em aberto e o diálogo precisa ser continuado com as pontes possíveis nas convergências fundamentais.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Fecho de Centros de Saúde


Diga ao senhor ministro
que queremos ser espanhóis

Chaves, cidade transmontana que bem conheço e admiro, está hoje em protesto contra mexidas do Governo no estatuto do seu hospital, mas também contra o fecho de Centros de Saúde na região do Alto Tâmega.
Estas alterações nos Centros de Saúde, propostas por uma equipa de especialistas na matéria, têm gerado protestos a muitos níveis. Penso que alguns com legitimidade.
O que me choca é ver que no fundo quem vai sofrer é o povo humilde, pobre, com pensões miseráveis.
Em Chaves ouvi há pouco uma idosa protestar, e com razão. Diz ela que, agora, para vir da aldeia à cidade, ao médico, gasta 15 euros num táxi e o mesmo no regresso. E pergunta ela, apresentando-se como doente cancerosa, como é que pode viver com pouco mais de 200 euros de pensão.
A seu lado, uma mais arrebitada, disse: “Diga ao senhor ministro que queremos ser espanhóis.”
Esta flaviense é do tempo em que os transmontanos raianos iam habitualmente ao médico a Espanha, onde muitos nasceram, pois era ali que as parturientes encontravam quem as ajudasse em momentos difíceis. Não me espanta, pois, que voltem a lembrar-se do país vizinho.

Quaresma


QUARESMA:
QUADRAGÉSIMO DIA

O termo Quaresma deriva do latim "quadragesi-ma dies", ou seja, quadragésimo dia. É o período do ano litúrgico que dura 40 dias: começa na quarta-feira de cinzas e termina na missa "in Coena Domini" (Quinta-Feira Santa), sem inclui-la.
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O sexto Domingo, que dá início à Semana Santa, é chamado "Domingo de Ramos", "de passione Domini". Desse modo, reduzindo o tempo "de passione" aos quatro dias que precedem a Páscoa, a Semana Santa conclui a Quaresma e tem como finalidade a veneração da Paixão de Cristo a partir da sua entrada messiânica em Jerusalém.
Uma prática penitencial preparatória para a Páscoa, com jejum, começou a surgir a partir de meados do século II; outras referências a um tempo pré-pascal aparecem no Oriente, no início do século IV, e no Ocidente no final do mesmo século.
Nos primeiros tempos da Igreja, durante esse período, estavam na fase final da sua preparação os catecúmenos que, durante a vigília pascal, haveriam de receber o Baptismo.
Por volta do século IV, o período quaresmal caracterizava-se como tempo de penitência e renovação interior para toda a Igreja, inclusive por meio do jejum e da abstinência, marcas que ainda hoje se mantêm.
Na Liturgia, este tempo é marcado por paramentos e vestes roxas, pela omissão do "Glória" e do "Aleluia" na celebração da Missa.
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Fonte: Ecclesia

Arte na cidade


Figueira da Foz:
Painel de António Lino

No edifício do tribunal da Figueira da Foz, junto ao jardim, há um painel de António Lino, que vale a pena ser apreciado. O tema, como não podia deixar de ser, é a justiça.
Quantas vezes por ali passamos sem nos determos na procura da mensagem do artista. O corre-corre da vida tem destas coisas. Nem nos deixa ver a arte que nos é oferecida de graça.

Sabia que...

Há mais católicos no mundo? Pelas últimas estatísticas do Vaticano, há mais católicos no mundo. Os registos dizem que o número de católicos passou de 1098 biliões para 1115 biliões, entre 2004 e 2005. O aumento foi superior, em percentagem, ao crescimento da população mundial.

Provérbio

Nem no Inverno sem capa,
nem no Verão sem cabaça.

Mensagem do Papa para a Quaresma




“Hão-de olhar para
Aquele que trespassaram”


Queridos irmãos e irmãs!



«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram» (Jo 19, 37). Este é o tema bíblico que guia este ano a nossa reflexão quaresmal. A Quaresma é tempo propício para aprender a deter-se com Maria e João, o discípulo predilecto, ao lado d’Aquele que, na Cruz, cumpre pela humanidade inteira o sacrifício da sua vida (cf. Jo 19, 25). Portanto, dirijamos o nosso olhar com participação mais viva, neste tempo de penitência e de oração, para Cristo crucificado que, morrendo no Calvário, nos revelou plenamente o amor de Deus. Detive-me sobre o tema do amor na Encíclica Deus caritas est, pondo em realce as suas duas formas fundamentais: o ágape e o eros.

O amor de Deus: ágape e eros

A palavra ágape, muitas vezes presente no Novo Testamento, indica o amor oblativo de quem procura exclusivamente o bem do próximo; a palavra eros denota, ao contrário, o amor de quem deseja possuir o que lhe falta e anseia pela união com o amado. O amor com o qual Deus nos circunda é sem dúvida ágape. De facto, pode o homem dar a Deus algo de bom que Ele já não possua? Tudo o que a criatura humana é e possui é dom divino: é portanto a criatura que tem necessidade de Deus em tudo. Mas o amor de Deus é também eros. No Antigo Testamento o Criador do universo mostra para com o povo que escolheu uma predilecção que transcende qualquer motivação humana. O profeta Oseias expressa esta paixão divina com imagens audazes, como a do amor de um homem por uma mulher adúltera (cf. 3, 1-3); Ezequiel, por seu lado, falando do relacionamento de Deus com o povo de Israel, não receia utilizar uma linguagem fervorosa e apaixonada (cf. 16, 1-22). Estes textos bíblicos indicam que o eros faz parte do próprio coração de Deus: o Omnipotente aguarda o «sim» das suas criaturas como um jovem esposo o da sua esposa. Infelizmente desde as suas origens a humanidade, seduzida pelas mentiras do Maligno, fechou-se ao amor de Deus, na ilusão de uma impossível auto-suficiência (cf. Gn 3, 1-7). Fechando-se em si mesmo, Adão afastou-se daquela fonte de vida que é o próprio Deus, e tornou-se o primeiro daqueles «que, pelo temor da morte, estavam toda a vida sujeitos à escravidão» (Hb 2, 15). Deus, contudo, não se deu por vencido, aliás o «não» do homem foi como que o estímulo decisivo que o levou a manifestar o seu amor em toda a sua força redentora.
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Pode ler toda a mensagem

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Sabia que…

Sé de Aveiro


Há voluntariado missionário?
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Desde 1998, já partiram de Portugal, como voluntários missionários, cerca de 2500 portugueses, para trabalhar em países lusófonos.
No nosso País, há aproximadamente 40 Movimentos ligados a congregações religiosas, paróquias, dioceses, universidades ou outras ONG (Organizações Não Governamentais) ligadas à Igreja Católica, que enviam voluntários, onde são acolhidos por missionários. A Diocese de Aveiro também tem os seus missionários e aceita boas vontades para trabalhar na Missão.
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Fonte: “Sol”

Mensagem quaresmal do Bispo de Aveiro




DEUS É FONTE DE VIDA




1- Na mensagem para a Quaresma deste ano, o Santo Padre Bento XVI escolheu o tema bíblico da Cruz para guiar a nossa reflexão: - “Hão-de olhar para Aquele que trespassaram” (Jo 19, 37). O Santo Padre convida-nos, assim, a determo-nos “com Maria, Mãe de Jesus, e com João, o discípulo predilecto, ao lado d´Aquele que, na Cruz, cumpre pela humanidade inteira o sacrifício da Sua Vida” (cf. Jo 19, 25).
Vincula-nos esta mensagem à essência da vida cristã, ao âmago da história da salvação e ao tema da primeira encíclica de Bento XVI: - “Deus é Amor”. É no mistério da Cruz que se revela plenamente o poder incontável do amor e da misericórdia de Deus pela humanidade.
“Olhemos para Cristo trespassado na Cruz! É Ele a revelação mais perturbadora do amor de Deus” - insiste o Santo Padre. “Mas aceitar o Seu amor, não é suficiente. É preciso corresponder a este amor e comprometer-se depois a transmiti-lo aos outros: Cristo ‘atrai-me para Si’, para que eu aprenda a amar os irmãos com o Seu mesmo Amor” (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma de 2007).
“Olhar para Aquele que trespassaram” constitui assim, para a Igreja de Aveiro, a escola insubstituível de uma aprendizagem contínua, consolidada e consequente do amor de Deus e do amor dos irmãos. Só Deus é fonte de vida e de amor. Ninguém estranhe por isso que, quando nos falta essa fonte divina, cesse a vida e estio o amor.

Leia toda a mensagem em Ecclesia

Aborto

SILÊNCIO MEDIÁTICO
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António Marujo, jornalista do PÚBLICO, diz hoje, num artigo de opinião dedicado ao referendo sobre a despenalização do aborto, que dois aspectos merecem reflexão

“a) outra razão que ajudou ao insucesso do ‘não’ foi o silêncio mediático sobre o trabalho feito pelas associações criadas depois do referendo de 1998 e que têm uma acção meritória de apoio a grávidas, a mães adolescentes e a crianças. Muitos católicos estão empenhados nessas associações, várias delas nascidas à sombra de instituições da Igreja, mas isso é pouco divulgado e conhecido; b) em 1984, quando a primeira lei sobre o aborto foi aprovada no Parlamento, o objectivo era o de acabar com o aborto clandestino. Oxalá que o país seja capaz, agora, de resolver o problema. Para que, daqui a mais dez anos, não se esteja a votar num outro referendo.”

Natureza: A força do vento

A natureza tem força. Quem o diz são estas árvores, em pleno Parque das Abadias, na Figueira da Foz. Em obediência à Natureza, elas indicam-nos os ventos dominantes durante o ano.

Citação

“Nas profundezas do Inverno, compreendi que dentro de mim existe um Verão invencível”
Albert Camus, in XIS

Pobreza

PORTUGUESES ENTRE
OS MAIS POBRES DA UE
:
Segundo um estudo da Comissão Europeia, Portugal é um dos países da UE onde o risco de pobreza é o mais elevado, sobretudo entre as pessoas que trabalham, revela o PÚBICO de hoje. Diz o estudo que 14 por cento dos que trabalham vivem abaixo do limiar de pobreza, num total de 20 por cento de pobres entre a população portuguesa. Refere ainda que entre os 27 países da UE, apenas a Polónia e a Lituânia estavam em pior situação, com 21 por cento de pobres. A nossa ancestral pobreza, que todos conhecem e que muitos fingem ignorar, ainda não foi motivo de mobilização geral de todos os portugueses, com vista a criar mais justiça social para todos. As bolsas de gente que vive com fome, num país onde há tantos ricos, persistem, não obstante as políticas que prometem um mundo melhor para todos. O PÚBLICO diz que a UE aconselha o Governo português a aplicar a reforma de pensões, melhorar a eficácia do sistema de saúde, entre outras medidas. Será que Sócrates e os seus políticos ouvem estes apelos?

Ao sabor da maré

FOLGUEDOS ANTES DA QUARESMA
:
Quem criou o ritmo das festas foi inteligente. E se foi o povo, com a sua indesmentível sabedoria, mais é de louvar. Vem isto a propósito dos folguedos do Carnaval que hoje terminam e que vêm desde domingo, antecedendo a Quaresma. É sabido que as festas em honra dos padroeiros das diversas comunidades cristãs se fazem, por norma, no Verão, tempo mais propício à vivência da alegria e ao encontro das pessoas. E agora, a festa do Carnaval também tem o seu sentido bem compreendido. Antes da Quaresma, período mais dado a contemplações, à renúncia, à conversão, ao silêncio e à reflexão, que nos convidam a interiorizar o sofrimento redentor de Cristo, temos então os folguedos carnavalescos para nos despedirmos do ramerrão do dia-a-dia. Embora eu não me identifique nada com as festas que o Carnaval propõe, talvez por razões temperamentais, não posso deixar de aceitar e até de apreciar quem tem posições contrárias, louvando os que sabem rir, folgar, dançar e cantar, e até criticar e caricaturar com sarcasmo a vida, nos seus principais actores, de âmbito local e nacional. E depois disto, que venha a Quaresma, com tudo o que ela tem de fundamental, para nos conduzir à Páscoa. Fernando Martins

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Um poema de Teixeira de Pascoaes



O sol, sombra de Deus, ressuscitou.
Nos montes, derreteu a neve fria.
E um raio só doirado dissipou
O nevoeiro que tudo escurecia.

Na minha noite lívida passou
Como divina aparição do dia!
Quero cantar a virgem Primavera!
Quero gritar ao mundo: Vive e espera!

Teixeira de Pascoaes,
in “Obras Completas”, VI volume

Inverno


O SOL A SÉRIO NUNCA MAIS VEM
:
Quem há por aí que não esteja desejoso de ver o sol a aquecer-nos? Eu estou, porque nunca gostei nada do frio agreste que nos deixa triste a alma... e o corpo.
Bem esperei que o sol surgisse entre a ramagem, mas ele fez-me desesperar e não veio mesmo. Ao longe lá se vislumbravam uns sinais, mas nada de significativo. Pode ser que hoje nos dê a alegria da luz que rejuvenesce.

Tecendo a vida umas coisitas - 11

FORMAÇÃO DA PENÍNSULA
DA GAFANHA

Caríssimo:

Magia e imaginação é o que nos pedem os nossos netos quando nos perguntam tudo sobre o quem e o donde somos. Há dias bom e velho Amigo escreveu que a neta o interpelou: «Avô, porquê...? Avô, era muito difícil...?»
Quando somos confrontados com essas insistentes e inocentes perguntas, é normal sentirmo-nos desarmados e só então a posição de quem acalenta a vida e se deixa desafiar e acalentar pela mesma vida nos permite ir ao encontro da curiosidade infantil e prepará-la para a realidade que a espera ali à esquina.

A “Monografia da Gafanha”, do P. João Vieira Resende, tornou-se um dos meus livros de cabeceira há muitos anos. Venham daí comigo e vamos relembrar algumas coisitas que ele teima em nos repetir desde 1940!
«Denomina-se Gafanha toda a região arenosa dos concelhos de Ílhavo e Vagos com cerca de 25 quilómetros de comprimento por 5 de largura, abraçada do Norte ao Sul (lado poente) pelo rio Mira e do Norte ao Sul (lado nascente) pelo rio Boco, afluentes da Ria de Aveiro, e confinando pelo Sul com uma linha que, saindo dos Cardais de Vagos, vai fechar ao Norte do lugar do Poço da Cruz, freguesia de Mira. Pela identidade da sua origem, topografia, condições de vida, costumes, etc., consideramos como uma continuação da Gafanha a duna situada naqueles dois concelhos, entre o Oceano e a Ria.»

Acompanhemos ainda o P. Resende:
«É bem conhecida a formação recente desta linda e ubérrima região, que em tempos imemoriais foi banhada pelas águas do Atlântico, e que agora oferece, na majestosa amplidão da sua campina, um panorama cheio de luz, emoldurado pelas espelhentas águas do Oceano e da Ria, onde brincam, como mariposas, mil barquinhos de velas pandas, a esvoaçar.»
Isto vem logo na página 1; e, depois de ir expondo a sua opinião e as suas dúvidas, atira-nos com esta pergunta de sonho:
«E não temos nós o caso da tão falada, e lendária vizinha, a submersa Atlântida?» (pág. 5)

Mais à frente, página 8, afirma, como quem estudou bem o assunto:
«Pela aproximação dos documentos de 1088, 1096 e 1296 que o sr. dr. Rocha Madail transcreve do “Livro Preto” da Sé de Coimbra, no “Illiabum”, radica-se em nós a opinião de que foi naquelas épocas que a barra do Boco deixou de funcionar directamente com o mar, e que as suas águas, impotentes da duna que viria a ser a Gafanha, faziam o seu movimento de evasão através dos baixios fronteiros, e bem assim pelo prolongado e actual canal do Boco morto, para a instável barra do Vouga.»

E remata as suas considerações com estas deliciosas palavras (pág. 9):
«Deixemos agora os geólogos e os naturalistas a contas com possível, e, por enquanto, enigmática Gafanha antiga, e tateemos um pouco esta Gafanha que os nossos olhos contemplam à luz deste sol esplendoroso, que se derrama a jorros pelas suas areias, pelas suas searas, pelas suas flores e pelas suas águas.»
[Escreveu só mais 356 páginas!]

De facto, muitos se têm debruçado e estudado esta região e chegaram à conclusão de que os cordões dunares da Ria se desenvolveram entre os séculos X e XVIII. Esperemos que outros estudos mais circunscritos à nossa península nos ajudem a continuar a leitura do P. Resende.

Bons passeios aproveitando as tardes soalheiras que este Fevereiro nos vai oferecendo.

Manuel
:
NOTA: Em viagem por uns dias, não quero deixar os meus leitores sem a habitual crónica dominical do colaborador e amigo Manuel. É que em viagem nunca sabemos se temos ou não acesso à Net.

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